sexta-feira, 22 de maio de 2015

Manuais escolares: gatos maltratados, telenovelas e astrologia

manuais escolares

Causou escândalo o problema de física, incluído num manual escolar para o 9º ano, cujo enunciado colocava um rapaz a atirar um gato de uma altura de cinco metros. Ricardo Araújo Pereira, na Mixórdia de Temáticas do dia 22 de maio de 2015, brincou com a situação e sugeriu que a motivação dos autores era atrair um certo tipo de alunos que geralmente não se interessam pelas matérias estudadas na escola.

O que não tem sido referido na polémica que se gerou à volta desse enunciado é que a sua novidade reside apenas na crueldade para com os animais. O que não falta em Portugal são manuais que, na tentativa de ser motivantes para quem não gosta de estudar, usam e abusam de recursos ridículos e sem qualquer valor cognitivo, mas supostamente apelativos. Textos de telenovelas e de revistas para adolescentes, regulamentos de concursos, os signos do zodíaco, etc. A banalização da crueldade para com os animais feita pelo enunciado do gato é lamentável, mas este ao menos apresenta de forma rigorosa um problema relevante da física, o que não se pode dizer de muitos outros casos de recursos mal escolhidos, cujo conteúdo intelectual geralmente se aproxima do zero.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Avaliação das Aprendizagens em Filosofia

Avaliação das Aprendizagens em Filosofia — 10.º e 11.º Anos, foi um documento encomendado pelo antigo Departamento do Ensino Secundário (DES) à Sociedade Portuguesa de Filosofia e elaborado por Aires Almeida e António Paulo Costa. O documento contou com a participação de várias pessoas, que o discutiram e o aperfeiçoaram, antes de ser publicado na página do DES.”

Fonte: 50 Lições de Filosofia.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Dicas para a apresentação de trabalhos orais

Para os meus alunos do 10º D e 11º A com votos de bom trabalho!

Sara Batalha - consultora de comunicação e diretora  da Media Training Worldwide (MTW) - dá alguns conselhos práticos a ter em conta nas apresentações. Julgo que alguns deles vos poderão ser úteis quando tiverem de expor nas aulas os vossos trabalhos sobre as falácias informais. Podem ver um vídeo: AQUI.

Outras sugestões, retiradas do blogue de Sara Batalha:

"O que aborrece uma audiência e o que a faz sorrir

SEMPRE:
1. Seja interessante.
2. Seja apaixonante.
3. Conte histórias.
4. Dê exemplos.
5. Conte histórias de caso.
6. Olhe para a audiência.
7. Deixe a audiência fazer perguntas quando quiser.
8. Diga à audiência porque deve estar a ouvi-lo!
9. Mexa a cabeça, mãos e corpo.
10. Acabe a horas (ou mais cedo)

NUNCA:
1. Leia o seu discurso.
2. Despeje matéria.
3. Mostre slides complexos com imensas palavras e pequenas fotos e gráficos
4. Fique a olhar para os slides e evite a audiência.
5. Seja abstracto.
6. Use palavras complexas e difíceis.
7. Use linguagem técnica.
8. Seja monótono.
9. Seja aborrecido."

O aborto em debate: leituras

Leituras para preparar o debate sobre um dos problemas da ética aplicada: o aborto.

Argumentos consequencialistas a favor do aborto
Argumentos contra o aborto
Aborto: o argumento do violinista
Aborto: um assunto de mulheres?

http://criticanarede.com/eti_abortopublico.html

http://criticanarede.com/eti_abortopg.html

http://criticanarede.com/aborto.html

Trabalhos realizados por alunos (são apresentados a título de exemplo, a sua leitura é facultativa, ao contrário dos textos anteriores, cuja leitura é obrigatória):

Aborto: contra
Aborto: a favor
O aborto em debate: a opinião dos alunos (1)
O aborto em debate: a opinião dos alunos (2)

Bom trabalho! :)

Sara Raposo.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Compêndio em Linha de Problemas de Filosofia Analítica

Eis o novo site do Compêndio em Linha de Problemas de Filosofia Analítica: http://compendioemlinha.letras.ulisboa.pt

logicomix bertrand russell

(Na imagem: Ludwig Wittgenstein, em Logicomix, Uma Busca Épica da Verdade.)

Argumentos a favor da exigência e dos exames nacionais

«Quase 40% dos alunos que entram no ensino superior universitário com média de 10 valores abandonam os estudos passado um ano. Uma percentagem que desce para 6% entre os que que têm 15 valores como nota de ingresso.

São dados divulgados nesta quinta-feira de manhã por um dos responsáveis da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), João Baptista, num seminário sobre sucesso académico que decorrerá durante todo o dia.

Dez é a média mínima de ingresso no superior. “Não estava à espera desta dimensão”, admitiu João Baptista, que não hesita em descrever o impacto das notas de ingresso na probabilidade de abandono do ensino superior como um “efeito brutal”. Esta informação diz respeito aos alunos que entraram no ensino superior universitário pelo concurso nacional de acesso no ano lectivo de 2011/2012, o primeiro em que passou a existir informação sobre o percurso individual de cada estudante.

