"Não temos tanta necessidade da ajuda dos amigos quanto da certeza da sua ajuda."
Epicuro
Na fotografia (cujo autor desconheço): Crianças afegãs brincam com pistolas de imitação, em Jalalabad.
“As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar, senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento.” John Stuart Mill
"Não temos tanta necessidade da ajuda dos amigos quanto da certeza da sua ajuda."
Epicuro
Na fotografia (cujo autor desconheço): Crianças afegãs brincam com pistolas de imitação, em Jalalabad.
“A morte, o mais temido dos males, não nos diz (…) respeito; pois enquanto existimos a morte não está presente, e quando a morte está presente nós já não existimos. Nada é portanto nem para os vivos nem para os mortos visto que não está presente nos vivos, e os mortos já não são.”
Epicuro, Carta a Meneceu, Crítica [Revista de Filosofia] - http://criticanarede.com/meneceu.html
Desenho de Albrecht Dürer.
Fotografia vista aqui.
“Ou Deus quer impedir o mal e não pode, ou pode mas não quer. Se quer mas não pode, é impotente. Se pode, mas não quer, é malévolo. Mas se Deus pode e quer, de onde vem então o mal?”
Epicuro
“Do mesmo modo como a medicina não nos traz qualquer benefício se não for capaz de eliminar a doença física, também a FILOSOFIA se torna inútil se não for capaz de afastar o sofrimento da mente.”
Epicuro
(Lido numa página do facebook - A DISCIPLINA DE FILOSOFIA NA ESCOLA DEVIA SER MAIS PRÁTICA -, da autoria de Jorge Humberto Dias.)
“Defendemos que o prazer é o começo e o fim de uma vida abençoada. Reconhecemo-lo como o nosso bem natural e fundamental. O prazer é o nosso ponto de partida sempre que escolhemos ou evitamos algo, e fazemos dele o nosso objectivo, usando o sentimento como critério para avaliar todas as coisas boas.”
Epicuro
Fonte da citação de Epicuro:
Anthony Kenny, Filosofia Antiga: Nova História da Filosofia Ocidental, volume 1, Gradiva, 2010, Lisboa, pág. 295.
Fotografia, encontrada não sei onde: mulher soldado americana, no Afeganistão.
“Um avião das linhas aéreas iemenitas despenhou-se esta madrugada, com 153 pessoas a bordo, tendo caído no Oceano Índico”. (Notícia do jornal Público, do dia 30-06-2009.) Horas depois do sucedido foi confirmado que apenas uma pessoa (uma rapariga de 14 anos) sobreviveu.
Depois duma catástrofe deste género ocorrer é habitual as pessoas religiosas rezarem e pedirem a intervenção de Deus: para que haja sobreviventes, para que não volte a suceder, etc.
Todavia, talvez fizesse mais sentido questionarem a sua crença em Deus.
Segundo o cristianismo, o judaísmo e o islamismo, Deus, além de ser o criador de tudo o que existe, é um ser omnisciente, omnipotente e bom. (Essa concepção é habitualmente chamada teísmo).
Contudo, essas características que se atribuí a Deus parecem ser incompatíveis com a existência de mal no mundo – como é o caso da morte de várias dezenas de pessoas inocentes devido à queda de um avião.
Se Deus é omnisciente sabe que o mal vai ocorrer.
Se Deus é omnipotente pode impedir o mal de ocorrer.
Se Deus é bom não quer que o mal ocorra.
Ora, o mal efectivamente ocorre, pelo que Deus ou é omnipotente mas não é bom (pode impedir o mal mas não impede) ou é bom mas não é omnipotente (quer impedir o mal mas não pode).
A conclusão que se tira habitualmente dessas premissas é: Deus não existe.
Todavia, é argumentável que essa conclusão não é apoiada pelas premissas e que estas apenas apoiam uma conclusão mais modesta: mesmo que eventualmente Deus exista, este será um ser diferente da descrição feita pelas religiões teístas. Pode suceder que seja um ser poderoso mas não omnipotente, ou então pode tratar-se de um ser omnipotente mas malévolo ou pelo menos indiferente. Não é impossível também que ambas as alternativas sejam verdadeiras e Deus não seja nem omnipotente nem bom.
