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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Um T.P.C para dia 14 de fevereiro, Dia dos Namorados!

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Fotografia de Henri Cartier-Bresson, cidade de Tóquio no Japão, 1965.

Imaginando que tinha de optar por um filme, uma canção e um poema sobre o amor (um sentimento poderoso, belo mas também difícil, às vezes), eis as minhas escolhas:

1. O filme: “In the Mood for Love” do realizador Wong Kar Wai. O vídeo contém parte da banda sonora acompanhada de passagens do filme.

2. Uma canção: "Eu Já Não Sei" escrita por Domingos Gonçalves Costa e Carlos Rocha. Neste vídeo, cantam Roberta Sá e António Zambujo, acompanhados por Yamandú Costa e Ricardo Cruz.

3. Um poema (e uma canção): “Gaivota” de Alexandre O'Neill.

Poema cantado por Amália Rodrigues, com música de Alain Oulman.

Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.


Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.


Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.


Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.


Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.

Meu amor na tua mão
Nessa mão onde perfeito
Bateu o meu coração

As vossas escolhas quais seriam?

E o que é o amor?

Um T.P.C para dia 14 de fevereiro, Dia dos Namorados! Smile

terça-feira, 24 de março de 2015

Um nome muito estrangeiro



Os Animais Carnívoros

Dava pelo nome muito estrangeiro de Amor, era preciso chamá-lo
sem voz - difundia uma colorida multiplicação de mãos, e aparecia
depois todo nu escutando-se a si mesmo, e fazia de estátua durante um
parque inteiro, de repente voltava-se e acontecera um crime, os jornais
diziam, ele vinha em estado completo de fotografia embriagada, desco-
bria-se sangue, a vítima caminhava com uma pêra na mão, a boca estava
impressa na doçura intransponível da pêra, e depois já se não sabia o
que fazer, ele era belo muito, daquela espécie de beleza repentina e
urgente, inspirava a mais terrível acção do louvor, mas vinha comer às
nossas mãos, e bastava que tivéssemos muito silêncio para isso, e então
os dias cruzavam-se uns pelos outros e no meio habitava uma montanha
intensa, e mais tarde às noites trocavam-se e no meio o que existia agora
era uma plantação de espelhos, o Amor aparecia e desaparecia em todos
eles, e tínhamos de ficar imóveis e sem compreender, porque ele era
uma criança assassina e andava pela terra com as suas camisas brancas
abertas, as suas camisas negras e vermelhas todas desabotoadas.

Herberto Helder

(Herberto Helder morreu hoje, dia 24 de março de 2015. Tinha 84 anos.)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

quarta-feira, 19 de março de 2014

É melhor servir que mandar despoticamente

«Melhor Servir que Mandar Despoticamente:
Se a servidão sempre corrompe, corrompe menos o escravo do que o senhor, excepto quando é levada até ao embrutecimento.
No plano moral, é melhor para um ser humano sofrer coerções, mesmo se emanam de um poder arbitrário, do que exercer sem controle um poder dessa natureza.»

John Stuart Mill, A Servidão das Mulheres.

John Stuart Mill,1806-1873,  e a sua esposa Helen Taylor

Na fotografia podemos ver John Stuart Mill  e Helen Taylor, sua esposa. Mill tinha vinte e cinco anos quando, «em 1831, conheceu Harriet Taylor, que na altura tinha vinte e três anos, estava casada e tinha filhos. Durante cerca de vinte e um anos, Mill amou profundamente Harriet, com quem viria a casar em 1851, dois anos após o falecimento do marido desta. Mill tinha um enorme respeito intelectual por Harriet, a quem dedicou [o livro] Sobre a Liberdade. Depois de Harriet falecer, em 1858 [apenas cerca de sete anos após terem casado], Mill tornou-se politicamente ativo, defendendo posições que na altura eram controversas, como o direito de voto das mulheres».

Pedro Madeira, na Introdução a Sobre a Liberdade, de John Stuat Mill, Edições 70, Lisboa, 2006.

