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domingo, 9 de agosto de 2020

Falsa dicotomia

Falso dilema estás connosco ou estás contra nós

«Uma falsa dicotomia [ou falso dilema] é uma perspetiva enganadora das alternativas disponíveis. Ocorre quando alguém apresenta uma dicotomia de tal modo que parece haver apenas duas alternativas quando na verdade há mais.

Por exemplo, na maioria dos contextos, a expressão “se não estás connosco, estás contra nós” [logicamente equivalente a “estás connosco ou estás contra nós”] é uma falsa dicotomia, visto que ignora uma terceira possibilidade (ser totalmente indiferente ao grupo em causa) e também uma quarta: a de não ter ainda não ter decidido *. (…)

As falsas dicotomias podem apresentar-se acidental ou deliberadamente (talvez isto seja também uma falsa dicotomia). Quando são acidentais, resultam de uma avaliação imprecisa das posições disponíveis; quando deliberadas são uma forma de sofística.»

Nigel Warburton, Pensar de A a Z, Editorial Bizâncio, Lisboa, 2012, pp. 147-148 (tradução de Vítor Guerreiro).

 * No cartoon é apresentada uma quinta possibilidade, de resto muito plausível.

 Fonte do cartoon: PhilosophyMatters

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Menos lógica, melhor lógica

spock logic Lógica[4]

Diversos professores de filosofia têm criticado a lecionação da lógica no 10º ano. Preferiam que fosse lecionada no 11º ano, como sucedia antes da entrada em vigor das Aprendizagens Essenciais. Alguns criticam também o fim da opção entre a lógica proposicional e a lógica aristotélica e a obrigatoriedade de lecionar a lógica proposicional.

Julgo que não têm razão. A lógica deve ser lecionada no 10º ano, pois fornece aos alunos instrumentos críticos indispensáveis ao estudo da filosofia, ou seja, dá-lhes as “ferramentas do ofício”. A obrigatoriedade de lecionar a lógica proposicional também se justifica, pois a lógica aristotélica não consegue dar conta da maior parte da argumentação filosófica e quotidiana. Este e outros argumentos são muito bem desenvolvidos por Aires Almeida no texto “Lógica aristotélica - Insistir porquê?”, cuja leitura recomendo vivamente.

Esses críticos recorrem por vezes a um argumento que, apesar de incorreto, inclui uma ideia verdadeira. Alegam que a experiência mostra que a maioria dos alunos do 10º ano não gosta das aulas de lógica proposicional e que, portanto, esta não devia ser obrigatória nem lecionada no 10º ano.

Duvido muito que os alunos prefiram a lógica aristotélica à proposicional, pois ouvi muitas vezes colegas que a lecionavam confessarem que os seus alunos não só não gostavam como desprezavam essa matéria. Seja como for, mesmo que os alunos por hipótese gostassem da lógica aristotélica esse gosto pesaria menos que as fortes razões que existem contra a sua lecionação.

Contudo, acredito que muitos alunos do 10º ano ficam aliviados quando as aulas de lógica terminam, mesmo que estas tenham sido bem lecionadas. Aliás, isso já sucedia quando a lógica era dada no 11º ano.

O problema não está na lógica, mas no facto desse capítulo incluir demasiados conteúdos e a sua lecionação durar muito tempo. No atual 10º ano isso adia durante demasiado tempo o contacto dos alunos com a discussão dos problemas filosóficos. Os alunos chegam à filosofia com a expetativa de estudar e debater esses problemas, expetativa essa que é estimulada pelas aulas introdutórias em que se dão exemplos de questões cativantes e polémicas, mas depois passam meses a estudar a negação de proposições e a distinção entre vários tipos de argumentos. Mesmo que os professores vão dando exemplos de proposições e argumentos usados nos debates filosóficos, é natural que os alunos fiquem um pouco frustrados e até aborrecidos.

É como se um aprendiz de carpinteiro chegasse à oficina onde vai aprender o ofício e passasse meses a aprender os nomes e funções de dezenas de ferramentas, sem ter a oportunidade de tentar construir uma cadeira ou uma mesa.

Além da frustração e aborrecimento que tal método causaria, é duvidoso que fosse eficaz. Talvez fosse melhor ensinar de início ao aprendiz apenas os nomes e funções de algumas ferramentas imediatamente indispensáveis e sem demora deixá-lo tentar construir cadeiras e mesas. Os nomes e funções das outras ferramentas poderiam ser-lhe ensinados a pouco e pouco, à medida que esse conhecimento se revelasse necessário, nomeadamente quando começasse a construir objetos mais complexos que cadeiras e mesas.

