quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O que é mais importante que a felicidade?

sound of music música no coração felicidade

«A questão da felicidade é por vezes dramatizada sob a forma de uma pergunta [da autoria de John Stuart Mill]: ‘O que preferia ser: um Sócrates infeliz ou um porco feliz?’ Claro que preferiríamos ser um Sócrates feliz, mas o que se pretende demonstrar é que ter autonomia de espírito, ter consciência do mundo, e fazer escolhas próprias é melhor, de longe, do que ser passivamente feliz em prejuízo destas coisas. É por isso que nós – ou, de qualquer forma, a maior parte de nós – coloca objeções às vias fáceis de acesso à felicidade, como seja ingeri-la sob a forma química, pois desse modo não é muito diferente do esquecimento.»

A. C. Grayling, O significado das coisas, Lisboa, 2002, Edições Gradiva, pág. 96.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Odeia a luz que começa a morrer

Um poema citado no filme "Interstellar" (uma sugestão de cinema para as férias!)

 

Não entreis docilmente nessa noite serena,
porque a velhice deveria arder e delirar no termo do dia;
odeia, odeia a luz que começa a morrer.

No fim, ainda que os sábios aceitem as trevas,
porque se esgotou o raio nas suas palavras, eles
não entram docilmente nessa noite serena.

Homens bons que clamaram, ao passar a última onda, como podia
o brilho das suas frágeis ações ter dançado na baia verde,
odiai, odiai a luz que começa a morrer.

E os loucos que colheram e cantaram o voo do sol
e aprenderam, muito tarde, como o feriram no seu caminho,
não entram docilmente nessa noite serena.

Junto da morte, homens graves que vedes com um olhar que cega
quanto os olhos cegos fulgiriam como meteoros e seriam alegres,
odiai, odiai a luz que começa a morrer.

E de longe, meu pai, peço-te que nessa altura sombria
venhas beijar ou amaldiçoar-me com as tuas cruéis lágrimas.
Não entres docilmente nessa noite serena.
Odeia, odeia a luz que começa a morrer.

Dylan Thomas


Tradução: Fernando Guimarães
Podem ouvir uma leitura do autor do poema:

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Boas leituras e bom Natal!

Para os meus alunos do 10º D e do 11º A.

tintin 

 

Nota: Neste blogue irão ser colocados posts com algumas sugestões de leitura!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A falta de consenso não impede o rigor

menina na janela de dali

Salvador Dali, Rapariga de pé à janela

Na matemática e nas ciências da natureza existem “teorias, amplamente consensuais, que a humanidade foi desenvolvendo ao longo do tempo. A diferença, no caso da filosofia, é que as teorias que temos não são consensuais: são, na verdade, especulativas. São-no por boas razões: porque não temos em filosofia o género de processo de prova ou confirmação que temos noutros domínios. Porém, a especulação pode ser feita com mais rigor ou com menos rigor; em filosofia, desenvolvemos teorias especulativas, mas muitíssimo rigorosas. E submetemos essas teorias a uma crítica tenaz, para evitar tanto quanto possível os erros. Assim, apesar da teorização filosófica ser especulativa, não se confunde de modo algum com a mera opinião subjetiva; a filosofia não é uma espécie de jornalismo das ideias.”

Aires Almeida e Desidério Murcho, Janelas para a Filosofia, Lisboa, Gradiva, Novembro de 2014, pág. 19.

Mais informações sobre o livro: Abrir Janelas.

Janelas para a filosofia de aires almeida e desidério murcho

domingo, 7 de dezembro de 2014

Pesadelo antes do Natal

Eis um filme que tive de rever por razões profissionais (as aulas de Filosofia para crianças) e que aconselho vivamente aos leitores que ainda não conheçam. Um excelente filme para adultos e crianças, a partir dos sete ou oito anos.

