Como se pode justificar a tese defendida nas duas fotografias?
(Fotos tiradas deste sítio).
“As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar, senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento.” - John Stuart Mill, Sobre a Liberdade
Eis três boas possibilidades de aprendizagem para professores, e alunos especialmente interessados, de Filosofia:
Imagem tirada daqui, graças a uma simpática sugestão da Joana Apolónia, uma antiga aluna.
Transcrevo, seguidamente, passagens de uma notícia do jornal Público que vale a pena ler:
"Kai Cavalin adora estudar, tocar piano, jogar futebol, praticar artes marciais e ter a vida normal que têm os outros miúdos de 14 anos. Só há uma coisa de que não gosta: que lhe chamem génio. Diz que tudo é possível desde que se trabalhe muito e sem distracções. Por isso mesmo limita a televisão a quatro horas por semana e não perde tempo com videojogos.
O seu livro “We Can Do”, de 100 páginas, explica como é que os outros jovens podem alcançar o sucesso escolar que ele alcançou. “As pessoas precisam de saber que não é preciso ser-se um génio. Só é preciso trabalhar no duro para conseguirmos o que quer que seja”.
De acordo com o “The Washington Times”, a mensagem essencial do livro é que o trabalho árduo deve ser sempre acompanhado da vontade de levar uma tarefa até ao fim. “Eu consegui atingir as estrelas mas outros poderão atingir a Via Láctea”, explica o jovem autor aos seus leitores.
Kai Cavalin diz que aprendeu essa lição de um ex-professor que lhe ensinou uma disciplina da qual ele não gostava mas à qual conseguiu ter A (a nota máxima) de qualquer maneira porque percebeu que bastava empenhar-se muito para conseguir.
Depois de se licenciar em Matemática na UCLA - vive no campus da universidade com os pais - pensa continuar os estudos e fazer um doutoramento. Depois disso já não tem certezas: “Quem sabe? Isso é um futuro demasiado distante e eu só estou a fazer planos para os próximos anos”, diz o adolescente, citado pelo “The Washington Times”.
Jornal "Público"
A fotografia foi tirada daqui.
Guilherme Valente, num post do Rerum Natura (que vale a pena ler na integra), escreveu:
"Como prevíramos, 30 anos de eduquês tornaram o Pais mais ignorante, incompetente, egoísta, corrupto, mentiroso, violento e brutal. Uma evidência quotidiana."
Como professora do ensino secundário, há mais de vinte anos, eu penso que há poucas exceções a esta descrição feita pelo editor da Gradiva. De facto, mesmo os alunos com potencialidades acabam por se acomodar a um sistema educativo que lhes exige o mínimo. Andam entediados na escola: não gostam de ler, não gostam de aprender, não gostam de estudar, não valorizam o conhecimento e assumem tudo isso com a maior das naturalidades. Só têm direitos, não têm deveres. Os outros - os pais, os professores, a escola, o Estado - existem para os servir. Andaram anos a fio na escola e foi isto que aprenderam, em vez de valorizar o trabalho e o conhecimento, prezam o prazer imediato e estão-se nas tintas para obter uma verdadeira formação que lhes permita preparar para a vida, pensando no futuro deles e do país e ingressar - com competência e seriedade - no mercado de trabalho. Um dos maiores males do eduquês foi não só contribuir para esta situação, mas sobretudo fornecer uma justificação teórica para a legitimar.
Como é que se pode ensinar alguém que não quer aprender e que tem este tipo de atitude em relação às aulas e à escola? É difícil, produz um desalento diário e pouca esperança no futuro. Contudo, é preciso remar contra a corrente, não desistir de ensinar aqueles - poucos - que ainda querem aprender.
Segundo a Teoria dos Mandamentos Divinos, o que faz com que uma ação seja moralmente correta é a circunstância de ser aprovada por Deus; do mesmo modo, o que faz com que uma ação seja moralmente incorreta é a circunstância de não ser aprovada por Deus. Assim, os juízos morais são verdadeiros ou falsos consoante estão ou não de acordo com os decretos divinos.
