Mostrar mensagens com a etiqueta Educação sexual. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Educação sexual. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Flor do deserto: guião de análise do filme


Título original do filme: Desert Flower
De: Sherry Horman
Com: Liya Kebede, Sally Hawkins, Anthony Mackie, Timothy Spall
Género: Drama
GB, 2009, Cores,
O filme, Flor do deserto, é baseado na história da modelo somali Waris Dirie.  Ela nasceu numa família nómada da Somália  e  foi submetida a uma prática vulgar no seu país e em vários outros, chamada mutilação genital feminina ou excisão. Mais tarde, quando se tornou conhecida internacionalmente, escreveu um livro e tornou-se uma activista contra essa tradição cultural.
Após o visionamento do filme, responda às seguintes questões:

1. Dê três exemplos que ilustrem as diferenças existentes entre a cultura inglesa e a da Somália.
2. Enuncie dois juízos morais, cujo valor de verdade seja diferente para uma pessoa que aceite o código moral dominante na sociedade inglesa e uma que aceite o código moral na sociedade somali.
3. Com base em que valores da cultura somali se justifica a prática da excisão?
4. De acordo com os valores morais dominantes nos países europeus, como é avaliada, do ponto de vista moral, a prática da excisão?
5. Na sua opinião, haverá ações que possam ser moralmente boas ou más, independentemente do contexto cultural? Porquê?
6. Indique duas passagens do filme que justifiquem a seguinte afirmação: a defesa das ideias do relativismo moral e cultural conduz ao conformismo.
7. Ao condenar a prática da excisão no seu país, a modelo somali admite que os valores morais dependem apenas da cultura? Porquê?
8. A defesa dos direitos humanos e do relativismo serão compatíveis? Justifique.
9. Explique o significado do título atribuído ao filme: "Flor do deserto".
10. Gostou do filme? Explique porquê.
A professora: Sara Raposo

domingo, 9 de março de 2014

A Sujeição das Mulheres

mulheres

John Stuart Mill defendeu a igualdade entre homens e mulheres numa época em que essa causa era muito pouco popular. Entre várias outras ações a favor dos direitos das mulheres, escreveu o livro A Sujeição das Mulheres. Eis um excerto de uma recensão do mesmo (intitulada Feminismo genuíno), publicada na revista Crítica:

Em meados da década de 1860, [John Stuart Mill] como membro do Parlamento inglês, apresentou uma petição assinada por 1500 mulheres solicitando o direito nacional de voto das mulheres, cujo resultado foi um massacrante fracasso: 194 votos contra e 73 a favor. No entanto, Mill não desistiu e publicou pouco tempo depois, em 1869, A Sujeição das Mulheres, uma das mais elegantes e claras defesas da igualdade de gênero e dos direitos das mulheres feitas até hoje. Escrita por um homem, o seu objetivo é demonstrar em quatro capítulos o quanto é indefensável a subordinação do sexo feminino ao masculino.”

(Ontem, dia 8 de Março, foi o Dia da Mulher.)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Educação sexual: análise do filme os "Juncos silvestres"

image

A professora Anabela Moutinho (a quem agradeço a partilha), da escola secundária José Belchior Viegas de S. Brás de Alportel, teve a gentileza de me enviar a atividade que realizou - no âmbito do projeto de educação sexual - com os seus alunos do 10º ano. Esta atividade pode ser consultada AQUI.
As tarefas propostas aos alunos relacionam-se com o visionamento e a análise do filme "Os juncos silvestres" de André Téchiné. Neste filme são abordados, entre outros temas, a homossexualidade, a amizade e a adolescência. Nas aulas de Filosofia do 10º ano, estes temas poderão ser articulados  com alguns dos conteúdos programáticos, por exemplo: "A ação e os valores".


Neste blogue encontram-se (na etiqueta educação sexual) outras atividades sobre o referido filme.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Quem não te respeita não te merece

A propósito da relação entre a ação e os valores - um tema do programa do 10º ano - e do modo como as nossas ideias podem influenciar as nossas escolhas e o modo como agimos, vale a pena ver um vídeo contra a violência da campanha da  APAV intitulado: "Quem não te respeita não te merece".

Alguns problemas como o bullying e a violência no namoro decorrem de ideias erradas partilhadas e seguidas acriticamente por alguns jovens (e também adultos). Todavia, o conformismo e o facto de alguns adolescentes seguirem, sem questionar, algumas ideias feitas e preconceitos não significa que não se possam mudar atitudes e comportamentos. Porém, para isso acontecer, é preciso que as vítimas dos abusos tenham noção do que está mal e de quais são as ideias certas a seguir.

domingo, 5 de junho de 2011

Adolescência e sexualidade: a perspectiva dos alunos (4)

No âmbito do projecto de Educação Sexual, foi-nos pedido que elaborássemos uma  apreciação crítica do filme “Os Juncos Silvestres”, visionado nas aulas a propósito de um dos subtemas tratados: a identidade sexual e a adolescência.

Começo por referir que este não é o único tema do filme e não foi, sinceramente, aquilo que me chamou a atenção. Apesar disso, a descoberta da identidade sexual durante a adolescência é, sem dúvida, um ponto importante, especialmente no que diz respeito ao personagem François. Este não tinha qualquer noção de que era homossexual até ter tido uma experiência sexual com Serge. Após a descoberta da sua identidade sexual, François vê-se alvo de preconceitos por parte dos seus amigos, Henri e Maité, esta embora não seja uma pessoa preconceituosa (pelo contrário) chega mesmo a insultá-lo. Quando François procura os conselhos de um sapateiro, que vive com um parceiro do mesmo sexo, este trata o assunto como um tabu, recusando-se a falar com ele. Por outro lado, é difícil a  François aceitar a sua descoberta, como se percebe na cena em frente ao espelho (esplendidamente executada, na minha opinião), em que ele se tenta convencer a si próprio que “é maricas”.

