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terça-feira, 10 de novembro de 2015

Generalização ou contra-exemplo?

Algumas pessoas com aspeto estranho não são de confiança. Logo, nenhuma pessoa com aspeto estranho é de confiança.

Interpreto a história deste vídeo como um contra-exemplo à conclusão dessa generalização. Mas a pessoa que publicou o vídeo no Youtube
tem outra interpretação: essa história é como se fosse a premissa (Por vezes enganamo-nos acerca da aparência e do valor das pessoas) de uma generalização cuja conclusão é Nunca se deve julgar o valor das pessoas pela aparência.

Qual será a melhor interpretação?

terça-feira, 8 de abril de 2014

Eis uma generalização pouco arriscada

Generalização

Por muito provável que seja a conclusão de uma generalização, a sua verdade nunca está completamente garantida, pois...

A resposta, ou pelo menos uma parte dela, pode ser lida aqui: Generalizações e previsões.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Generalizações e previsões

generalização

As induções são argumentos não dedutivos que podem ser generalizações ou previsões. Trata-se de argumentos muitos usados na vida quotidiana e nas ciências, mas não na filosofia.

Numa generalização conclui-se que, se algumas coisas possuem uma certa característica, então todas as coisas dessa classe possuem essa característica. As premissas de uma generalização são menos gerais que a conclusão: referem-se a alguns casos e depois, na conclusão, a ideia é estendida a todos os casos.

As generalizações têm a seguinte forma lógica (ou outras análogas):

Alguns A são B.
Logo, todos os A são B

Por exemplo:

Alguns políticos dizem mentirem.
Logo, todos os políticos dizem mentiras.

As pessoas que até à data caíram de uma altura superior a 50 metros morreram.
Logo, qualquer pessoa que caia de uma altura superior a 50 metros morre.

Quantos mais numerosos e representativos forem os casos referidos nas premissas mais provavelmente verdadeira é a conclusão da generalização.

Parece claro que o primeiro exemplo apresentado não respeita essas regras.

Habitualmente, uma previsão é um argumento cujas premissas se baseiam no passado e cuja conclusão se refere ao que acontecerá no futuro – no próximo ou nos próximos casos. Se em várias ocasiões sucedeu algo conclui-se que na próxima (ou próximas) ocasião sucederá o mesmo. A conclusão de uma previsão é menos geral que as premissas.

(Por vezes, as previsões incidem em casos desconhecidos do presente ou do passado.)

Por exemplo:

Alguns vendedores enganam-se nos trocos.
Por isso, da próxima vez que eu entrar numa loja o vendedor enganar-se-á nos trocos.

As gaivotas que nasceram até hoje tinham menos de 10 quilos.
Por isso, a próxima gaivota que nascer na ilha da Berlenga terá menos de 10 quilos.

Tal como sucede com a generalização, quanto mais numerosos e representativos forem os casos considerados mais provavelmente verdadeira é a conclusão da previsão.

Parece claro que o primeiro exemplo apresentado não respeita essas regras.

Contudo, por muito provável que seja a conclusão de uma generalização ou de uma previsão (tal como sucede nos outros argumentos não dedutivos), a sua verdade nunca está completamente garantida. Contrariamente ao que sucede nos argumentos dedutivos válidos, nos argumentos não dedutivos a verdade de todas as premissas não chega para garantir a verdade da conclusão – apenas a torna provável ou plausível. (As regras referidas são condições necessárias mas não suficientes.)

Essa probabilidade pode ser maior ou menor, pelo que a validade não dedutiva é uma questão de grau. As generalizações, as previsões e os outros argumentos não dedutivos podem ser mais ou menos válidos. Outra maneira de exprimir essa ideia é falar de força em vez de validade: os argumentos não dedutivos podem ser mais ou menos fortes.

Por outro lado, a validade das generalizações e das previsões (e de qualquer outro argumento não dedutivo) é informal. Contrariamente ao que sucede com os argumentos dedutivos que analisámos nas aulas, não basta inspecionar a forma lógica para determinar se uma generalização ou uma previsão é válida ou inválida, sendo necessário considerar o conteúdo do argumento para fazer essa avaliação.

Bibliografia:

- Dicionário de Filosofia, direção de Thomas Mautner, Edições 70, Lisboa, 2010.
- Dicionário Escolar de Filosofia, Organização de Aires Almeida -
http://www.defnarede.com/
- Enciclopédia de Termos Lógico-Filosóficos, direção de João Branquinho, Desidério Murcho e Nelson Gonçalves Gomes, artigo “Indução” - http://criticanarede.com/docs/etlf_inducao.pdf
Desidério Murcho, O Lugar da Lógica na Filosofia, Plátano, Lisboa, 2003.

terça-feira, 23 de março de 2010

Cuidado com as generalizações!

"Convém não confundir o Manuel Germano com o género humano."

