quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Na filosofia pode-se discutir tudo

a-gentlemans-debate-benjamin-eugene-fichel

“A glória da filosofia — e seguramente um dos aspectos imediatamente interessantes para os que se sentem atraídos por ela — é nada estar interdito, nem mesmo o valor da razão, ou, na verdade (embora isto possa parecer paradoxal), o próprio estatuto da filosofia. Não há restrições. Só algo como argumentação e a discussão sem limites parece constante. É uma liberdade maravilhosa.”

John Shand, “O que é a filosofia?”, Crítica - http://criticanarede.com/oqefilosofia.html

Imagem: Benjamin Eugène Fichel, A Gentleman's Debate, 1881.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Para além da argumentação

manipulação retórica

Se a excisão faz as mulheres sofrerem desnecessariamente, então não deve ser realizada.
A excisão faz as mulheres sofrerem desnecessariamente.
Logo, a excisão não deve ser realizada.

Se existem rochas com milhões de anos, então o mundo não começou há cerca de seis mil anos como diz a Bíblia.
Existem rochas com milhões de anos.
Logo, o mundo não começou há cerca de seis mil anos como diz a Bíblia.

A lógica diz-nos que estes argumentos são válidos. Serão sólidos? A reflexão ética dá-nos boas razões para pensar que o primeiro é sólido. A ciência mostra que o segundo é sólido.

Ainda assim, há pessoas que os rejeitam e acham as suas premissas e conclusões falsas.

Será possível persuadir essas pessoas? Além de argumentos sólidos que recursos temos para convencer uma pessoa acerca da verdade de uma tese?

Segundo Aristóteles, um orador tem à sua disposição três meios de persuasão: os argumentos (logos) com que defende a sua tese, o seu próprio carácter (ethos) e o estado emocional (pathos) do auditório que pretende convencer.

«As provas de persuasão fornecidas pelo discurso são de três tipos: umas residem no carácter moral do orador; outras, no modo como se dispõe o ouvinte; outras, no próprio discurso, naquilo que ele demonstra ou parece demonstrar. Persuade-se pelo carácter quando o discurso é proferido de modo a deixar a impressão do orador ser digno de confiança. Acreditamos mais e mais depressa em pessoas honestas (…). Persuade-se pela disposição dos ouvintes, quando estes são levados a sentir emoção por causa do discurso, pois os juízos que emitimos variam conforme sentimos tristeza ou alegria, amor ou ódio. […] Persuadimos, enfim, pelo raciocínio quando mostramos a verdade ou o que parece verdade, a partir do que é persuasivo em cada caso particular.»

Aristóteles, Retórica

Nos posts Ethos, logos, pathos, Ethos, Logos, Pathos & pizza e Como usar a retórica para conseguir o que queremos? encontra diversos exemplos.

A retórica ocupa-se dos aspetos da persuasão que vão além da argumentação. A retórica é muitas vezes definida como a arte de bem falar, ou seja, a arte de convencer através do discurso.

Os especialistas em retórica estudam a melhor forma de persuadir as pessoas. Dão atenção a muitos aspetos, além da qualidade dos argumentos – que por vezes pode até ser considerada secundária.

A ideia central é que é preciso adequar a mensagem aos destinatários – ou seja, ao auditório. Para isso é preciso conhecer as suas características: idade, nível educacional, interesses, gostos, preocupações, opiniões, etc. O pathos aristotélico é um aspeto entre outros.

Para ser eficaz, o discurso do orador deve ser construído em função dessas características. Por exemplo: a escolha de palavras mais ou menos simples deve ser feita em função da idade e nível educacional do auditório, dar mais ou menos atenção a certos temas depende do que se conhece dos interesses, preocupações e opiniões do auditório, etc.

Imagine um médico que tem de dar palestras acerca de uma doença nova e muito contagiosa. Se falar para ouvintes pouco escolarizados deve usar ou evitar termos técnicos da medicina?