Uma das várias objeções que existem contra essa teoria diz respeito à dificuldade de perceber quais são esses decretos ou mandamentos divinos. Por um lado, existem diversas religiões com deuses diferentes e versões diferentes desses decretos. Por outro lado, mesmo que consideremos uma única religião descobre-se invariavelmente que há diversas interpretações do que Deus aprova e que muitas pessoas escolhem a interpretação que mais convém aos seus interesses e às suas crenças (puxando, como se costuma dizer, a brasa à sua sardinha).
Na história seguinte (verídica) verificamos que há pessoas que fazem uma leitura literal de algumas partes da Bíblia quando isso lhes convém (por exemplo para condenar a homossexualidade) e fazem uma interpretação não literal de outras partes, em que a leitura literal as faria defender coisas consideradas inaceitáveis por quase toda a gente (como por exemplo a escravatura).
Recentemente, uma célebre animadora de rádio dos EUA afirmou que a homossexualidade era uma perversão: "É o que diz a Bíblia no livro do Levítico, capítulo 18, versículo 22: "Tu não te deitarás com um homem como te deitarias com uma mulher: seria uma abominação" - "A Bíblia refere assim a questão. Ponto final", afirmou ela.
Alguns dias mais tarde, um ouvinte dirigiu-lhe uma carta aberta que dizia:
«Obrigado por colocar tanto fervor na educação das pessoas pela Lei de Deus. Aprendo muito ouvindo o seu programa e procuro que as pessoas à minha volta a escutem também. No entanto, eu preciso de alguns conselhos quanto a outras leis bíblicas.
Por exemplo, eu gostaria de vender a minha filha como serva, tal como nos é indicado no Livro do Êxodo, capítulo 21, versículo 7. Na sua opinião, qual seria o melhor preço?
O Levítico também, no capítulo 25, versículo 44, ensina que posso possuir escravos, homens ou mulheres, na condição que eles sejam comprados em nações vizinhas. Um amigo meu afirma que isto é aplicável aos mexicanos, mas não aos canadianos. Poderia a senhora esclarecer-me sobre este ponto? Por que é que eu não posso possuir escravos canadianos?
Tenho um vizinho que trabalha ao Sábado. O Livro dos Números, capítulo 15, versículo 36, diz claramente que ele deve ser condenado à morte. Sou obrigado a matá-lo eu mesmo? Poderia a senhora sossegar-me de alguma forma neste tipo de situação constrangedora?
Outra coisa: o Levítico, capítulo 21, versículo 18, diz que não podemos aproximar-nos do altar de Deus se tivermos problemas de visão. Eu preciso de óculos para ler. A minha acuidade visual teria de ser de 100%? Seria possível rever esta exigência no sentido de baixarem o limite?
Um último conselho. O meu tio não respeita o que diz o Levítico, capítulo 19, versículo 19, plantando dois tipos de culturas diferentes no mesmo campo, da mesma forma que a sua esposa usa roupas feitas de diferentes tecidos: algodão e polyester. Além disso, ele passa os seus dias a maldizer e a blasfemar. Será necessário ir até ao fim do processo embaraçoso que é reunir todos os habitantes da aldeia para lapidar o meu tio e a minha tia, como prescrito no Levítico, capítulo 24, versículos 10 a 16? Não se poderia antes queimá-los vivos após uma simples reunião familiar privada, como se faz com aqueles que dormem com parentes próximos, tal como aparece indicado nesse livro sagrado, capítulo 20, versículo 14?
Confio plenamente na sua ajuda."
História encontrada no blogue Expresso do Oriente.
© Henri Cartier-Bresson/Magnum Photos.
Este post é dedicado a todos aqueles que neste dia não têm a quem oferecer flores ou declarações inflamadas de paixão. Se pensarmos um pouco, talvez não haja razões para se sentirem menos bem que aqueles que celebram, com alguma ostentação e espalhafato, este dia. É que talvez essa ideia do amor não passe de uma ilusão, útil em termos comerciais e pouco mais.
