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domingo, 9 de agosto de 2020

Falsa dicotomia

Falso dilema estás connosco ou estás contra nós

«Uma falsa dicotomia [ou falso dilema] é uma perspetiva enganadora das alternativas disponíveis. Ocorre quando alguém apresenta uma dicotomia de tal modo que parece haver apenas duas alternativas quando na verdade há mais.

Por exemplo, na maioria dos contextos, a expressão “se não estás connosco, estás contra nós” [logicamente equivalente a “estás connosco ou estás contra nós”] é uma falsa dicotomia, visto que ignora uma terceira possibilidade (ser totalmente indiferente ao grupo em causa) e também uma quarta: a de não ter ainda não ter decidido *. (…)

As falsas dicotomias podem apresentar-se acidental ou deliberadamente (talvez isto seja também uma falsa dicotomia). Quando são acidentais, resultam de uma avaliação imprecisa das posições disponíveis; quando deliberadas são uma forma de sofística.»

Nigel Warburton, Pensar de A a Z, Editorial Bizâncio, Lisboa, 2012, pp. 147-148 (tradução de Vítor Guerreiro).

 * No cartoon é apresentada uma quinta possibilidade, de resto muito plausível.

 Fonte do cartoon: PhilosophyMatters

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Recursos de Filosofia: Lógica informal e Filosofia da ciência

Eu e a Sara Raposo elaborámos novamente alguns materiais de apoio que editora Leya disponibilizou gratuitamente na Aula Digital: 


Pensamos que muitos professores irão começar este 3º período com revisões e consolidações de matérias já lecionadas. Por isso, fizemos

- uma ficha de trabalho de Lógica informal (utilizável também no 11º ano na preparação de alunos para o exame nacional);

- duas propostas no âmbito da Filosofia da ciência: um Guião de análise de dois vídeos (um sobre a importância de Darwin e outro sobre a pseudociência) e uma ficha de trabalho acerca de Popper e Kuhn, com questões diversificadas, nomeadamente questões baseadas em exemplos.

Procurámos que a maioria das questões apelassem ao raciocínio e exigissem aplicação em vez da mera reprodução.

Todos esses materiais são acompanhados de propostas de resolução e planificações das atividades a realizar.

É de referir que todos esses materiais são editáveis, podendo os professores suprimir, acrescentar ou alterar o que entenderem.
Oxalá possam ser úteis!

Para aceder basta fazer uma rápida inscrição e depois visualizar o menu de recursos na Aula Digital.

Na próxima semana serão publicados no mesmo sítio materiais dos colegas Domingos Faria, Luís Veríssimo e Manuel João Pires.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Matriz do 3º teste do 10º ano

falácia ad hominem

Duração: 90 minutos.

Natureza dos itens: escolha múltipla, resposta curta e resposta restrita.

Objetivos:

1. Compreender a distinção entre validade dedutiva e validade não dedutiva.

2. Compreender a distinção entre falácias formais e falácias informais.

3. Compreender as formas argumentativas válidas estudadas: negação dupla, modus ponens, modus tollens, silogismo disjuntivo, silogismo hipotético, contraposição e as leis de De Morgan.

4. Compreender as formas argumentativas inválidas estudadas: negação da antecedente e afirmação da consequente.

5. Identificar essas formas argumentativas (válidas e inválidas) referidas em exemplos dados.

6. Completar formas argumentativas.

7. Construir argumentos com essas formas.

8. Compreender os argumentos não dedutivos estudados: generalizações, previsões, argumentos por analogia e argumentos de autoridade.

9. Identificar generalizações, previsões, argumentos por analogia e argumentos de autoridade em exemplos dados.

10. Compreender as regras de validade de cada um desses argumentos não dedutivos.

11. Compreender as formas falaciosas dos argumentos não dedutivos estudados: falácias da generalização precipitada, da amostra não representativa, da previsão inadequada, da falsa analogia e do apelo ilegítimo à autoridade.

12. Identificar essas falácias em exemplos dados.

13. Compreender cada uma das outras falácias informais estudadas: Argumento ad hominem, Apelo à ignorância, Falso dilema, Falácia do espantalho, Falácia da derrapagem, Petição de princípio, Apelo ao povo e Falácia da falsa relação causal.

14. Identificar essas falácias informais em exemplos dados.

Para estudar:

Fotocópias da página 19 até à página 32.