É um pouco assim que a gramática (que, tal como a lógica, é um instrumento necessário para bem pensar, escrever e falar) é ensinada nas aulas de Português: não é dada toda de uma vez, mas sim aos poucos, em articulação com as outras matérias.

Julgo que se devia tentar algo semelhante com o ensino da lógica. O número de “ferramentas lógicas” apresentadas de início aos alunos do 10º ano devia diminuir: menos formas argumentativas, menos argumentos não dedutivos, menos falácias informais… Depois, ao longo das aulas e a propósito das matérias que estivessem a ser lecionadas, os professores poderiam ir introduzindo outras “ferramentas lógicas”.

Para evitar confusões, o programa devia apresentar uma lista de conceitos lógicos, indicando aqueles que deviam ser lecionados logo no início e aqueles que podiam ser lecionados noutra altura (definida pelo programa nuns casos e escolhida pelo professor noutros). Alguns desses conceitos poderiam ser obrigatórios, nomeadamente para efeitos de exame, e outros opcionais.

Julgo que um tal método, além de mais estimulante para os alunos, seria mais eficaz em termos de aprendizagem. E, aspeto não despiciendo, deixaria sem argumentos os “inimigos” da lógica.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Matriz do 3º teste do 10º ano

falácia ad hominem

Duração: 90 minutos.

Natureza dos itens: escolha múltipla, resposta curta e resposta restrita.

Objetivos:

1. Compreender a distinção entre validade dedutiva e validade não dedutiva.

2. Compreender a distinção entre falácias formais e falácias informais.

3. Compreender as formas argumentativas válidas estudadas: negação dupla, modus ponens, modus tollens, silogismo disjuntivo, silogismo hipotético, contraposição e as leis de De Morgan.

4. Compreender as formas argumentativas inválidas estudadas: negação da antecedente e afirmação da consequente.

5. Identificar essas formas argumentativas (válidas e inválidas) referidas em exemplos dados.

6. Completar formas argumentativas.

7. Construir argumentos com essas formas.

8. Compreender os argumentos não dedutivos estudados: generalizações, previsões, argumentos por analogia e argumentos de autoridade.

9. Identificar generalizações, previsões, argumentos por analogia e argumentos de autoridade em exemplos dados.

10. Compreender as regras de validade de cada um desses argumentos não dedutivos.

11. Compreender as formas falaciosas dos argumentos não dedutivos estudados: falácias da generalização precipitada, da amostra não representativa, da previsão inadequada, da falsa analogia e do apelo ilegítimo à autoridade.

12. Identificar essas falácias em exemplos dados.

13. Compreender cada uma das outras falácias informais estudadas: Argumento ad hominem, Apelo à ignorância, Falso dilema, Falácia do espantalho, Falácia da derrapagem, Petição de princípio, Apelo ao povo e Falácia da falsa relação causal.

14. Identificar essas falácias informais em exemplos dados.

Para estudar:

Fotocópias da página 19 até à página 32.

No blogue Dúvida Metódica:

Derrapagem: do casamento homossexual ao incesto
Falácias informais do apelo à ignorância, da derrapagem e do boneco de palha
Exemplos das falácias do espantalho e da derrapagem
Exemplos da falácia do apelo à ignorância
Um cartaz político falacioso: falso dilema
A falácia do apelo ao povo
Resulta mesmo?
Qual é a falácia?
Qual é a falácia?
Falácias informais: vídeos

domingo, 12 de novembro de 2017

Matriz do 2º teste do 10º ano

cristiano ronaldo e a lógica

Duração: 50 minutos

Estrutura: Escolha múltipla. Questões de resposta curta. Exercícios de lógica.

Objetivos:

1. Explicar os seguintes conceitos: tese, argumento, premissa, conclusão, objeção, refutação e lógica.

2. Explicar o que é uma proposição.

3. Distinguir frases que exprimem proposições de frases que não exprimem proposições.

4. Explicar o que são ambiguidades e distinguir ambiguidades semânticas e ambiguidades sintáticas.

5. Explicar porque é importante – na filosofia e noutras áreas do conhecimento - evitar ambiguidades.

6. Classificar proposições quanto à qualidade (afirmativas e negativas) e quanto à quantidade (universais, particulares e singulares).