Vejamos porquê: em primeiro lugar o facto do amor que possamos sentir por alguém ser correspondido ou não depende de fatores que, em grande parte, não controlamos: o acaso e a sorte, por exemplo. Por outro lado, só na imaginação a vida é como o amor romântico nos quer fazer crer. Quando alguém nutre um sentimento profundo por outra pessoa, preservá-lo depende do que ambos forem capazes de fazer no dia a dia. Na realidade, as pessoas não são felizes para sempre: tentam ser felizes todos os dias. O amor não é, pois, uma caminhada triunfal, mas uma conquista diária. Por isso, não precisa de datas convencionadas no calendário para ser festejado.
Acresce que a ideia de que quem não ama ou não é amado (no sentido romântico do termo) não pode ser feliz é falsa. As pessoas podem dar significado às suas vidas de muitas formas. Viver uma relação amorosa com alguém é uma delas (e convém que não seja a única!), mas há outras possibilidades …
A crença nessa ideia do amor – associada à comemoração do Dia dos Namorados – é atrativa para a maioria das pessoas, mas é, provavelmente, uma ideia ilusória - à semelhança de muitas outras em que acreditamos.
Hilariante e genial! Sem dúvida, uma das melhores séries de televisão da atualidade.
Ver AQUI.
As legendas são em português do Brasil e podiam ser melhores...
Uma vez que amanhã é Dia dos Namorados, e sabendo que quase todos os alunos adoram ópera, deixo aqui um excerto particularmente romântico de “Roméo et Juliette”, de Charles Gounod.
Oxalá promova a vossa concentração no estudo e na reflexão, uma vez que o teste de quarta e quinta exige ambas as coisas em quantidades elevadas. Até porque se diz que a Filosofia é o amor ao saber… :-)
A imagem foi retirada deste sítio.
«(…) É irónico que, embora o racismo seja uma realidade – e uma realidade chocante - a própria raça seja uma ficção. O conceito de raça não tem fundamento (…).
O racismo findará quando os indivíduos virem os outros apenas em termos individuais. “Não há indicações de ‘branco’ ou ‘negro’ nos cemitérios de guerra”, observou John F. Kennedy – e há uma moral significativa nessa observação.»
A. C. Grayling, O significado das coisas, Gradiva.
Vale a pena espreitar o Despacho de 10 de fevereiro que estabelece o calendário de todos os exames nacionais do ensino secundário. Sem dúvida que um dos fatores que influencia, decisivamente, o sucesso dos resultados é a organização do tempo e a planificação do estudo. Por isso, mãos à obra!
Tal como consta dos anexos IV e V, o exame nacional de Filosofia da 1.ª fase terá lugar no dia 20 de Junho e 13 de Julho (2.ª fase).
Os alunos que ponderam a possibilidade de o fazer devem consultar a informação do ministério acerca dos cursos em que este exame nacional pode servir como prova de ingresso (específica) e as orientações do ministério para a realização do mesmo: disponíveis AQUI.
Uma das novidades, em relação ao ano letivo passado, é que a 1.ª fase dos exames nacionais tem caráter obrigatório para todos os alunos internos e autopropostos.
Os alunos que faltarem à 1.ª fase dos exames finais nacionais, não são admitidos à 2.ª fase. As condições em que os alunos que realizaram exames na 1.ª fase podem ser admitidos à 2.ª fase podem ser lidas no ponto 21 do referido Despacho.
O prazo normal de inscrição para os exames nacionais da 1ª fase é de 23 de fevereiro a 2 de março de 2012.
Problema do livre-arbítrio:
Pêssegos e duelos: exemplos ilustrativos do problema do livre-arbítrio
A resposta do determinismo radical (2)
Se o determinismo radical for verdadeiro, salvar 155 pessoas não tem qualquer mérito
Argumentos a favor do Libertismo
O livre-arbítrio existe, pois temos consciência dele
O livre-arbítrio é uma criação humana e… existe!
Baixar a fasquia: uma objecção ao Determinismo Moderado
Possibilidades Alternativas: uma objecção ao Determinismo Moderado
Teorias éticas:
Subjetivismo moral: a moralidade é algo muito pessoal
Uma tradição admissível, segundo os relativistas culturais
O bem e o mal dizem apenas respeito à sociedade e à cultura?
Enterrar viva uma pessoa é errado ou isso é relativo?