Mário de Carvalho

(Mário de Carvalho é um escritor português nascido em 1944. É autor de diversos romances e contos. Desconheço em que obra terá feito esta afirmação, que lhe é publicamente atribuída.)

domingo, 25 de janeiro de 2009

Ligações políticas

Todos os anos verifico que a grande maioria dos meus alunos acha a política uma grande chatice. Acreditam também que é algo que pouco ou nada tem a ver com eles.
Por outro lado, ninguém lhes tira da cabeça que os políticos são todos mentirosos e corruptos. A análise lógica e filosófica de falácias indutivas como a generalização precipitada e a amostra tendenciosa diminui drasticamente o número de alunos dispostos a dizer “Todos os X são ladrões” ou “Todos os Y traficam droga”. Mas os recursos da Lógica revelam-se sempre insuficientes para convencer esses alunos a serem mais cuidadosos com as generalizações acerca dos políticos.
É preciso reconhecer que as figuras tristes que muitos políticos costumam fazer, nomeadamente na televisão, não ajudam esses alunos (nem muitos outros portugueses) a desfazer os seus preconceitos. Nas aulas de Filosofia aprendem que o argumento ad Hominem e a falácia do Homem de Palha são característicos da chamada persuasão irracional ou manipulação, mas quase todos os dias vêem alguns políticos a atacarem-se pessoalmente e a distorcerem as ideias uns dos outros, sem se preocuparem minimamente com a validade dos seus argumentos nem com a verdade das suas afirmações.
Para tentar mostrar que o argumento “alguns políticos são corruptos, mentirosos e manipuladores, logo todos os políticos são corruptos, mentirosos e manipuladores” é falacioso e que a sua conclusão é falsa, o Dúvida Metódica passará a incluir algumas “Ligações políticas”.
Numa sociedade democrática o confronto racional de ideias diferentes é salutar e útil. Por isso, das “Ligações políticas” constarão – além do velho e pouco alinhado Abrupto – 2 blogues de esquerda (Arrastão e Rui Tavares) e 2 blogues de direita (Blasfémias e O cachimbo de Magritte).
Boas leituras. E votos de pouca manipulação.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Será verdade que ninguém quer ser injusto?

“Todo o confronto é fruto de um mal-entendido; se as partes em disputa se conhecessem uma à outra, o confronto cessaria. Nenhum homem, no fundo, tenciona cometer injustiças; é sempre por uma imagem distorcida e obscura de algo moralmente correcto que ele batalha: uma imagem obscura, difractada, exagerada da forma mais assombrosa pela natural obtusão e egoísmo, uma imagem que se distorce dez vezes mais pelo acirramento da contenda, até tornar-se virtualmente irreconhecível, mas ainda assim a imagem de algo moralmente correcto. Se um homem pudesse admitir perante si próprio que aquilo pelo que luta é errado e contrário à equidade e à lei da razão, admitiria também, por conta disso, que a sua causa ficou condenada e desprovida de esperança; ele não conseguiria continuar a lutar por ela.”

Thomas Carlyle, Selected Writings, retirado do site Citador.


O autor apresenta diversas proposições que resultam de generalizações. Identifique essas proposições.

Tente encontrar contra-exemplos e discuta a validade das generalizações.


De acordo com Caryle, quando as pessoas agem de modo errado e injusto nunca o fazem voluntariamente, pois o que queriam fazer era - na perspectiva delas - algo certo e justo. Concorda com Caryle? Porquê?


Pode-se dizer que o autor defende uma forma de subjectivismo moral? Porquê?

(O desenho chama-se "E.T." e é da autoria de Helena Monteiro, que pode conhecer no blogue Traços e Cores.)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Fiz greve e fui trabalhar

1. Fiz greve. Motivo: o governo está a tentar impôr um sistema de avaliação comprovadamente absurdo e por motivos meramente eleitorais não reconhece que tem de suspendê-lo. Parece que dar o braço a torcer custa votos.
2. Dei as aulas (mas pedi às funcionárias para registarem a minha falta e disse ao PCE para me pôr na "lista" dos grevistas).
Motivo: tinha 2 testes marcados e seria complicado marcá-los para outro dia (segunda-feira é feriado outra vez), para não falar na complicação que seria corrigi-los a tempo e horas.
3. Como articular de modo coerente o ponto 1. e o ponto 2.? Deixo a resposta ao critério e à imaginação dos leitores.
Só peço que os leitores, ao reflectirem sobre o caso, se lembrem das insinuações que o governo tem feito sobre todos os professores: estavam habituados a ter privilégios e não querem trabalhar, não querem ser avaliados...
Já agora, se algum leitor conhecer membros do governo talvez lhes possa explicar em que consiste a falácia da generalização precipitada.
E, se tiver oportunidade, aproveite para lhes dizer que, pelo menos neste caso, não dar o braço a torcer talvez custe ainda mais votos do que dar o braço a torcer .