7. Reescrever frases universais, particulares e singulares de modo a que as proposições sejam expressas de modo canónico.

8. Nomear e explicar as relações lógicas contidas no Quadrado da Oposição.

9. Determinar o valor de verdade de proposições dadas tendo em conta o Quadrado da Oposição.

10. Negar proposições universais, particulares e singulares.

11. Explicar o que é uma conetiva (ou operador) proposicional.

12. Distinguir proposições simples e compostas.

13. Nomear as conetivas proposicionais consideradas pela lógica proposicional: negação, conjunção, disjunção (inclusiva e exclusiva), condicional e bicondicional.

14. Identificar a forma canónica e algumas formas alternativas de cada conetiva proposicional.

15. Reescrever frases com conetivas proposicionais de modo a que as proposições sejam expressas de modo canónico.

16. Identificar e usar os símbolos representativos das conetivas proposicionais (constantes lógicas).

17. Saber o que são variáveis proposicionais.

18. Fazer o dicionário de proposições dadas.

19. Formalizar proposições dadas.

20. Reconhecer o âmbito das conetivas proposicionais usadas numa proposição.

Para estudar:

Fotocópias e PDF’s.

Não é só na filosofia que a ambiguidade é um problema

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Noções elementares de lógica

RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA DA FILOSOFIA E A DIMENSÃO DISCURSIVA DO TRABALHO FILOSÓFICO

“RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA DA FILOSOFIA E A DIMENSÃO DISCURSIVA DO TRABALHO FILOSÓFICO” é um documento, da autoria de Aires Almeida, “elaborado no âmbito da definição das Aprendizagens Essenciais” e que visa apresentar algumas “Noções elementares de lógica para a disciplina de Filosofia”. Pode encontrá-lo AQUI, na página da APF. Ainda não li, mas, dado o trabalho anterior do autor, é certamente muito bom e útil.

domingo, 6 de novembro de 2016

Matriz do 2º teste do 11º ano: ESLA, 2016

modus ponens

Duração: 50 minutos.

Objetivos:

1. Conhecer os operadores verofuncionais: negação, conjunção, disjunção (inclusiva e exclusiva), condicional e bicondicional.

2. Reescrever frases de modo a que as proposições sejam expressas de modo canónico.

3. Formalizar proposições.

4. Conhecer e compreender a tabela de verdade de cada operador proposicional.

5. Determinar as condições de verdade de proposições compostas através da construção de tabelas de verdade.

6. Explicar o que são argumentos.

7. Distinguir argumentos e não argumentos.

8. Descobrir premissas ocultas em entimemas.

9. Colocar argumentos na expressão canónica.

10. Formalizar argumentos.

11. Distinguir a validade dedutiva e a validade não dedutiva.

12. Testar a validade de formas argumentativas através de inspetores de circunstâncias.

13. Distinguir e identificar as formas argumentativas válidas e inválidas estudadas.

14. Completar formas argumentativas.

15. Construir argumentos com essas formas.

Para estudar:

No Dúvida Metódica:

Condições necessárias e suficientes: análise de um exemplo
A negação de proposições condicionais
A relação entre verdade e validade
Validade dedutiva
A importância da validade: duas analogias

No manual adotado:

Da página 14 à 15. Da página 51 à 63. Página 66. Da página à 83.

sábado, 15 de outubro de 2016

Matriz do 1º teste do 11º ano: ESLA, 2016

spock logic Lógica[4]

Duração: 50 minutos.

Objetivos:

1. Indicar o objeto de estudo da Lógica.

2. Explicar o que são argumentos.

3. Explicar o que são proposições.

4. Analisar exemplos, distinguindo frases que expressam proposições de frases que não expressam.

5. Explicar o que são ambiguidades e porque é importante evitá-las.

6. Distinguir proposições simples e compostas.

7. Explicar o que é um operador proposicional.

8. Explicar o que são operadores proposicionais verofuncionais e não verofuncionais.

9. Analisar exemplos, identificando os operadores proposicionais verofuncionais e os não verofuncionais.

10. Conhecer os operadores verofuncionais: negação, conjunção, disjunção (inclusiva e exclusiva), condicional ebicondicional.

