Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012

A filosofia não é comparável a um rio que já existe mas sim a uma casa que devemos construir

A Biblioteca da Escola Secundária de Pinheiro e Rosa adquiriu há poucos dias este livro:

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Por vezes “pergunta-se (…) para que serve a filosofia e sugere-se que não serve para coisa alguma. Mas a pergunta está feita ao contrário porque a filosofia não é como um rio que já existe e acerca do qual perguntamos para que serve; a filosofia é antes como uma casa que construímos para responder às nossas necessidades. Assim, a pergunta correta é porque fazem os filósofos filosofia. E a resposta é que a fazem porque essa é a única maneira de responder a problemas que nos fascinam e que queremos esclarecer tanto quanto possível, mesmo que sejamos incapazes de lhes dar respostas definitivas.”

Desidério Murcho, 7 ideias filosóficas que toda a gente deveria conhecer, Editorial Bizâncio, Lisboa, 2011, pág. 138.

Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012

Mais Livros Mais Livres

Estes anúncios da campanha brasileira “Mais Livros Mais Livres” promovem a leitura de uma maneira muito apelativa e inteligente, mas omitem uma ideia fundamental: não é suficiente ler, é também necessário pensar sobre o que se lê.

Por falar nisso, vale a pena pensar nesta afirmação de Henry David Thoreau:

"Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro."


Atividades do programa Descobrir para as escolas

Visitas

Descobrir a fauna e a flora no jardim
Vamos à descoberta dos diferentes habitantes do Jardim: conhecer e observar a fauna e a flora do Jardim Gulbenkian. Quem vive no lago? E na clareira? E no bosque? Com a nossa mala de exploradores, vamos descobrir todos os segredos e desenhá-los à lupa!

6 aos 10

Escolas e Grupos / 1ºciclo / Mar-Jun, 4ª, 10h30 / 2 horas / Preço: 4€

Visitas

Todas as palavras do mundo
Nesta visita-jogo, na companhia de um livro desassossegado e de muitas janelas por onde espreitar o mundo, propomos um primeiro e original mergulho no universo de Fernando Pessoa.

6 aos 15

Escolas e Grupos / 1ºciclo / 2ºciclo / 3ºciclo / Fev - Abr, 3ª a 6ª, 10h10-18h00 / 60 minutos / Preço: 1€

Visitas

Jam! Introdução ao Jazz e à improvisação
Durante cerca de uma hora e quinze minutos, um quinteto de músicos de jazz vai levar-nos ao mundo da improvisação e da interpretação, explicando, de um modo acessível a todos, como funciona a linguagem do jazz. Veja aqui o teaser da atividade.

+10

Escolas e Grupos / 2ºciclo / 3ºciclo / Academias de Seniores / Secundário e Profissional / Superior / Nov-Mai, 3ª, 10h10 / 75 minutos / Preço: 4€

Visitas

Perspetivas do Olhar
A Natureza e a Arte
Será uma paisagem ou um jardim? Uma paisagem marinha, uma paisagem campestre ou uma paisagem urbana? Através de um jogo de exploração, vamos descobrir obras de arte que nos mostram diferentes tipos de Natureza e de paisagem.

10 aos 12

Escolas e Grupos / 2ºciclo / Out - Jun, 3ª a 6ª, 10h10-18h00 / 60 minutos / Preço: 1€

Oficinas

Pessoal e Intransmissível
Nesta oficina, sentados à mesa do Café Pessoa, vamos procurar o nosso próprio heterónimo, descobrindo-lhe a identidade e a história. Depois vamos passar do guardanapo de papel à ação e, se tudo correr bem, dar corpo ao nosso heterónimo.

10 aos 12

Escolas e Grupos / 2ºciclo / Pessoal e Intransmissível / 2 horas / Preço: 4€

Oficinas

Que folha é esta?
Vamos conhecer o enquadramento histórico e o relevo científico de um herbário e de uma coleção passando pela experiência de os fazer.

10 aos 12

Escolas e Grupos / 2ºciclo / Out-Jun, 2ª a 6ª, 10h30 / 90 minutos / Preço: 4€

Oficinas

2012: odisseia passo a passo
Vem perceber por que razão Ligeti se interessou tanto por Literatura, Arquitetura, Ciência e Matemática, e como, de forma apaixonada, transformou os seus interesses em música inventiva e inovadora.