Será intolerante criticar os ‘crimes de honra´?
Opcional:
Formulação do problema do livre-arbítrio (1)
Terá o determinista radical razão?
Livre-arbítrio e responsabilidade moral: duas situações
Por isso, não vale a pena fazer planos para esse dia. O que calha bem, pois o teste de Filosofia é logo a seguir, na quarta e na quinta. A canção destina-se a acompanhar o estudo e não o namoro! :)
O cartoon foi tirado daqui.
Retrato de Fernando Pessoa da autoria de Almada Negreiros. Este quadro faz parte da coleção do CAM (Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian).
É inaugurada hoje, na Fundação Calouste Gulbenkian, uma exposição sobre Fernando Pessoa, intitulada:
Para mais informações consultar o site da fundação: aqui.
Encontram-se em exibição nas salas de cinema portuguesas dois filmes que vale a pena ver: "Jovem Adulta" do realizador Jason Reitman (para saber mais pode ler aqui) e "Três vezes 20 anos" de Julie Gavras (para saber mais pode ler aqui).
Ambos os filmes pretendem ser uma reflexão acerca de alguns dos problemas que se colocam em diferentes fases da vida e mostram-nos o que acontece a pessoas comuns: umas que se tornaram adultas mas que se recusam a sê-lo e outras que são adultas mas se recusam a envelhecer. Dois retratos realistas e convincentes.
Uma das vantagens destes dois filmes é fazer-nos compreender que, embora em etapas distintas, pensar numa questão filosófica como o sentido da vida pode não ser uma especulação abstrata e vã. Na verdade, quer seja na idade adulta ou na meia idade, a capacidade de nos distanciarmos das nossas vivências e sentimentos imediatos, analisando-os de forma impiedosa e crítica, pode mesmo ser a única forma de dar algum significado às nossas fugazes vidas.
Bons filmes!
En mi soledad
he visto cosas muy claras,
que no son verdad.Antonio Machado, “Nuevas Canciones – Proverbios Y Cantares”
“Reflecte pois nisto meu filho. Errar é comum a todos os homens. Mas quando errou, não é imprudente nem desgraçado aquele que, depois de ter caído no mal, lhe dá remédio e não permanece obstinado. A teimosia merece o nome de estupidez.”
Sófocles, Antígona, traduzido do grego por Maria Helena da Rocha Pereira, Edição Fundação Calouste Gulbenkian, 8ª Edição, Lisboa 2008, pág. 9.
A música do compositor Serguei Prokofiev inspirou Miguelanxo Prado a desenhar um magnífico livro (publicado em Portugal pela Editora Meribérica/Liber), que é uma adaptação em banda desenhada da história musical de "Pedro e o Lobo". Além da qualidade e da beleza dos desenhos, há narração da história (parca em palavras).
Para adultos e crianças. Mas não para os rapazes, pois eles, tal como o Pedro, não têm medo de lobos. Ou os lobos maus existirão também fora das histórias?
«Segundo o subjetivismo moral, na ética só há opiniões pessoais e não verdades universais; cada um tem a sua “verdade”. Para os subjetivistas, os juízos morais descrevem apenas os nossos sentimentos de aprovação ou reprovação acerca do das pessoas e daquilo que elas fazem. O certo e o errado dependem, portanto, dos sentimentos de cada um. Assim, quando afirmamos que uma acção é errada estamos apenas a dizer que temos sentimentos negativos em relação a ela.»
Aires Almeida e outros, Arte de Pensar – 10º ano, vol. 1, Didática Editora, Lisboa, 2007, pág. 106.
Assim, um juízo moral é verdadeiro se estiver de acordo com os sentimentos de uma pessoa. Só é falso se não estiver de acordo com esses sentimentos.
Ou seja: dizer “X é correto” significa “gosto de X” ou “aprovo X”; dizer “Y é incorreto” significa “não gosto de Y” ou “desaprovo Y”.
Um exemplo.
Se a Maria Felismina sente repulsa pelo sofrimento dos animais, dirá: “fazer sofrer os animais é moralmente errado” e, para ela, esse juízo é verdadeiro. Se a Leopoldina não sente essa repulsa nem outro sentimento negativo e pelo contrário gosta de caçar e de usar casacos de peles, dirá “fazer sofrer os animais não é moralmente errado” e, para ela, esse juízo é verdadeiro.
