“As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar, senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento.” John Stuart Mill
quarta-feira, 10 de junho de 2020
Um baile de máscaras e a representação teatral de um diálogo filosófico
sábado, 27 de janeiro de 2018
Da dúvida à certeza: vídeo e ficha de trabalho

Adaptações da alegoria da caverna em vídeo
Tema: A teoria do conhecimento de Descartes.
Após o visionamento do vídeo do filósofo inglês Warburton, responda às seguintes questões:
1. Dê exemplos que provem a falibilidade dos nossos sentidos.
2. Explique uma das objecções à tese: nunca podemos confiar no conhecimento sensorial.
3. Qual é o ponto de vista de Platão, expresso na alegoria da caverna, acerca do conhecimento empírico. Descartes concorda com ele?
4. Como se explica o argumento do sonho?
5. De que tipo de conhecimento é que o argumento do sonho não nos permite duvidar?
6. Esclareça em que consiste a experiência mental do “cérebro numa cuba”. Para que serve?
7. A experiência mental do “cérebro numa cuba” é comparável a que argumento cartesiano? Porquê?
8. De que forma ultrapassa Descartes a dúvida metafísica introduzida pelo Génio Maligno?
9. O que é o cogito?
A professora: Sara Raposo
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quinta-feira, 31 de março de 2016
Vemos as coisas como elas realmente são?
“acaso saberão aquela história da rapariguinha
saindo do seu jardim com todo o barulho que sabia
para depois pé ante pé nele entrar só para ver
como era o jardim na sua ausência?”João Miguel Fernandes Jorge 1
É claro que a rapariguinha não conseguiu ver como era o jardim na sua ausência, pois não estava ausente e só estando presente se consegue ver alguma coisa, nomeadamente um jardim.
Por detrás desta história está uma velha questão filosófica: o mundo exterior será realmente como o percecionamos? 2
Como é que podemos saber se as coisas são realmente como as percecionamos? Não se poderá dar o caso de serem diferentes?
Afinal de contas, não temos maneira de comparar o modo como percecionamos as coisas com as coisas em si mesmas. Não temos outro acesso às coisas senão através da perceção que temos delas.
Podemos dizer se um desenho representa ou não corretamente um certo objeto pois podemos comparar o desenho com as perceções visuais que temos do objeto – com o original, por assim dizer. Mas como podemos saber se essas perceções representam corretamente o próprio objeto? Nesse caso já não temos um original como termo de comparação, só temos as perceções. Por isso, a rapariguinha do poema não poderia garantir que o jardim na sua ausência é semelhante ao jardim que vê.
Dando mais um passo, podemos duvidar não só da veracidade das nossas perceções como também da existência das próprias coisas. As perceções são representações mentais, supostamente de coisas existentes no mundo exterior, mas, se não podemos garantir que representam fielmente essas coisas, como podemos garantir sequer que representam alguma coisa? Talvez as nossas perceções sejam como os sonhos ou as alucinações e não correspondam a nada real. Por isso, a rapariguinha do poema não poderia garantir que o jardim que vê existe realmente. 3
1 Trata-se de uma parte de um poema sem título do livro Turvos Dizeres. Pode ser lido na página 70 do volume 2 da Obra Poética do autor (Editorial Presença, Lisboa, 1987). Não vou analisar o poema todo. Nem sempre é fácil entender os poemas de João Miguel Fernandes Jorge, pois este tem uma técnica de escrita peculiar: é como se os poemas fossem colagens de elementos diferentes e aparentemente sem relação (o que por vezes produz poemas que o autor talvez devesse ter reescrito ou deixado na gaveta, mas outras vezes origina a poemas inesperados e belos, como por exemplo este). Mas, apesar dessa dificuldade, julgo que o resto do poema não tem relevância filosófica ou pelo menos não ajuda a perceber a história da rapariguinha. De qualquer modo, eis o poema na sua totalidade:
Ganho com o tempo aquilo que
o tempo o espaço me reduz
Caminho e
tenho quase muitos anos durar é o meu maior problema
irresistível simulação de quem olha para os astros
e provoca pequenos desvios. Jogando quero abrir os
meus brinquedos
brinco e como toda a criança brincandoestão sentados os gémeos do café Londres
um pouco mais à frente aqueles dois rapazes
- de que morrerão eles?
