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terça-feira, 7 de julho de 2020

Um filósofo que começou a sua carreira a estudar Psicologia e o exame nacional de Filosofia



O filósofo Colin McGinn, apesar de se interessar por filosofia desde a adolescência, estudou psicologia na Universidade (provinha de uma família pobre e por isso pareceu-lhe necessário estudar algo mais prático e profissionalmente promissor). Contudo, o seu interesse pela filosofia não desapareceu e acabou mesmo por se inscrever no curso de filosofia, onde tinha colegas que já estudavam filosofia há mais tempo e que mostravam ter muitos conhecimentos que ele não tinha. Apesar disso, decidiu concorrer ao prestigiado prémio John Locke, cujo vencedor recebia uma recompensa monetária e muito prestígio. Para sua surpresa, ficou em primeiro lugar. Na sua autobiografia (intelectual) Colin McGinn explicou o sucedido do seguinte modo:

“Olhando para trás, julgo que o que aconteceu é que a minha inexperiência relativa funcionou a meu favor, pois tive de lutar para criar as minhas próprias respostas às perguntas, devido à falta de conhecimento sobre o que os outros tinham dito. Em vez de encher as minhas respostas com demasiado conhecimento em segunda mão retirado da bibliografia filosófica, fui forçado a prosseguir com uma linha de pensamento da minha autoria, mostrando assim uma capacidade para participar com pensamento filosófico original.” 

Colin McGinn, Como se faz um filósofo, Bizâncio, Lisboa, 2007, pág. 96 (tradução de Célia Teixiera).

Oxalá amanhã, no exame nacional de Filosofia, os alunos portugueses também consigam ir além dos conhecimentos adquiridos e acrescentem linhas de pensamento da sua autoria!

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Recursos de Filosofia: objeções a Kant e Stuart Mill


A proposta de trabalho que esta semana eu e a Sara Raposo elaborámos para a Aula Digital da Leya visa a discussão de uma objeção a Kant e de uma objeção a Stuart Mill. Inclui textos, questões e propostas de resolução.

Em função da matéria que estiver a lecionar o professor pode optar por debater uma das objeções ou ambas. Pode também, obviamente, usar os textos com outro enquadramento e finalidade, uma vez que os documentos são editáveis.

Dado que as aulas presenciais do 11º vão ser retomadas na próxima semana foram apenas elaborados materiais para o 10º ano.

Para aceder basta fazer uma rápida inscrição e depois visualizar o menu de recursos na Aula Digital. (A apresentação do menu foi reorganizada e agora é mais fácil encontrar os recursos lá existentes.)

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Recursos de Filosofia: Filosofia Política e Filosofia da Religião


Eu e a Sara Raposo elaborámos novamente alguns materiais de apoio que Editora Leya disponibilizou gratuitamente na Aula Digital:


Para o 10º ano escolhemos três textos de Michael Sandel e elaborámos uma ficha de trabalho sobre os mesmos. Esta é interativa (no final indica a pontuação obtida e as respostas corretas, em caso de erro), tendo que ser respondida na plataforma Aula Digital.

Para o 11º ano escolhemos pequenos textos sobre alguns conceitos iniciais da Filosofia da Religião (teísmo, deísmo, ateísmo, agnosticismo, etc.) e elaborámos uma ficha de trabalho sobre esses conceitos. A ficha também é interativa e contém diversas questões que incluem cartoons, fotografias e uma canção.

Tanto no 10º como no 11º existem propostas de planificação das atividades a realizar.

Os documentos que contêm os textos são editáveis, podendo os professores suprimir, acrescentar ou alterar o que entenderem.

Oxalá possam ser úteis!

Para aceder basta fazer uma rápida inscrição e depois visualizar o menu de recursos na Aula Digital.

(Na próxima semana serão publicados no mesmo sítio materiais dos colegas Domingos Faria, Luís Veríssimo e Manuel João Pires.)