10 aos 18

Escolas e Grupos / 2ºciclo / 3ºciclo / Secundário e Profissional / 23 Fev-16 Mar, 2ª a 6ª, 10h10 / 2 horas / Preço: 4€

Cursos

Arte Contemporânea: enquadramentos, narrativas e formas de ver (parte II)
A arte do nosso tempo implica e explora, frequentemente, a consciência histórica da arte, exigindo assim o conhecimento da arte do passado para a compreensão daquela que se faz no presente.

+18

Público em geral 25 Fev a 27 Fev / 9 horas / Preço: 40€

Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

Resistir às grandes ondas: um belo retrato da vida

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A Grande Onda de Kanagawa (em japonês 神奈川沖浪裏, Kanagawa oki nami ura) é uma famosa xilogravura de Katsushika Hokusai. Foi publicada em 1832.

Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012

O que é necessário para que um debate seja frutuoso?

debate

«Afirma-se muitas vezes que a discussão só é possível entre pessoas que têm uma linguagem comum e que têm  pressupostos básicos em comum. Penso que isto é um erro. Tudo o que é necessário é uma prontidão para aprender com quem discutimos, o que inclui um desejo genuíno de compreender o que essa pessoa quer dizer. Se esta prontidão existir, a discussão será tanto mais frutuosa quanto mais diferirem os pressupostos de fundo de quem discute.»

Karl Popper

Via Blog da Crítica

Domingo, 22 de Janeiro de 2012

Life is like a song, mesmo que por vezes seja triste…

Etta James morreu há dias. Eis a sua canção mais famosa.

Etta James - 'At Last' from Mikel Àngel Rotger (mlkconcept) on Vimeo.

Etta James: At Last

At last, my love has come along
My lonely days are over
And life is like a song
Oh, yeah, at last
The skies above are blue
My heart was wrapped up in clovers
The night I looked at you
I found a dream that I could speak to
A dream that I can call my own
I found a thrill to rest my cheek to
A thrill that I have never known
Oh, yeah when you smile, you smile
Oh, and then the spell was cast
And here we are in heaven
For you are mine
At last

Sábado, 21 de Janeiro de 2012

Concerto de Aranjuez: clássico ou lamechas, mas sempre belo

 

Andrés Segovia

                                    

                                   Andres Segovia: Adagio do CONCIERTO DE ARANJUEZ, de Joaquín Rodrigo.

                                 

                                  

                                    Richard Antony: Aranjuez, mon amour 

Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012

Sem a crença na justiça, não se valoriza a democracia

O filme Filadélfia, do realizador Jonathan Demme, é admirável por vários motivos: a história, o desempenho dos atores, a banda sonora ... Vi-o no cinema há muitos anos. Recordo-me com alguma regularidade de uma das cenas - a minha favorita - quando em tribunal se pergunta: O que é que faz de alguém um bom advogado?

Eis a resposta: "Quando, ocasionalmente (não muitas vezes), tu contribuis para a justiça que está a ser feita."

Existe um enorme descrédito dos cidadãos em relação à democracia portuguesa. De acordo com os dados deste artigo - "Um em cada seis inquiridos num estudo considera que um sistema autoritário pode ser mais benéfico em algumas circunstâncias". Parece-me que um dos factores principais que mina a crença nas instituições democráticas é o facto dos cidadãos verificarem, com frequência, que as leis não se aplicam e a justiça não se faz. Talvez seja por este motivo que me vem à memória, muitas vezes, a cena deste filme. Mau sinal, presumo.

Estudar para o 3º teste de Filosofia do 11º ano: turmas C, D e F

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Tema: Retórica, Filosofia e democracia
Sobre o poder da retórica
Retórica e democracia: Ficha de trabalho
A retórica, os sofistas e Platão: Ficha de trabalho
Filosofia, retórica e democracia: síntese das aulas do 11º ano

Tema: Descrição e interpretação da atividade cognitiva

Algumas relações entre os vários tipos de conhecimento
O Deco não percebe nada de Epistemologia
O conhecimento por contacto facilita as cunhas
O carácter factivo do conhecimento
2 contra-exemplos à chamada definição tradicional de conhecimento

Matriz do 3º teste do 11º ano: turmas C, D e F

2011-12 Matriz 11º ano 3º teste

Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012

Em Portugal seria professor

nem vida nem dinheiro

Educação sexual: análise do filme os "Juncos silvestres"

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A professora Anabela Moutinho (a quem agradeço a partilha), da escola secundária José Belchior Viegas de S. Brás de Alportel, teve a gentileza de me enviar a atividade que realizou - no âmbito do projeto de educação sexual - com os seus alunos do 10º ano. Esta atividade pode ser consultada AQUI.
As tarefas propostas aos alunos relacionam-se com o visionamento e a análise do filme "Os juncos silvestres" de André Téchiné. Neste filme são abordados, entre outros temas, a homossexualidade, a amizade e a adolescência. Nas aulas de Filosofia do 10º ano, estes temas poderão ser articulados  com alguns dos conteúdos programáticos, por exemplo: "A ação e os valores".


