“As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar, senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento.” John Stuart Mill
quinta-feira, 16 de julho de 2020
Chegar ao outro lado
terça-feira, 16 de junho de 2020
Recursos de Filosofia: Para terminar a Filosofia da religião com humor e sentido crítico
sábado, 30 de maio de 2020
Recursos de Filosofia: o problema do mal
sexta-feira, 15 de maio de 2020
Recursos de Filosofia: objeções a Kant e Stuart Mill
Em função da matéria que estiver a lecionar o professor pode optar por debater uma das objeções ou ambas. Pode também, obviamente, usar os textos com outro enquadramento e finalidade, uma vez que os documentos são editáveis.
Dado que as aulas presenciais do 11º vão ser retomadas na próxima semana foram apenas elaborados materiais para o 10º ano.
Para aceder basta fazer uma rápida inscrição e depois visualizar o menu de recursos na Aula Digital. (A apresentação do menu foi reorganizada e agora é mais fácil encontrar os recursos lá existentes.)
quinta-feira, 30 de abril de 2020
Recursos de Filosofia: Filosofia Política e Filosofia da Religião
sexta-feira, 17 de abril de 2020
Recursos de Filosofia: Lógica informal e Filosofia da ciência
quinta-feira, 9 de abril de 2020
Recursos de filosofia para o ensino à distância
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terça-feira, 7 de abril de 2020
Como comunicar e planificar no ensino à distância?
sábado, 6 de julho de 2019
domingo, 17 de fevereiro de 2019
Menos lógica, melhor lógica
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Diversos professores de filosofia têm criticado a lecionação da lógica no 10º ano. Preferiam que fosse lecionada no 11º ano, como sucedia antes da entrada em vigor das Aprendizagens Essenciais. Alguns criticam também o fim da opção entre a lógica proposicional e a lógica aristotélica e a obrigatoriedade de lecionar a lógica proposicional.
Julgo que não têm razão. A lógica deve ser lecionada no 10º ano, pois fornece aos alunos instrumentos críticos indispensáveis ao estudo da filosofia, ou seja, dá-lhes as “ferramentas do ofício”. A obrigatoriedade de lecionar a lógica proposicional também se justifica, pois a lógica aristotélica não consegue dar conta da maior parte da argumentação filosófica e quotidiana. Este e outros argumentos são muito bem desenvolvidos por Aires Almeida no texto “Lógica aristotélica - Insistir porquê?”, cuja leitura recomendo vivamente.
Esses críticos recorrem por vezes a um argumento que, apesar de incorreto, inclui uma ideia verdadeira. Alegam que a experiência mostra que a maioria dos alunos do 10º ano não gosta das aulas de lógica proposicional e que, portanto, esta não devia ser obrigatória nem lecionada no 10º ano.
Duvido muito que os alunos prefiram a lógica aristotélica à proposicional, pois ouvi muitas vezes colegas que a lecionavam confessarem que os seus alunos não só não gostavam como desprezavam essa matéria. Seja como for, mesmo que os alunos por hipótese gostassem da lógica aristotélica esse gosto pesaria menos que as fortes razões que existem contra a sua lecionação.
Contudo, acredito que muitos alunos do 10º ano ficam aliviados quando as aulas de lógica terminam, mesmo que estas tenham sido bem lecionadas. Aliás, isso já sucedia quando a lógica era dada no 11º ano.
O problema não está na lógica, mas no facto desse capítulo incluir demasiados conteúdos e a sua lecionação durar muito tempo. No atual 10º ano isso adia durante demasiado tempo o contacto dos alunos com a discussão dos problemas filosóficos. Os alunos chegam à filosofia com a expetativa de estudar e debater esses problemas, expetativa essa que é estimulada pelas aulas introdutórias em que se dão exemplos de questões cativantes e polémicas, mas depois passam meses a estudar a negação de proposições e a distinção entre vários tipos de argumentos. Mesmo que os professores vão dando exemplos de proposições e argumentos usados nos debates filosóficos, é natural que os alunos fiquem um pouco frustrados e até aborrecidos.