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Recursos de Filosofia: Lógica informal e Filosofia da ciência

Eu e a Sara Raposo elaborámos novamente alguns materiais de apoio que editora Leya disponibilizou gratuitamente na Aula Digital: 


Pensamos que muitos professores irão começar este 3º período com revisões e consolidações de matérias já lecionadas. Por isso, fizemos

- uma ficha de trabalho de Lógica informal (utilizável também no 11º ano na preparação de alunos para o exame nacional);

- duas propostas no âmbito da Filosofia da ciência: um Guião de análise de dois vídeos (um sobre a importância de Darwin e outro sobre a pseudociência) e uma ficha de trabalho acerca de Popper e Kuhn, com questões diversificadas, nomeadamente questões baseadas em exemplos.

Procurámos que a maioria das questões apelassem ao raciocínio e exigissem aplicação em vez da mera reprodução.

Todos esses materiais são acompanhados de propostas de resolução e planificações das atividades a realizar.

É de referir que todos esses materiais são editáveis, podendo os professores suprimir, acrescentar ou alterar o que entenderem.
Oxalá possam ser úteis!

Para aceder basta fazer uma rápida inscrição e depois visualizar o menu de recursos na Aula Digital.

Na próxima semana serão publicados no mesmo sítio materiais dos colegas Domingos Faria, Luís Veríssimo e Manuel João Pires.

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Recursos de filosofia para o ensino à distância



Eu e a Sara Raposo elaborámos alguns materiais de apoio para usar no ensino à distância, mas também utilizáveis, quando for possível, no ensino presencial.

Duas planificações das atividades a realizar: uma para o 10º e outra para o 11º.

Uma ficha com itens de escolha múltipla e uma ficha com dilemas éticos (para o capítulo da Fundamentação da moral, do 10º ano), acompanhadas de propostas de resolução.

Um guião de análise do documentário “Why Beauty Matters?”, de Roger Scruton, e uma ficha com itens de escolha múltipla e de resposta restrita (para o capítulo da Filosofia da arte, do 11º ano), também com propostas de resolução. Saliento que muitos dos itens desta ficha incluem exemplos de obras de arte.

É de referir que todos esses materiais são editáveis, podendo os professores suprimir, acrescentar ou alterar o que entenderem.

Estão disponíveis, gratuitamente, no site da editora Leya: https://www.leyaeducacao.com/

Para aceder basta fazer uma rápida inscrição e depois visualizar o menu de recursos na Aula Digital.

Os colegas Domingos Faria, Luís Veríssimo e Manuel João Pires também elaboraram materiais, disponíveis no mesmo sítio. 

terça-feira, 7 de abril de 2020

Como comunicar e planificar no ensino à distância?

O vídeo mostra um webinar do professor Carlos Pinheiro acerca do ensino à distância.  Informações e sugestões acerca da comunicação e da planificação nesta modalidade de ensino.  

Ocorreu hoje, dia 7 de abril de 2020, e nos próximos dias realizar-se-ão mais dois, versando a concecão de recursos didáticos e a avaliação. 




domingo, 22 de setembro de 2019

Só os instruídos são livres?

Escada(Homem subindo escada em preto e branco
Epicteto (um filósofo romano que durante muitos anos foi escravo) disse:
“Não devemos acreditar nos muitos que afirmam que só as pessoas livres devem ser instruídas, mas devemos antes acreditar nos filósofos que dizem que só os instruídos são livres” (Dissertações).
Epicteto tinha razão.

sábado, 30 de junho de 2018

Dar notas não é um ato solitário

reunião de professores

De acordo com a lei em vigor, as classificações dos alunos são atribuídas pelo conselho de turma e não pelo professor de cada disciplina. O professor propõe uma classificação, mas esta só se torna efetiva se for aprovada pelo conselho de turma, ou seja, pelos outros professores do aluno.

Não se trata de uma formalidade sem importância. Por isso, a imposição de serviços mínimos na greve dos professores às reuniões de avaliação decidida recentemente por um colégio arbitral, impondo que as reuniões se possam realizar com metade dos professores mais um, entre outras consequências perversas (como limitar o direito à greve dos professores) descredibiliza o processo de avaliação e prejudicará os alunos de um modo muito mais grave que a própria greve.

Como é natural, na maior parte dos casos a classificação atribuída é a classificação proposta pelo professor. Contudo, há diversas situações em que os outros professores têm uma palavra a dizer.