O problema colocado por esse argumento é conhecido como o problema do mal. Atribui-se a sua primeira formulação ao filósofo grego Epicuro (341-270 a. C.):
“Ou Deus quer impedir o mal e não pode, ou pode mas não quer. Se quer mas não pode, é impotente. Se pode, mas não quer, é malévolo. Mas se Deus pode e quer, de onde vem então o mal?”
Os teólogos e os filósofos crentes ensaiaram muitas tentativas para refutar esse argumento e mostrar que a existência de mal no mundo não é incompatível com a omnipotência e bondade divinas. Os seus contra-argumentos foram por sua vez discutidos e criticados por outros filósofos. No site Filosofia & Educação encontra uma exposição (do filósofo Nigel Warburton) muito clara desses contra-argumentos e das objecções a que se prestam.
(A citação de Epicuro foi retirada do livro: A Arte de Pensar – Filosofia, 10º ano, volume 2, de Aires Almeida e outros, Didáctica Editora, Lisboa, 2007, pág. 147.)
“Os filósofos antigos tiveram muito a dizer sobre a felicidade. Supunham que ‘a melhor vida’ e ‘a vida feliz’ eram a mesma coisa, e geralmente aceitavam que a felicidade consistia numa vida de razão e virtude. Epicuro (341-270 a. C.) recomendou uma vida simples, de modo a se evitarem sofrimentos e ansiedades. Os estóicos acrescentaram que um homem sábio não permitiria que a sua felicidade dependesse de coisas que estivessem fora do seu controlo, como a riqueza, a saúde, a boa aparência ou as opiniões dos outros. Não podemos controlar as circunstâncias externas, disseram, pelo que devemos ser indiferentes a essas coisas, aceitando-as como aparecem. Epitecto (c. 55-135 a. C.), um dos grandes professores estóicos, deu este conselho aos seus estudantes: ‘Não peçam que as coisas ocorram segundo a vossa vontade; façam com que a vossa vontade seja que as coisas ocorram como ocorrem de facto, e terão paz.’
Algumas destas ideias podem parecer questionáveis, mas uma parte significativa delas tem sido confirmada pela investigação psicológica moderna.
Consideremos, por exemplo, a ideia de que a riqueza não traz felicidade. Dado que a maior parte das pessoas quer ser rica, poderíamos pensar que há alguma correlação entre a riqueza e a felicidade. Mas não há. Quando Ronald Inglehardt, cientista político da Universidade de Michigan, comparou os níveis de riqueza de países diferentes com aquilo que as pessoas desses países dizem sobre a sua satisfação com a sua vida, descobriu que as pessoas dos países mais ricos não são mais felizes do que as dos países mais pobres. Por vezes acontece o oposto: os alemães ocidentais têm o dobro da riqueza dos irlandeses, mas os irlandeses são mais felizes. Dentro de países específicos, encontrou a mesma ausência de correlação: as pessoas que têm mais dinheiro não são mais felizes que as outras. Portanto, sermos ricos não importa. As pessoas afectadas pela pobreza tendem a ser menos felizes do que aquelas que possuem o suficiente para viver; mas, para aqueles que estão acima da linha de pobreza, o dinheiro adicional faz pouca diferença. O psicólogo David Myers observa que ‘quando se ultrapassa a pobreza, o crescimento económico suplementar não melhora significativamente o ânimo dos seres humanos’.
Os estudos sobre os vencedores de lotarias confirmam isto de forma notável. Como é óbvio, os vencedores de lotarias ficam extremamente felizes quando sabem das boas notícias e a euforia tende a durar alguns dias. Mas, passado pouco tempo, regressam ao seu nível normal de felicidade. No essencial, as pessoas amuadas voltam a ficar amuadas. Podem ser capazes de deixar o emprego e de comprar muitas coisas, mas, no que respeita ao seu nível de felicidade, a riqueza recentemente adquirida não faz diferença. (…)
Então, o que tornará as pessoas felizes? Se não é a riqueza (…) o que será?”
James Rachels, Problemas da Filosofia, tradução de Pedro Galvão, Gradiva, Lisboa, 2009, pp. 286-288.