Há duas tendências humanas que têm grande influência na existência deste tipo de preconceitos: a tendência de condenarmos tudo aquilo que seja diferente ou que não consigamos entender (o que explica que a sociedade discrimine os indivíduos homossexuais) e a tendência de seguirmos a opinião da maioria (o que faz com que um indivíduo se possa odiar a si próprio se fizer parte de uma das categorias discriminadas). O filme passa a mensagem de que a identidade sexual não é algo que possamos escolher, ao contrário do que muitas pessoas pensam. Podemos também inferir que as experiências sexuais que temos na adolescência, embora afectem, não determinam a nossa orientação sexual, por exemplo o personagem Serge, apesar de ter tido relações com François, de livre vontade, é claramente heterossexual.

Para além da homossexualidade, houve outros temas tratados no filme que considero pertinente referir. A amizade, a satisfação com a mediocridade, a revolta, os sentimentos de culpa infundados, a descoberta de uma razão para viver, todos esses aspectos são tratados em simultâneo, alguns focando-se mais num personagem em particular. A amizade de François tanto com Serge como com Maité é abalada pela revelação de que este é homossexual, mas acaba por prevalecer no final. Serge enfrenta a morte de um ente querido – o irmão – na guerra com a Argélia. Esta mesma guerra é uma obsessão para Henri, um jovem que não tem objectivos definidos e vive agarrado às notícias da guerra e tem um grande sentimento de culpa do qual não consegue fugir. Maité observa sem nada poder fazer, a situação da sua mãe, a qual fica cada vez mais consumida pelos sentimentos de culpa por não ter ajudado Pierre (o irmão de Serge) a desertar, o que resultou na sua morte.

Considero que todos estes temas podem ser enquadrados num único conceito: a auto-descoberta. Ao longo do filme, acontece algo de trágico na vida de cada um dos jovens. Primeiramente, todos tentam resistir às adversidades, mas acabam posteriormente por aprender que a única maneira de seguir em frente com a vida e minimizar o sofrimento é aceitar e adaptar-se às situações, tal como o junco da fábula citada no filme. Esta é a razão pela qual gostei do final do filme. A cena de encerramento deixa praticamente tudo em aberto, não oferecendo um desenlace conclusivo a toda a trama. Gostei deste final, pois entendo este filme não como uma história completa, mas sim como uma pequena parte da história de vida daqueles jovens – um certo período de tempo cheio de acontecimentos que lhes ensinaram muita coisa, dando-lhes ferramentas para enfrentar as dificuldades que ainda poderão advir na sua vida. O filme retrata um ponto de viragem na vida dos quatro jovens. É sobre aprender a seguir em frente. Logo, qualquer tipo de conclusão mais fechada não seria adequada ao filme, pois contrariaria este propósito.

No geral, achei “Os Juncos Silvestres” uma obra cinematográfica bastante boa pela autenticidade dos conflitos interiores dos personagens e o modo como estes os  ultrapassaram (embora não totalmente). No entanto, as relações entre os jovens pareceram um pouco apressadas e forçadas em alguns pontos do filme, nomeadamente a relação entre Henri e Maité. A melhor maneira de explicar a sua atracção, quase instantânea, que surgiu quando se conheceram seria a frase feita “opostos atraem-se”. No entanto, tal explicação não me parece muito aceitável. O facto de terem convicções políticas totalmente opostas explica o despertar de uma curiosidade mútua mas não a de uma atracção (que ultrapassa a definição de atracção física apenas) de tal magnitude. Uma outra coisa que condicionou aquilo que pude aproveitar do filme foi o facto de não me identificar com o modo de pensar e/ou os problemas de qualquer um dos personagens, o que diminuiu o impacto emocional da história, visto que esta é quase totalmente focada nos personagens e nos seus conflitos e interacções. Apesar disto (que acaba por ser uma perspectiva mais subjectiva, uma vez que deriva das minhas próprias experiências e personalidade), gostei bastante do filme devido ao realismo com que os temas por ele abordados foram retratados – sem qualquer tipo de artifício ou embelezamento. Acho que este tipo de exposição temática é de louvar. Além disso, este é um dos casos em que o todo é superior à soma das suas partes.

Anteriormente, disse que o tema da homossexualidade não me chamara muito a atenção. Pois bem, nenhum dos temas em particular me tocou especialmente, pois não me identifico com qualquer um deles. Mas a mensagem que extraí de “Os Juncos Silvestres” acerca de aprender a seguir em frente, apenas foi transmitida devido à maneira como os temas retratados se encaixam e complementam. Isso foi, na minha opinião, o melhor que o filme ofereceu.

Ana Marta Nunes, 11º C

Adolescência e sexualidade: a perspectiva dos alunos (3)

O filme «Juncos Silvestres» de André Téchiné retrata uma problemática da sociedade actual – a homossexualidade. Dá especial destaque aqueles que se encontram na fase da adolescência e são tantas vezes alvo de preconceito e discriminação. Além disso, são ainda abordadas questões políticas e sociais relacionadas com as situações de vida dos jovens personagens.