A variação faz-se logo sentir quando a média de ingresso passa de 10 para 11 valores, com uma redução da taxa de abandono passado um ano de 39% para 23,6%. “Se os números por vezes falam, estes aqui gritam”, comentou João Baptista, que desafiou as instituições do ensino superior a elaborar novas estratégias de acolhimento dos novos alunos com base no que os novos dados sobre abandono revelam. 
No ensino superior politécnico, o “fenómeno é semelhante, embora com uma dimensão menor”, frisou o subdirector-geral da DGEEC, referindo que 18% dos que entraram com média de 10 valores neste subsistema de ensino já não estavam a estudar um ano depois de terem ingressado, descendo esta percentagem para 14% quando a média de entrada é de 11 valores.»

Continuar a ler no jornal "Público", AQUI.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Desigualdade de oportunidades: filho de varredor não pode ser juiz

Filho de varredor não pode esperar ser juiz

Para haver igualdade de oportunidades não é suficiente existirem normas legais dizendo que todos os cidadãos têm direitos iguais e são iguais perante a lei. Há circunstâncias sociais, como por exemplo alguns preconceitos acerca da classe social e da raça, que impedem que as todas as pessoas beneficiem de uma real igualdade de oportunidades.

Eis um caso – infelizmente real - em que, além da igualdade de oportunidades, são desprezadas as liberdades e os direitos de alguns cidadãos egípcios (em que, na linguagem de John Rawls, são violados o princípio da oportunidade justa e o princípio da liberdade).

Notícia do Diário de Notícias, do dia 11-05-2015:

«Declarações do ministro da Justiça do Egito estão a causar polémica. Mahfuz Saber disse que para a função de magistrado o candidato deve ser proveniente de um "meio respeitável".

O ministro da Justiça egípcio suscitou hoje controvérsia, nomeadamente nas redes sociais, após ter afirmado que o filho de um varredor não pode esperar tornar-se juiz porque se trata de uma função com muito prestígio.

No Egito, mais de um quarto das pessoas vivem abaixo do limiar da pobreza, segundo estatísticas do Governo, embora a taxa seja provavelmente mais elevada. Grande parte da riqueza do país está concentrada nas mãos de uma pequena parte da população.

A função de magistrado tem "prestígio e um certo estatuto", o candidato deve ser proveniente de um "meio respeitável", explicou no domingo o ministro Mahfuz Saber na televisão.

Interrogado sobre a possibilidade de o filho de um varredor poder aceder à função, respondeu: "Ele afundar-se-ia na depressão e abandoná-la-ia".

Os comentários indignados não tardaram a surgir na rede social de mensagens curtas Twitter e uma campanha para pedir a sua demissão do Governo está a ter algum sucesso.

"O filho de um vendedor não pode trabalhar na magistratura mas pode morrer no Sinai para vos defender, indignou-se um homem no Twitter. O exército conduz uma ofensiva nesta península do leste do Egito, onde um grupo 'jihadista' aliado do movimento radical Estado Islâmico mata regularmente soldados em atentados.

"Quando um país perde o sentido de justiça social nada mais há a esperar", escreveu na mesma rede social Mohamed ElBaradei, antigo vice-presidente do Egito e antigo diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica.

Em 2014, as candidaturas de 138 aspirantes a funções no Ministério Público egípcio foram recusadas porque os seus pais não tinham diplomas universitários.»

O camaleão confuso

O livro infantil "The Mixed-Up chameleon", que é lido no vídeo anterior, foi escrito por Eric Carle e não se encontra traduzido em português. A tradução , a seguir apresentada, é da autoria do meu colega e professor de Inglês, Helder Rocha, a quem muito agradeço. 

Numa folha brilhante e verde estava um pequeno e verde camaleão. Mal se via. Moveu-se para uma árvore castanha e ficou castanho. Depois, descansou numa flor vermelha e ficou vermelho. Quando o camaleão andava lentamente pela areia amarela, ficava amarelo. Mas quando tinha frio e fome, ficava cinzento e triste, sem se mexer, à espera. Só os olhos se moviam – para cima, para baixo, para os lados – até encontrar uma mosca. Era então que a sua língua pegajosa e comprida se desenrolava para a apanhar. Sempre que se aquecia e comia, ficava verde brilhante. Não era muito emocionante, mas essa era a sua vida. Até que um dia o camaleão viu um jardim zoológico. Nunca tinha visto tantos animais bonitos e pensou:

- Sou tão pequeno, tão lento e fraco! Gostava de ser grande e branco como um urso polar.

E o desejo do camaleão realizou-se. Mas será que ficou satisfeito? Não!

- Gostava de ser elegante como um flamingo. Gostava de ser astuto como uma raposa. Gostava de nadar como um peixe. Gostava de correr como uma gazela. Gostava de ver o que está longe, como uma girafa. Gostava de me esconder numa carapaça, como uma tartaruga. Gostava de ser forte como um elefante. Gostava de ser divertido como uma foca. Gostava de ser como as pessoas.

Foi então que apareceu uma mosca voando à sua volta. O camaleão estava cheio de fome. Ele era agora um pouco de cada animal, estava muito confuso e não a conseguia apanhar.

- Gostava de voltar a ser como era…

O desejo do camaleão tornou-se realidade e finalmente conseguiu comer a mosca.

Eric Carle, O camaleão confuso (tradução de Helder Rocha).

sábado, 9 de maio de 2015

O melhor de Banksy

Apesar de obviamente atual e pertinente em contextos diversos, esta nem sequer é a melhor “pintura” de Banksy.

the_best_of_banksy o melhor de bansky esconder debaixo da...parede

The Best from Banksy (50 Pics)