É como se um aprendiz de carpinteiro chegasse à oficina onde vai aprender o ofício e passasse meses a aprender os nomes e funções de dezenas de ferramentas, sem ter a oportunidade de tentar construir uma cadeira ou uma mesa.
Além da frustração e aborrecimento que tal método causaria, é duvidoso que fosse eficaz. Talvez fosse melhor ensinar de início ao aprendiz apenas os nomes e funções de algumas ferramentas imediatamente indispensáveis e sem demora deixá-lo tentar construir cadeiras e mesas. Os nomes e funções das outras ferramentas poderiam ser-lhe ensinados a pouco e pouco, à medida que esse conhecimento se revelasse necessário, nomeadamente quando começasse a construir objetos mais complexos que cadeiras e mesas.
É um pouco assim que a gramática (que, tal como a lógica, é um instrumento necessário para bem pensar, escrever e falar) é ensinada nas aulas de Português: não é dada toda de uma vez, mas sim aos poucos, em articulação com as outras matérias.
Julgo que se devia tentar algo semelhante com o ensino da lógica. O número de “ferramentas lógicas” apresentadas de início aos alunos do 10º ano devia diminuir: menos formas argumentativas, menos argumentos não dedutivos, menos falácias informais… Depois, ao longo das aulas e a propósito das matérias que estivessem a ser lecionadas, os professores poderiam ir introduzindo outras “ferramentas lógicas”.
Para evitar confusões, o programa devia apresentar uma lista de conceitos lógicos, indicando aqueles que deviam ser lecionados logo no início e aqueles que podiam ser lecionados noutra altura (definida pelo programa nuns casos e escolhida pelo professor noutros). Alguns desses conceitos poderiam ser obrigatórios, nomeadamente para efeitos de exame, e outros opcionais.
Julgo que um tal método, além de mais estimulante para os alunos, seria mais eficaz em termos de aprendizagem. E, aspeto não despiciendo, deixaria sem argumentos os “inimigos” da lógica.
quinta-feira, 31 de agosto de 2017
Aprendizagens Essenciais de Filosofia: uma oportunidade perdida
No dia 11 de agosto as Aprendizagens Essenciais de Filosofia (por enquanto apenas para o 10º ano) foram finalmente tornadas públicas. Vale a pena assinalar que hoje, 31 de agosto, as AE de várias disciplinas ainda não foram divulgadas: é o caso da Matemática A, História B, Literatura Portuguesa e Desenho A, entre outras disciplinas. Note-se que nas 236 escolas que vão participar no projeto-piloto da flexibilização curricular as AE são para aplicar nos anos iniciais de cada ciclo e as aulas começam daqui a duas semanas.
Critiquei o facto de o governo ter entregue a definição das AE apenas à Associação de Professores de Filosofia. Contudo, numa declaração conjunta da APF e da Sociedade Portuguesa de Filosofia é dito que, afinal, ambas colaboraram nesse processo. Ainda bem que os professores envolvidos foram mais sensatos que o governo.
Importa dizer, em primeiro lugar, que fizeram um trabalho positivo. As AE são um progresso em relação às “Orientações para efeitos de avaliação sumativa externa das aprendizagens na disciplina de Filosofia” (que já tinham muito mérito) e, principalmente, em relação ao próprio Programa de Filosofia - que é péssimo. Apesar disso, as AE têm algumas falhas e, num aspeto que explicarei depois, são uma oportunidade perdida.
Vou deixar para outra altura a análise das indicações metodológicas e analisar apenas as opções feitas acerca dos conteúdos a lecionar.
Ao ler as AE o primeiro aspeto em que se repara é a sua linguagem clara e a ausência (tal como já sucede nas Orientações) da linguagem vaga e confusa e, pior ainda, tendenciosamente valorativa que caracteriza o Programa. O que não significa que não possa haver melhorias: por exemplo, em “caracterizar a noção de filosofia como uma atividade conceptual crítica” a “noção” não está lá a fazer nada.