Neste blogue encontram-se (na etiqueta educação sexual) outras atividades sobre o referido filme.

Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012

Exame de Filosofia: orientações do ministério e cursos em que este é pedido

Disponibilizo (de novo) neste blogue - para alunos e professores - as orientações do Ministério da Educação e da Ciência para o exame nacional da disciplina de Filosofia. Este incidirá nos conteúdos programáticos lecionados no 10º e 11º ano e - tal como é referido no início do documento e de acordo com a legislação em vigor - os alunos poderão optar por realizar este exame nacional e o de uma das disciplina da formação específica ou os exames nacionais das disciplinas da formação específica do curso em que se encontram inscritos.

Como é óbvio, sobretudo para aqueles alunos que pretendem prosseguir os estudos, é importante saber quais os cursos (das várias universidades) em que o exame nacional de Filosofia pode ser utilizado como prova de ingresso (ou prova específica): a legislação em vigor com essa informação pode ser lida no segundo documento.

Orientacoes Av Externa Fil VersaoFinal10out VDGIDC

faculdades com exame de filosofia como específica

Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012

Malomil: um blogue que vale a pena ler

Descobri - através da página do Facebook do jurista e cronista do jornal "Público" Pedro Lomba - um novo blogue chamado Malomil.

Vale a pena ler, discordando ou concordando com algumas das ideias defendidas pelo seu autor. Textos bem escritos e excelentes fotografias.

O primeiro post que li foi este (a história de uma mulher exemplar). Mas há mais que aconselho vivamente, por exemplo:

Portugal um retrato social
(Fotografias e texto de António Barreto)
O império das formigas

O céu sobre Lisboa

Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012

O livre-arbítrio é uma criação humana e… existe!

«O livre-arbítrio é real, mas não é um aspeto preexistente da nossa existência, como a lei da gravidade. E também não é o que a tradição declara que é: um poder divino que dispensa a pessoa do tecido causal do mundo físico. Trata-se de uma criação da atividade e das crenças humanas que evoluiu, e é tão real quanto outras criações humanas, como a música ou o dinheiro. E ainda mais valiosa.»

Daniel C. Dennett, A Liberdade Evolui, Temas e Debates, Lisboa, 2005, pág. 28.

Daniel C. Dennett

(Se clicar no título poderá obter mais informações sobre o livro.)

13 de Abril: Olimpíadas Nacionais de Filosofia

Uma iniciativa que promove e divulga a Filosofia em Portugal. Bem precisamos que mais o façam!

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Apoios:

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E FISP (International Federation of Philosophical Societies)

 

 

Para mais informações sobre o regulamento, consultar o Site Português das Olimpíadas da Filosofia.

Domingo, 15 de Janeiro de 2012

Quem não te respeita não te merece

A propósito da relação entre a ação e os valores - um tema do programa do 10º ano - e do modo como as nossas ideias podem influenciar as nossas escolhas e o modo como agimos, vale a pena ver um vídeo contra a violência da campanha da  APAV intitulado: "Quem não te respeita não te merece".

Alguns problemas como o bullying e a violência no namoro decorrem de ideias erradas partilhadas e seguidas acriticamente por alguns jovens (e também adultos). Todavia, o conformismo e o facto de alguns adolescentes seguirem, sem questionar, algumas ideias feitas e preconceitos não significa que não se possam mudar atitudes e comportamentos. Porém, para isso acontecer, é preciso que as vítimas dos abusos tenham noção do que está mal e de quais são as ideias certas a seguir.

Sábado, 14 de Janeiro de 2012

What a Wonderful World!

Para o G.P. que faz hoje 17 anos e não gosta de Louis Armstrong, embora goste do planeta Terra. Espero sinceramente que este continue maravilhoso quando o 99º aniversário chegar.

It's a Wonderful World by Louis Armstrong on Grooveshark

What a Wonderful World – segundo David Attenborough e Louis Armstrong.

Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012

Cecília Meireles: um pequeno gesto que eu não farei

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Timidez

Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...
- mas só esse eu não farei.
Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...
- palavra que não direi.
Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,
- que amargamente inventei.
E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...
e um dia me acabarei.