Há casos em que subir um valor a classificação de um aluno numa disciplina lhe permite transitar de ano ou, transitando de ano, inscrever-se na disciplina no ano seguinte. A análise desse género de casos, para ser rigorosa e justa, tem de envolver todos os professores do aluno, havendo um votação em que todos participam e em que não existem abstenções (as decisões são tomadas por maioria, tendo o diretor de turma voto de qualidade em caso de empate).

Mesmo quando não há lugar a votações formais, ouvir os colegas discorrer sobre um certo aluno e inteirar-se da sua situação escolar global leva por vezes os professores a repensarem a classificação que tinham proposto para ele.

E há ainda casos, felizmente raros mas infelizmente reais, em que um conselho de turma se apercebe que as classificações propostas não respeitam os critérios aprovados na escola e tem de intervir.

Essas e outras situações mostram que a atribuição de uma classificação a um aluno não deve ser uma decisão individual de um professor, mas sim uma decisão analisada e escrutinada por todos os professores do aluno e aprovada pelo menos pela maioria deles.

Se num conselho de turma em que participam apenas metade mais um dos professores for necessário fazer uma votação, uma decisão importante poderá ser aprovada por apenas um quarto dos professores do aluno.

Por isso, a decisão do colégio arbitral e antes disso as decisões políticas do governo que motivaram esta greve dos professores são uma perversão da avaliação e, dada a importância da avaliação, da própria educação.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Dedicado aos alunos desmotivados e que não gostam da escola

Menino com cabelo congelado reacende debate sobre pobreza

Eis uma história verdadeira passada na China. Os numerosos alunos portugueses que dizem não gostar da escola e que, coitados, se sentem “desmotivados” talvez ganhem alguma coisa se a lerem. Infelizmente, a maioria deles não a lerá, mesmo que isso lhes seja pedido, pois – como os próprios reconhecem, sem qualquer vergonha, como se isso fosse natural – “não gostam de ler”.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

As gerações futuras não são "parvas"

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De acordo com um estudo (cujos resultados foram apresentados recentemente), só os alunos mais fracos manifestam interesse em vir a ser professores. Eu compreendo esta falta de vocação para a "missão" da educação: mal pagos; sem reconhecimento social pela profissão; vítimas de concursos injustos e humilhantes; vítimas das constantes experiências inovadoras dos sucessivos governos (sem que se faça qualquer balanço dos resultados das medidas implementadas); congelados e sem perspetiva de o tempo de serviço vir a ser considerado; sem qualquer perspetiva de reconhecimento objetivo do mérito profissional (ao contrário de outras profissões); alguns deles com maus horários e um número excessivo de níveis; vítimas de uma burocracia diária sem fim (que se prolonga pela noite dentro e nos fins de semana); muitos a fazer quilómetros para receberem no fim do mês...

Ah e, então, o prazer de ensinar? Bem o meu filho mais velho, há anos atrás, quando questionado acerca da profissão futura, disse: "Eu ser professor, achas que sou parvo? Não assisti durante anos à vida que tu e o pai têm?"

Portanto, as gerações futuras não são "parvas", revelam antes inteligência ao procurar fugir do ensino. Eu diria que muitos dos que continuam a ensinar hoje só o fazem porque não têm alternativa. Esta é a triste realidade a que chegamos e que, talvez, merecesse ser alvo de um estudo sério.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Argumentos contra Formação Cívica e Área de Projeto

roda crianças formação cívica

Todos os governos têm feito a mesma coisa na educação: identificam coisas que acham erradas e fazem mudanças avulsas e mal preparadas que geralmente pioram a situação. Trocam coisas boas por coisas piores e corrigem mal coisas más. O atual governo já fez algumas dessas mudanças desastrosas e prepara-se para fazer outras. Um exemplo notório das que já foram feitas é a extinção dos exames no 1º e 2º Ciclo. Relativamente às que aí vêm, a pior (pelo menos enquanto não tentarem abolir as reprovações) é o regresso de disciplinas como Área de Projeto e Formação Cívica (neste caso no secundário, pois já existe nos Ciclos anteriores). Felizmente nem tudo é mau e há pelo menos duas intenções boas: reduzir o tamanho dos programas e redistribuir as cargas horárias das disciplinas, dado que algumas têm muitos tempos letivos e outras poucos. Veremos se essas intenções se concretizam e, caso se concretizem, se a redução e a redistribuição são bem feitas.