A acção decorre numa vila do sul de França nos anos 60, durante a guerra da Argélia, (na altura uma colónia francesa) pela independência. Este cenário de fundo gera tensão e revolta nalguns dos personagens que defendem ideias políticas diferentes: uns são comunistas e favor da independência e outros pensam o contrário. É interessante notar que nos dias que correm os jovens não se envolvem nem se interessam tanto por tipo de assuntos. É importante destacar que, embora se tenha modificado na sociedade actual a conduta e o modo de pensar quanto a certas questões (políticas por exemplo), continuam a existir dogmas - lamentavelmente intocáveis - como é o caso dos preconceitos quanto às relações entre indivíduos do mesmo sexo.

A intolerância que se verifica por parte da sociedade, a discriminação e a inibição da liberdade de cada um em detrimento daquilo que se pensa ser uma verdade incontestável (mas que não o é, de todo) é a maior responsável pelo medo em assumir uma orientação sexual diferente da heterossexual. Os sentimentos de rejeição e de não-aceitação causam grande sofrimento e podem  conduzir até à depressão e ao suicídio.

Mas este filme vai além de questões políticas, sociais e sexuais. Espelha os dilemas vividos por jovens adolescentes nas amizades e nas relações amorosas. A intensidade das emoções, a dualidade de sentimentos, a vida escolar e outros temas são constantes ao longo de toda a narrativa, e por isso o argumento - brilhantemente construído – pode ser apreciado por todas as faixas etárias, incluindo adultos.

O filme em si, na minha perspectiva, pretende exactamente abrir os horizontes e as mentes retrógradas que ainda negam a possibilidade dos relacionamentos homossexuais e que ainda defendem que os sentimentos e ideias dos mais jovens são superficiais e vagos e, portanto, não devem ser levados a sério. Na verdade, creio que ninguém escolhe a sua orientação sexual – ela define-se ao longo do crescimento e não é uma opção que se faça como se escolhe o que se vai comer ao jantar. Penso que se cada um de nós se colocasse na posição de um homossexual, seria mais fácil compreender quão irracional é a discriminação. Acresce o facto de os adolescentes homossexuais (como François, o personagem principal do filme) além de se sentirem muitas vezes confusos, diferentes e de passarem por uma enorme turbulência emocional, serem ainda obrigados a lidar com ideias preconceituosas, que geram ainda mais instabilidade ao nível de sentimentos. Quanto às ideias dos mais jovens, basta salientar que se não acreditassem nelas não as defendiam e que a idade não tem relação directa com o estado cognitivo de um indivíduo.

O mundo seria tão melhor se não olhássemos para os nossos umbigos, se nos preocupássemos em resolver questões realmente importantes e em participar activamente nas questões nacionais para benefício de toda a população, ao invés de nos ficarmos pela mesquinhice de julgar os outros - pela sua orientação sexual, raça e tantas outras coisas mais – como se as nossas fossem todas acertadas…

Daniela Romba, 11º C

Juncos Silvestres é um filme francês, realizado por André Téchiné, passado em França durante a Guerra da Argélia, que retrata as inúmeras experiências vividas por quatro jovens amigos e o modo como estas vão influenciar as suas vidas.

Ao longo deste processo de descoberta, um dos amigos – François – percebe que é homossexual. E, a partir do momento em que ele se começa a aperceber da sua identidade sexual, é-nos mostrada a forma como várias personagens lidam com esta situação, nomeadamente a sua melhor amiga Maité; o amigo com quem tem as suas primeiras experiências homossexuais – Serge; o seu colega de quarto Henri; os colegas de escola; um senhor que é também homossexual, a quem François recorre desesperadamente para tentar compreender a sua situação e, até ele próprio. O facto de, no filme, a homossexualidade ser abordada de diferentes pontos de vista, permite-nos ter uma visão mais ampla de como as pessoas reagem – desde o preconceito e insulto  mais grosseiro até à aceitação inquestionável da amiga (Maité) com quem partilha uma relação de muita proximidade e que encara a realidade com uma mente aberta.

Um pormenor importante, as vezes esquecido quando são discutidos temas controversos como a homossexualidade, é o processo por que a pessoa está a passar. Ou seja, o quanto se pode tornar doloroso e confuso o caminho que é percorrido até acharmos a nossa identidade sexual, se esta não for como a sociedade muitas vezes padroniza (heterossexualidade). No entanto, o realizador teve cuidado com este aspecto e focou-o muitas vezes ao longo do filme. Isto pode ser observado quando, por exemplo, François está defronte do espelho e começa a dizer em voz alta, repetidamente, que é gay, como se se estivesse a mentalizar a ele próprio; ou quando ele procura ajuda junto a Maité, que o aconselha a falar com um sapateiro da cidade onde moram, que também é homossexual, ao qual François se dirige, ainda que com receio, e este mostra-se envergonhado de si próprio e não é útil de forma alguma. Já no culminar do desenrolar da acção, François decide confrontar Serge com o facto de estar apaixonado por ele e saber se o que ele sente é correspondido. Do meu ponto de vista, este foi um acto de bastante coragem da parte de François, uma vez que tudo o que ele queria era saber a verdade e, para isso, expôs-se sem qualquer garantia ou expectativa do que ia suceder. E, apesar de Serge não o corresponder, François aceitou e conformou-se, continuando seu amigo. Isto contraria a ideia - de que os homossexuais muitas vezes são alvo - de não agirem como homens, mas sim “ maricas”. Neste caso, é claro que se passou precisamente o oposto.