No blogue Dúvida Metódica:

Derrapagem: do casamento homossexual ao incesto
Falácias informais do apelo à ignorância, da derrapagem e do boneco de palha
Exemplos das falácias do espantalho e da derrapagem
Exemplos da falácia do apelo à ignorância
Um cartaz político falacioso: falso dilema
A falácia do apelo ao povo
Resulta mesmo?
Qual é a falácia?
Qual é a falácia?
Falácias informais: vídeos

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Noções elementares de lógica

RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA DA FILOSOFIA E A DIMENSÃO DISCURSIVA DO TRABALHO FILOSÓFICO

“RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA DA FILOSOFIA E A DIMENSÃO DISCURSIVA DO TRABALHO FILOSÓFICO” é um documento, da autoria de Aires Almeida, “elaborado no âmbito da definição das Aprendizagens Essenciais” e que visa apresentar algumas “Noções elementares de lógica para a disciplina de Filosofia”. Pode encontrá-lo AQUI, na página da APF. Ainda não li, mas, dado o trabalho anterior do autor, é certamente muito bom e útil.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Duas tradições: o apedrejamento e a tourada

Um dos argumentos usados pelos defensores da tourada é o chamado argumento da tradição: a tourada não deve ser abolida pois é uma tradição antiga e enraizada na cultura nacional. Os autores deste anúncio procuraram refutar esse argumento através de um argumento por analogia em que comparam a tourada e o apedrejamento. Será um bom argumento por analogia?

Para finalizar, uma observação não filosófica: a tourada não foi abolida em Portugal, mas o anúncio foi “abolido” da televisão portuguesa.

Generalização ou contra-exemplo?

Algumas pessoas com aspeto estranho não são de confiança. Logo, nenhuma pessoa com aspeto estranho é de confiança.

Interpreto a história deste vídeo como um contra-exemplo à conclusão dessa generalização. Mas a pessoa que publicou o vídeo no Youtube
tem outra interpretação: essa história é como se fosse a premissa (Por vezes enganamo-nos acerca da aparência e do valor das pessoas) de uma generalização cuja conclusão é Nunca se deve julgar o valor das pessoas pela aparência.

Qual será a melhor interpretação?

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

sábado, 27 de dezembro de 2014

Pensar de A a Z

Pensar de A a Z, de Nigel Warburton.
Tradução de Vítor Guerreiro. Revisão científica e prefácio de Desidério Murcho.
Editorial Bizâncio, Setembro de 2012, 240 pp
.

Nigel Warburton Pensar de A a Z

Imagine que um colega seu afirma que uma certa ideia - por exemplo que se deve apostar na produção de vinho - é falsa pois Salazar também a defendia. O leitor compreende que há algo de errado nessa afirmação, mas tem dificuldade em explicar porquê.

E como mostrar o erro de um vizinho que nega a existência de Deus alegando que é ridículo acreditar num velho de barbas brancas sentado numa nuvem?

O livro Pensar de A a Z, do filósofo inglês Nigel Warburton, poderia dar-lhe uma ajuda. Ensinar-lhe-ia, por exemplo, que o seu colega cometeu a falácia das más companhias e o vizinho a falácia do espantalho. Com uma linguagem clara e simples, Warburton explica o que é uma falácia (um argumento que parece correto mas não é) e analisa algumas das falácias mais frequentes. Assim, a falácia das más companhias ocorre quando se rejeita uma ideia apenas porque foi defendida por alguém muito censurável (claro que Warburton não dá o exemplo de Salazar mas sim de Hitler) e a falácia do espantalho ocorre quando alguém caricatura ou distorce uma perspectiva rival para a derrubar mais facilmente. Mas essa ajuda também poderia vir, por exemplo, das páginas dedicadas à falácia democrática, à falácia do custo perdido ou à falácia de Van Gogh.

Pensar de A a Z, além das falácias, aborda vários outros tópicos importantes da chamada lógica informal: estratégias de persuasão como a culpa partilhada, o advogado do diabo e envenenar o poço; erros como a confusão entre alguns e todos, a confusão entre correlação e causa e a precisão inapropriada; e conceitos lógicos fundamentais como validade, dedução e indução.

As explicações dadas por Nigel Warburton são sempre ilustradas com exemplos muito esclarecedores e não pressupõem conhecimentos prévios, pelo que podem ser compreendidas por leitores sem formação filosófica.

Nas palavras do autor, o livro é “uma introdução ao pensamento crítico” e oferece “alguns instrumentos básicos para o raciocínio claro acerca de qualquer assunto”. A intenção é ajudar o leitor a identificar falácias e outros erros argumentativos comuns, de modo a não se enganar nem ser enganado, mas sobretudo ajudá-lo a defender melhor as suas ideias e a pensar pela sua própria cabeça.