Se esse médico falar para pessoas que, presumivelmente, não têm grande capacidade de concentração (como crianças ou idosos), deve fazer um discurso longo ou breve? E como deve organizar as ideias: dizer o mais importante no princípio ou no final?

Imagine que um político português durante uma campanha eleitoral visita uma aldeia onde recentemente um imigrante assassinou uma pessoa. Seria prudente esse político dar grande relevância à questão dos refugiados e defender que Portugal deve receber muitos refugiados?

Imagine que um político durante uma campanha eleitoral visita uma aldeia onde recentemente várias pessoas morreram num grave acidente de viação. Seria adequado esse político falar em tom muito inflamado e entusiasmado? Ou seria preferível falar de maneira mais calma, grave e séria?

A retórica surgiu na Grécia, quando no século V a. C. a democracia surgiu em Atenas. Os políticos democráticos precisavam de falar bem para conseguir convencer os cidadãos nas Assembleias e votações. Muitos desses políticos recorreram aos serviços dos sofistas.

Os sofistas eram professores itinerantes que, entre outras coisas, ensinavam (a troco de dinheiro) retórica. Foram acusados por diversos filósofos, nomeadamente Platão, de fazer um mau uso da retórica – um uso não ético. Mais precisamente, foram acusados de promoverem a manipulação e não a persuasão racional.

Persuadir racionalmente consiste em tentar convencer as pessoas sem as enganar, sem usar mentiras e falácias. Manipular consiste em persuadir irracionalmente, tentando convencer as pessoas a todo o custo e sem olhar a meios, enganando-as se necessário.

Segundo Platão, os sofistas ensinavam as pessoas a vencer as discussões mesmo que não tivessem razão, recorrendo a mentiras e a qualquer outro artifício que fosse persuasivo. Devido a isso, ainda hoje a palavra “sofista” designa alguém engandor, alguém que usa sofismas – ou seja, argumentos propositamente falaciosos.

Para Platão esse comportamento era indigno de um filósofo. Para ele a retórica devia ser apenas uma defesa da verdade.

Leituras:

Aires Almeida e Desidério Murcho, 50 Lições de Filosofia – 11º ano, Didáctica Editora, Lisboa, 2014.

Paula Mateus e outros, Cogito – 11º ano, Asa, 2014.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

9 presentes de Natal filosóficos

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Aos que já se iniciaram ou se querem iniciar na reflexão sobre os problemas filosóficos.

Boas leituras a todos!

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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

A opinião dos alunos: qual é o sentido da vida?

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No DIA MUNDIAL DA FILOSOFIA, lançámos aos alunos da escola e aos leitores deste blogue um desafio, ver AQUI:

A Filosofia está em todo o lado…dizem os alunos. Muitos explicaram como é que podemos responder aos problemas filosóficos propostos. Obrigada a todos!

Eis algumas das melhores opiniões:

Se afinal vamos morrer, que sentido faz viver?