11. Reescrever frases de modo a que as proposições sejam expressas de modo canónico.

12. Formalizar proposições.

13. Conhecer e compreender a tabela de verdade de cada operador proposicional.

14. Explicar e exemplificar o que são condições suficientes e condições necessárias.

15. Determinar as condições de verdade de proposições compostas através da construção de tabelas de verdade.

16. Distinguir tautologias, contradições e continências.

Para estudar:

No Dúvida Metódica:

Condições necessárias e suficientes: análise de um exemplo
A negação de proposições condicionais

No manual adotado:

Da página 14 à 17. Da página 51 à 63. Páginas 66, 68, 69, 70 e 71.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Duas tradições: o apedrejamento e a tourada

Um dos argumentos usados pelos defensores da tourada é o chamado argumento da tradição: a tourada não deve ser abolida pois é uma tradição antiga e enraizada na cultura nacional. Os autores deste anúncio procuraram refutar esse argumento através de um argumento por analogia em que comparam a tourada e o apedrejamento. Será um bom argumento por analogia?

Para finalizar, uma observação não filosófica: a tourada não foi abolida em Portugal, mas o anúncio foi “abolido” da televisão portuguesa.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

O que estuda a lógica?

cartoon logica

«A lógica estuda alguns aspetos da argumentação. A lógica permite-nos 1) distinguir os argumentos corretos dos incorretos, 2) compreender por que razão uns são corretos e outros não, e 3) evitar cometer falácias ou sofismas na nossa argumentação. Uma falácia (…) é um argumento incorreto que parece correto. Um argumento correto é um conjunto de afirmações organizadas de tal modo que uma delas (a conclusão) é apoiada pelas outras (as premissas). Num argumento incorreto as premissas não apoiam a conclusão.»

Desidério Murcho e Júlio Sameiro, Lógica – 11º Ano.

A lógica estuda a argumentação. Os argumentos são muito importantes em diversas áreas: na filosofia, mas também na política, no direito, em inúmeras situações do dia a dia. Daí que seja útil perceber o que são argumentos e o que torna uns corretos e outros incorretos.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

sábado, 27 de dezembro de 2014

Pensar de A a Z

Pensar de A a Z, de Nigel Warburton.
Tradução de Vítor Guerreiro. Revisão científica e prefácio de Desidério Murcho.
Editorial Bizâncio, Setembro de 2012, 240 pp
.

Nigel Warburton Pensar de A a Z

Imagine que um colega seu afirma que uma certa ideia - por exemplo que se deve apostar na produção de vinho - é falsa pois Salazar também a defendia. O leitor compreende que há algo de errado nessa afirmação, mas tem dificuldade em explicar porquê.

E como mostrar o erro de um vizinho que nega a existência de Deus alegando que é ridículo acreditar num velho de barbas brancas sentado numa nuvem?

O livro Pensar de A a Z, do filósofo inglês Nigel Warburton, poderia dar-lhe uma ajuda. Ensinar-lhe-ia, por exemplo, que o seu colega cometeu a falácia das más companhias e o vizinho a falácia do espantalho. Com uma linguagem clara e simples, Warburton explica o que é uma falácia (um argumento que parece correto mas não é) e analisa algumas das falácias mais frequentes. Assim, a falácia das más companhias ocorre quando se rejeita uma ideia apenas porque foi defendida por alguém muito censurável (claro que Warburton não dá o exemplo de Salazar mas sim de Hitler) e a falácia do espantalho ocorre quando alguém caricatura ou distorce uma perspectiva rival para a derrubar mais facilmente. Mas essa ajuda também poderia vir, por exemplo, das páginas dedicadas à falácia democrática, à falácia do custo perdido ou à falácia de Van Gogh.

Pensar de A a Z, além das falácias, aborda vários outros tópicos importantes da chamada lógica informal: estratégias de persuasão como a culpa partilhada, o advogado do diabo e envenenar o poço; erros como a confusão entre alguns e todos, a confusão entre correlação e causa e a precisão inapropriada; e conceitos lógicos fundamentais como validade, dedução e indução.

As explicações dadas por Nigel Warburton são sempre ilustradas com exemplos muito esclarecedores e não pressupõem conhecimentos prévios, pelo que podem ser compreendidas por leitores sem formação filosófica.

Nas palavras do autor, o livro é “uma introdução ao pensamento crítico” e oferece “alguns instrumentos básicos para o raciocínio claro acerca de qualquer assunto”. A intenção é ajudar o leitor a identificar falácias e outros erros argumentativos comuns, de modo a não se enganar nem ser enganado, mas sobretudo ajudá-lo a defender melhor as suas ideias e a pensar pela sua própria cabeça.