«O Estranho Mundo de Jack (no original em inglês: The Nightmare Before Christmas, mais tarde promovido como Tim Burton's The Nightmare Before Christmas) é um filme de animação norte-americano de 1993, dirigido por Henry Selick, produzido e co-escrito por Tim Burton. Conta a história de Jack Skellington da "Cidade do Halloween" que abre um portal para a "Cidade do Natal". Danny Elfman escreveu as músicas da banda sonora, desde da voz de Jack, bem como de outros personagens. O elenco de voz principal inclui Chris Sarandon, Catherine O'Hara, William Hickey, Ken Page e Glenn Shadix.»

Informação tirada DAQUI.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Democracia: o passado e o presente

Péricles (Atenas, século V a.C).

Após o visionamento do documentário, responda às seguintes questões:

1. Em que período vigorou, na Grécia Antiga, a democracia ?

2. Identifique três das principais ideias aceites, simultaneamente, na democracia grega e na democracia atual.

3. Como se explica o surgimento da democracia na Grécia Antiga?

4. Distinga a democracia directa (do século V a. C) da democracia representativa atual.

5. Quem foi Péricles? Qual foi a sua importância na política ateniense?

6. Enumere três das ideias inovadoras introduzidas por Sócrates.

7. Enumere as várias razões que levaram ao julgamento e à morte de Sócrates.

8. Esclareça algumas das consequências - para a filosofia, a ciência e a cultura em geral - das ideias defendidas por Sócrates.

9. Indique o significado dos termos "democracia", "tirano" e "ágora".

10. "A democracia é um regime político que dá trabalho e é imperfeito". Explique porquê.

A professora: Sara Raposo.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Flor do deserto: guião de análise do filme


Título original do filme: Desert Flower
De: Sherry Horman
Com: Liya Kebede, Sally Hawkins, Anthony Mackie, Timothy Spall
Género: Drama
GB, 2009, Cores,
O filme, Flor do deserto, é baseado na história da modelo somali Waris Dirie.  Ela nasceu numa família nómada da Somália  e  foi submetida a uma prática vulgar no seu país e em vários outros, chamada mutilação genital feminina ou excisão. Mais tarde, quando se tornou conhecida internacionalmente, escreveu um livro e tornou-se uma activista contra essa tradição cultural.
Após o visionamento do filme, responda às seguintes questões:

1. Dê três exemplos que ilustrem as diferenças existentes entre a cultura inglesa e a da Somália.
2. Enuncie dois juízos morais, cujo valor de verdade seja diferente para uma pessoa que aceite o código moral dominante na sociedade inglesa e uma que aceite o código moral na sociedade somali.
3. Com base em que valores da cultura somali se justifica a prática da excisão?
4. De acordo com os valores morais dominantes nos países europeus, como é avaliada, do ponto de vista moral, a prática da excisão?
5. Na sua opinião, haverá ações que possam ser moralmente boas ou más, independentemente do contexto cultural? Porquê?
6. Indique duas passagens do filme que justifiquem a seguinte afirmação: a defesa das ideias do relativismo moral e cultural conduz ao conformismo.
7. Ao condenar a prática da excisão no seu país, a modelo somali admite que os valores morais dependem apenas da cultura? Porquê?
8. A defesa dos direitos humanos e do relativismo serão compatíveis? Justifique.
9. Explique o significado do título atribuído ao filme: "Flor do deserto".
10. Gostou do filme? Explique porquê.
A professora: Sara Raposo

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Dia Mundial da Filosofia: as opiniões dos alunos

Os textos, enviados para a caixa de comentários, sobre o problema proposto no Dia Mundial da Filosofia já se encontram disponíveis, podem ser lidos AQUI.

Um obrigada a todos os alunos que participaram (do 11º A, 11º B e 10º D)!