Quase toda a gente reconhece que os alunos têm aulas a mais e passam demasiadas horas na escola. Isso repercute-se por exemplo no peso das mochilas, que – como tem sido denunciado – é excessivo e prejudicial à saúde. Mas se é assim, é absurdo criar novas disciplinas. Novas disciplinas implicam mais tempo na escola e mochilas ainda mais pesadas.

Contudo, há argumentos mais fortes contra a existência desse género de disciplinas. Um deles é que, como mostra a experiência passada, não são eficazes.

Os alunos não aprendem a fazer trabalhos de pesquisa nem desenvolvem a sua autonomia fazendo trabalhos sobre temas vagos e desligados dos temas curriculares, como é típico de uma coisa chamada Área de Projeto. A interdisciplinaridade assim conseguida geralmente é nominal e não real: é apenas algo que fica escrito nos papéis que os professores são obrigados a preencher, mas não acrescenta nem competências nem conhecimentos aos alunos. Um inquérito a alunos que há anos atrás tiveram Área de Projeto no 12º ano e a alunos que têm disciplinas afins (com nomes diversos) na Universidade mostraria que a maioria deles as veem como disciplinas menores e até desprezíveis. Para que os alunos desenvolvam competências de pesquisa nada melhor que pedir-lhes trabalhos nas disciplinas curriculares e acompanhá-los na sua realização, mas para isso é preciso reunir algumas condições, nomeadamente tempo (os programas não deverão ser tão extensos como atualmente) e um mínimo de articulação entre os programas das várias disciplinas, para que a interdisciplinaridade não seja uma miragem que nunca sai do papel.

Quanto à Formação Cívica: a autêntica educação para a cidadania não é a “catequese” politicamente correta que geralmente faz parte dos programas dessa disciplina, mas sim um bom ensino das outras disciplinas. Na Filosofia, nas línguas estrangeiras, no Português, na Biologia, na História, entre várias outras disciplinas, há muitos temas cuja lecionação pode promover eficazmente – se incluir informação rigorosa e imparcial, debate dos aspetos polémicos, etc. – os valores democráticos, os direitos humanos e o respeito pela natureza, entre outras atitudes estimáveis. Fornecer, numa aula de Biologia, informações rigorosas sobre a genética e as raças é muito mais eficaz no combate ao racismo do que pedir aos alunos, em Formação Cívica, trabalhos de grupo panfletários sobre a igualdade racial. Discutir o relativismo cultural numa aula de Filosofia (por exemplo: criticar a excisão e o casamento de crianças implica desrespeitar os povos que têm esses costumes?) faz mais pela compreensão da importância dos direitos humanos do que a sua apologia em tom de sermão numa aula de Formação Cívica.

Por isso, uma boa maneira de aliviar as tardes e as costas dos alunos seria não fazer regressar essas disciplinas. Quanto à Formação Cívica que atualmente existe devia mudar o nome para Assuntos da Direção de Turma, que é a sensata função que muitos diretores de turma atualmente lhe dão.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

João Lobo Antunes: o interesse por tudo o que é humano

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Hoje morreu um médico que, além de uma indiscutível competência na Medicina, gostava de literatura, filosofia e poesia. Era um caso raro entre os médicos portugueses, pois reconhecia que não basta dominar o que vem nos livros técnicos para ser bom médico. É preciso um saber mais alargado, que não pode ser adquirido sem a leitura crítica de livros que refletem sobre os problemas humanos a que a ciência não responde. Um saber que permite ver o mundo a partir de um horizonte mais amplo que, embora não exclua dúvidas e inquietações, nos pode fazer ser melhores profissionais e melhores pessoas.

E ele era. Vale, por isso, a pena ouvir com atenção as palavras de João Lobo Antunes a falar dos livros que marcaram a sua vida.

Ao ouvi-lo, pensei nos alunos de ciências do ensino secundário que aspiram prosseguir os estudos em cursos na área da saúde. Para muitos há as disciplinas secundárias e as principais, as da formação específica: Matemática, Física e Química e Biologia e Geologia, onde gastam, durante a semana, não só muitas horas letivas (porque as cargas horárias são muito maiores que as das outras disciplinas) como, nalguns casos, muitas horas não letivas na frequência de explicações fora da escola para conseguir obter as médias elevadas que possibilitem a entrada nos cursos das universidades que desejam. Alguns destes alunos ostentam uma certa indiferença pelas outras disciplinas baseando-se no facto de as considerarem menores na sua formação futura e sem interesse prático.