Um dos maiores questionamentos do homem é o sentido da vida. O desconhecido é algo que sempre amedrontou a humanidade, afinal não temos nenhuma resposta que nos situe numa perspetiva indiscutível. Resta-nos refletir.
Na minha opinião, viver sabendo que a qualquer momento pode ser o meu último é, no mínimo, angustiante. E várias vezes me pergunto se o nosso destino final é o caixão porque damos tanto valor a preocupações menores como, por exemplo, uma simples nota negativa em provas escolares?
Bem, durante centenas de anos, o homem tentou explicar o sentido da vida. Vários filósofos tentaram e tentam dar explicações a essa pergunta. Na religião, um exemplo é o cristianismo que defende ser o sentido da vida a comunhão com Deus, tanto na vida como após a morte. Nas doutrinas que defendem a reencarnação da alma, o sentido da vida é evoluir e tornarmos-nos pessoas melhores a cada passagem pela Terra. No judaísmo, o sentido da vida é, de forma simplificada, a reverência perante a Deus e a sua vontade.
Não sou apegada a nenhuma religião e muito menos pretendo me apresentar como filósofa, porém penso que o sentido da vida é uma escolha e varia para cada um de nós. Ora, como vamos definir o sentido da vida para ser aplicado a todos, se a personalidade e os contextos, tanto social quanto económico das pessoas, são diferentes?
Mas deve-se ressaltar que na sociedade também somos levados a padronizar o nosso modo de viver, bem como a nos enquadrarmos dentro de uma determinada moral. Podemos mesmo lembrar exemplos extremos de conformismo aos modelos socialmente aceites, como o nazismo na Alemanha e o fascismo na Itália.
De qualquer maneira, desde pequenos, somos ensinados que a única variável certa da vida é a morte. Todavia, não sabemos em que momento ela vai chegar.
“Se afinal vamos morrer, que sentido faz viver? ”
Ora, só porque sabemos o destino final, a viagem e o modo como ela é feita não é importante?
O sentido da vida, acredito eu, pode estar mais nas pequenas coisas, como ver as primeiras folhas espalharem-se pelo chão anunciando o começo do outono ou, simplesmente, ver o sol nascer.
Considero que temos de dar valor às lições que recebemos ao longo da vida - pode ser um conselho sábio de um idoso ou o estudo da filosofia – e construirmos e legarmos algo que auxilie as gerações futuras.
Por fim, penso que a busca pelo sentido de viver é algo que criamos para aceitar e suportar a verdade iniludível: vamos todos morrer um dia.
 
Luísa Torres, nº14, 11º8
 
Se afinal vamos morrer, que sentido faz viver?
A morte é, provavelmente, a única certeza que temos na vida, é algo inevitável, não temos opção de escolha. Vai chegar uma fase da nossa vida na qual iremos morrer. E momentos antes de tal suceder, talvez pensemos sobre o sentido que demos à nossa vida. Será que a aproveitámos da melhor forma? Será que queremos morrer com a sensação de que não vivemos o suficiente? Que não aproveitámos a vida ao máximo?
Bem, esta resposta depende de cada pessoa, dos seus objetivos e respetivos sonhos. Cabe a cada um escolher o sentido que quer dar à vida, fazer com que esta valha a pena e com que nos sintamos bem connosco próprios.
Estamos constantemente a ser postos à prova pela vida, por exemplo, ao longo desta vamos conhecendo pessoas, umas tornam-se amigas para uma vida inteira, outras passam por ela simplesmente para nos ensinar um qualquer tipo de lição.
Na minha opinião, não devemos nem podemos, em altura nenhuma, desperdiçar a vida com detalhes e pormenores desinteressantes (como por exemplo: dar demasiada importância às pessoas de quem não gostamos ou às que nos irritam diariamente).
Talvez tenhamos nascido com um propósito: o de vivermos felizes; de aproveitarmos a vida concretizando os nossos sonhos; de aprendermos e ensinarmos igualmente; de proporcionar a maior felicidade, tanto para nós como para os outros e, por fim, de praticarmos o bem, tanto para a sociedade como para os que nos são próximos.
Aristóteles, outrora, disse: "A felicidade depende de nós mesmos" e não deixa de ser verdade, pois cabe a cada um decidir ser feliz e como sê-lo, descobrindo o que dá sentido à sua vida.
 
Catarina Possante, nº4, 11º8

Outras opiniões dos alunos sobre problemas filosóficos:

Como deve ser uma sociedade justa?
As tradições serão todas respeitáveis?

A opinião dos alunos: as tradições serão todas respeitáveis?



No DIA MUNDIAL DA FILOSOFIA, lançámos aos alunos da escola e aos leitores deste blogue um desafio, ver AQUI:

A Filosofia está em todo o lado…dizem os alunos. Muitos explicaram como é que podemos responder aos problemas filosóficos propostos. Obrigada a todos!

Eis algumas das melhores opiniões: 


Devemos respeitar todas as tradições de sociedades com uma cultura diferente da nossa?