Incerta é a serenidade com que dizem sim e não
aceitam uma paz em fundo de guerra
- acaso saberão aquela história da rapariguinha
saindo do seu jardim com todo o barulho que sabia
para depois pé ante pé nele entrar só para ver
como era o jardim na sua ausência?Estas coisas foram ditas para que saibam que
Jesus é o filho de Deus. Acreditem.
2 Chama-se perceção à representação de alguma coisa através dos sentidos (nomeadamente a visão, a audição e o tato), eventualmente “ajudados” pelo pensamento.
3 Fotografia de Sebastião Salgado. Representa uma menina sem terra num acampamento em Rio Bonito do Iguaçu, Paraná, 1996.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
A crítica de David Hume a Descartes
“Existe uma espécie de ceticismo, anterior a qualquer estudo ou filosofia, muito recomendado por Descartes e outros como sendo a soberana salvaguarda contra os erros e os juízos precipitados. Este cepticismo recomenda uma dúvida universal, não apenas quanto aos nossos princípios e opiniões anteriores, mas também quanto às nossas próprias faculdades, de cuja veracidade, diz ele, devemos nos assegurar por meio de uma cadeia argumentativa deduzida de algum princípio original que seja totalmente impossível tornar-se enganador ou falacioso. Mas nem existe qualquer princípio original como esse, dotado de qualquer prerrogativa sobre outros que são evidentes e convincentes; nem, se existisse, poderíamos avançar um passo além dele, a não ser pelo uso daquelas mesmas faculdades das quais se supõe que já suspeitamos. A dúvida cartesiana, portanto, se jamais fosse capaz de ser alcançada por qualquer criatura humana (o que claramente não é), seria totalmente incurável, e nenhum raciocínio poderia alguma vez nos levar a um estado de segurança e convicção acerca de qualquer assunto.
Deve-se todavia confessar que o ceticismo, quando é mais moderado, pode ser entendido num sentido muito razoável, e constitui uma preparação para o estudo da filosofia, preservando uma adequada imparcialidade nos nossos juízos e libertando-nos o espírito de todos os preconceitos de que possamos ter sido impregnados pela educação ou por opiniões precipitadas.”
David Hume, Tratados I: Investigação sobre o Entendimento Humano, tradução de João Paulo Monteiro, Lisboa, INCM, 2002, pp. 161-162.
domingo, 3 de janeiro de 2016
Links sobre epistemologia
Tipos de conhecimento
O que é o conhecimento?
Ficha de trabalho: identificação dos diferentes tipos de conhecimento
O conhecimento por contacto facilita as cunhas
Conhecimento proposicional?
O Deco não percebe nada de Epistemologia
O reconhecimento implícito da factividade do conhecimento
Um “sinal de Deus” será uma boa justificação?
Dois contra-exemplos à chamada definição tradicional de conhecimento
A matemática é a priori mas não é inata
Algumas imagens que nos levam a duvidar dos nossos olhos e o cepticismo radical
Como são parecidas a ilusão e a realidade!
O argumento céptico da regressão infinita da justificação: um exemplo
A dúvida metódica (este deveria ter sido o primeiro post deste blogue)
Razões para duvidar, segundo Descartes
Aconselhado:
O que é que realmente sabemos?
Penso, logo não cozinho!
Cegos que não sabem que são cegos
Em terra de cegos quem tem um olho não é rei
sábado, 15 de março de 2014
Ilusão percetiva?
É ou não uma ilusão percetiva? Como se explica o que vemos no vídeo?