Infelizmente nunca li A Servidão das Mulheres. Encontrei a citação numa página do Facebook que vale a pena visitar: Exame de Filosofia do Secundário.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Filosofia do amor

carta de amor

«O amor tem sido entendido por muitos filósofos como fonte de grande riqueza e energia na vida humana. Mas mesmo aqueles que exaltam a sua contribuição têm-no visto como uma potencial ameaça à vida virtuosa. Por esta razão, os filósofos na tradição ocidental têm-se preocupado em apresentar descrições da reforma ou "elevação" do amor, com vista a demonstrar que há formas de conservar a energia e a beleza desta paixão, ao mesmo tempo que se eliminam as suas más consequências.»

Martha Nussbaum, Amor, Crítica [ revista de filosofia ] - http://criticanarede.com/fil_amor.html

(Independentemente de ser ou não Dia dos Namorados, vale muito a pena clicar e ler todo o texto de Martha Nussbaum, que aliás é pequeno.)

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O que é estar apaixonado? O Sapo responde...

A colecção dos livros do Sapo, do holandês  Max Velthuijs (muito famoso ao que parece entre as crianças da sua terra e da nossa), tem os melhores livros infantis que eu conheço. Os meus filhos também o confirmaram.

O segredo é simples: desenhos maravilhosos, linguagem simples (sem falsos moralismos) e temas interessantes: a amizade, o amor, a morte, o preconceito, o medo... Explicações sem pressupostos, perguntas para fazer pensar e situações relacionadas com as vivências das crianças.

Uma maravilha também para adolescentes e adultos. Pois, afinal, a todos interessa saber, por exemplo, o que é estar apaixonado. Não será?

Descobri no Youtube a história narrada por crianças e garanto-vos que é uma delícia ouvi-la!!!

Para conhecer mais sobre outros livros do Sapo, ver AQUI.

Outro artigo, neste blogue, acerca dos livros do Sapo:  AQUI.

domingo, 10 de junho de 2012

Para além do umbigo

peanuts

Schulz, Peanuts.

Muitas pessoas enganam-se a si próprias com uma enorme facilidade. No caso de algumas delas, o motivo principal é que não têm quaisquer interesses para além da sua vida pessoal e não acham importante nada que não tenha relação com o seu umbigo.

Mas claro que há pessoas que se interessam por coisas  realmente valiosas e não privadas como a filosofia, a ciência, a literatura ou mesmo mudar o mundo e que, ainda assim, têm atitudes tão patéticas como a Lucy. Porque…

coração e cérebro

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A crença no amor romântico é uma ilusão?

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© Henri Cartier-Bresson/Magnum Photos.

Este post é dedicado a todos aqueles que neste dia não têm a quem oferecer flores ou declarações inflamadas de paixão. Se pensarmos um pouco, talvez não haja razões para se sentirem menos bem que aqueles que celebram, com alguma ostentação e espalhafato, este dia. É que talvez essa ideia do amor não passe de uma ilusão, útil em termos comerciais e pouco mais.

Vejamos porquê: em primeiro lugar o facto do amor que possamos sentir por alguém ser correspondido ou não depende de fatores que, em grande parte, não controlamos: o acaso e a sorte, por exemplo. Por outro lado, só na imaginação a vida é como o amor romântico nos quer fazer crer. Quando alguém nutre um sentimento profundo por outra pessoa, preservá-lo depende do que ambos forem capazes de fazer no dia a dia. Na realidade, as pessoas não são felizes para sempre: tentam ser felizes todos os dias. O amor não é, pois, uma caminhada triunfal, mas uma conquista diária. Por isso, não precisa de datas convencionadas no calendário para ser festejado.

Acresce que a ideia de que quem não ama ou não é amado (no sentido romântico do termo) não pode ser feliz é falsa. As pessoas podem dar significado às suas vidas de muitas formas. Viver uma relação amorosa com alguém é uma delas (e convém que não seja a única!), mas há outras possibilidades …

A crença nessa ideia do amor – associada à comemoração do Dia dos Namorados – é atrativa para a maioria das pessoas, mas é, provavelmente, uma ideia ilusória - à semelhança de muitas outras em que acreditamos.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Magia?