O livro está organizado por ordem alfabética e com entradas que remetem muitas vezes para outras entradas (por exemplo, mentir remete para parcimónia com a verdade e pedantismo, por sua vez, remete para ambiguidade e retórica), pelo que pode ser lido do princípio ao fim ou começando numa entrada interessante e depois seguindo essas referências cruzadas.

Inclui ainda um “Prefácio à edição portuguesa” da autoria de Desidério Murcho, que, além de esclarecer de modo breve mas rigoroso muitos conceitos lógicos, explica a importância da lógica para a reflexão e para a argumentação.

Por isso, a leitura deste livro pode ser proveitosa para pessoas muito diferentes. Como é dito no prefácio, os tópicos que aborda estão presentes “não só na nossa vida diária, como também na nossa vida económica, científica, tecnológica, artística, religiosa, política e pessoal” e sem dominá-los “não é fácil ter uma vida humana plenamente realizada”.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Argumentos não dedutivos: previsão, generalização, analogia e argumento de autoridade

A primeira fotografia é do planeta Marte (ver aqui) e a segunda do planeta Terra.

Construa, a partir da comparação das duas fotografias, um argumento não dedutivo.

***

Existem três tipos de argumentos não dedutivos:

1. Argumentos indutivos: Generalizações e previsões 

2. Argumento por analogia

3. Argumento de autoridade:

"Um argumento baseado no testemunho de outras pessoas, em geral com uma forma lógica "X disse que P; logo, P", sendo X uma pessoa ou grupo de pessoas e P uma afirmação qualquer. Por exemplo: "Einstein disse que nada pode viajar mais depressa do que a luz; logo, nada pode viajar mais depressa do que a luz". Não há regras de inferência precisas para argumentos de autoridade, mas ao avaliar um argumento de autoridade devemos ter em mente os seguintes princípios: 1) O especialista invocado (a autoridade) tem de ser um bom especialista da matéria em causa. 2) Os especialistas da matéria em causa (as autoridades) não podem discordar significativamente entre si quanto à afirmação em causa. 3) Só podemos aceitar a conclusão de um argumento de autoridade se não existirem outros argumentos mais fortes ou de força igual a favor da conclusão contrária. 4) Os especialistas da matéria em causa (as autoridades), no seu todo, não podem ter fortes interesses pessoais na afirmação em causa. Precisamente porque em questões filosóficas disputáveis, por definição, os especialistas não concordam entre si, em filosofia os argumentos de autoridade são quase sempre falaciosos. Contudo, a maior parte do conhecimento de cada ser humano baseia-se em argumentos de autoridade, no sentido em que se baseia no testemunho de outras pessoas."

Murcho, Desidério, O Lugar da Lógica na Filosofia, Cap. 9 (Lisboa: Plátano, 2003).

***

Para testar o que aprendeste nas aulas:

Ficha de revisão: identificação de argumentos não dedutivos
***

Sobre os argumentos dedutivos, ver AQUI.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Contra-exemplo: o que é e para que serve


Contra-exemplo
“Um caso particular que refuta uma generalização. Visto que se pode mostrar a falsidade de uma generalização por meio de uma única excepção, argumentar por contra-exemplos é um poderoso instrumento para as pôr em causa, e particularmente eficaz contra as generalizações apressadas.
Por exemplo, se alguém fizesse uma generalização apressada «Todos os médicos escrevem de maneira ilegível», então um único caso de um médico cuja escrita fosse legível refutaria a generalização. Afirmações abrangentes como esta são um convite à procura de contra-exemplos. Analogamente, se alguém declarasse «Nunca houve qualquer mulher cientista digna de nota», então a menção de Marie Curie seria suficiente para refutar a generalização, sem que fosse preciso mencionar outras mulheres cientistas a quem se podia razoavelmente atribuir notoriedade.
Supondo que o contra-exemplo é genuíno, a pessoa cuja generalização foi tão conclusivamente refutada nada pode fazer senão rever ou rejeitar a generalização. Uma forma de revisão consiste simplesmente em (…) mudar o «todos» explícito ou implícito para «alguns» ou «muitos» (…).”
Nigel Warburton, Pensar de A a Z, tradução de Vítor Guerreiro, Ed. Bizâncio, Lisboa, 2012, pág. 95

terça-feira, 8 de abril de 2014

Eis uma generalização pouco arriscada

Generalização

Por muito provável que seja a conclusão de uma generalização, a sua verdade nunca está completamente garantida, pois...

