segunda-feira, 21 de Julho de 2014

Porque é que esta terra havia de ser minha?

Proudhon, um filósofo francês do século XIX, dizia que “a propriedade é um roubo” e condenava a propriedade privada. Essas ideias são, naturalmente, discutíveis, mas é importante – por razões diferentes – questionar o que confere a alguém o direito de dizer “este pedaço do nosso planeta é meu”.

As desigualdades sociais e económicas existentes em quase todas as sociedades são uma dessas razões. Outra razão – como mostra este genial vídeo - são as guerras e outros conflitos que existem um pouco por todo o lado – da Palestina à Ucrânia, passado por África.

domingo, 20 de Julho de 2014

NEBRASKA: ao ar livre em Faro

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Nebraska não é um filme para mostrar nas aulas de Filosofia a alunos do 10º ou do 11º ano, embora aborde questões filosóficas: Será moralmente correto mentir a uma pessoa para que ela se sinta feliz? O que faz com que a vida de alguém tenha sentido? Quais são as consequências de viver de uma forma acrítica e sem ter quaisquer interesses de natureza intelectual?

É filme tocante, com momentos hilariantes, um argumento excelente e uma fotografia fabulosa.

Acredito que seja entediante para alguns adolescentes (a maioria, admito) que vivem prisioneiros dos telemóveis, submetidos permanentemente a uma grande quantidade de imagens e informação e para quem, para além do imediato e do seu "eu", nada mais interessa.

Mas quem quiser pensar sobre questões essenciais, faça um favor a si próprio: veja este grande filme

Mais cinema ao ar livre, em Faro...

segunda-feira, 14 de Julho de 2014

Exame nacional de Filosofia da 2ª Fase: recursos úteis ao estudo

No próximo dia 17 de Julho (quinta às 9.30) realizar-se-á o exame nacional de Filosofia da 2ª Fase.

Para os alunos que o voltam a fazer - como melhoria ou porque reprovaram - disponibilizamos alguns links com materiais didáticos (textos de apoio, testes, fichas, vídeos, exames nacionais...) úteis ao estudo:

Apoio ao estudo no Dúvida Metódica (10º ano)

Apoio ao estudo no Dúvida Metódica (11º ano)

Exames de Filosofia 2012/2013 e lista de verificação das aprendizagens

Exame nacional de Filosofia 2014: enunciado e critérios de correção

Uma repórter da ESPR na sessão nacional do Parlamento dos jovens 2014

A escola Secundária Pinheiro e Rosa esteve presente, tal como em 2013, na sessão nacional do “Parlamento dos jovens" 2014.

A aluna Marta Liber (do 11º B), na qualidade de jornalista, fez a reportagem que se segue. O texto foi revisto pela professora Maria da Conceição Santos, que acompanhou os alunos e foi uma das coordenadoras do projeto.

Reportagem Parlamento Dos Jovens 2014 by SaraRaposo

sábado, 12 de Julho de 2014

Os resultados do exame de Filosofia nas turmas de Humanidades da ESPR

Na escola secundária Pinheiro e Rosa fizeram exame nacional de Filosofia 49 alunos como internos e 9 como externos ou autopropostos (58 no total). Foi a escola secundária do Algarve com o maior número de alunos internos a fazer este exame, que é opcional. É um facto significativo, cujas causas não vou abordar aqui. Julgo, no entanto, que uma delas poderá ter a ver com o tipo de ensino praticado nas aulas.

Dos alunos internos, 29 eram das minhas duas turmas de Humanidades (11º D e E), os restantes eram alunos de turmas de ciências e não foram meus alunos. A média obtida no exame pelos meus alunos internos foi de 11.03. A diferença entre a média das classificações internas que atribuí (13,41) e a média da classificação interna obtida no exame pelos alunos internos foi de 2,38 valores. A média total das classificações dos alunos internos da escola foi de 10.92.

Em Portugal, fizeram exame nacional de Filosofia 11.513 alunos (internos e externos) e a média foi 9,7 (ver AQUI). Os 7.956 alunos internos (aqueles para quem a classificação do exame tem o peso de 30% na classificação final da disciplina) obtiveram a média de 10.3 (ver AQUI).

Estes dados objetivos permitem afirmar, comparativamente, que os resultados dos meus alunos foram positivos, ou melhor, razoáveis.

Todavia, não deixam de estar um pouco aquém do que deveriam ser, pois alguns alunos (em particular os que foram a exame com 10) desceram e entre estes vários não frequentaram sequer as aulas de apoio que a escola disponibilizou. Bem sei que as classificações internas de 10 englobam aspetos não cognitivos - como o comportamento e as atitudes - e outros cognitivos como a oralidade que não são avaliados numa prova escrita. Bem sei que os alunos de Humanidades, ao contrário dos alunos dos cursos de ciências do 11º ano, não realizaram este ano nenhum teste intermédio e, por isso, a exigência e a pressão a que foram submetidos, em termos de avaliação externa, foi menor. Há anos que constato (como referi AQUI) que esta menor exigência tem um efeito negativo notório ao nível do empenhamento, dos hábitos de estudo e da capacidade de trabalho.

Também é verdade que tive, nas duas turmas, vários alunos que mantiveram ou subiram as classificações (as duas alunas com as classificações internas mais elevadas, 18 valores, não desceram, tal como vários outros). Ainda assim, os resultados, apesar de satisfatórios, não deixem de ser dececionantes, no caso de alguns alunos (sobretudo se comparados com os obtidos pelos meus alunos de ciências do ano passado). Podiam, de facto, ter feito melhor.

E ainda podem fazê-lo, na 2ª Fase!