O livro está organizado por ordem alfabética e com entradas que remetem muitas vezes para outras entradas (por exemplo, mentir remete para parcimónia com a verdade e pedantismo, por sua vez, remete para ambiguidade e retórica), pelo que pode ser lido do princípio ao fim ou começando numa entrada interessante e depois seguindo essas referências cruzadas.

Inclui ainda um “Prefácio à edição portuguesa” da autoria de Desidério Murcho, que, além de esclarecer de modo breve mas rigoroso muitos conceitos lógicos, explica a importância da lógica para a reflexão e para a argumentação.

Por isso, a leitura deste livro pode ser proveitosa para pessoas muito diferentes. Como é dito no prefácio, os tópicos que aborda estão presentes “não só na nossa vida diária, como também na nossa vida económica, científica, tecnológica, artística, religiosa, política e pessoal” e sem dominá-los “não é fácil ter uma vida humana plenamente realizada”.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Contra-exemplo: o que é e para que serve


Contra-exemplo
“Um caso particular que refuta uma generalização. Visto que se pode mostrar a falsidade de uma generalização por meio de uma única excepção, argumentar por contra-exemplos é um poderoso instrumento para as pôr em causa, e particularmente eficaz contra as generalizações apressadas.
Por exemplo, se alguém fizesse uma generalização apressada «Todos os médicos escrevem de maneira ilegível», então um único caso de um médico cuja escrita fosse legível refutaria a generalização. Afirmações abrangentes como esta são um convite à procura de contra-exemplos. Analogamente, se alguém declarasse «Nunca houve qualquer mulher cientista digna de nota», então a menção de Marie Curie seria suficiente para refutar a generalização, sem que fosse preciso mencionar outras mulheres cientistas a quem se podia razoavelmente atribuir notoriedade.
Supondo que o contra-exemplo é genuíno, a pessoa cuja generalização foi tão conclusivamente refutada nada pode fazer senão rever ou rejeitar a generalização. Uma forma de revisão consiste simplesmente em (…) mudar o «todos» explícito ou implícito para «alguns» ou «muitos» (…).”
Nigel Warburton, Pensar de A a Z, tradução de Vítor Guerreiro, Ed. Bizâncio, Lisboa, 2012, pág. 95

sábado, 4 de outubro de 2014

A bicondicional: tabela de verdade e exercícios

bicondicional - tabela

1. Considere as seguintes frases:

A. O jogo vai ser cancelado se e só se estiver a chover.

B. Estarem presentes pelo menos 10 pessoas é condição necessária e suficiente para a palestra ser dada.

C. Os triângulos são figuras geométricas com três lados.

D. A democracia existe se, e somente se, houver eleições livres.

1.1. Formalize as proposições expressas nas frases.

1.2. Elabore, para cada uma das alíneas, o dicionário .

1.3. Utilizando os operadores verofuncionais da condicional e da conjunção, apresente  uma forma proposicional equivalente à bicondicional.

***

Sobre a tabela de verdade da condicional e as condições necessárias e suficientes, ver AQUI.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Qual é a utilidade do estudo da Lógica?


Para os meus alunos do 11º A.

A resposta à questão, formulada no título deste post, só pode ser verdadeiramente compreendida depois de aplicarmos os conceitos lógicos na resolução de exercícios  e na própria argumentação filosófica. No entanto, faz sentido percebermos à partida o que podemos ganhar em filosofia (e na vida em geral) com o estudo da Lógica. Os autores deste texto explicam-nos isso de forma clara.