A resposta, ou pelo menos uma parte dela, pode ser lida aqui: Generalizações e previsões.

sábado, 28 de setembro de 2013

Ambiguidades

Diz-se que uma frase é ambígua quando exprime mais do que uma proposição. A ambiguidade é semântica se resulta do facto da frase conter palavras com mais do que um significado. Por exemplo: “A Maria Francisca Botão mostrou-me as notas” tanto pode referir-se a classificações escolares como a dinheiro. (Outro exemplo aqui.) Mas a ambiguidade é sintática se resultar – como sucede no cartoon com a frase “João viu o homem com o telescópio” –  do modo como as palavras estão ligadas. 

10-23-09

Cartoon de Ben Rosen.

domingo, 25 de novembro de 2012

Autoridade acidental

Uma das condições para um argumento de autoridade ser válido é a autoridade referida ser competente no assunto em causa. Ora, Steven Pinker é de facto especialista naquele assunto, mas, como é óbvio, isso nada tem a ver com o seu nome próprio. :)

steves argumento de autoridade

Cartoon de Kipper Williams

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Argumentos dedutivos e não dedutivos: exemplos e exercícios

Caros alunos do 10º C, D e E, podem encontrar exemplos e explicações sobre os argumentos não dedutivos e dedutivos nos seguintes links:
Generalizações e previsões
Argumento por analogia
DEF - consultar na  letra A (argumento, argumento dedutivo, argumento indutivo, argumento de autoridade, argumento forte, argumento fraco e argumento sólido), na letra C (contra-argumento) e na letra V (Validade/Invalidade)
Afirmação da antecedente e negação da consequente
10º Ficha de trabalho sobre os instrumentos lógicos

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Resulta mesmo?

tigre

Uma mulher saía para o alpendre de casa todas as manhãs e exclamava:

- Que os deuses protejam esta casa! Que os deuses protejam esta casa!

Uma vizinha, após ouvir essas palavras muitas vezes, resolveu um dia perguntar-lhe:

- Para que é aquilo? Não há um único tigre num raio de mil quilómetros.

- Estás a ver? Resulta! – respondeu a mulher.

Thomas Cathcart e Daniel Klein, Platão e um Ornitorrinco entram num Bar..., Dom Quixote, Lisboa, 2008, pág. 54 (adaptado).

Qual é a falácia?

domingo, 4 de dezembro de 2011

Argumento por analogia

analogia entre o código de barras e as prisões

Um argumento por analogia é um argumento não dedutivo, muito frequente na vida quotidiana e na filosofia.

Num argumento por analogia defende-se que, se duas coisas são semelhantes em alguns aspetos, é provável que também sejam semelhantes noutros. Uma das premissas é uma analogia entre duas coisas, ou seja, apresenta semelhanças conhecidas entre elas. Com base nisso infere-se que entre elas devem existir outras semelhanças menos óbvias.

Por exemplo:

O Henrique e o Heitor usam meias e sapatos.
O Heitor é rico.
Logo, o Henrique também é rico.

Este doente tem diarreia, dores abdominais, náuseas, vómitos e anúria. As pessoas com esses sintomas geralmente têm cólera.
Logo, este doente tem cólera.

Os argumentos por analogia têm a seguinte forma lógica (ou outras análogas):

x é como y.
y é A.
Logo, x é A.

Se as semelhanças referidas nas premissas forem numerosas e significativas, e se não existirem diferenças muito relevantes, é improvável que a conclusão seja falsa.

O que sucede com o segundo exemplo apresentado, mas não com o primeiro. Neste as semelhanças são escassas e pouco significativas, pelo que a probabilidade da conclusão ser falsa apesar das premissas serem verdadeiras é elevada. Trata-se, portanto, de um argumento por analogia inválido ou fraco.

(A respeito da validade não dedutiva ver o post Generalizações e previsões.)

Bibliografia:

- Dicionário Escolar de Filosofia, Organização de Aires Almeida - http://www.defnarede.com/
- Enciclopédia de Termos Lógico-Filosóficos, direção de João Branquinho e Desidério Murcho, Gradiva, Lisboa, 2001.
- Desidério Murcho, O Lugar da Lógica na Filosofia, Plátano, Lisboa, 2003.

Matriz do 2º teste de Filosofia do 10º ano: turmas A, C e D

Matriz do 2º teste de Filosofia do 10º ano