Na minha opinião, uma reflexão sobre o filme mostra-nos que a sociedade actual não tem uma forma de pensar muito diferente de há cinquenta anos. O filme passa-se  na década de sessenta. Nesta altura eram comuns as ideias pré-concebidas acerca da homossexualidade e quem tinha esta orientação sexual era automaticamente julgado, gozado e posto de parte. Hoje em dia, pode existir um maior número de pessoas que tem uma mente aberta em relação a este assunto, mas ainda é muitas vezes observada a discriminação sexual. Muita gente ainda continua a pensar desta forma no século XXI e tem uma mentalidade retrógrada.

De uma forma geral, este filme permite-nos entender que para nós  criarmos a nossa própria identidade é necessário passarmos por várias experiências durante o período da adolescência. Contudo, estas não determinam a nossa personalidade e a identidade sexual futura, apenas ajudam a construí-la. Para terminar, acrescento apenas que, além de todo o enredo fantástico e da relação entre as personagens, o título atribuído é uma referência a uma fábula de La Fontaine (do carvalho e do junco) contada no filme.

Inês Pedro, 11ºC

Adolescência e sexualidade: a perspectiva dos alunos (2)

“Os Juncos Silvestres” é um filme que fala da adolescência, misturando diversos ingredientes, tais como: amor, política, homossexualidade, discriminação, natureza…

A adolescência é uma fase do nosso desenvolvimento enquanto seres humanos que marca a transição entre a infância e a idade adulta. É nesta etapa que metamorfoseamos o nosso ser e esculpimos o que seremos no futuro. A nossa identidade e personalidade estão a ser aperfeiçoadas e, portanto, nenhum adolescente é “estável”.

Pelo que li, ainda há dúvidas acerca das causas que potenciam a orientação sexual. Não se sabe se esta se deve a motivos genéticos ou se é estabelecida durante a infância e influenciada por factores exteriores. Provavelmente, a orientação sexual é determinada não por um factor mas por um conjunto deles, tanto genéticos, como hormonais e ambientais.

Um aspecto que considero relevante analisar no filme “Os Juncos Silvestres” é que, para além da personagem principal, François, ser realmente aquela cuja orientação sexual já está definida - homossexual - este aparece-nos como sendo um rapaz sensível e frágil, ao contrário das outras personagens masculinas que, apesar de já terem vivido experiências homossexuais, essas não passaram de meras fases de experimentação. Assim sendo, no filme, é-nos apresentada uma ideia generalizada acerca dos rapazes homossexuais: os gays são efeminados. Não nego que existam gays efeminados, mas também existem rapazes heterossexuais efeminados. O filme acaba por fomentar um estereótipo, mesmo que não premeditado: como é um gay.

As reacções que este tipo de filmes causa nos rapazes acabam por ser hilariantes (pelo menos para mim!). Nos momentos que poderiam provocar algum tipo de “desconforto”, eu prendia a minha atenção nos meus colegas (rapazes). Com uma expressão chocada e a mão colada ao rosto subitamente… Só lhes faltava esconderem-se debaixo da mesa. Não é todo o rapaz que aceita a homossexualidade masculina de ânimo leve. Porque será? Será por sentirem a sua virilidade ameaçada? Não faço a mínima ideia, mas sempre posso especular. Não querendo generalizar, penso que as raparigas costumam ter uma maior tendência para o sentimentalismo do que os rapazes, ao ponto de se mostrarem mais condescendentes neste tipo de assuntos. Podemos remeter este facto para a educação. Há uma pressão cultural nos rapazes diferente das raparigas. Eles são direccionados para assuntos e pensamentos mais práticos, enquanto as raparigas dão mais importância aos sentimentos – inclusive o amor. O filme “Os Juncos Silvestres” acaba também por ter esse ingrediente, ao qual alguns rapazes não dão tanto valor: são só lamechices. Num debate entre rapazes e raparigas, quer seja acerca de gays ou lésbicas, provavelmente as raparigas apelariam muito mais ao factor sentimental do que os rapazes. Por outro lado, se este filme fosse sobre duas raparigas lésbicas, os rapazes não teriam tanta repulsa, ou um colega meu não teria dito: “Se vamos ver um filme sobre essas coisas porque é que tem de ser sobre gays? Podia ser um filme de lésbicas!”. Não estou de forma alguma a discriminar ou censurar. O certo é que, repito, não querendo generalizar, acaba por ser um facto.

Sejamos sinceros, há uns tempos atrás, demonstrações de afecto na via pública – entre um homem e uma mulher, não eram aceites pela sociedade e podiam até ser punidos. Os tempos mudaram mas desde sempre que todas as sociedades assentam em determinados padrões, estes acabam por nos influenciar e orientar (conscientemente ou não). E tal como crescemos segundo determinados padrões, também existem normas que não podemos negar. Quando digo normas não estou a dizer “Os meninos têm de gostar de meninas e as meninas têm de gostar de meninos”. Não! Imaginemos: num jardim só costumam crescer flores vermelhas, mas de quando em vez nascem flores amarelas. A norma é brotarem vermelhas, o que não significa que não possam nascer amarelas. Vejamos outro exemplo: temos um saco repleto de moedas douradas, mas três delas são pretas. A norma é serem douradas, mas a verdade é que também lá estão três moedas pretas. Por norma, ninguém anda despido na rua, mas há malucos para tudo. E quando digo “malucos” já estou a partir no princípio que andar despido na via pública não é normal.