Vídeo descoberto aqui: Não é magia, é ciência.
.
quinta-feira, 6 de março de 2014
Hume e a relação causa-efeito
“Todos os nossos raciocínios relativos a questões de facto, defende Hume, se baseiam na relação de causa e efeito. Mas como chegamos ao nosso conhecimento das relações causais? (…) Ao olhar apenas para a pólvora, nunca poderíamos descobrir que é explosiva; é preciso experiência para saber que o fogo queima as coisas. Mesmo as mais simples regularidades da natureza não poder estabelecidas a priori porque uma causa e um efeito são dois acontecimentos totalmente diferentes e um não pode ser inferido do outro. Vemos uma bola de bilhar a mover-se na direcção de outra e esperamos que transmita movimento à outra. Mas porquê?
A resposta, obviamente, é que descobrirmos as regularidades da natureza através da experiência. Mas Hume leva a sua indagação mais além. Mesmo depois de termos a experiência das operações de causa e de efeito, pergunta, que bases existem na razão para inferir conclusões dessa experiência? A experiência apenas nos dá informação sobre ocorrências passadas: porque haveria de ser alargada a objectos futuros, que, tanto como sabemos, só se assemelham aos objectos passados na aparência? O pão alimentou-me no passado, mas que razões tenho para acreditar que o irá fazer no futuro?"
Anthony Kenny, Ascenção da Filosofia moderna, Edições Gradiva, Lisboa 2011, págs. 170-171.
A crença nas superstições implica estabelecer nexos causais entre acontecimentos diferentes que não têm qualquer relação entre si. Por exemplo:
Vi um gato preto na rua (causa) e, logo a seguir, parti um pé (efeito).
Tive negativa no teste de Filosofia (efeito) porque este foi realizado numa sexta-feira, dia 13 (causa).
Esta crença em causalidades fictícias tem um fundamento subjectivo (é uma crença irracional do sujeito) e não se baseia nem na experiência nem na razão.
Segundo Hume, as relações causais efectuadas no âmbito do quotidiano e da ciência dependem de factores psicológicos como o hábito e não têm, por isso, uma justificação racional ou empírica. Assim sendo, no âmbito do conhecimento vulgar e do científico, adquirimos a crença que a água vai aquecer com base na experiência passada.
Como é que podemos refutar esta ideia defendida por Hume? Será que podemos mostrar que as explicações científicas estão racionalmente justificadas?
Outros posts sobre a causalidade:
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Simon Blackburn em Coimbra: “de cara levantada ao lado da tradição”
Simon Blackburn, autor de Dicionário de Filosofia e Pense: Uma introdução à filosofia, será um dos oradores do 11.º Encontro Nacional de Professores de Filosofia que decorrerá em Coimbra nos dias 6 e 7 de Setembro. A comunicação de Simon Blackburn intitula-se “Philosophy, Science, and Human Nature”. (Veja o programa completo aqui.)
Como aperitivo aqui fica um excerto da Introdução a Pense.
«Nos últimos 2 mil anos, a tradição filosófica tem (…) insistido na ideia de que uma vida não examinada não vale a pena ser vivida. Tem insistido no poder da reflexão racional para descobrir o que há de errado nas nossas práticas e para as substituir por práticas melhores. Tem identificado a autorreflexão crítica com a liberdade — e a ideia é que só quando nos conseguimos ver a nós mesmos de forma adequada podemos controlar a direção em que desejamos caminhar. Só quando conseguimos ver a nossa situação de forma estável e a vemos na sua totalidade podemos começar a pensar no que fazer a seu respeito. Marx disse que os filósofos anteriores tinham procurado compreender o mundo, ao passo que o que era preciso era mudá-lo — uma das asserções famosas mais tolas de todos os tempos (e completamente desmentida pela sua própria prática intelectual). Teria sido melhor que Marx tivesse acrescentado que sem compreender o mundo, pouco saberemos em termos de como o mudar — pelo menos para melhor. Rosencranz e Guildenstern admitem não saber tocar gaita-de-foles, mas tentam manipular Hamlet. Quando agimos sem compreensão, o mundo está perfeitamente preparado para dar voz à reação de Hamlet: “Pensais que eu sou mais fácil de controlar que uma gaita-de-foles?”