Cecília Meireles

A fotografia é de André Cartier Bresson.

Filosofia, retórica e democracia: síntese das aulas do 11º ano

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Esquema - Filosofia, retórica e democracia.

Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012

A retórica, os sofistas e Platão: Ficha de trabalho

Neste post, além de uma ficha de trabalho, disponibilizam-se links para textos sobre os seguintes temas do programa de Filosofia do 11º ano:

“As perspetivas dos sofistas e de Platão acerca da retórica no contexto da democracia ateniense”.

Bom trabalho a todos!

Outros textos (deste blogue) sobre o tema:

Sobre o poder da retórica
Sofista ou surfista?
O tempo até pode ser relativo, mas a verdade não
O que é a democracia?

2011-12 11º ano Ficha de trab. sobre a democracia, os sofistas e a retórica

Música clássica

Velvet Underground: Sunday morning.

Lou Reed: Walk on the wild side e Perfect day.

Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012

Muito pior que o erro

errar é humano

 

«Errar pode ser humano, mas persistir no erro e não o reconhecer é coisa de besta.

*

É verdade que ninguém é perfeito, mas não tentar aperfeiçoar-se é preguiça e cobardia.

*

Porque será que expressões populares como as anteriores (“errar é humano” e “ninguém é perfeito”), mesmo quando são verdadeiras, são geralmente usadas como argumentos a nosso favor, quando isso nos convém ou dá jeito, mas muito raramente a favor de outros, mesmo quando seria para os justificar pelos mesmíssimos erros ou imperfeições que rapidamente desculpamos a nós próprios? “Ninguém sabe”, pois não?!»

João Carlos Silva, A Natureza das Coisas do Ponto de Vista da Eternidade (aforismos 803, 804 e 805), Chiado Editora, Lisboa, 2010.

A Natureza das Coisas do Ponto de Vista da Eternidade de João Carlos Silva

(Se clicar no título ou na capa poderá obter mais informações sobre o livro.)

Guião de análise do filme "Citizen Kane"

2011-12 Guião de análise do filme Citizen Kane.

Guião de análise do filme "Filadélfia"

2011-12 Guião de análise do filme Filadélfia

Guião de análise do filme "O tigre e a neve"

 

2011-12 Guião de análise do filme o tigre e a neve.

Sábado, 7 de Janeiro de 2012

A ignorância existe mesmo!

O céu existe mesmo

Segundo o jornal Público, este foi o livro mais vendido em Portugal em 2011.

Quando se analisa problemas como o insucesso escolar e a iliteracia e se tenta identificar as suas causas devia-se   referir este género de factos.  Os programas de TV mais vistos ao longo do ano talvez  ajudassem também a compreender melhor as causas desses problemas.

Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012

Uma excelente sugestão vinda do Irão

O filme "Uma separação" do realizador iraniano Asghar Farhadi estreou em Portugal em Dezembro deste ano, mas continua em exibição nos cinemas.

É um filme que vale a pena ver! Para mais informações, ver aqui.

Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012

Bobby McFerrin e Yo-Yo Ma

Mais Bobby McFerrin: aqui.

Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2012

Em que consiste a liberdade?

Homem, se homem queres ser
E não uma sombra triste,
Olha para tudo o que existe
Com olhos de bem o ver.

Nada receies saber.
Ao que não amas, resiste.
Mesmo vencido, persiste
E acabarás por vencer.

Quer e poderás poder.
Vai por onde decidiste.
A liberdade consiste
No que a razão te impuser.

Armindo Rodrigues

Mulheres Correndo Pablo Picasso Pablo Picasso, Mulheres Correndo

A arte esquecida do debate democrático



Michael Sandel: A arte esquecida do debate democrático

Bobby Mcferrin canta Bach

Vale a mesmo a pena ouvir e ver (sobretudo o segundo vídeo)!

Terça-feira, 3 de Janeiro de 2012

Retórica e democracia: Ficha de trabalho

2011-12 Ficha de trabalho sobre a liberdade de expressão.

Sobre o poder da retórica

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Quino, Potentes, prepotentes e impotentes, Ed. D. Quixote.

image Quino, "Potentes, Prepotentes e Impotentes", Editorial Teorema, 2004.

image Cartoon retirado daqui.

Nos dois textos seguintes são apresentados  pontos de vista diferentes sobre o papel da retórica, caracterize cada um deles.

«Um retórico do passado dizia que o seu ofício era fazer que as coisas pequenas parecessem grandes e como tal fossem julgadas.