«A lógica estuda alguns aspectos da argumentação. A lógica permite-nos 1) distinguir os argumentos correctos dos incorrectos, 2) compreender por que razão uns são correctos e outros não, e 3) evitar cometer falácias ou sofismas na nossa argumentação. Uma falácia ou um sofisma é um argumento incorrecto que parece correcto. Um argumento correcto é um conjunto de afirmações organizadas de tal modo que uma delas (a conclusão) é apoiada pelas outras (as premissas). Num argumento incorrecto as premissas não apoiam a conclusão (...).
O papel da lógica torna-se manifesto quando compreendemos que os filósofos procuram, implícita ou explicitamente, argumentos sólidos e relevantes para defender as suas ideias. Mas para sabermos se um argumento é sólido e relevante precisamos de saber se é válido. E é a lógica que nos ajuda a saber se um dado argumento é ou não válido (...).
A lógica tem dois papéis na filosofia: clarificar o nosso pensamento e ajudar-nos a evitar erros de raciocínio. A filosofia é identificada por um conjunto de problemas. Os filósofos, ao longo da história, têm respondido a esses problemas, tentando solucioná-los. Para isso, apresentam teorias e argumentos.
Precisamos da lógica para avaliar criticamente os problemas da filosofia. Se alguém quiser reflectir sobre o problema filosófico de saber por que razão as ideias verdes não são salgadas, o melhor que temos a fazer é mostrar que esse é um falso problema. Para isso precisamos de argumentos.
Precisamos da lógica para avaliar criticamente as teorias dos filósofos. Será que uma dada teoria é plausível? Como poderemos defendê-la? Quais são os seus pontos fracos e quais são os seus pontos fortes? E porquê?
Precisamos da lógica para avaliar criticamente os argumentos dos filósofos. São esses argumentos sólidos? Ou são erros subtis de raciocínio? Ou baseiam-se em premissas tão discutíveis quanto as suas conclusões?
Assim, para que os nossos estudantes possam enfrentar os problemas da filosofia de forma criativa, têm de dominar os instrumentos críticos elementares que lhes permitirão formular com clareza os problemas, as teorias e os argumentos da filosofia, e que lhes permitirão adoptar uma postura crítica — defendendo as suas próprias ideias com argumentos. A arte da filosofia é a arte da fundamentação das nossas ideias em argumentos sólidos, criativos e inteligentes. Dominar essa arte é ter a capacidade de distinguir os argumentos com essas características daqueles que não as têm, e ter a capacidade para mudar de ideias quando somos incapazes de as defender com argumentos bem fundamentados. O pensamento logicamente disciplinado não inibe portanto a criatividade; pelo contrário, promove-a(...). A lógica ajuda-nos a pensar em diferentes possibilidades. Para determinarmos se um argumento é ou não válido temos de determinar se há algum modo de as premissas serem todas verdadeiras e a conclusão falsa. Uma falácia é precisamente um argumento que parece válido a uma pessoa sem formação lógica porque ela não é capaz de ver que é possível que as premissas sejam verdadeiras e a conclusão falsa (ou seja, não é capaz de ver que a conclusão não é uma consequência lógica das premissas). O estudo da lógica contribui assim decisivamente para a criatividade filosófica, pois habitua o estudante a pensar em circunstâncias novas que de outro modo não teria em consideração.» 

Desidério Murcho e Júlio Sameiro, Lógica – 11º Ano.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

"A lógica é fofinha"

Este é um episódio de uma série de divulgação científica chamada "Isto é Matemática", agora premiada, ver AQUI.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Matriz do 5º mini teste: turmas A, C e D do 11º ano

yes-we-kant

Matriz do 5º mini teste filosofia 11º C13 by CarlosLPires

Leituras:

Kant e Stuart Mill

Qual é o critério da moralidade?

As pessoas não são instrumentos

Qual dos personagens, o Calvin ou a Susie, está a agir de acordo com o princípio kantiano da moralidade?

Para discutir na primeira aula de Filosofia

Quais são as acções que têm valor moral?

Agir bem para evitar problemas

Porque é que devemos ser bons com os outros?

Devemos mentir para salvar a vida de um amigo? – Não, diz Kant (1)

Devemos mentir para salvar a vida de um amigo? – Não, diz Kant (2)

Cumprir o dever pelo dever: um exemplo

Usados e depois jogados fora…

“Mentiras boas” e outras objecções à ética kantiana

O utilitarismo: ideias básicas

Argumentos contra o utilitarismo

Um prazer superior

As teorias éticas de Kant e Stuart Mill: ideias fundamentais

Qual é a ação correta?

Formas argumentativas e Falácias informais

Afirmação da antecedente e negação da consequente

Construção de argumentos

Falácias informais do apelo à ignorância, da derrapagem e do boneco de palha

Exemplos da falácia do apelo à ignorância

Exemplos das falácias do espantalho e da derrapagem

Petição de princípio

Autoridade acidental

Qual é a falácia?

Descartes

O solipsismo e a necessidade de Deus no sistema cartesiano

Descartes: argumentos para provar a existência de Deus

O argumento ontológico: diálogo entre um crente e um ateu

A objecção de Gaunilo ao argumento ontológico: tem consequências absurdas

A objeção de Kant ao argumento ontológico: a existência não é um predicado

Na próxima sexta-feira darei uma aula de apoio às 14.20 (terá a duração que for necessária, mas nunca excedendo os 100 minutos) aberta a quem quiser.