Há correntes académicas no nosso tempo que são contra estas ideias. Há pessoas que questionam a própria noção de verdade, de razão, ou a possibilidade da reflexão desapaixonada. Na sua maior parte, fazem má filosofia, muitas vezes sem saberem que é isso que estão a fazer (…). Voltaremos a esta questão várias vezes ao longo do livro, mas para já posso prometer que este livro está de cara levantada ao lado da tradição e contra qualquer ceticismo moderno, ou pós-moderno, quanto ao valor da reflexão.»
Simon Blackburn, Pense: Uma introdução à filosofia, Gradiva, Lisboa, 2000, pp. 21-22.
sábado, 13 de abril de 2013
Sinto, logo existo?
Apanhar um tiro e sentir dor não prova que a res extensa (no caso refere-se ao corpo, mas significa as coisas físicas em geral) seja real. O “penso, logo existo” escapa ao génio maligno mas o “sinto, logo existo” não, pois…
domingo, 3 de março de 2013
Penso, logo não cozinho!
Falando a sério: a necessidade de realizar muitas tarefas domésticas está longe de favorecer o estudo e a reflexão, pelo que não é preciso recorrer a um cenário cético para, ocasionalmente, o jantar não existir.
sábado, 2 de março de 2013
Matriz do 4º teste do 11º ano: turmas A, C e D
Matriz do 4º teste de Filosofia do 11º ano C13 by CarlosLPires
Leituras:
No livro A Arte de Pensar - 11º ano:
Da página 129 à página 132. Da página 137 à página 148.
No blogue Dúvida Metódica:
Links sobre o ceticismo e Descartes
Links sobre o ceticismo e Descartes
Ceticismo
Uma dúvida inspiradora para os alunos do 11º ano
O argumento céptico da divergência de opiniões.
Exemplo de divergência de opiniões: a música de Strauss é sublime ou mera gritaria?
O argumento céptico da regressão infinita da justificação: um exemplo
Algumas imagens que nos levam a duvidar dos nossos olhos e o cepticismo radical
Como são parecidas a ilusão e a realidade!
Uma objecção ao argumento céptico dos erros e ilusões perceptivas
O que é que realmente sabemos?
A minha vida é real: conhecimento ou mera crença?
Cegos que não sabem que são cegos
Em terra de cegos quem tem um olho não é rei
Aparência e realidade: um vídeo de Nigel Warburton
Descartes
A dúvida metódica (este deveria ter sido o primeiro post deste blogue)
Razões para duvidar, segundo Descartes
A matemática é a priori mas não é inata
Objeção a Descartes: o cogito é um entimema e não uma crença básica
Objeção ao argumento da marca: criar a ideia de perfeição é diferente de criar a própria perfeição
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
A vida será um sonho?
Como explicam a Psicologia e a Neurologia, para fabricar os sonhos o nosso cérebro vai “buscar” imagens e outros dados à memória das experiências passadas. (Esquema 1)
Contudo, isso não chega para refutar o cenário cético da vida ser um sonho (ou seja, não implica necessariamente que exista uma vida real e não sonhada onde essas experiências passadas ocorreram), pois se a vida de uma pessoa fosse um sonho essas experiências passadas teriam também sido sonhadas e não vividas realmente. (Esquema 2)
Para refutar esse cenário é necessário encontrar um elemento qualquer que exista na nossa experiência (nas perceções que temos ) e não exista nos sonhos.