Segundo o subjetivismo moral, têm ambas razão – cada uma delas tem a sua verdade. O juízo de uma não vale mais que o juízo da outra. Trata-se de duas perspetivas igualmente “válidas” sobre o assunto. Nos temas éticos não há lugar para uma verdade objetiva e universal, face à qual se pudesse dizer que o juízo contrário é falso.
Fazer sofrer os animais não é mau ou bom em si mesmo. Nada é bom ou mau em si mesmo, mas apenas em relação aos sentimentos de uma certa pessoa. E, como os sentimentos são subjetivos e variam imenso de pessoa para pessoa, uma mesma ação pode ser má para uma pessoa e boa para outra. E, como foi dito, ambas têm razão.
Essa maneira de pensar é defendida por algumas pessoas, porque parece favorecer a liberdade de cada pessoa, ao sustentar que ninguém deve impor aos outros as suas convicções morais; e porque parece promover a tolerância entre pessoas com convicções morais diferentes. Contudo, podem levantar-se contra ela várias objeções muito fortes. Quais?
Leituras:
Aires Almeida e outros, Arte de Pensar – 10º ano, vol. 1, Didática Editora, Lisboa, 2007.
Harry Gensler, “Ética e subjetivismo” – Crítica, Revista de Filosofia: http://criticanarede.com/fil_subjectivismo.html
No âmbito dos trabalhos realizados sobre a utilização de falácias informais na publicidade, os meus alunos Marta Sousa e João Gomes (da turma D do 11º ano), analisaram um anúncio (de uma campanha da Quercus) que vale a pena ver.
Como este vídeo nos mostra, podemos argumentar de forma falaciosa mesmo quando se trata de defender uma causa, supostamente, boa. Entre as várias falácias utilizadas, destacam-se duas: a falsa analogia e a derrapagem (ou bola de neve). Porque será?
Estes dois argumentos implícitos no anúncio - enganadores na realidade, embora à primeira vista possam parecer cativantes e convincentes ao leitor desprovido de sentido crítico - formular-se-iam como?
"Conhecido principalmente pelas bandas sonoras que compôs para filmes de Emir Kusturica e Patrice Chéreau (La Reine Margot), Goran Bregovic tem corrido mundo com a sua Orquestra de Casamentos e Funerais. Traz agora ao Grande Auditório o concerto-espetáculo Margot, mémoires d’une reine malheureuse, estreado na Basílica de St. Denis, onde a rainha Maria de Medici (1575-1642) está sepultada. No concerto, a atriz Ana Moreira recita um texto de Bregovic, mostrando o sofrimento da rainha no meio de guerras religiosas, revividas 400 anos mais tarde na ex-Jugoslávia, a terra natal de Bregovic" (Informação retirada do site da Fundação Calouste Gulbenkian).
Dizem que o frio a sério vai chegar amanhã a Portugal.
MEIA IDADE
Agora, em pleno Inverno, o monótono
passeio a pé, Nova Iorque
penetra através dos meus nervos,
enquanto caminho
nas ruas apinhadas.Aos quarenta e cinco,
e a seguir, a seguir?
Em cada esquina,
encontro o meu Pai,
com a minha idade, ainda vivo.Pai, perdoa-me
as minhas ofensas,
como eu perdoo
aqueles que
tenho ofendido!Nunca subiste
ao Monte de Sião, deixaste porém
pegadas
de dinossauro na crosta
onde devo caminhar.
Poema: Robert Lowell
Fotografia: André Kertész, Washington Square, Inverno de 1954.
Fotografia de Nawal Al Saadawi (para mais informações ver aqui).