Esta valorização das disciplinas da formação específica dos cursos de ciências do ensino secundário - por parte de alguns alunos, professores, encarregados de educação, do ministério e da sociedade em geral - em detrimento das outras áreas de estudo (por exemplo, as humanidades e as artes) é, a meu ver, empobrecedora e não deixará de ter consequências a longo prazo na formação dos futuros médicos e cidadãos. Para ser bom médico será apenas necessário dominar as “ferramentas do ofício”?

O médico João Lobo Antunes responderia que não. Ele interessou-se, ao longo da sua vida, por tudo aquilo que é humano, o que engloba não só os conhecimentos especializados da medicina como a poesia, a literatura e a filosofia. Ele personificou a célebre afirmação de outro grande médico: “O médico que só sabe de medicina, nem de medicina sabe.”

Era bom que os alunos que aspiram a ser médicos pudessem aprender com o seu exemplo.

domingo, 11 de setembro de 2016

Acesso ao ensino superior: colocações da 1ª Fase

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As engenharias (Aeroespacial e Engenharia Física e Tecnológica) do Instituto Superior Técnico, da Universidade de Lisboa, foram este ano os cursos com a média de entrada mais elevada (18,52 valores).
As listas com os alunos colocados no ensino superior, na 1ª Fase, podem ser consultadas no link:
http://www.dn.pt/portugal/interior/medicina-destronada-do-topo-das-notas-mais-altas-veja-as-listas-completas-5382947.html
Que a sorte esteja convosco e que o curso de entrada seja aquele que desejam!

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Devem os alunos avaliar os professores? Sim…

Vale a pena ver este vídeo promocional do Instituto Superior Técnico: fala do que é importante fazer no ensino. Mas isso faz-se ao nível do secundário? Como? Que evidências existem para o comprovar?

 

Quem são, do ponto de vista dos alunos, os melhores professores? Que qualidades devem ter? Como é que lecionam as aulas?

Em Portugal, em algumas das melhores universidades, como o Instituto Superior Técnico e a Universidade do Porto, encontra-se implementado um sistema que obriga os alunos a avaliarem o professor, sob pena de não se puderem inscrever.

O Jornal Expresso publicou um artigo, que vale a pena ler: Professores nota 20, onde se enumeram exemplos - de instituições universitárias diferentes - de professores cuja excelência é reconhecida pelos alunos (tal como o mérito académico). Salienta o referido artigo:

«Há professores eloquentes, aborrecidos, cativantes, monocórdicos, fascinantes. Professores que chumbam a torto e a direito. Professores que nunca esquecemos. Por maus motivos e por boas razões. Por serem sumidades nas matérias que ensinam, porque falam de uma forma que nenhum aluno deixa de ouvir, porque simplificam o que é complicado, porque promovem o pensamento crítico, a criatividade e a discussão. São esses os preferidos dos estudantes, aqueles que têm os auditórios cheios e as disciplinas lotadas.

Longe vão os tempos em que o professor era rei e senhor na sala de aula, autoridade inquestionável, mesmo que muito questionáveis fossem os seus métodos de ensino. Os tempos mudaram, os alunos tornaram-se mais exigentes e reivindicativos e ao longo das últimas décadas cada vez mais instituições de ensino superior aplicaram sistemas de avaliação. Aos estudantes passou a pedir-se que se pronunciassem sobre a qualidade das aulas.

No Instituto Superior Técnico, um dos primeiros a querer saber o que diziam os alunos sobre os seus professores, foi desenvolvido o Sistema de Garantia da Qualidade do Processo de Ensino e Aprendizagem (QUC). Todas as disciplinas de licenciaturas, mestrados e doutoramentos são sujeitas a este escrutínio e os estudantes têm de fazer a sua avaliação, sob pena de não se poderem inscrever no semestre seguinte.