Outro aspeto notório é o facto de se assumir o carácter crítico e argumentativo da filosofia e cada capítulo apresentar de modo explícito e direto o problema filosófico que deve ser analisado e discutido. No Programa cada capítulo é uma amálgama confusa de temas, nunca não sendo claro qual é problema filosófico em causa.
Na mesma linha, outra mudança igualmente salutar são as sugestões de “Temas / problemas do mundo contemporâneo”, pois têm carácter filosófico e são assuntos genuinamente importantes, contrariamente ao que sucede com as propostas do Programa. Pedir aos alunos, nesse contexto, um ensaio filosófico é uma coisa que muitos professores já fazem. Assumi-la nas AE é uma boa ideia. Espero que contribua para um ensino da filosofia mais filosófico.
Uma alteração de monta é o fim da opção entre a estética e a filosofia da religião, passando ambos os capítulos a ser lecionados no 11º ano. A necessidade de escolher entre essas duas áreas é uma das infelicidades do Programa que as Orientações não puderam corrigir e, portanto, essa é uma alteração bem vinda.
Igualmente positivo é o desaparecimento da “Articulação entre ética e direito” e o tratamento mais conciso dos conceitos de ação e valor (ainda mais do que nas Orientações, que já dão uma machadada substancial nos exageros do Programa a esse respeito).
As alterações relativas à lógica são grandes e muito significativas. Infelizmente, dessas alterações a única que é inteiramente boa e isenta de senãos é o desaparecimento do capítulo sobre a retórica, que além de filosoficamente irrelevante é um amontoado de tópicos desorganizados e descontextualizados.
Passar a lecionação da lógica do 11º para o 10 ano é uma boa alteração, pois é suposto a lógica fornecer aos alunos instrumentos críticos indispensáveis ao estudo da filosofia. Contudo, envolve um risco: adiar durante demasiado tempo o contacto dos alunos com a discussão dos problemas filosóficos. Como evitar isso?
O fim da opção entre a lógica aristotélica e a lógica proposicional, passando esta última a ser obrigatória, é também muito positivo, já que a lógica aristotélica não consegue dar conta da maior parte da argumentação filosófica e quotidiana, sendo o seu interesse principalmente histórico (o quadrado da oposição, que ajuda a entender a negação de proposições e é útil na argumentação, mantém-se).
Julgo que não existem boas objeções filosóficas ou didáticas a essa alteração. No entanto, ela coloca uma dificuldade prática: alguns professores desconhecem a lógica proposicional e sem receberem formação dificilmente conseguirão lecioná-la. Não sei quantas escolas, das 236 que vão participar no projeto-piloto da flexibilização curricular, têm ensino secundário, mas suponho que sejam muitas e que nelas existam alguns professores que precisam dessa formação. Como as AE só foram divulgadas a 11 de agosto, em plenas férias, não é possível providenciá-la a tempo.
Como é dito na declaração da APF e da SPF, “uma das indicações centrais do ministério da Educação foi a de redução dos conteúdos”. Trata-se de um objetivo muito importante, pois o Programa é excessivamente grande e, apesar das Orientações tornarem exequível a lecionação dos capítulos objeto de exame, falta ainda assim tempo para realizar com os alunos de atividades reflexivas e argumentativas em número suficiente.
Infelizmente, as AE não cumprem esse objetivo: têm conteúdos a mais e, bem vistas as coisas, não vão mais longe que as Orientações na redução de conteúdos.
Em alguns capítulos há mesmo um aumento de conteúdos. Na lógica, a lista de falácias informais aumentou desnecessariamente. Na filosofia política, as Orientações pedem para confrontar a teoria de Rawls com “as críticas a que está sujeita” e a generalidade dos professores costuma apresentar as críticas de Nozick. As AE acrescentam as críticas de Michael Sandel. Apesar de ter Sandel em grande conta e de considerar a sua teoria comunitarista muito interessante, esse acrescento não me parece boa ideia, pois para os alunos perceberem o que está em causa nas críticas é preciso explicar a sua teoria e isso contraria o objetivo da redução de conteúdos. Caso apenas se esboce a teoria compromete-se a compreensão e gasta-se ainda assim algum tempo que devia ser dedicado à discussão e argumentação.