Não pode o lótus florir de noite
Nem a lua brilhar durante o dia
Apenas o teu rosto
Consegue realizar essa magia

Os cinquenta poemas do amor furtivo, introdução e versões de Jorge Sousa Braga, Lisboa 2004, Edições Assírio e Alvim, pág. 81.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Não posso adiar o amor

Este post destina-se, em particular, aos alunos para quem ler poemas é uma enorme chatice, uma ação que só praticam quando são "obrigados" nas aulas e quando têm de estudar para os testes.

Experimentem ouvir e depois digam-me: a atitude das pessoas que se recusam a ler poesia não será baseada num preconceito empobrecedor para os que o têm?

  

Não Posso Adiar o Amor

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração

António Ramos Rosa, poema de "Viagem Através de uma Nebulosa", Ática 1960

domingo, 7 de agosto de 2011

A invenção do amor

Belo como o amor pode ser. E triste, também.

Dedicado a… (Complete a seu gosto.)

Via

segunda-feira, 18 de julho de 2011

O amor nas palavras de Yourcenar

De certo modo, os franceses estilizaram o amor, criaram um determinado estilo, um determinado formato para o amor. E depois acreditaram nisso, sentiram-se obrigados a vivê-lo de uma certa maneira, quando poderiam tê-lo vivido de forma completamente diferente, se não tivessem atrás de si toda aquela literatura. (...) ali toda a gente está exposta a essa noção literária do amor, da emoção, da sensualidade, do ciúme (...). Há demasiadas convenções em tudo isto.

É preciso saber desde logo o que se entende por amor. Se se entende por amor a adoração de um ser, a persuasão de que dois seres foram feitos um para o outro, de que se correspondem mutuamente por qualidades de certo modo únicas, nesse caso a miragem é tão grande que qualquer pessoa que reflicta um pouco diz forçosamente: "Não, estou longe de ter essas qualidades excepcionais e o outro provavelmente também não as tem; tomemos consciência do que é; amemos o que é."

Marguerite, Yourcenar, De olhos abertos, tradução de Renata Correia Botelho, Relógio de Água Editores, Lisboa, 2011, pág. 71.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Amor e desamor

No Dia dos Namorados, e para quem precisa de um dia especial para comemorar o amor ou relembrar o desamor, dois presentes para os leitores (ambos belíssimos, na minha modesta opinião): uma famosa fotografia de Elliott Erwitt e um poema de Vinicius de Moraes (cantado pelo próprio e por Toquinho).

Elliott Erwitt, Kiss Fotografia de Elliott Erwitt: "California kiss", Santa Mónica, Califórnia, 1955.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Sentimentalismos de uma rapariga loira (2)

A ideia de que as mulheres - por oposição aos homens - são mais sensíveis ao coração do que à razão, faz parte da nossa cultura e é aplicada por muitas pessoas em diferentes contextos, quer em termos teóricos quer na vida prática. A sua aceitação significa admitir que as pessoas do sexo feminino tendem a revelar, em certas circunstâncias, falta de discernimento e de frieza na análise dos factos porque valorizam mais os aspectos emocionais que os racionais.

Este pretenso retrato da natureza feminina é bastante popular e influente. Basta pensarmos, por exemplo, no carácter de muitas das heroínas dos filmes e dos romances. Como é o caso da personagem Carla Jean, no romance de Cormac McCarthy, referida na passagem do post anterior. Mas também nalguns preconceitos, bastante difundidos: “os homens não choram” (naturalmente por oposição às mulheres para quem esta exteriorização das emoções será um sinal da sensibilidade feminina), “as mulheres não sabem conduzir” entre outros. Neste último caso, tal como no anterior, os dados empíricos – como o número de acidentes rodoviários - até podem demonstrar o contrário. Porém, na prática constatamos a dificuldade em abandonar estes estereótipos, pois isso exigiria que se examinasse a sua justificação racional. Obviamente, a maior parte das pessoas – sejam homens ou mulheres - não o faz, nem o quer fazer. As razões que explicam essa recusa podem ser, além da preguiça mental, sociais ou psicológicas.