Há perguntas sobre a carga de trabalho exigida e sobre os professores. O docente mostrou-se empenhado? Expôs os conteúdos de forma atrativa? Demonstrou interação com os alunos? Neste caso, são os estudantes que dão as notas aos professores. E em cada ano os dois ‘melhores’ são distinguidos com o Prémio IST de Excelência no Ensino…»

É óbvio que na avaliação dos professores não se pode considerar como critério exclusivo a avaliação feita pelos alunos. Têm de existir outras formas de atestar o mérito pedagógico e científico de um docente (igualmente públicas e escrutináveis, é claro). No entanto, parece inegável que a avaliação pelos alunos contribui para melhorar a qualidade do ensino, como mostram os casos do Instituto Superior Técnico e da Universidade do Porto, duas instituições de mérito reconhecido a nível nacional e internacional.

Também é interessante notar, de acordo com o citado artigo, que um dos aspetos mais valorizados pelos alunos é a promoção do espírito crítico e da criatividade.

E no ensino secundário o que é que acontece? Valoriza-se, nas escolas, a qualidade da aprendizagem, a discussão de ideias, o confronto de opiniões entre os professores? E nas aulas promove-se o espirito crítico junto dos alunos?

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Latinofilia

ALIS VOLAT PROPRIIS voar com as próprias asas

Luís Reis, professor de Português, Latim e Grego do Agrupamento de Escola Dra. Laura Ayres, tem um blogue chamado LATINOFILIA, onde publica textos simultaneamente divertidos, informados e inteligentes.

Em 14 razões para não estudar Latim podemos, por exemplo, ler:

«I – PRIMA – Ignora o Latim, pois ele é considerado por todos como uma língua morta, que não é falada por ninguém. Além disso, não evolui, não se altera e, por isso, não tem necessidade de acordos ortográficos.

II – SECUNDA – Retirar-te-á tempo para navegares pelo Facebook ou pelo Twitter, porque é uma língua rigorosa e cheia de regras. Talvez, por isso, lhe chamem a matemática das línguas.»

E em Εὐχαριστώ,  ̓Ελλάδα! [Obrigado, Grécia!]:

«Se isto para ti é Grego e vais frequentar o 12º ano, alegra-te, pois é possível estudares na tua escola a língua-berço da filosofia e dos jogos olímpicos. Com certeza que já encontraste referências ao Grego Clássico que, tal como no caso do Latim, subsistem na nossa atualidade; elas explicam-nos o significado de muitas palavras, como, por exemplo, “Nike” [Νίκη] que significa “vitória” e “Ariston” [ά͗ριστον] – “excelente” ou “o melhor”.»

Outro destaque merecido: Para quê estudar Latim?

Depois de ler vários textos só encontrei um defeito no blogue: é atualizado com pouca frequência e não tem muitos textos. Mas estes são, também por isso, preciosos.

Como é dito em Carpe Ελληνικά: O Latim não é para mim… e ao Grego nem lhe pego… ,  “as línguas não morrem; o que morre são os falantes da língua.” Em Latinofilia o Grego e o Latim estão bem vivos. Espero que cada vez mais alunos percebam isso e escolham estudar essas línguas – na Esla e noutras escolas.

Como já foi muitas vezes assinaldado, o estudo do Grego e do Latim, além de ajudar a compreender a língua portuguesa, ajuda a pensar melhor e contribui para a autonomia intelectual dos estudantes: Alis volat propriis – ou seja, voar com as próprias asas.

 