(Note-se que a situação inversa – sonharmos com algo, por exemplo voar, que não conseguimos experienciar – não refuta a sugestão cética de que a vida talvez seja um sonho.)
Considerações semelhantes podem ser feitas a propósito de outros cenários céticos, nomeadamente a vida ser uma enorme alucinação (como no filme Matrix ou na experiência mental do “cérebro numa cuba”).
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Como são parecidas a ilusão e a realidade!
“Os erros percetivos podem ser divididos em dois tipos: ilusões e alucinações. As ilusões dão-se quando objetos percecionados, apesar de existirem, possuem propriedades distintas das percecionadas. As alucinações dão-se quando os objetos percecionados nem sequer existem. (…)
Imagine-se que ao entrar numa sala vejo aquilo que me parece ser uma cadeira azul e que, sem saber, estou sob a ilusão de que a cadeira é azul por causa do modo como a sala se encontra iluminada, e que a cadeira é realmente branca. Da minha perspetiva, a minha perceção ilusória da cadeira azul é indistinguível de uma perceção verídica de uma cadeira azul. (…)
Quando se tem uma alucinação não há qualquer objeto externo responsável pela experiência percetiva. Contudo, do ponto de vista do sujeito a experiência de alucinar um oásis no deserto é indistinguível da experiência de ver um oásis no deserto.”
Célia Teixeira, “Epistemologia”, em Filosofia – Uma introdução por disciplinas, organização de Pedro Galvão, Edições 70, Lisboa, 2012, pp. 114-115.
Enquanto têm uma ilusão percetiva ou uma alucinação, as pessoas muitas vezes não têm consciência desse facto e julgam que se trata de perceções verídicas. Se juntarmos isso à indistinção referida no texto, como podemos garantir – perguntam os céticos - a veracidade das nossas perceções? Como podemos garantir que não estamos a alucinar neste preciso momento ou mesmo sempre?
Hergé, Tintim no País do Ouro Negro, Difusão Verbo, 2000, pág. 19.
Hergé põe os irmãos Dupond a falarem em miragens, mas julgo que na situação apresentada a palavra “alucinação” seria mais adequada, uma vez que as personagens julgam ver coisas que na realidade não existem. Ora, “as miragens, também conhecidas como espelhismo, não são uma alucinação provocada pelo forte calor. Elas são um fenómeno óptico real que ocorre na atmosfera formando diferentes tipos de imagens, podendo inclusive ser fotografado. Tal fenômeno ocorre devido às propriedades de refração da luz.”
Fotografia de uma miragem
Fonte da citação e da fotografia: InfoEscola.
segunda-feira, 5 de março de 2012
Estudar para o 4º teste do 11º ano: os céticos, Descartes e Hume.
Seguem-se links para textos e outro tipo de recursos existentes no Dúvida Metódica sobre o cepticismo, Descartes e David Hume.
Bom estudo! :)
1. Cepticismo radical:
Uma dúvida inspiradora para os alunos do 11º ano
2. Descartes:
A dúvida metódica (este deveria ter sido o primeiro post deste blogue)
Razões para duvidar, segundo Descartes
Como é que Descartes pretendeu ultrapassar o ponto de vista dos cépticos
O solipsismo e a necessidade de Deus no sistema cartesiano
Descartes: argumentos para provar a existência de Deus
A objecção de Kant ao argumento ontológico: a existência não é um predicado
O argumento ontológico: diálogo entre um crente e um ateu
Objecção ao argumento da marca: criar a ideia de perfeição é diferente de criar a própria perfeição
O “Deus dos filósofos” e o “Deus da fé”
Críticas a Descartes: Ficha de trabalho
Os conceitos cartesianos de intuição e dedução
A matemática é a priori mas não é inata
Como aplicar ideias da Física ao marketing
3. David Hume:
Cegos que começam a ver: impressões e ideias
Como se originou, segundo Hume, a ideia de Deus?