As aulas poupadas com os cortes de conteúdos que referi e com a passagem da estética e da filosofia da religião para o 11º ano serão utilizadas para lecionar a lógica. Continuará portanto a faltar tempo para deixar os alunos discutir ideias, ou seja, filosofar. (Aprofundei um pouco mais esse tópico no texto Um programa de filosofia mais pequeno e mais… filosófico.)
Por isso, as AE, apesar das suas muitas qualidades, não ajudarão os professores que querem fazer mais do que preparar os alunos para o exame e são uma oportunidade perdida. Vão certamente contribuir para uma pequena mudança no ensino da filosofia, mas se tivesse havido coragem de diminuir substancialmente a quantidade de conteúdos poderiam talvez promover uma grande mudança.
Em todas as folhas do documento que contém as AE está escrito “documento de trabalho”. Oxalá seja ainda possível realizar alterações, antes da sua generalização a todas as escolas. Para que no fim desse processo as AE não sejam, afinal, uma oportunidade perdida.
Ao escrever o que escrevi pensei apenas na natureza da filosofia e no modo como seria desejável que o seu ensino fosse. Ignorei propositadamente o contexto político e educativo em que as AE surgiram, pois estou convencido que o projeto da flexibilização curricular vai falhar e ser esquecido, como já aconteceu a outros projetos mais ou menos similares. As modas pedagógicas vão passando, mas a filosofia permanece.
Por último: tenho esperança que as AE relativas ao 11º ano sejam divulgadas antes de 11 de agosto de 2018.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2017
Um programa de filosofia mais pequeno e mais… filosófico
Um dos muitos defeitos do atual programa de Filosofia para o ensino secundário é ser enorme. Mesmo depois de depurado pelas Orientações para efeitos de avaliação sumativa externa das aprendizagens na disciplina de Filosofia continua a ser demasiado grande. O facto de, em muitas escolas, a carga horária da disciplina ter diminuído agrava o problema.
Com a depuração feita pelas Orientações é possível “cumprir” o programa, ou seja, lecionar todos os conteúdos obrigatórios. Infelizmente fica pouco tempo para coisas muito importantes. Não me refiro a filmes e visitas de estudo, embora não negue a importância dessas atividades e seja um facto que elas são prejudicadas pela falta de tempo. Refiro-me a algo mais essencial em termos filosóficos e sem o qual ensino da filosofia não faz muito sentido: pôr os alunos a pensar por eles próprios.
Para conseguir isso não basta o professor apresentar a filosofia de um modo crítico e não dogmático, procurando confrontar os filósofos e as teorias com objeções e contraexemplos, pois há sempre alunos que mesmo assim se mantêm passivos e encaram tanto Kant como as objeções contra Kant como coisas que não lhes dizem respeito e que é preciso decorar. Para conseguir isso é necessário realizar diversas atividades suscetíveis de tornar a filosofia uma coisa prática e realmente argumentativa.
Alguns exemplos. Confrontar os alunos com os problemas filosóficos (antes de apresentar as teorias filosóficas que os tentam resolver) e deixá-los discutir demoradamente esses problemas. Analisar e discutir exemplos concretos, dados pelo professor e solicitados aos alunos. Ir colocando, oralmente e por escrito, questões que levem os alunos a questionar as teorias e os seus argumentos e contra-argumentos. Promover muitos pequenos debates em certos momentos das aulas e por vezes debates planeados e organizados. Etc.
Todas essas atividades ocupam bastante tempo e não é possível realizá-las com um programa sobrelotado de temas. Um programa de Filosofia não deve ser tão extenso que dificulte a vida aos professores que tentam ensinar a filosofia de um modo… filosófico.