(…) Arquidamo (…) não terá ouvido sem espanto a resposta de Tucídides, ao qual perguntara quem era mais forte na luta, se Péricles, se ele: “Isso será difícil de verificar, pois quando o deito por terra, ele convence os espectadores que não caiu, e ganha”.

Os que, com os cosméticos, caracterizam e pintam as mulheres fazem menos mal, pois é coisa de pouca perda não as ver ao natural, ao passo que estes outros fazem tenção de enganar, não já os olhos mas o nosso juízo, e de abastardar e corromper a essência das coisas.»

Montaigne, Ensaios, antologia, tradução de Rui Bertrand Romão, Relógio de Água Editores, Lisboa, 1998, pág. 147.

***

Num diálogo intitulado Críton, Platão relata a forma como Sócrates (condenado à morte pelo tribunal em 399 a.C por, entre outras acusações, corromper a juventude) responde à proposta que alguns dos seus discípulos lhe fazem: fugir em vez de aceitar a sentença fatal.

“Críton: (…) Mas, caro Sócrates, uma vez mais te peço, obedece-me e salva-te. É que, se morreres não será para mim uma desgraça só, além de ficar privado de um amigo como não tornarei a achar outro, ainda farei aos olhos da maioria, que não nos conhece bem, nem a mim nem a ti, o papel de alguém que podendo salvar-te, se quisesse gastar dinheiro, não esteve para se incomodar. E que fama pode haver mais vergonhosa que parecer ter em maior conta o dinheiro do que os amigos? A maioria das pessoas nunca acreditará que foste tu que não quiseste sair daqui, apesar da insistência dos nossos pedidos.

Sócrates: Portanto, meu caro, não devemos preocupar-nos muito com as afirmações da maioria, mas sim (…) com a verdade. Não é, por isso, boa a tua sugestão inicial de que devemos preocupar-nos com a opinião da maioria sobre a justiça e a bondade (…). Em todo o caso, poderá alguém observar: a maioria é muito capaz de nos mandar matar.

Críton: Evidentemente, poderia muito bem dizer-se isso, ó Sócrates.

Sócrates: Mas, meu caro, a lógica seguida parece-me ser a mesma de há pouco. E repara de novo se este princípio permanece ou não: o que mais importa não é viver, mas viver bem.”

Platão, Êutifron, Apologia de Sócrates, Críton, Edição Imprensa Nacional – Casa da Moeda, Lisboa, 1990.

Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2012

O fim do mundo

calendário maia

O matemático e divulgador científico Jorge Buescu respondeu a algumas perguntas do jornal Expresso sobre as superstições acerca do fim do mundo. Pode ler parte da entrevista no blogue De Rerum Natura, no post O fim do mundo segundo Buescu.

Um excerto, para abrir o apetite:

- Porque é que as pessoas têm a necessidade de fixar uma data para o chamado fim do mundo? Que mecanismo psicológico justifica isto?

- Provavelmente uma mistura de sentimentos, entre os quais um desejo de sentir que vivem numa época ou altura “escolhidas”. Curiosamente, a evolução da Ciência desde Galileu até à moderna cosmologia tem-nos revelado exactamente o oposto: vivemos num local e numa época típicos, num pequeno ponto azul pertencente a um entre milhares de milhões de sistemas solares, que está numa entre milhares de milhões de galáxias, num gigantesco Universo que tem mais de dez mil milhões de anos. Não ocupamos posição especial nem no espaço nem no tempo.

 

Sábado, 31 de Dezembro de 2011

Em 2012: vamos inventar o futuro!

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A fotografia foi tirada daqui.

O futuro tem muitos nomes.
Para os fracos é o inalcançável.
para os temerosos, o desconhecido.
Para os valentes é a oportunidade.

Victor Hugo

O poema foi copiado deste sítio.

Um Bom Ano Novo a todos os leitores do Dúvida Metódica!

Respostas temporárias: um estímulo para seguir em frente

Na parte final do livro - "O grande inquisidor" - sobre o grande físico italiano, Ettore Majorana (desaparecido misteriosamente em 1938, tal como é relatado no vídeo),  João Magueijo faz algumas reflexões acerca da relação entre a verdade e a ciência que vale a pena ler.

“Este livro não poderia ficar mais em aberto , a verdadeira razão por que quis escrevê-lo: odeio verdades eternas. Não sabemos o que aconteceu a Ettore, e não sabemos se o neutrino é de Majorana. Mas que interessa? Como Einstein e Infeld uma vez disseram, a ciência é um mau triller, daqueles em que nunca se chega a saber quem é o culpado.