Resultados dos exames nacionais secundário de 2014, 1ª Fase

20140711 Mec Resultados Exames 1 Fase by SaraRaposo

Informação tirada do portal do governo, ver AQUI.

Distribuição das classificações dos exames do secundário por tipo de aluno (interno ou externo)

Distribuição de classificações por disciplina

sexta-feira, 11 de Julho de 2014

Da escolha dos manuais à escolha da escola

50 Lições de Filosofia -10º ano

Este texto aponta bem, apesar de certas imprecisões, alguns danos que os maus manuais podem provocar na aprendizagem das crianças. O efeito pode ser semelhante no caso dos adolescentes, principalmente se o professor não conseguir distinguir aquilo que ensina dos erros do manual e não os souber corrigir.

«Os adultos, pelo menos aqueles que tiveram uma formação científica, sabem que o saber é questionável e que devem estar sempre preparados para reformular as suas ideias. Mas a relativização do saber é uma operação conceptual complexa à qual só se chega convenientemente se se começar por construir um laço de confiança com o saber (o que implica um laço de confiança com as instituições, com as pessoas e com os instrumentos ligados à aprendizagem). Isto porque é justamente a partir do saber e com saber que se pode pôr em causa o saber.

A escrita de um manual é por isso um ato complexo e de grande responsabilidade – está em causa a criação desse laço de confiança – que tem de resultar de um conhecimento razoavelmente vasto das temáticas abordadas. Estas têm de ser trabalhadas de forma a poderem ser apresentadas numa linguagem e numa lógica formal compatível com a idade dos estudantes, mas sem que isso as afaste da justeza do conhecimento que esteve na base desse processo. Se uma criança conclui que o seu livro está errado, fica com uma grande margem de manobra para nos dizer: “Não estudo, porque esse livro é uma porcaria. Só diz parvoíces.” E é exatamente isso que por vezes acontece.»

Filomena Silvano, Livros de escola, crianças e a necessária confiança no saber, Público, 09-07-2014.

Ao contrário do que diz Filomena Silvano, reformular ideias e questionar o saber não significa uma “relativização do saber”: a falibilidade não implica falta de objetividade. Além disso, não é apenas a “formação científica” que confere capacidade de reformular ideias e pensar criticamente, uma vez que a filosofia também pode contribuir para isso. Tal como a literatura e as outras artes.

Tirando isso, concordo com o texto. E é com tristeza que constato que vários manuais de Filosofia, devido às suas incorreções e linguagem vaga e obscura, podem levar os alunos a dizer “Não estudo, porque esse livro é uma porcaria: só diz parvoíces.”

Os alunos poderiam até acrescentar: se estudar por este manual terei respostas erradas no exame nacional de Filosofia.

Felizmente não é o caso dos livros de Filosofia que escolhemos na Pinheiro e Rosa: o 50 Lições de Filosofia -10º ano e o 50 Lições de Filosofia -11º ano, de Aires Almeida e Desidério Murcho.

Estes livros são simultaneamente rigorosos, claros e estimulantes para os alunos, conforme podemos verificar ao longo deste ano.

Esta opinião pode ser testada através de uma experiência simples. Caso o leitor conheça algum jovem que afirma não conseguir perceber o que é dito no seu manual de Filosofia, leve-o a uma livraria e peça-lhe para ler duas ou três páginas do 50 Lições de Filosofia e duas ou três páginas do capítulo equivalente do outro manual. Certifique-se que a leitura é atenta e verá que o veredito do jovem coincide com a minha opinião.

Devido à sua importância para a construção das aulas e para o estudo dos alunos, a qualidade dos manuais adotados é um fator que deve ser ponderado na hora de escolher a escola que se vai frequentar.

Cinema ao ar livre, em Faro

Os trailers podem ser visionados AQUI.

Excelentes filmes! A não perder!

Agora que o cinema SBC fechou, não se pode dizer que não há cinema em Faro!

quarta-feira, 9 de Julho de 2014

Trabalhos de alunos da ESPR num site do Instituto Superior Técnico

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Clicar na imagem para aceder.

O responsável pelo projeto “Saber Ciência” (*), Nuno Barradas (ver currículo AQUI), contactou-me e sugeriu-me que fizesse um balanço da utilização feita pelos meus alunos de vários artigos do "Saber Ciência" que referi no Dúvida Metódica (na bibliografia para um trabalho do 11º ano sobre filosofia da ciência).

Os links para os trabalhos dos alunos e a minha apreciação foram agora publicados na página do “Saber Ciência", para aceder, clicar AQUI. . Para ler os trabalhos dos alunos publicados neste blogue, clicar  AQUI e AQUI.

Agradeço a publicação, até porque se trata de um site de reconhecida qualidade na divulgação da cultura científica em Portugal.

Espero que, no futuro, mais professores e alunos (de filosofia e de outras ciências) venham a utilizar os interessantes e úteis recursos disponibilizados online no "Saber Ciência". Este site é uma tradução portuguesa de uma página de divulgação científica da Universidade da Califórnia da responsabilidade do Centro de Ciências e Tecnologias Nucleares do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa e da APEEGIL - Associação de Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento de Escolas Gil Vicente.

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(*) A página original Understanding Science foi desenvolvida pelo Museu de Paleontologia da Universidade da Califórnia em colaboração com os seus Conselhos Consultivos. A página traduzida Saber Ciência foi desenvolvida pelo Centro de Ciências e Tecnologias Nucleares do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa e pela APEEGIL - Associação de Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento de Escolas Gil Vicente. Tradução parcialmente realizada ao abrigo do projeto da APEEGIL do programa Pais com a Ciência do Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica.

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