Oxalá a revisão do programa de Filosofia que está a ser feita tenha em conta essa necessidade e origine um programa mais pequeno.
E que, já agora, corrija outros defeitos do atual programa – como, por exemplo, a desorganização, a linguagem vaga e obscura e a irrelevância filosófica de alguns tópicos. Outro aspeto a precisar de uma revisão drástica é este: exceto o capítulo introdutório (que se quer breve, pois o que interessa não é caracterizar a filosofia mas sim mostrar e praticar a filosofia) e a lógica, todos os capítulos de um programa de Filosofia devem apresentar problemas filosóficos e as teorias mais relevantes acerca dos mesmos (duas ou três). O atual programa tem alguns capítulos em que existe uma mistura confusa de assuntos e em que não é claro qual é problema filosófico em causa.
Por fim, o programa deve ter uma linguagem imparcial e não tendenciosa. Dois exemplos, tirados do atual programa, do que deve ser evitado: expressões como “reconhecer a ação como um campo de possibilidades - espaço para a liberdade do agente” e “reconhecer a necessidade de encontrar critérios trans-subjetivos de valoração” (usadas nos objetivos a atingir pelo aluno) tomam partido por uma das teorias em confronto – o que é obviamente errado e incompatível com a intenção de promover a liberdade de pensamento dos alunos.
Critiquei há meses o modo como o processo de revisão do programa foi implementado, mas teria muito gosto em dar o braço a torcer e reconhecer que me enganei – caso essa revisão originasse, afinal, um bom programa de Filosofia.
domingo, 20 de novembro de 2016
Uma boa proposta de revisão do programa de Filosofia
Aires Almeida apresentou uma proposta de revisão do programa de Filosofia que me parece muito boa: é filosoficamente rigorosa, é exequível, melhora imenso o programa atual mas sem implicar alterações radicais. A proposta pode ser lida no bloque do autor, questões básicas: Filosofia: uma proposta construtiva e minimalista.
Critiquei o facto de o Ministério da Educação ter excluído da revisão do programa de Filosofia a Sociedade Portuguesa de Filosofia e ter encarregue dessa tarefa unicamente a Associação de Professores de Filosofia: Programa de Filosofia: não é desta mudança que precisamos. Contudo, espero que o Ministério da Educação e a Associação de Professores de Filosofia não ignorem propostas valiosas como esta.
terça-feira, 19 de maio de 2015
Avaliação das Aprendizagens em Filosofia
“Avaliação das Aprendizagens em Filosofia — 10.º e 11.º Anos, foi um documento encomendado pelo antigo Departamento do Ensino Secundário (DES) à Sociedade Portuguesa de Filosofia e elaborado por Aires Almeida e António Paulo Costa. O documento contou com a participação de várias pessoas, que o discutiram e o aperfeiçoaram, antes de ser publicado na página do DES.”
Fonte: 50 Lições de Filosofia.
segunda-feira, 9 de junho de 2014
Os melhores manuais de filosofia para o 11º ano
Não contei os manuais escolares propostos para o 11º ano que me chegaram às mãos, mas foram muitos (mais de uma dúzia, julgo). Há de tudo: maus, sofríveis, razoáveis, bons e muito bons.
Não me vou dar aos trabalho de identificá-los a todos e de justificar os adjetivos usados. Quero apenas destacar os cinco que considero melhores.
Esses cinco manuais, embora de maneiras diferentes, fornecem instrumentos de trabalho bem concebidos e diversificados que ajudarão os alunos a estudar melhor e auxiliarão os professores a preparar as aulas, a fazer testes, fichas, guiões de filmes, etc. E todos, embora de maneiras diferentes, apostam nas novas tecnologias, em grafismos apelativos, na interação com os professores, etc.
Contudo, isso não é o mais importante. O mais importante é que, embora com estilos diferentes, apresentam corretamente a filosofia aos alunos: como uma discussão crítica de problemas, onde o próprio aluno é chamado a intervir e argumentar, e não como um discurso dogmático. Conseguem, além disso, um equilíbrio entre o rigor filosófico e a clareza e simplicidade, que é indispensável num livro destinado a adolescentes.