A crença na causalidade é instintiva
As superstições e a crítica de Hume à ideia de causalidade
A minha vida é real: conhecimento ou mera crença?
4. Testes de Filosofia aplicados no ano letivo anterior.
Testes de Filosofia do 11º ano aplicados no 2º período
quinta-feira, 24 de março de 2011
Links para o 4º teste de Filosofia: turmas B e D do 11º
Cepticismo:
O argumento céptico da divergência de opiniões
Algumas imagens que nos levam a duvidar dos nossos olhos e o cepticismo radical
O argumento céptico da regressão infinita da justificação: um exemplo
Uma objecção ao argumento céptico dos erros e ilusões perceptivas
Descartes:
A minha vida é real: conhecimento ou mera crença?
A dúvida metódica (este deveria ter sido o primeiro post deste blogue)
Razões para duvidar, segundo Descartes
Objecção a Descartes: o Cogito é um entimema e não uma crença básica
Descartes: argumentos para provar a existência de Deus
O argumento ontológico: diálogo entre um crente e um ateu
Objecção ao argumento da marca: criar a ideia de perfeição é diferente de criar a própria perfeição
A objecção de Kant ao argumento ontológico: a existência não é um predicado
A objecção de Gaunilo ao argumento ontológico: tem consequências absurdas
Versão materialista do "Penso, logo existo"
Aconselhado:
Uma dúvida inspiradora para os alunos do 11º ano
Os abraços: realidade ou fantasia? - A importância de refutar o cepticismo
Exemplo de divergência de opiniões: a música de Strauss é sublime ou mera gritaria?
Como é que Descartes pretendeu ultrapassar o ponto de vista dos cépticos
Uma dúvida existencial e uma certeza póstuma
Se o solipsismo for verdadeiro o caro leitor não existe: eu é que existo
segunda-feira, 21 de março de 2011
Matriz do 4º teste de Filosofia: turmas B e D do 11º ano
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Matriz do 4º teste Filosofia do 11cepticismo e Descartessábado, 12 de março de 2011
Textos sobre o cepticismo, Descartes e Hume
Seguem-se links para textos e outro tipo de recursos existentes no Dúvida Metódica sobre o cepticismo, Descartes e David Hume. Esperamos que vós possam úteis.
Bom estudo! :)
1. Cepticismo
Uma dúvida inspiradora para os alunos do 11º ano
2. Descartes
A dúvida metódica (este deveria ter sido o primeiro post deste blogue)
Razões para duvidar, segundo Descartes
Os sonhos de Akira Kurosawa: cinema em tempo de lazer (2)
O solipsismo e a necessidade de Deus no sistema cartesiano
Descartes: argumentos para provar a existência de Deus
A objecção de Kant ao argumento ontológico: a existência não é um predicado
O argumento ontológico: diálogo entre um crente e um ateu
Objecção ao argumento da marca: criar a ideia de perfeição é diferente de criar a própria perfeição
O “Deus dos filósofos” e o “Deus da fé”
Críticas a Descartes: Ficha de trabalho
Como é que Descartes pretendeu ultrapassar o ponto de vista dos cépticos
Os conceitos cartesianos de intuição e dedução
A matemática é a priori mas não é inata
Como aplicar ideias da Física ao marketing
3. David Hume
Cegos que começam a ver: impressões e ideias
Como se originou, segundo Hume, a ideia de Deus?
A crença na causalidade é instintiva
quarta-feira, 9 de março de 2011
Razões para duvidar, segundo Descartes
«Notei, há alguns anos já, que, tendo recebido desde a mais tenra idade tantas coisas falsas por verdadeiras, e sendo tão duvidoso tudo o que depois sobre elas fundei, tinha de deitar abaixo tudo, inteiramente, por uma vez na minha vida, e começar, de novo, desde os primeiros fundamentos, se quisesse estabelecer algo de seguro e duradouro nas ciências. Então, hoje, (…) vou dedicar-me, por fim, com seriedade e livremente, a destruir em geral as minhas opiniões.