Se analisarmos isto de uma outra perspectiva, no fundo, a discussão destes assuntos acaba por ser uma tentativa de elevar a diferença e igualá-la à norma. Estamos a tentar que as moedas pretas sejam tão naturais naquele saco como as douradas, quando não o são. Estamos a tentar que a homossexualidade seja tão natural como a heterossexualidade. Por norma, e pelo que é natural, os machos acasalam com as fêmeas para procriar. Aqui temos um tipo de cartas na mesa, mas ainda nos falta uma parte do baralho. A bissexualidade, a heterossexualidade, a homossexualidade, a assexualidade... não são fantasias, caprichos ou escolhas. Quando falamos de seres humanos temos de ter em conta factores muito mais complexos, como: sentimentos, relações inter-pessoais, educação, religião… Estamos a falar de pessoas e todas as pessoas têm direito a amar e ser amadas. Ou não? Chegada eu a este ponto, talvez tudo isto só demonstre a minha ignorância.

Les Roseaux Sauvages é um filme interessante, do ponto de vista social, político e pedagógico. Consegue causar diversas sensações e, quer queiramos quer não, não é um tipo de filme que rapidamente esqueçamos, quer pela fotografia (é belissíma), quer pelos actores, quer pelo sacrifício que é ter de vê-lo numa aula (com alguns colegas a reagirem chocados a certas imagens), quer pelo excelente argumento…

Catarina Gil, 11ºA

Adolescência e sexualidade: a perspectiva dos alunos (1)

Realizei nas aulas do 11º ano (turmas A e C) algumas actividades (ver aqui, aqui e aqui) inseridas no âmbito do projecto de Educação Sexual. Uma delas foi o visionamento do filme "Os juncos silvestres" de André Téchiné. Solicitei ao alunos que fizessem, individualmente, uma apreciação crítica do filme.

Os melhores trabalhos foram realizados pelas alunas: Anastasia Borozan, Jocemira Ribeiro, Catarina Gil (do 11º A), Daniela Romba, Inês Pedro e Ana Marta Nunes (do 11º C).

Ei-los:

O retrato da adolescência no filme “Os juncos silvestres”.

image

image

A adolescência é a fase de introspecção, do verdadeiro desabrochar, da transformação de uma criança numa pessoa adulta, com uma outra visão acerca do mundo! Nesta fase tudo muda: as características físicas, psicológicas… o que torna os adolescentes, por vezes, criaturas confusas e desorientadas.

O filme “Os juncos silvestres”, realizado em 1994 por André Téchiné, aborda assuntos relativos à adolescência, tais como o auto-conhecimento, a descoberta de amizades, a orientação sexual, as novas experiências dos adolescentes e a relação entre pais e filhos, neste estádio de transformação. A acção do filme decorre durante a independência da Argélia, uma colónia do norte de África , daí a referência às ideias políticas, mas também à literatura, uma das personagens (secundárias) do filme é uma professora.

De todos os assuntos que o filme trata, vou focar-me na sexualidade, visto que, pode-se tornar bastante complicado e problemático para um adolescente perceber que é diferente dos outros quanto à sua orientação sexual, o que acontece com um dos personagens principais do filme, François, ao descobrir a sua atracção por um colega.

A homossexualidade pode definir-se como a atracção física e/ou amorosa entre dois indivíduos do mesmo sexo. Admite-se hoje que a homossexualidade resulta de um processo de escolha afectiva, tal como entre heterossexuais, não sendo sinónimo de nenhuma patologia ou desequilíbrio genético, como durante muitos séculos se acreditou. Por se afastar do padrão normativo sexual da sociedade (heterossexual), a homossexualidade é ainda muitas vezes encarada como um comportamento não adequado socialmente, sofrendo discriminação. [definição retirada do site: http://www.infopedia.pt/$homossexualidade]

Actualmente, ainda existe um certo preconceito (uma opinião formada antecipadamente, sem fundamento sério ou análise crítica) em relação à homossexualidade. Pensa-se que esta é imoral e, por isso, apesar de ter sido legalizado nalguns países, o casamento e a adopção por parte de casais homossexuais, ainda é alvo de bastante reprovação social. Segundo os médicos o homossexualismo já não é sustentado enquanto diagnóstico médico. Isto porque alguns dos transtornos dos homossexuais decorrem, muitas vezes, mais da sua discriminação e repressão social - derivados do preconceito e do desvio ao que é considerado norma em termos morais e sociais - do que um problema de natureza biológica ou psicológica. Desde 1991, a Amnistia Internacional considera violação aos direitos humanos a proibição da homossexualidade.

A Igreja Católica Romana considera o comportamento sexual humano quase sacramental por natureza, no entanto os actos sexuais são unicamente para procriar, por isso a homossexualidade é considerado um ato pecaminoso pela doutrina: "Nenhuma ideologia pode cancelar do espírito humano a certeza de que só existe matrimónio entre duas pessoas de sexo diferente, que através da recíproca doação pessoal, que lhes é própria e exclusiva, tendem à comunhão das suas pessoas. Assim se aperfeiçoam mutuamente para colaborar com Deus na geração e educação de novas vidas".

A personagem que no filme se assume como homossexual (François), interpretada pelo actor francês Gaël Morel, sentia-se atraído por rapazes e, isso deixou-o muito assustado. Ele tinha consciência que não era comum haver essa atracção por pessoas do mesmo sexo e de na sociedade tal facto não ser bem aceite. Assim, ele próprio era preconceituoso em relação a sua homossexualidade e ao descobrir a sua orientação sexual ficou apavorado, sentindo, muitas vezes, desprezo por ele próprio. Numa das cenas do filme, François olha-se ao espelho e repete para si desesperado: “Sou paneleiro, sou paneleiro?!”.