Mesmo na discussão de determinados assuntos há homens que argumentam – como já tive a oportunidade de verificar – deste modo: “Estás a ser demasiado sentimentalista, como aliás as mulheres são de um modo geral!” Ironias sexistas à parte, esta forma de refutar opiniões contrárias é desonesta do ponto de vista intelectual porque recorre ao ataque pessoal e à falsa generalização.

Claro que, quando se discutem ideias, o importante é a pertinência das ideias defendidas, a clareza do discurso e não o sexo de quem está a discutir.

No entanto, ainda que o suposto sentimentalismo feminino corresponda a um preconceito, é verdade que em muitas das áreas importantes da nossa vida, em particular as relacionais, estão envolvidos aspectos que escapam, pelo menos em parte, à racionalização. Quando uma pessoa tem de gerir o peso a atribuir aos sentimentos e às razões, é a própria razão a dizer-lhe que, por vezes, o mais “razoável”, paradoxalmente, é deixa-se guiar pelas emoções. Nas relações amorosas  podemos encontrar muitas situações em que isto acontece, onde as pessoas guiadas por motivos afectivos, provavelmente, obtêm resultados mais satisfatórios do que teriam recorrendo a meras análises racionais.

Garanto que não é o sentimentalismo feminino que me leva a fazer estas afirmações…

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Sentimentalismos de uma rapariga loira (1)

Elliott Erwitt Marilyn Monroe

Marilyn Monroe numa fotografia de Elliott Erwitt, Nova Iorque, 1956.

Numa passagem do romance de Cormac McCarthy , Este país não é para velhos, o xerife Bell interroga Carla Jean, procurando obter informações sobre marido que se encontra metido em sarilhos com traficantes de droga. Para lhe explicar porque motivo nunca  o denunciaria, ela diz-lhe o seguinte:

“(…) vou contar-lhe uma coisa, se me quiser ouvir.
Quero sim.
Talvez ache que eu não regulo lá muito bem.
Talvez.
Ou talvez já ache isso.
Não acho, não.
Quando larguei o liceu tinha só dezasseis anos e arranjei trabalho no Wal-Mart. Pareceu-me que não havia outra alternativa. Precisávamos do dinheiro por pouco que fosse. Enfim, na véspera do meu primeiro dia de trabalho, à noite, tive um sonho. Ou pelo menos pareceu-me um sonho. Acho que ainda estava meio acordada. Mas veio-me à cabeça no tal sonho ou lá o que era que se eu fosse até lá ele ia encontrar-me. No Wal-Mart. Não sabia quem ele era nem como é que se chamava nem que cara tinha. Só sabia que o ia reconhecer quando o visse. Tinha um calendário e ia riscando os dias. Como alguém que está preso. Quer dizer, eu nunca estive na prisão, mas calculo que os presos façam assim. E no nonagésimo nono dia ele entrou e perguntou-me onde estavam os artigos desportivos e era ele. E eu indiquei-lhe onde é que estavam e ele olhou para mim e afastou-se. Mas voltou imediatamente para trás e leu o crachá que eu trazia ao peito e disse o meu nome em voz alta e olhou para mim e perguntou: A que horas é que sais? E pronto, o assunto ficou arrumado. Na minha cabeça não houve  dúvida nenhuma. Nem naquele momento, nem agora, nem nunca.”

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Cinema em tempo de lazer (1)

É verdade que alguns filmes franceses têm pretensões “intelectuais” ridículas e, tal como os textos de muitos filósofos franceses, nem sempre primam pela clareza das ideias que pretendem transmitir ao espectador.

O excelente filme “O SEGREDO DE UM CUSCUZ“, do realizador   ABDELLATIF KECHICHE,  permite contrariar este preconceito. Se quiserem perceber melhor o sentido das minhas palavras, vejam o filme. Vale mesmo a pena!

Para mais informações sobre o filme, ver aqui.

Já agora: as etiquetas que coloquei neste post referem-se a alguns dos problemas abordados no filme.