«“Subitamente, a lâmina afiada pareceu cair entre as minhas coxas e cortou um pedaço de carne do meu corpo. Gritei de dor apesar da mão firme na minha boca, porque a dor não era apenas uma dor, era como um ferro em brasa que percorria o meu corpo todo. Ao fim de alguns momentos, vi uma poça de sangue à volta das minhas ancas. Não sabia o que tinham cortado do meu corpo, nem tentei descobrir. Apenas chorei e gritei pela minha mãe. O choque mais brutal foi quando olhei em volta e a vi em pé, a meu lado.” É assim que a egípcia Nawal Al Saadawi conta como aos seis anos lhe cortaram o clitóris. O relato está no livro “The Hidden Face of Eve” (1977), que se tornou uma obra de referência sobre direitos das mulheres no mundo árabe.»
Alexandra Lucas Coelho, Revista Pública.
Sendo o relativismo cultural, aparentemente, uma teoria a favor da tolerância não nos conduzirá a admitir práticas moralmente intoleráveis como esta?
Pode-se ultrapassar esta contradição?
Esta é uma questão que deixo aos leitores, em particular aos alunos do 10ºB que irão ter teste amanhã.
«Um teólogo perguntou a um supercomputador muito potente: “Deus existe?” O computador respondeu que não tinha poder suficiente, em termos de processamento, para saber isso. E pediu para ser ligado a todos os outros supercomputadores do mundo. Mesmo assim, não foi poder suficiente. Por isso, o supercomputador foi ligado às principais redes do mundo e, então, a todos os minicomputadores e computadores pessoais. E (…) ligado a todos os computadores instalados nos automóveis, micro-ondas, VCRs, relógios digitais e assim por diante. O teólogo fez a pergunta pela última vez: “Deus existe?” E o computador respondeu: “Sim, agora já existe!”»
John Naisbitt, citado por: Anthony Giddens, Sociologia, 3ª edição, 2002, F. C. Gulbenkian, Lisboa, pág. 476.
O cantor canadiano Leonard Cohen, que tem 77 anos de idade e cerca de 45 anos de carreira, lançou hoje um novo disco: Old Ideas. Pode ouvir – com o consentimento do autor- as dez canções que o compõem aqui. Para comparar, eis duas das suas mais antigas (e melhores, na minha opinião) canções.
Adicionei o blogue Má Despesa Pública à lista de ligações. O nome fala por si: é um observatório do uso errado dos dinheiros públicos.
Dois exemplos: o Banco de Portugal gastou cinco mil euros em material de golf e na Madeira foi gasto cerca de meio milhão de euros na construção de uma rotunda.
NOITE E NEBLINA é um documentário sobre os campos de concentração nazis do realizador francês Alain Resnais.
NOITE E NEBLINA. Direção: Alain Resnais, Texto: Jean Cayrol, Música: Hanns Eisler, Narração: Michel Bouquet.
Conferência de Pedro Galvão sobre os direitos dos animais na Escola Secundária Teixeira Gomes, em Portimão, no próximo dia 3 de Fevereiro.
A Biblioteca da Escola Secundária de Pinheiro e Rosa adquiriu há poucos dias este livro:
Por vezes “pergunta-se (…) para que serve a filosofia e sugere-se que não serve para coisa alguma. Mas a pergunta está feita ao contrário porque a filosofia não é como um rio que já existe e acerca do qual perguntamos para que serve; a filosofia é antes como uma casa que construímos para responder às nossas necessidades. Assim, a pergunta correta é porque fazem os filósofos filosofia. E a resposta é que a fazem porque essa é a única maneira de responder a problemas que nos fascinam e que queremos esclarecer tanto quanto possível, mesmo que sejamos incapazes de lhes dar respostas definitivas.”
Desidério Murcho, 7 ideias filosóficas que toda a gente deveria conhecer, Editorial Bizâncio, Lisboa, 2011, pág. 138.
Estes anúncios da campanha brasileira “Mais Livros Mais Livres” promovem a leitura de uma maneira muito apelativa e inteligente, mas omitem uma ideia fundamental: não é suficiente ler, é também necessário pensar sobre o que se lê.
Por falar nisso, vale a pena pensar nesta afirmação de Henry David Thoreau:
"Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro."