Na história contada no filme, François tem uma experiência sexual com Serge, o seu amigo. Este, por sua vez, não se assume como homossexual e diz que isso não passou de uma experiência. Enquanto, para Serge essa relação entre os amigos foi somente uma vivência diferente, para François, essa experiência, fê-lo perceber qual era verdadeiramente a sua identidade sexual. Desorientado, ele tenta encontrar ajuda e conselhos junto de um senhor de idade, que já se tinha assumido como homossexual. Contudo, este recusa-se a falar com François acerca deste assunto. Este repúdio aparece como uma advertência: assumir-se como homossexual iria ser um caminho extremamente difícil para o jovem, pois a sociedade ainda não estava preparada para aceitar pessoas com uma orientação sexual diferente da heterossexual.

O filme retrata de forma fidedigna a vida dos adolescentes nesta fase bastante complicada. Os jovens deparam-se com vários obstáculos, mas têm de os ultrapassar para poderem seguir em frente e, talvez, por isso o filme acaba com os quatro personagens juntos caminhando numa estrada (talvez a da vida)… numa “estrada abarrotada de dificuldades”.                                                 

Anastasia Borozan, 11º A

 

Nas aulas de Filosofia vimos o filme “ Les roseaux sauvages”, em português, “ Os juncos silvestres” (tem este nome devido a uma fábula, escrita por La Fontaine, com um junco e um carvalho. Esta fábula é na verdade uma metáfora para a vida de um adolescente). Este filme retrata a vida de quatro adolescentes: Maité, François, Serge e Henri. Aborda vários temas fundamentais da adolescência, nomeadamente a questão da identidade sexual. 

A história gira principalmente em torno de François. Ele descobre que se sente atraído por jovens do mesmo sexo e sente dificuldade em assumir a sua homossexualidade. Esta  é encarada com bastante preconceito pela sociedade, pois as pessoas maioritariamente aceitam ideias como "os homens têm de casar com mulheres e ter filhos". Este preconceito também é adquirido por influência da religião que vê a homossexualidade como “anti-natural”. No filme são bastante explícitas as reacções de desprezo, por parte de vários personagens, em relação às pessoas homossexuais, o uso insultos, como “paneleiro” e “maricas”, dá-nos conta desse facto.  Até Maité, apesar de aceitar a orientação sexual do amigo, usa este calão (cuja conotação é negativa e traduz ideias feitas), o que a torna, por vezes, contraditória. O próprio François não é excepção, também ele, inicialmente, se vê a si próprio como uma aberração: alguém a quem aconteceu algo errado.

François tem experiências homossexuais com Serge, que é heterossexual. Isto mostra-nos que ter este tipo de experiências na adolescência não é sinónimo de ser homossexual. A experimentação de novas situações e de diferentes papéis sociais é que ajuda a decidir a personalidade futura do adolescente. No fim do filme, verifica-se que o único que parece vir a ser, de facto,  homossexual é François. Até Maité,  que no início desprezava rapazes e recusava qualquer tipo de relação amorosa, acaba por se apaixonar por Henri.

No geral gostei do filme, pois fala, de modo realista, de temas como a masturbação, o estar apaixonado, a orientação sexual, a primeira relação sexual e a amizade. Gostei também do facto de abordar um assunto como a homossexualidade, que ainda é alvo de preconceitos, como pude constatar mesmo dentro da própria turma.

Todavia, é preciso não esquecer que o preconceito resulta de uma generalização infundada do ponto de vista racional, um juízo preconcebido que leva a uma atitude discriminatória. A meu ver, esta só mostra insegurança e ignorância por parte de quem o adopta. É o que acontece em relação à homossexualidade. Julgo que este filme pode ajudar a quebrar alguns estereótipos porque  mostra aspectos reais da  vida dos adolescentes. Este período não é tão fácil como parece e pode torna-se ainda mais difícil,  se nos demitirmos de analisar criticamente certos preconceitos. 

Jocemira Ribeiro, 11ºA

sábado, 14 de maio de 2011

A opinião dos alunos: a exposição "Sexo e então?!" (1)

image

No passado dia 1 de Abril, as turmas 10°C e 11°A realizaram uma visita a Lisboa, onde visitaram a exposição: "Sexo e então?!", presente no Pavilhão do Conhecimento.

Foi disponibilizada, antes da visita, informação aos alunos: AQUI e AQUI.

As alunas do 10º C, Jearina Isabelle Imanse e Ana Carolina, escreveram dois pequenos textos (as fotos são da Jearina) em que explicam o que viram e o que gostaram e não gostaram.

  image image

Na minha opinião, o conteúdo da exposição "Sexo e então?!" era, talvez, um pouco infantil para nós. Mas mesmo assim achei interessante a forma como os vários assuntos eram tratados:  de modo interactivo, com sentido de humor e com questões dirigidas aqueles que estão a passar pelas transformações biológicas, psicológicas e afectivas da adolescência, ou seja: nós.

As actividades propostas incidiam em temas como a puberdade, a fecundação, a gravidez, a paixão, o amor e muito mais. Gostei mais das actividades com as simulações, por exemplo: a actividade com o beijo e o boneco virtual. Estas actividades e a informação anexada a cada uma delas tentavam dar uma resposta à maioria das perguntas que crianças entre 9 e 15 anos fazem em relação ao seu corpo, ao sexo e ao amor. Algumas das perguntas, cujas respostas foram lá explicadas, foram: “O que é fazer sexo?”, “O que é estar apaixonado?” e “A puberdade, o que é isso?”. As respostas foram dadas, ao longo da exposição, sobretudo através da realização de actividades e experiências. Para as crianças mais pequenas também disponibilizavam um guião da exposição com este tipo de perguntas para eles preencherem durante as actividades. Achei engraçado e foi uma boa experiência!