Nem todos os alunos que estudarem por esses manuais irão gostar de filosofia, mas dificilmente irão desprezá-la. Ora, é isso que sucede quando os alunos têm manuais que dizem asneiras (por exemplo: “o argumento dedutivo consiste em extrair uma conclusão particular e desconhecida de premissas gerais e conhecidas”) ou apresentam discursos vagos e pastosos (por exemplo: “Neste mundo enriquecido pela diversidade dos possíveis, as velhas dicotomias entre o certo e o errado, o belo e o feio, o verdadeiro e o falso, as razões e as paixões, não resolvem os problemas; fala-se mais de respeito pelo outro, de gosto situado, de verdades prováveis, de inteligência emocional. A rigidez da verdade deu lugar à plasticidade. A imaginação inteligente cria novas leituras.”).
Não há razão nenhuma para os professores escolherem manuais que reduzem a filosofia a uma caricatura. Os bons manuais, como é o caso destes cinco, são mais fáceis de usar que os outros. São mais fáceis para os alunos e para os próprios professores, mesmo que estes não estejam habituados à abordagem da filosofia proposta pelo manual. Se esses professores experimentarem verão que os resultados – melhores aulas, melhores aprendizagens – justificam largamente a mudança.
Pelos motivos indicados, acentuei algumas semelhanças entre estes cinco manuais, mas isso não significa que não sejam bastante diferentes em muitos aspetos. Os professores de filosofia portugueses têm, portanto, a sorte de poder escolher entre cinco projetos diferentes de grande qualidade.
Embora todos os cinco manuais sejam bons, julgo que há um que consegue ser ainda melhor que os outros. Depois de conversar com os meus colegas de grupo direi qual é.
Esses cinco manuais são:
50 Lições de Filosofia – 11º ano, de Aires Almeida e Desidério Murcho, Didáctica Editora.
Cogito -11º, de Paula Mateus, Pedro Galvão, Ricardo Santos e Teresa Cristóvão, Asa.
Como pensar tudo isto?, de Domingos Faria, Luís Veríssimo e Rolanda Almeida, Sebenta.
Desafios – 11º, de Faustino Vaz e Marta Brites, Santillana.
Filosofia – 11º ano, de Luís Rodrigues, Plátano Editora.
quinta-feira, 27 de março de 2014
Futuras Lições
Eis Algumas páginas do futuro 50 LIÇÕES DE FILOSOFIA, 11.º ANO.
Numa delas encontra-se uma fotografia do quadro “A incredulidade de São Tomé”, de Caravaggio, e uma legenda relacionando São Tomé e o seu célebre “ver para crer” com o empirismo.
“Quando disseram a São Tomé que Jesus Cristo tinha ressuscitado dos mortos, ele respondeu que só poderia acreditar nisso depois de o ver com os seus próprios olhos e de tocar nas suas feridas. «Ver para crer» diria São Tomé. Como poderia ele saber se Jesus Cristo estava outra vez entre os vivos, sem o ter visto e sem ter alguma vez encontrado alguém que tenha ressuscitado? Os empiristas, como David Hume, também pensam que, a confiar em algo, só pode ser nos nossos sentidos.”
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Dúvida Metódica, sem dúvida um blogue
É isto que amanhã vou dizer sobre o Dúvida Metódica no TIC@Portugal'13. Gostaria de dizer mais, nomeadamente sobre a própria filosofia, mas só disporei de 10 minutos.
O Dúvida Metódica é um blog de filosofia. Autores: Carlos Pires e Sara Raposo, professores da Escola Secundária de Pinheiro e Rosa.
O Dúvida Metódica dirige-se em primeiro lugar aos nossos alunos, mas também a quaisquer outros interessados. Além dos nossos alunos, a maioria dos leitores parecem ser professores e alunos de filosofia – portugueses e brasileiros. Existe há quase cinco anos e até há data já teve mais de meio milhão de visitantes (cerca de 670 mil).