Para isso não será necessário mostrar que todas são falsas, o que possivelmente eu nunca iria conseguir. (…) Não tenho de percorrê-las cada uma em particular, trabalho que seria sem fim: porque uma vez minados os fundamentos, cai por si tudo o que está sobre eles edificado, atacarei imediatamente aqueles princípios em que se apoiava tudo o que anteriormente acreditei.
Sem dúvida, tudo aquilo que até ao presente admiti como maximamente verdadeiro foi dos sentidos ou por meio dos sentidos que o recebi. Porém, descobri que eles por vezes nos enganam, e é de prudência nunca confiar naqueles que, mesmo uma só vez, nos enganaram.
Mas ainda que os sentidos nos enganem algumas vezes sobre coisas pequenas e afastadas, há todavia muitas outras de que não podemos duvidar, embora as recebamos por eles: como, por exemplo, que estou aqui, sentado junto à lareira, vestido com um roupão de Inverno, que toco este papel com as mãos, e outros factos semelhantes. E ainda, qual a razão por que se poderia negar que estas próprias mãos e todo este meu corpo são meus? (…)
Ora muito bem, como se eu não fosse um homem que costuma dormir de noite e consentir em sonhos (…) [muitas coisas irreais]. Com efeito, quantas vezes me acontece que, durante o repouso nocturno, me deixo persuadir de coisas tão habituais como que estou aqui, com o roupão vestido, sentado à lareira, quando todavia estou estendido na cama e despido! Mas agora, observo este papel seguramente com os olhos abertos, esta cabeça que movo não está a dormir, voluntária e conscientemente estendo esta mão e sinto-a: o que acontece quando se dorme não parece tão distinto. Como se não me recordasse de já ter sido enganado em sonhos por pensamentos semelhantes! Por isso, se reflicto mais atentamente, vejo com clareza que vigília e sonho nunca se podem distinguir por sinais seguros, o que me espanta (…).
[Contudo], a Aritmética, a Geometria e outras ciências desta natureza, que só tratam de coisas extremamente simples e gerais e não se preocupam em saber se elas existem ou não na natureza real, contêm algo de certo e indubitável. Porque, quer eu esteja acordado quer durma, dois e três somados são sempre cinco e o quadrado nunca tem mais do que quatro lados e parece impossível que verdades tão evidentes possam incorrer na suspeita de falsidade.
Todavia, está gravada no meu espírito uma velha crença, segundo a qual existe um Deus que pode tudo e pelo qual fui criado tal como existo. Mas quem me garante que ele não procedeu de modo que não houvesse nem terra, nem céu (...), nem grandeza, nem lugar, e que, no entanto, tudo isto me parecesse existir tal como agora? E mais ainda, assim como concluo que os outros se enganam algumas vezes naquilo que pensam saber com absoluta perfeição, também eu me podia enganar todas as vezes que somasse dois e três ou contasse os lados de um quadrado, ou em algo de mais fácil ainda, se é possível imaginá-lo. (...) Vejo-me constrangido a reconhecer que não existe nada, naquilo que outrora reputei como verdadeiro, de que não seja lícito duvidar. (...)
[Suponhamos, então, que] há um enganador (…) sumamente poderoso e astuto, que me engana sempre com a sua indústria. No entanto, não há dúvida de que existo, se me engana; que me engane quanto possa, não conseguirá nunca que eu seja nada enquanto eu pensar que sou alguma coisa. De maneira que (...) deve por último concluir-se que esta proposição Eu sou, eu existo, sempre que proferida por mim ou concebida pelo meu espírito, é necessariamente verdadeira.»
Descartes, Meditações sobre a Filosofia Primeira, trad. de Gustavo de Fraga, Livraria Almedina, Coimbra, 1985, pp. 105-119.
Descartes dando lições de Filosofia à Rainha Cristina da Suécia.