domingo, 17 de janeiro de 2016

As medidas do Ministro da Educação, segundo Vasco Pulido Valente


«Não se percebe como Cambridge, uma cidade universitária, tranquila e campestre nos mandou um primitivo português como Tiago Brandão Rodrigues. Verdade que o homem trabalhava lá e se passeava pelas mesmas ruas e pela mesma relva por onde tinham andado Newton, Wittgenstein e Russel. Só que nada disso lhe deu um grão de modéstia e de prudência. Chamado por Costa, não hesitou em virar do avesso o sistema de ensino que por aqui encontrou e que levara vinte e tal anos de esforço e de polémica a chegar a um relativo equilíbrio.
O valente trazia um plano no saco e não hesitou em escaqueirar tudo, para abrir um “novo ciclo” de justiça para a Pátria e os professores. Pode haver quem ache esta maneira de fazer a felicidade do próximo um pouco extravagante.
Se há, é gente pérfida, com razões malévolas. A coisa vem de um livro, publicado por volta de 1970, por Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron (talvez por Bourdieu sem Passeron), com um título prometedor, “Les Héritiers”.
A tese geral desta obra era simples: a «classe dominante» tinha reproduzido a sua tirania transferindo o capital para a descendência; mas no mundo moderno passara a transferir o «saber« e não o «capital». Ou seja, o seu método de «reprodução» mudara e o dever do verdadeiro socialista estava agora em destruir essa nova maquinação da burguesia. Ora como esta venenosa manobra da «classe dominante» assentava, por um lado, nos privilégios que se «herdavam» da família e, por outro, no carácter selectivo da escola, que o exame e a nota simbolizavam, o objectivo essencial era obviamente transformar a escola num lugar de prazer e acabar com o exame e a nota.
Que as criancinhas ficassem num estado de completa ou quase completa ignorância interessava pouco. A operação pelo menos destruía os filhos da «classe dominante», que sem «capital» e sem «saber» seriam absorvidos por um igualitarismo militante; e também alegrava os professores que deixavam de responder pelo seu trabalho perante o Estado da burguesia (Bourdieu detestava os professores que ensinavam e em 1968 tentou correr com Aron da Sorbonne).
Como se calculará, esta perfeita idiotia foi recebida em Portugal por meia dúzia de profetas, que durante o PREC arrasaram a «escola» a pretexto de a «sanear» primeiro e de a «salvar» a seguir. A balbúrdia que estabeleceram liquidou a vida a muita gente. As reformas do ministro Tiago liquidarão mais.»

Vasco Pulido Valente, crónica do Jornal Público de 16-01-2016 (ontem).

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

“Aprender e intervir”: blogue de Psicologia, Sociologia, Área de Integração e Filosofia

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A professora Sara Raposo (coautora do Dúvida Metódica) disponibiliza no blogue “Aprender e intervir” alguns dos recursos didáticos que utiliza nas aulas de Psicologia, Sociologia e Área de Integração, além das atividades e trabalhos realizados pelos alunos (das turmas PMEC/PEAC 3, PAL/PIE 3, PMEC/PEAC 1, PREC 2 e PIDC/PSEC 1). Pretende-se deste modo, além da partilha com professores e alunos (e outros eventuais interessados), contribuir para a formação cultural dos alunos, fomentar a capacidade argumentativa e a atitude crítica.

No blogue foram criadas páginas para cada uma das disciplinas, onde se podem encontrar links dos posts publicados (tal como nas etiquetas da barra lateral). Eis alguns exemplos de recursos e atividades (clicar nos links para aceder):

Deve haver limites à liberdade de expressão por motivos religiosos?
Houve ou não violação da liberdade de expressão?

Peddy paper no Museu Etnográfico de Faro

O filme "A casa encantada" e a psicanálise
O racismo é imoral
Área de integração 3: Fichas de trabalho nº 1 e 2
PORDATA: para crianças e adultos

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Encontro com professores na Gulbenkian: 29 de setembro

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Para mais informações, ver AQUI.

A entrada é gratuita, mas requer inscrição prévia.

Inscrição até 24 de setembro, através do preenchimento da ficha de inscrição.

Faça o DOWNLOAD AQUI, preencha-a e reenvie-a para descobrir@gulbenkian.pt.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

A diferença entre educação (moral) e doutrinação

A Lição de Salazar Uma casa portuguesa Deus Pátria Família

«A educação moral genuína (…) não é o que os políticos têm em mente quando pensam em transmitir, por exemplo, “valores ecológicos” às crianças, ou quando pensam na “educação para a cidadania”. Este género de educação é doutrinação, e não educação moral. A genuína educação moral é ensinar a raciocinar em termos de fins e meios, a ponderar razões e a justificar corretamente o que valorizamos – em suma, ensinar a pensar eticamente, e não ensinar a repetir slogans ecológicos, igualitários, nacionalistas, multiculturalistas ou outros.»

Desidério Murcho, 7 ideias filosóficas que toda a gente devia conhecer, Bizâncio, Lisboa, 2011, pág. 55.