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domingo, 26 de fevereiro de 2017

O pesadelo da igualdade

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Imagine uma sociedade que, em nome da igualdade, obrigasse os cidadãos mais rápidos a usar pesos que impediam que a sua velocidade superasse a dos outros. Imagine também que os cidadãos mais inteligentes eram obrigados a ouvir permanentemente um ruído perturbador que os impedia de ser mais perspicazes que os outros. Talvez não fosse uma sociedade boa para viver.

O escritor norte-americano Kurt Vonnegut descreveu uma sociedade desse género no conto Harrison Bergeron. Pode lê-lo, traduzido por Desidério Murcho, na revista Crítica: Harrison Bergeron. Começa assim:

“Era o ano 2081, e toda a gente era finalmente igual. Não apenas perante Deus e a lei. Igual em todos os aspectos. Ninguém era mais inteligente. Ninguém era mais bem parecido. Ninguém era mais forte ou rápido. Toda esta igualdade era devida às 211.ª, 212.ª e 213.ª emendas constitucionais, e à vigilância incessante dos agentes da Direcção-Geral Incapacitante dos Estados Unidos.”

Com base no conto foi feito um filme. O conto é muito melhor que o filme, mas mesmo assim não é tempo perdido vê-lo depois de ter lido o conto.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Dois olhares sobre a presença dos portugueses no Japão

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Biombos Namban no Museu Nacional de Arte Antiga.

”A chegada dos portugueses ao Japão, em 1543, originou um intercâmbio comercial e cultural que ficou assinalado nestes dois pares de biombos: a curiosidade e o ambiente festivo pela chegada do barco negro dos namban jin (os bárbaros do sul, como eram designados os portugueses) ao porto de Nagasáqui.
A minúcia com que são representados os vários intervenientes, a descrição da nau e da sua valiosa carga e a presença dos missionários jesuítas determinante neste contexto, tornam estas peças num documento histórico e visual ímpar sobre as relações entre Portugal e o Japão.”
Informação retirada do site do museu. Para saber mais, ver o artigo do Observador: AQUI.
No filme “Silêncio” podemos observar exemplos que ilustram as diferenças culturais existentes entre os portugueses e os japoneses no século XVII. A história centra-se no confronto entre diferentes pontos de vista religiosos: a tradição budista e a religião cristã, que os missionários jesuítas levaram até estas longinquas paragens.
Como é possível viver a fé cristã num ambiente hostil e sanguinário? O que é a fé em Deus? Renunciar a Deus, publicamente, para salvar a vida de pessoas inocentes será pecado? Um crente deve ou não deve fazê-lo? E se o fizer isso coloca em causa a autenticidade da sua fé ou não?
Por último, a ausência de fé será justificável diante do martírio de inocentes e o silêncio de Deus perante um mal moral tão atroz? E se a morte dos martíres for em vão e não existir nada?
Vale a pena ver o filme.




quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Beleza colateral e Lion: dois filmes a ver

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Nestes dois filmes, estreados recentemente no cinema, é abordado o problema filosófico do sentido da vida, um dos temas que iremos abordar no final do 11º ano.

Esta é uma questão metafísica, refletir acerca dela – como podemos perceber no caso dos dois personagens principais de “Lion” e “Beleza colateral” - tem consequências na vida quotidiana e pode mudar o ponto de vista que se tem sobre o mundo.

Aconselho, vivamente, ambos os filmes!

terça-feira, 7 de abril de 2015

Um vento maravilhoso

Não faço ideia quais são os critérios que presidem ao modo como são distribuídos os filmes nas salas de cinema portuguesas. Todavia, quem vive no sul e quisesse ver o filme As Asas do Vento (Kaze Tachinu no Japão e Vidas ao Vento no Brasil) - nas palavras do próprio realizador Hayao Miyazaki o seu último filme - só o poderia fazer em Lisboa. É pena que assim seja, pois trata-se de um filme maravilhoso (o argumento, os diálogos e algumas das imagens são sublimes) para um adulto e para uma criança simultaneamente.

Os leitores mais preconceituosos, que consideram a animação um género menor no cinema, estão enganados. Este filme, tal como por exemplo A viagem de Chihiro também da autoria de Miyazaki , é imperdível.

O personagem principal do filme As asas do vento é o engenheiro Jiro Horikoshi, desenhador de um dos aviões de guerra usados pelo Japão durante a Segunda Guerra Mundial.

"Para criar a personagem central do filme, Jiro, um aspirante a engenheiro aeronáutico, Miyazaki baseou-se ainda num romance do autor Tatsuo Hori, que foi contemporâneo de Jiro Horikoshi.

Na nota de intenções, Miyazaki explica que quis retratar alguém persistente que persegue um sonho durante a juventude e idade adulta, num tempo em que o Japão viveu o grande terramoto de 1923, a Grande Depressão, a epidemia de tuberculose e a entrada na guerra." (informação retirada daqui).

Uma das ideias repetidas em diferentes momentos do filme: muitos acontecimentos adversos, que não dependem de nós, avançam e condicionam para sempre as nossas vidas, mas é preciso continuar a viver. É verdade.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Cinemateca Júnior: nós vamos lá! (3)

O site pode ser consultado AQUI.

O Palácio Foz, na Praça dos Restauradores, é onde se situam as instalações da Cinemateca Júnior.