Mesmo que um dia uma experiência mostre que o neutrino é de Majorana, podemos ter a certeza que antes que passem mais cem anos outra experiência acabará por demonstrar que a construção de Ettore continua a ser apenas uma aproximação grosseira da realidade. A natureza é sempre mais profunda e complexa do que conseguimos imaginar, e com o benefício de uma visão retrospectiva os nossos pequenos passos acabarão sempre por parecer simplórios e ingénuos. Neste sentido, o neutrino nunca poderá ser de Majorana – nem de Dirac. Nem de quem quer que seja. A falta de uma resposta definitiva não é apenas o fim deste livro: é a natureza da ciência.

Tal como acontece com o neutrino, a história de Ettore também é esquiva. Mesmo que viéssemos a descobrir com certeza o que lhe aconteceu, nunca saberíamos porque o fez – o que é muito mais importante. Esta ausência de uma verdade final não deve entristecer-nos: pelo menos não alimentamos ilusões de omnisciência.

(…) Não me importo de viver na ignorância, desde que saiba que foi feito um esforço; são as visões de respostas temporárias que nos estimulam para seguir em frente, criando tensão e vida.”

João Magueijo, O Grande Inquisidor, a vida extraordinária e o desaparecimento misterioso de Ettore Majorana, génio atormentado da era nuclear, tradução de Helena Ramos, 1ª edição, Lisboa 2011, Editora Gradiva págs. 442-444.

O poder da ciência ao serviço do poder político?

Este é um excelente documentário da BBC, realizado em 1992 por David Sington, sobre o contributo de alguns físicos (Heisenberg, entre outros) para a construção da bomba atómica e as pressões políticas a que estiveram sujeitos durante a Segunda Guerra Mundial. Um caso em que o génio e as descobertas científicas de alguns influenciaram o rumo da história e vida de muitos.

Aconselho o visionamento, sobretudo, a quem tem dúvidas acerca do poder do conhecimento e quer compreender melhor o mundo em que vivemos.

Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2011

O facto de sermos falíveis não significa que somos incapazes de descobrir a verdade

«As novas descobertas estão constantemente a obrigar-nos a rever as ideias que temos acerca do passado. Mas a verdade está lá à nossa espera. Nós podemos chegar à verdade. É só uma questão de fazermos o nosso trabalho. Nada mais que isso.»

V.S. Naipaul, A curva do rio, Quetzal, Lisboa, 2011, pág. 198.

geocentrismo

Qual é a medida do possível?

Melhor é desejar do céu
coisas que assentem a um espírito mortal,
sabendo o que se encontra a nossos pés,
e qual a sorte para que nascemos.

Ó minh'alma, não aspires
a uma existência de imortal,
mas goza plenamente
tudo o que esteja ao teu alcance.

Píndaro, 3ª Pítica (excerto encontrado aqui, no blogue Primeiros Escritos.)

Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011

Qual é o balanço de 2011?

polícia grego em chamas

Polícia grego em chamas após ser atingido por uma bomba de petróleo atirada por manifestantes, em Atenas, no dia 23 de Fevereiro de 2011.

bpm

Aurora boreal, no Alasca, a 9 de Março de 2011.

(Fotografias encontradas aqui, entre dezenas de outras excelentes fotografias de acontecimentos ocorridos em 2011.)

Segunda-feira, 26 de Dezembro de 2011

Uma canção de Natal diferente

… agora que o Natal já passou.

Viver e nada mais talvez seja pouco

“Quando chegámos a África [vindos do norte da Índia], ninguém saberia dizer-me. O que não admira, não éramos gente que se preocupasse com essas coisas. Limitávamo-nos a viver, viver e nada mais; fazíamos o que se esperava que fizéssemos, o que as gerações anteriores tinham feito. Nunca perguntávamos porquê; nunca escrevemos a nossa história. (…)

Na nossa casa nunca houve uma discussão política. Não eram tolos ou ingénuos os meus familiares. O meu pai e os irmãos dele eram comerciantes, negociantes; à sua maneira tinham de se adaptar às mudanças dos tempos. Eram capazes de avaliar situações; corriam riscos e por vezes mostravam-se mesmo audaciosos. Mas estavam tão profundamente envolvidos nas suas vidas que nunca seriam capazes de parar para examinar a natureza dessas vidas.”