Jearina Isabelle Imanse, 10°C

image

Como é que se gera e cresce um bebé?

Na exposição este tema era abordado de uma maneira bastante atractiva e divertida: mostravam uma situação em que os espermatozóides eram pessoas que pediam autorização ao óvulo para entrar.

Aparecia também uma imagem na parede, comparando proporcionalmente o tamanho do óvulo e do espermatozóide, para que assim se pudesse entender, de facto, a desproporção existente entre ambos.

No entanto, na realidade, o processo de fecundação e gestação é bastante mais complexo. Primeiro é necessário que ocorra fecundação, ou seja, que um espermatozóide entre no óvulo. Como resultado final deste processo origina-se o ovo. A fecundação ocorre nas trompas de Falópio. Dezoito a trinta e nove horas após a fecundação, o ovo divide-se para formar duas células. Estas dividem-se para formar quatro células, que se dividem, por sua vez, para formar oito células, e assim sucessivamente. Ao quarto dia o embrião é uma massa compacta a que se dá o nome de mórula. Esta desloca-se pela trompa de Falópio e chega ao útero, onde o embrião se irá fixar, a este processo chama-mos nidação. Após este acontecimento,  constitui-se um dos elementos essenciais à gestação – a placenta. Esta irá ser o “meio de comunicação” entre a mãe e o novo ser através do cordão umbilical. A partir da placenta o oxigénio, os nutrientes e anticorpos passam do corpo da mãe para o bebé e ao longo do resto dos nove meses o bebé irá crescer e formar todos os órgãos principais.

Nesta exposição tivemos acesso a textos e imagens - animações, nalguns casos, noutros filmes em que pudemos observar o crescimento do bebé dentro da barriga da mãe até à sua expulsão no parto - que facilitaram a percepção e a compreensão dos fenómenos envolvidos na resposta à pergunta: como é que eu nasci?

A brincar falaram-se e aprenderam-se coisas sérias que muitas vezes fazem os pais ficarem engasgados, corados ou aflitos. A exposição vale a pena porque é um tempo gasto com “brincadeiras sérias”.

Ana Carolina, 10ºC

quinta-feira, 31 de março de 2011

Mais informações sobre a exposição: Sexo e então?!

imageCaros alunos do 10º C e 11º A, deixo-vos mais algumas informações sobre uma das exposições que iremos visitar, amanhã, em Lisboa.

A exposição, “Sexo e então?!”, está dividida em cinco partes:

1. Estar apaixonado.

2. Puberdade.

3. Fazer sexo.

4. Abre a pestana.

5. Escola.

Eis algumas das questões que ao longo da exposição (para obter informações e explicações mais detalhadas, consultar o roteiro do professor no link anterior) irão ter resposta:

  • O que é isso de estar apaixonado?
  • Deve-se fazer sexo quando não se tem vontade?
  • Que tipo de beijos é que se podem dar?
  • Quais são as transformações que o corpo sofre na puberdade?
  • Como sobreviver as borbulhas, às dúvidas e aos complexos?
  • O que é que se pode aprender (ou não?) sobre sexo ao ver filmes pornográficos?
  • O que é a privacidade? Porque motivo os pais dos adolescentes devem respeitá-la?
  • A adolescência é a idade da parvoeira? Porquê?
  • O que é fazer sexo?
  • Numa relação é importante respeitar o pudor e a intimidade do outro. Porquê?
  • Como é que se gera e cresce um bebé?

Deixo-vos também duas sugestões musicais: dois poemas de Carlos Tê (belíssimos) sobre o que é viver a adolescência. Quem canta é o Rui Veloso.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Visita de estudo: Informações (2)

image Pavilhão do Conhecimento em Lisboa.

No Pavilhão do Conhecimento, no Parque das Nações, iremos visitar e realizar actividades nos locais que se seguem (para obter mais informações, clicar nas palavras com links). Podes também ler um resumo do que vais poder ver e experimentar.

1. Exposição interactiva: “Sexo e então?!

image 

2. Explora

image 

  • Podes realizar experiências online, em módulos interactivos, e ter acesso à explicação científica dos fenómenos que observas. Os temas são:

       - ponto esbatido;

       - pêndulo caótico;

       - deformações circulares.

3. Exposição: “Corpo e imagem”.

   image

Questões da sexualidade: o que é o prazer sexual? (3)

“O que é exactamente o prazer sexual? Assemelha-se ao prazer de comer e de beber? Ao de repousar num banho quente? Ao de olhar a nossa criança a brincar? É claramente como todos eles e diferente de todos eles. É diferente do prazer de comer no facto do seu objecto não ser consumido. É diferente do prazer do banho no facto de envolver ter prazer numa actividade, e na outra pessoa que se nos junta. É diferente do de olhar a nossa criança a brincar no facto de envolver sensações corporais e uma entrega ao desejo físico. O prazer sexual assemelha-se, no entanto num ponto crucial, ao prazer de olhar algo: tem intencionalidade. Não é apenas uma sensação de formigueiro; é uma resposta a outra pessoa, e ao acto em que se está envolvido com ele ou ela. A outra pessoa pode ser imaginária: mas é na direcção dessa pessoa que os nossos pensamentos são orientados, e o prazer depende do pensamento.

Esta dependência do pensamento significa que o desejo sexual pode ser enganado, e que cessa quando o engano é conhecido. (…) a descoberta de que é uma mão indesejada que me toca extingue de imediato o meu prazer.”