Publicamos materiais muito diversos. Na sua maior parte são recursos didáticos para utilizar nas aulas e para apoiar o estudo dos alunos, mas alguns têm caráter artístico ou mesmo lúdico e visam sobretudo contribuir para a formação cultural dos alunos.
Desses recursos didáticos fazem parte textos de apoio para complementar os manuais escolares, fichas de trabalho, as matrizes dos testes e recursos que não costumam fazer parte dos manuais mas que podem ser muitos úteis nas aulas: vídeos, canções, cartoons, fotografias, etc. Publicamos também alguns dos melhores trabalhos dos alunos e promovemos alguns debates online em que os alunos ou outros leitores participam através da publicação de comentários.
Vejamos alguns exemplos:
Textos de apoio: Exemplos das falácias do espantalho e da derrapagem, Baixar a fasquia
Matrizes de testes: 3º Teste do 11º B: matriz e links
Trabalhos de alunos: O que é a filosofia?, O que é mais importante: a liberdade ou a igualdade?
Debates online: Dia Mundial da Filosofia: vem debater ideias online
Vídeos: Criticar com humor e pontaria, Pensar fora da caixa
Cartoons: Penso, logo não cozinho!, Os cliques não são todos iguais!
Fotografias: Fotografias das Pinheiríadas, Pobreza
Música: Uma boa companhia para... corrigir testes, Voar=ler
Opiniões sobre questões educativas: A greve e as condições de trabalho dos professores, Um bom dia para a Filosofia
Um blogue é um instrumento de trabalho fácil de utilizar: não é preciso saber muito de informática para criá-lo e usá-lo. É também muito útil, pois acolhe recursos didáticos muito diversos. Essa utilidade aumenta muito se o manual adotado não for bom ou se não existir manual.
Uma vantagem importante - nomeadamente numa altura de crise económica – do uso de blogues é que diminuem muito o recurso às fotocópias e, portanto, permitem poupar papel.
Como provas dessa facilidade e dessa utilidade posso referir dois blogues que criei e uso: Caderno de Sociologia (para compensar o facto de todos os manuais de Sociologia existentes no mercado serem fracos) e Pensar Pela Própria Cabeça (na disciplina de Área de Integração do Ensino Profissional, em que não existe manual adotado na escola).
O uso educativo dos blogues tem ainda outra grande vantagem: incentiva, para não dizer que obriga, os professores que os usam a investirem bastante na sua formação científica, uma vez que aquilo que publicam está aberto ao escrutínio público, nomeadamente de outros professores, podendo ser criticado por quem sabe tanto ou mais do que eles. E não foram poucas as vezes que leitores do Dúvida Metódica questionaram, e por vezes com razão, as nossas explicações (por exemplo: Sinto, logo existo?). Mas aprendemos muito com isso.
Escrever num blogue implica, portanto, um certo grau de exposição e envolve alguma pressão, mas trata-se de uma pressão positiva. Ninguém faz ideia do que se passa na maior parte das salas de aula do nosso país. Ao apresentar deste modo o nosso trabalho estamos a abrir as portas das nossas aulas e a convidar qualquer pessoa a assistir. Com isso ganhamos todos: quem “assiste” às aulas e nós, pois aprendemos com os comentários e críticas que nos são feitas. E, graças às maravilhas da tecnologia, essas partilhas e debates podem também ser feitas com pessoas que não conhecemos pessoalmente ou que se encontram longe.
(Modifiquei ligeiramente o texto original, acrescentando algumas frases que disse durante a comunicação.)
terça-feira, 2 de julho de 2013
11º encontro de professores de Filosofia: Coimbra, 6 e 7 de setembro
FACULDADE DE LETRAS
DA
UNIVERSIDADE DE COIMBRA
CONVITE À PROPOSTA DE COMUNICAÇÕES E DE SESSÕES PRÁTICAS
A Sociedade Portuguesa de Filosofia, em parceria com o Departamento de Filosofia, Comunicação e Informação da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, organiza este ano a 11.ª Edição dos Encontros Nacionais de Professores de Filosofia. O encontro deste ano realizar-se-á nos dias 6 e 7 de Setembro, na F.L.U.C., e contará com o Prof. Simon Blackburn (Cambridge) como orador internacional.