V.S. Naipaul, A curva do rio, Quetzal, Lisboa, 2011, pp. 21-22 e 28.

Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2011

Sabias que és parecido a uma pessoa acorrentada no fundo de uma caverna?

Segundo Platão, eu, __________________________ (nome), sou parecido(a) aos prisioneiros da Alegoria da Caverna. Julgo que Platão está _________________(certo/errado), pois_______.

No primeiro teste de Filosofia do 10º da turma D, realizado no passado mês de Outubro, esta era a pergunta 8. Houve várias respostas boas, mas as melhores foram dadas pelos alunos Fábio Gonçalves e Rafael Fonseca. Pedi-lhes para conversarem um com o outro e com base nas respostas dadas no teste construírem um texto com que ambos concordassem. Ei-lo.

Segundo Platão, nós somos parecidos aos prisioneiros da Alegoria da caverna. Julgamos que Platão está certo, pois, tal como os prisioneiros, nós - Fábio e Rafael, mas também os outros seres humanos – muitas vezes adotamos crenças acriticamente. Tal como os prisioneiros, estamos presos por “correntes” (metafóricas, claro) que nos iludem, parcialmente ou mesmo globalmente, acerca do que é real e do que não é.

A Alegoria da Caverna fala-nos de um grupo de seres humanos que se encontram presos no fundo de uma caverna. A única coisa que conseguem ver são sombras e julgam que estas são reais – julgam que são a realidade. Depois, há um prisioneiro que sai da caverna: vivia numa ilusão mas liberta-se das correntes da ignorância e alcança o conhecimento após um árduo processo de aprendizagem.

Os prisioneiros viveram sempre com a certeza de que as sombras eram a realidade e não as viam como aparências ou ilusões, mas estavam errados. Julgavam saber o que era a realidade mas não sabiam. Como foi dito, esses prisioneiros podem ser comparados a cada um de nós, pois nós podemos estar iludidos como eles - parcialmente ou até globalmente.

Vejamos primeiro a hipótese da ilusão parcial. Uma pessoa pode estar “acorrentada”, querendo isto dizer que vive iludida relativamente a certos aspetos da realidade. Por causa de coisas como o amor, o ódio, a preguiça, experiências traumáticas, etc., pode ignorar alguns aspetos da sua vida ou até vivê-los de uma forma falsa. Por exemplo: uma pessoa que esteve na guerra pode ter alucinações visuais ou sonoras quando confrontada com uma situação que lhe lembre uma situação passada traumatizante. Uma pessoa que ama outra de forma intensa pode não conseguir perceber que a outra pessoa a engana ou então pode suavizar e desculpar coisas erradas que a outra pessoa faz, como agredi-la ou insultá-la. Essas pessoas vivem convencidas que as coisas da sua vida são de um certo modo e afinal a realidade é muito diferente.

Mas pode suceder que a nossa ilusão não seja apenas parcial mas sim global. Não é impossível, embora seja pouco plausível, que toda a nossa vida atual seja uma ilusão e estejamos, por exemplo, a sonhar. Talvez toda a nossa vida seja um sonho ou uma ilusão semelhante à descrita no filme Matrix. Quem sabe? Talvez exista uma outra vida, uma outra verdade, completamente transcendente e diferente daquilo em que habitualmente acreditamos. Embora a hipótese seja pouco plausível não a devemos rejeitar sem discussão: que razões temos para considerar que a realidade é aquilo que julgamos ser?

O prisioneiro libertado regressou à caverna mas os outros prisioneiros não o quiseram ouvir nem discutir ideias com ele. Isto pode ser interpretado como o uso da filosofia para a discussão das nossas crenças básicas. As pessoas que não aceitam as crenças acriticamente e usam a Filosofia como um instrumento de sabedoria (isto é, uma forma de procurar a verdade) podem ser comparadas ao prisioneiro que se libertou e descobriu o que era de facto a realidade e que tudo o que tinha visto até então era falso. Aquelas pessoas que se recusam a discutir as suas crenças e as aceitam acriticamente - talvez por terem medo de não terem as mesmas ideias da maioria - são comparáveis aos prisioneiros que, no fim, se recusaram a sair da caverna. São dogmáticas, ou seja, acham as suas ideias tão corretas que nem se preocupam em justifica-las e recusam discuti-las e compará-las com as ideias das outras pessoas.

De qualquer forma, a conclusão é que qualquer um de nós pode estar parcialmente ou globalmente iludido, pelo que somos comparáveis aos prisioneiros descritos por Platão.

Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2011

Concerning Hobbits…

Não é prudente fazer planos com muita antecedência, mas tenciono ver este filme assim que estrear. Falta pouco menos de um ano.

Por falar nisso: O Hobbit, o livro de J. R. R. Tolkien em que se baseia o filme, seria uma boa leitura de férias, para os alunos e para qualquer outro leitor.

O Hobbit, de Tolkien

O fim do Inverno

A bela música de Grieg e Vivaldi, bem como algumas imagens da Noruega,  para nos ajudar a imaginar o fim do Inverno – literal e metaforicamente falando.

‘Primavera’, de Edward Grieg.

Spring by Antonio Vivaldi on Grooveshark

‘Primavera’, de Antonio Vivaldi.

Terça-feira, 20 de Dezembro de 2011

Estudar Filosofia: evita choques elétricos e malentendidos no namoro

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Atenção: no título atribuído a este post estou mesmo a falar a sério!

Vejam nas seguintes situações (exemplos que utilizei no último teste de avaliação):

O Ernesto está a renovar a instalação elétrica da sua casa. Está prestes a tocar num fio quando, de súbito se pergunta se terá desligado a corrente e faz o seguinte raciocínio: “Se a corrente estiver desligada, então a luz não se acenderá. A luz não acende. Logo a corrente está desligada.” Confiante de que estará em segurança, o Ernesto toca no fio e apanha um choque. Afinal, a lâmpada estava fundida! (Adaptado do texto de Stephen Law, Filosofia, ed. Civilização, pág. 204)

É claro que se o Ernesto conhecesse as formas válidas e inválidas dos argumentos condicionais, saberia que o seu argumento é incorreto do ponto de vista formal. Na verdade, trata-se da falácia da afirmação da consequente e a conclusão a que ele chegou é, obviamente, falsa.

E eis o "poder" (citando as palavras de um dos meus alunos do 10º ano) do estudo da Lógica formal: ao ensinar-nos como devemos raciocinar de forma válida, evita que apanhemos choques eléctricos! Mas este "poder" não se fica por aqui, pode também evitar equívocos entre namorados e decisões precipitadas. Ora, vejam a seguinte situação, bastante trivial:

A Felismina, que tem algumas dúvidas sobre a paixão do Hipólito por ela, pensou assim:

image A fotografia foi tirada deste sítio.

"Se o Hipólito não quiser sair mais comigo, então dirá, ao telefone, que está ocupado hoje. Como ele disse ao telefone que estava ocupado hoje. Posso concluir que ele não quer sair mais comigo." E decidiu, por isso, acabar o namoro. (Adaptado do texto de Stephen Law, Filosofia, ed. Civilização, pág. 204)

Se a Felismina tivesse estudado Filosofia, saberia que o seu raciocínio é formalmente inválido: é também uma falácia da afirmação da consequente. Afinal, o Hipólito pode ter outras razões para estar ocupado, contudo esse facto não significa que ele não queira sair mais com ela. E, portanto, a decisão de acabar o namoro foi errada e não não está racionalmente justificada.

Domingo, 18 de Dezembro de 2011

O último livro do físico João Magueijo

Há portugueses que falam e (ao contrário do que se diz no post anterior) dizem muitas coisas interessantes. Veja-se o caso do físico João Magueijo no vídeo seguinte.

João Magueijo é professor de Física Teórica no Imperial College de Londres. O seu novo livro, “O Grande Inquisidor – A vida extraordinária e o desaparecimento misterioso de Ettore Majorana, génio atormentado da era nuclear”, é uma biografia do enigmático e genial físico nuclear italiano Ettore Majorana desaparecido na noite de 26 de Março de 1938.

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"Magueijo relata a vida trágica de Majorana e o seu desaparecimento bizarro ao mesmo tempo que nos fala das mais interessantes personalidades da ciência do século XX. Oferece-nos uma visão surpreendente dos meandros sombrios do mundo científico - tanto as suas dificuldades éticas como as suas por vezes complexas dinâmicas de grupo. O resultado é uma obra arrebatadora que dá conta da descoberta extraordinária de Majorana - o neutrino de Majorana - e sugere novas pistas para um dos mais intrigantes mistérios da ciência" (texto retirado daqui).

"O Grande Inquisidor", editado pela Gradiva, é o livro que estou a ler. Aconselho-o, vivamente, aos leitores que se interessem não só por física como pela reflexão sobre o sentido da vida e a política. O livro, escrito como uma espécie de policial, é entusiasmante e é difícil parar de o ler.