6 aos 10
Escolas e Grupos / 1ºciclo / Mar-Jun, 4ª, 10h30 / 2 horas / Preço: 4€

6 aos 15
Escolas e Grupos / 1ºciclo / 2ºciclo / 3ºciclo / Fev - Abr, 3ª a 6ª, 10h10-18h00 / 60 minutos / Preço: 1€

+10
Escolas e Grupos / 2ºciclo / 3ºciclo / Academias de Seniores / Secundário e Profissional / Superior / Nov-Mai, 3ª, 10h10 / 75 minutos / Preço: 4€

10 aos 12
Escolas e Grupos / 2ºciclo / Out - Jun, 3ª a 6ª, 10h10-18h00 / 60 minutos / Preço: 1€

10 aos 12
Escolas e Grupos / 2ºciclo / Pessoal e Intransmissível / 2 horas / Preço: 4€

10 aos 12
Escolas e Grupos / 2ºciclo / Out-Jun, 2ª a 6ª, 10h30 / 90 minutos / Preço: 4€

10 aos 18
Escolas e Grupos / 2ºciclo / 3ºciclo / Secundário e Profissional / 23 Fev-16 Mar, 2ª a 6ª, 10h10 / 2 horas / Preço: 4€

+18
Público em geral 25 Fev a 27 Fev / 9 horas / Preço: 40€
A Grande Onda de Kanagawa (em japonês 神奈川沖浪裏, Kanagawa oki nami ura) é uma famosa xilogravura de Katsushika Hokusai. Foi publicada em 1832.
«Afirma-se muitas vezes que a discussão só é possível entre pessoas que têm uma linguagem comum e que têm pressupostos básicos em comum. Penso que isto é um erro. Tudo o que é necessário é uma prontidão para aprender com quem discutimos, o que inclui um desejo genuíno de compreender o que essa pessoa quer dizer. Se esta prontidão existir, a discussão será tanto mais frutuosa quanto mais diferirem os pressupostos de fundo de quem discute.»
Karl Popper
Via Blog da Crítica
Etta James morreu há dias. Eis a sua canção mais famosa.
Etta James - 'At Last' from Mikel Àngel Rotger (mlkconcept) on Vimeo.
Etta James: At Last
At last, my love has come along
My lonely days are over
And life is like a song
Oh, yeah, at last
The skies above are blue
My heart was wrapped up in clovers
The night I looked at you
I found a dream that I could speak to
A dream that I can call my own
I found a thrill to rest my cheek to
A thrill that I have never known
Oh, yeah when you smile, you smile
Oh, and then the spell was cast
And here we are in heaven
For you are mine
At last
Andres Segovia: Adagio do CONCIERTO DE ARANJUEZ, de Joaquín Rodrigo.
Richard Antony: Aranjuez, mon amour
O filme Filadélfia, do realizador Jonathan Demme, é admirável por vários motivos: a história, o desempenho dos atores, a banda sonora ... Vi-o no cinema há muitos anos. Recordo-me com alguma regularidade de uma das cenas - a minha favorita - quando em tribunal se pergunta: O que é que faz de alguém um bom advogado?
Eis a resposta: "Quando, ocasionalmente (não muitas vezes), tu contribuis para a justiça que está a ser feita."
Existe um enorme descrédito dos cidadãos em relação à democracia portuguesa. De acordo com os dados deste artigo - "Um em cada seis inquiridos num estudo considera que um sistema autoritário pode ser mais benéfico em algumas circunstâncias". Parece-me que um dos factores principais que mina a crença nas instituições democráticas é o facto dos cidadãos verificarem, com frequência, que as leis não se aplicam e a justiça não se faz. Talvez seja por este motivo que me vem à memória, muitas vezes, a cena deste filme. Mau sinal, presumo.
Tema: Descrição e interpretação da atividade cognitiva
O objectivo deste blogue é partilhar ideias e materiais com alunos, professores e outros eventuais interessados. Ideias e materiais úteis para o estudo e para o ensino da Filosofia no ensino secundário.
O blogue constitui também um instrumento de trabalho que os autores e os seus alunos utilizam, em casa e nas aulas, como complemento dos Manuais adoptados na escola.
Mais raramente, também poderá surgir uma ou outra opinião sobre o estado a que isto chegou.
Críticas e sugestões são bem-vindas.
Sara Raposo
Carlos Pires

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