Roger Scruton, Guia de Filosofia para pessoas inteligentes, Editora Guerra e Paz, Lisboa, 2007, págs. 155-156.

Questões da sexualidade: discussão de preconceitos sobre a homossexualidade (2)

As actividades que iremos realizar acerca do tema enunciado no título deste post são as seguintes:

É preciso prestar atenção aos preconceitos.
Análise e discussão de preconceitos sobre a homossexualidade.
Questionário: análise de preconceitos sobre a homossexualidade.

Questões da sexualidade: adolescência e identidade sexual (1)

Caros alunos das turmas A e C do 11º ano, no âmbito do tema proposto no título deste post vamos visionar nas próximas aulas o filme, de André Téchiné, “Os juncos silvestres”.

O guião de análise do filme, a que terão de responder, encontra-se AQUI.

Bom trabalho!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Contra a discriminação ou a promoção da homossexualidade?

image

O leitor André, no post anterior, chamou a  atenção para uma notícia do jornal Público que vale a pena ler.

Dado que este ano lectivo alguns professores, em cada conselho de turma,  têm - obrigatoriamente - de abordar temas relacionados com a Educação sexual, faz todo o sentido reflectirmos a propósito do assunto discutido na notícia e da questão colocada:

O tipo de campanha noticiada no jornal baseia-se em pressupostos ideológicos que visam promover a homossexualidade ou, pelo contrário, promove a igualdade e a não discriminação? 

Os cartazes desta  campanha deveriam ser afixados em todas as escolas públicas? Porquê?

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O bem e o mal dizem apenas respeito à sociedade e à cultura?

 Exemplo 1 – A excisão genital feminina.

Para saber mais sobre este filme, pode ver aqui.

Exemplo 2 – Lapidação.

Outros exemplos: aqui, aqui e aqui.

Sobre a defesa dos direitos humanos veja aqui e aqui.

O respeito pela diversidade cultural de um povo  pode confundir-se, como é frequente, com a defesa do relativismo cultural moral e cultural?

Se admitíssemos um dos pressupostos fundamentais desta teoria: o que é moralmente certo ou errado depende dos padrões culturais aprovados pela maioria das pessoas pertencentes a uma determinada sociedade, poderíamos criticar os costumes referidos nos exemplos anteriores?

Não, embora seja evidente que constituem uma violação de direitos humanos fundamentais.

Portanto, nem todos os valores morais são relativos, nem todas as tradições culturais são respeitáveis.

Para refutar a teoria do relativismo moral e cultural e defender a tese de que há tradições e práticas intoleráveis, independentemente da cultura e da sociedade a que se referem, pode encontrar argumentos nos seguintes textos:

1. A defesa dos direitos humanos e do relativismo cultural serão compatíveis?

2. Objectivismo moral.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

É preciso prestar atenção aos preconceitos

imagePara saber mais sobre este livro, ver aqui.

«Porque é que não basta seguirmos os nossos sentimentos, ou “seguir o instinto”, quando pensamos no que deveríamos fazer ou como deveríamos viver?

Os sentimentos são essenciais, como é evidente. Uma vida sem amor, agitação e até mesmo dor não é vida. Nenhuma ética em consonância com a vida é capaz de o negar. Só que os sentimentos não são tudo. Podem ser o começo mas não são o fim. Também deve haver um certo tipo de pensamento.

Vejamos o caso do preconceito. Ser preconceituoso é ter um forte sentimento negativo em relação a alguém pertencente a uma diferente etnia, sexo idade, classe social, etc. Se a ética fosse apenas uma questão de sentimentos, nada haveria a fazer contra tais preconceitos. Seria perfeitamente moral discriminar pessoas das quais não gostássemos.

O instinto diz sim. A ética diz não. Em contrapartida, a ética pode desafiar esses mesmos sentimentos. “Preconceito” quer dizer literalmente “pré-conceito”: é uma forma de não prestar realmente atenção. Mas é preciso prestar atenção. É preciso perguntar-nos porque é que nos sentimos de uma determinada maneira, se as nossas convicções ou sentimentos são verdadeiros ou justos, como nos sentiríamos na pele de outra pessoa, e assim por diante. Em resumo, precisamos de nos perguntar se os nossos sentimentos se justificam e, quando não, que sentimentos alternativos os deviam substituir.

Assim, a ética pede para pensarmos cuidadosamente, até mesmo sobre sentimentos que podem ser muito fortes. A ética pede para vivermos atentamente: preocuparmo-nos com o modo com agimos e até mesmo como sentimos.»

Anthony Weston, Ética para o dia-a-dia, Esquilo Editora, 1ª Edição, Lisboa, 2002, págs. 15-16.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Questionário: análise de preconceitos sobre a homossexualidade

Ficha de tabalho - análise de preconceitos em relação à homossexualidade

Análise e discussão de preconceitos sobre a homossexualidade

Análise e discussão de preconceitos sobre a homossexualidade.

Guião de análise do filme “Os juncos silvestres”

Este filme (para saber mais, ver aqui), do francês André Téchiné, foi realizado em 1994. O seu visionamento tem como objectivo - no âmbito do projecto de Educação Sexual – dar a conhecer e discutir alguns aspectos fundamentais da adolescência, nomeadamente a questão da identidade sexual. Pretende-se, sobretudo, analisar e discutir alguns dos preconceitos mais frequentes que  levam a atitudes discriminatórias em relação aos homossexuais.

Guião de análise do filme Os juncos silvestres