Fotografia do Museu do Cinema.

Atividades a realizar:

Programa 2   Louis Lumière, George Méliès e Paz dos Reis, um pioneiro português

Um  percurso  pelos  primórdios  do  cinema: um  conjunto  de  filmes  dos  irmãos  Lumière, considerados os inventores do cinema, dois filmes de  Georges  Méliès,  o  inventor  do  espetáculo cinematográfico,  e  por  fim  quatro  títulos  de Aurélio da Paz dos Reis, o primeiro português a filmar (duração aproximada de 30 minutos). 

Acompanhamento ao piano por Catherine Morisseau.

Filmes a visionar:

- de Louis Lumière e os seus operadores (duração total: 8 minutos)

BOXEURS EN TONNEAUX Lutadores de Boxe em Tonéis França, 1897

LAVEUSES SUR LA RIVIÈRE Lavadeiras no Rio França, 1897

CHARCUTERIE MÉCANIQUE Salsicharia Mecânica França, 1896

BATAILLE DE NEIGE Batalha de Bolas de Neve França, 1897

EGYPTE - PANORAMAS DES RIVES DU NYL Panorama das Margens do Nilo França, 1897

CONCOURS DE BOULES Concurso de Petanca França, 1896

VUES JAPONAISES – REPAS EN FAMILLE Vistas do Japão – Refeição em Família França, 1897

LE SQUELETTE JOYEUX O Esqueleto Alegre França, 1898

- de Georges Méliès

CENDRILLON Baile Até à Meia-noite França, 1899 – 5 min

À LA CONQUÊTE DU PÔLE À Conquista do Polo França, 1912 - 13 min

- de Aurélio da Paz dos Reis

FEIRA DE GADO NA CORUJEIRA Portugal, 1896

SAÍDA DO PESSOAL OPERÁRIO DA FÁBRICA CONFIANÇA Portugal, 1896 – 1 min

O VIRA, Portugal, 1896

NO JARDIM Portugal, 1900 – 1 minuto

Haverá uma breve apresentação no principio da sessão. A seguir o visionamento poderá haver uma visita livre à exposição permanente de Pré-cinema  com orientações e explicações pontuais por parte da equipa da Cinemateca Júnior.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Odeia a luz que começa a morrer

Um poema citado no filme "Interstellar" (uma sugestão de cinema para as férias!)

 

Não entreis docilmente nessa noite serena,
porque a velhice deveria arder e delirar no termo do dia;
odeia, odeia a luz que começa a morrer.

No fim, ainda que os sábios aceitem as trevas,
porque se esgotou o raio nas suas palavras, eles
não entram docilmente nessa noite serena.

Homens bons que clamaram, ao passar a última onda, como podia
o brilho das suas frágeis ações ter dançado na baia verde,
odiai, odiai a luz que começa a morrer.

E os loucos que colheram e cantaram o voo do sol
e aprenderam, muito tarde, como o feriram no seu caminho,
não entram docilmente nessa noite serena.

Junto da morte, homens graves que vedes com um olhar que cega
quanto os olhos cegos fulgiriam como meteoros e seriam alegres,
odiai, odiai a luz que começa a morrer.

E de longe, meu pai, peço-te que nessa altura sombria
venhas beijar ou amaldiçoar-me com as tuas cruéis lágrimas.
Não entres docilmente nessa noite serena.
Odeia, odeia a luz que começa a morrer.

Dylan Thomas


Tradução: Fernando Guimarães
Podem ouvir uma leitura do autor do poema:

sábado, 11 de outubro de 2014

Os gatos não têm vertigens

Eis um filme que vale a pena ver, com a atriz Maria do Céu Guerra, magistral como sempre!

Em exibição nos cinemas.

 

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O que parece não é




"EM PARTE INCERTA, realizado por David Fincher e baseado no best-seller mundial da escritora americana Gillian Flynn, revela-nos os segredos obscuros de um casamento moderno. No quinto aniversário de casamento, Nick Dunne (Ben Affleck) relata que a sua bela esposa, Amy (Rosamund Pike), desapareceu. Sob a pressão da polícia e com um barulho ensurdecedor causado pelos media, o retrato da união feliz de Nick e Amy começa a desmoronar-se. Rapidamente, as mentiras, os enganos e os comportamentos estranhos de Nick fazem com que todos questionem: Será que Nick Dunne matou a sua mulher?"

Nos cinemas a partir 2 de outubro 2014!

domingo, 20 de julho de 2014

NEBRASKA: ao ar livre em Faro

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Nebraska não é um filme para mostrar nas aulas de Filosofia a alunos do 10º ou do 11º ano, embora aborde questões filosóficas: Será moralmente correto mentir a uma pessoa para que ela se sinta feliz? O que faz com que a vida de alguém tenha sentido? Quais são as consequências de viver de uma forma acrítica e sem ter quaisquer interesses de natureza intelectual?

É filme tocante, com momentos hilariantes, um argumento excelente e uma fotografia fabulosa.

Acredito que seja entediante para alguns adolescentes (a maioria, admito) que vivem prisioneiros dos telemóveis, submetidos permanentemente a uma grande quantidade de imagens e informação e para quem, para além do imediato e do seu "eu", nada mais interessa.

Mas quem quiser pensar sobre questões essenciais, faça um favor a si próprio: veja este grande filme

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