Os autores dos dois melhores comentários - a quem se será entregue o livro "Logicomix" da Gradiva - serão conhecidos na primeira semana de aulas do 2º período. Nessa data também serão publicados neste blogue os dois textos seleccionados.

domingo, 30 de novembro de 2014

O ranking das escolas... Mas e as outras disciplinas?

image 
O jornal “Expresso” publicou ontem um ranking interativo das escolas - que pode ser consultado AQUI - e onde o leitor poderá ver a posição em que ficou cada escola. A imagem anterior refere-se ao distrito de Faro. Além das médias obtidas nos exames de Português, Física e Química, Biologia e Geologia e Matemática, disponibilizam-se outros dados pertinentes a que vale a pena dar atenção, como por exemplo: “a percentagem de alunos carenciados” e o “número de provas realizadas”.
O ranking apresentado, independentemente de se concordar ou não com a sua publicitação (e eu sou a favor), foi elaborado segundo critérios discutíveis, nomeadamente o facto de se considerarem só as classificações obtidas nos exames nacionais das disciplinas de Português, Física e Química, Biologia e Geologia e Matemática. Veja-se o quadro seguinte:
image
Porquê privilegiar as disciplinas específicas dos cursos de ciências (Física e Química, Biologia e Geologia e Matemática) em detrimento dos cursos de humanidades?
A "média da escola”, que determina a sua posição no ranking, é calculada  a partir dos resultados dos exames de quatro disciplinas, mas é apresentada como sendo “da escola”. No caso do ensino secundário, é preciso dizer que isto é uma fraude. A média da escola, para ser verdadeira, teria de considerar todos os exames nacionais realizados, o que não acontece. Os alunos do secundário fazem exames nacionais de Filosofia, de História A, de Espanhol, de Geografia, entre vários outros. Contudo, as classificações destes não são consideradas no ranking. E porquê? Que critério foi utilizado?
Se for as disciplinas com maior número de inscrições nos exames a nível nacional (como julgo que é), então é preciso dizer que o ranking é só dessas disciplinas e não das escolas. Mas mesmo considerando apenas esse redutor critério numérico, está a ser esquecido o facto de o número de inscritos em Filosofia ter vindo a subir de ano para ano (em 2014 fizeram exame 11.513 alunos, dos quais 7.956 eram internos).
Na realidade, “as médias das escolas”, vindas agora a público, não são as mesmas que o ministério da educação considera nas suas estatísticas, pois estas englobam a média obtida na totalidade dos exames. E isso, além de deturpar a verdade, é injusto. No caso da disciplina de que posso falar - Filosofia - no ano passado a escola Pinheiro e Rosa foi a escola do Algarve (apesar do número de alunos e de turmas ser menor do que de várias outras) onde mais alunos internos realizaram o exame nacional de Filosofia e a média, à semelhança de anos anteriores, foi positiva (a diferença entre a média das classificações internas que atribuí, 13,41, e a média da classificação interna obtida no exame pelos alunos internos foi de 2,38 valores. A média total das classificações dos alunos internos da escola foi de 10.92, ver dados AQUI e AQUI).
Porque não haveriam estas classificações ser tidas em conta no ranking? Como se explica que em certas escolas, com um número muito maior de alunos, apenas três ou quatro tenham realizado o exame de Filosofia e nesta escola isso não aconteça? Porque é que a Filosofia, ou outra disciplina com exame nacional, haveria de ficar de fora quando se trata de fazer o apuramento da média da escola?
É um absurdo que assim seja. Contudo, os jornalistas do Expresso fazem passar para a opinião pública a ideia de que “a média das escolas” é objetiva e transparente. Não é, é antes uma fraude.
Mas há, sem dúvida, um efeito perverso nesta fraude (e que a maioria das pessoas conhece bem): na hora dos alunos e encarregados de educação escolherem a escola, um dos fatores relevantes - entre vários outros - a ter em conta é o lugar ocupado no ranking por essa escola. E isso atrai ou afugenta a inscrição de alunos nesse estabelecimento de ensino. Assim, é bom termos consciência de que a imagem pública veiculada nos jornais poderá condicionar, pelo menos em parte, o futuro de uma escola.
Por isso, é inadmissível que se penalize a imagem pública das escolas devido ao desempenho dos alunos apenas em algumas disciplinas e se ignore o bom trabalho que possa ter sido feito noutras.