Estão abertas as candidaturas para a apresentação de comunicações em língua portuguesa sobre qualquer tópico de filosofia ou didáctica da filosofia, incluindo ainda propostas de sessões práticas ou workshops nesses âmbitos. As comunicações não devem exceder os 30 minutos, de modo a reservar pelo menos 20 minutos à discussão. As sessões práticas poderão ocupar 50 minutos, desde que seja garantida a oportunidade para a participação do público.
Os candidatos deverão enviar para o endereço spfil@spfil.pt, até 7 de Julho, o título da sua comunicação/sessão prática e um resumo da mesma que não exceda as 500 palavras. Os resumos das propostas de comunicação devem indicar de forma clara a(s) ideia(s) a defender, e incluir um esboço do argumento proposto e bibliografia sucinta. Na rubrica “Assunto” da mensagem deverão inscrever “11º ENPF Proposta”. O resumo deverá ser enviado em anexo em formato Word ou PDF e não deverá conter nenhuma referência que permita identificar o autor ou instituições a que este esteja ligado. O mesmo será apreciado sob anonimato, sendo aceites no máximo duas comunicações. A decisão do júri será comunicada aos autores por correio electrónico, até 17 de Julho.
Informação recebida da Sociedade Portuguesa de Filosofia (www.spfil.pt).
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Um bom dia para a Filosofia
A filosofia, afresco de Raffaello Sanzio.
Quando esta manhã li o exame de Filosofia que os meus alunos estavam a fazer suspirei de alívio. É um bom exame e os alunos que se prepararam conseguirão certamente obter bons resultados.
Não tem erros nem ambiguidades, a linguagem é clara, as questões – com uma possível exceção - incidem em tópicos filosóficos relevante e testam competências diversificadas, sem esquecer – como já tem sucedido – a capacidade crítica e argumentativa. A extensão é adequada e o grau de dificuldade é equilibrado, havendo perguntas fáceis e outras mais difíceis (as questões de lógica talvez pudessem ser mais difíceis).
Ainda assim, vale a pena apontar dois aspetos menos conseguidos.
A questão 1 do grupo II, sobre a crítica de Platão aos sofistas, era dispensável pelo mesmo motivo que era dispensável lecionar esse tema (imposto pelas Orientações e não propriamente pelo Programa): a sua relevância filosófica é duvidosa, tal como a sua articulação com os outros tópicos do capítulo da argumentação.
Num exame de Filosofia é acertadíssimo pedir aos alunos – como é feito na questão 2 do grupo IV – para redigir um texto argumentativo. Contudo, a escolha do problema a discutir não foi feliz. A maior parte dos alunos não costuma gostar muito de Filosofia da Ciência e quase todos teriam mais a dizer e a discutir se, em vez do “papel da experiência científica na validação das hipóteses”, tivessem perguntado a sua opinião acerca do livre-arbítrio ou da existência de Deus.
Contudo, esses senãos não comprometem a qualidade do exame. Li os critérios de correção um pouco à pressa mas julgo poder dizer que são também adequados e claros.
Hoje foi, portanto, um bom dia para o ensino da Filosofia em Portugal. Oxalá os resultados sejam também bons.
quarta-feira, 29 de maio de 2013
O que é a filosofia, afinal?
A filosofia, afresco de Raffaello Sanzio.
“Como apresentar de maneira adequada a filosofia pela primeira vez aos alunos? Há diferentes maneiras de o fazer adequadamente, mas vale a pena ter em conta alguns esclarecimentos…”
O que é a filosofia, afinal? é um texto muito esclarecedor e útil para professores. De Desidério Murcho, no blogue 50 Lições de Filosofia.