São notórias todas as diferenças que predominam entre os seres humanos. Desde traços físicos a psicológicos, há uma inúmera panóplia de nuances. Como tal gostos, ideais e culturas também divergem.

Cultura, definida por Edward B. Tylor, "é todo aquele complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro da sociedade". Pelo mundo fora é certo que existe um imensurável número de culturas distintas. Como é óbvio, o respeito entre estas é o que vincula o equilíbrio no mundo. É, talvez, o fio condutor para a harmonia do homem com a natureza e dos homens entre si.
Mas como é possível aceitar tradições culturais em que se torturam e sacrificam outros seres?
Na cultura chinesa, por exemplo, é um costume cozinhar cães e gatos vivos, visto que desta forma a carne fica mais tenra e saborosa devido há intensa libertação da adrenalina provocada pelo stress dos animais. Na realidade, não é necessário chegar até ao outro extremo do planeta para encontrar atrocidades.
As touradas são um ínfimo paradigma destas brutalidades. Neste costume, muito praticado no nosso país, algo como perseguir um touro e espetar-lhe ferros e bandarilhas no dorso é uma pratica que cativa imensos portugueses pela diversão de ver o sofrimento do animal.
Porém não são só os animais sofredores de desumanos costumes. Basta um pequeno olhar atento pelo globo, para comprovar o desprezo a casais homossexuais, a albinos, ou até mesmo a mulheres.
Apesar de haver em determinados países leis que permitem a homossexuais casarem e constituirem família, não lhes é concedido liberdade de terem uma vida normal e digna, longe dos constantes assédios e perseguições de pessoas que não aceitam o amor para além de casais de sexos opostos.
Também é curioso, o facto de uma mutação genética, independente da vontade e opção de uma pessoa não ser aceite em algumas tribos africanas. Albinos que nascem em tribos são mutilados e sacrificados, por serem considerados em alguns casos uma maldição ou até mesmo uma dádiva que curará milagres.
Uma realidade que também se pretende encobrir é a inferioridade da mulher. Desde os primórdios, que a mulher teve que conquistar os seus direitos e não ser vista como um adorno e/ou pertence do homem. Infelizmente, em culturas como a islâmica esta vivência ainda é muito presente. Meninas são forçadas a casar com homens por vezes com uma idade muito superior à sua, são igualmente mutiladas genitalmente como um ritual.
Apesar de ser necessário haver harmonia e respeito no mundo. É óbvio, temos de ter um ponto de vista crítico, pois há muitos exemplos que demonstram não ser possível respeitar na íntegra as diferentes culturas, porque ao aceitá-las, sem reservas, estar-se-ia a permitir o atropelo dos direitos dos animais e dos seres humanos e, inclusivamente, apelar à morte de inocentes.

Inês Silva, nº 16, 11º 1

Outras opiniões dos alunos sobre problemas filosóficos:
Como deve ser uma sociedade justa?
Qual é o sentido da vida?

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

A opinião dos alunos: como deve ser uma sociedade justa?

No DIA MUNDIAL DA FILOSOFIA, lançámos aos alunos da escola e aos leitores deste blogue  um desafio, ver AQUI:

A Filosofia está em todo o lado…dizem os alunos. Muitos explicaram como é que podemos responder aos problemas filosóficos propostos. Obrigada a todos!

Eis algumas das melhores opiniões:

Como deve uma sociedade organizar-se para que exista justiça social?

Na minha opinião, para que haja justiça social o Estado deverá ser interventivo, de forma a combater as desigualdades sociais; o sistema político terá que ser obrigatoriamente democrático e ainda proponho a criação de uma aliança global promotora desta justiça.

De forma a ilustrar o meu ponto de vista, irei construir a minha argumentação com base no cartoon encontrado no seguinte link: http://thewireless.co.nz/articles/the-pencilsword-on-a-plate. Analisando este cartoon, é possível observar dois caminhos de vida distintos, estando patente a influência que o meio de nascimento tem no futuro de cada um de nós. Ora, para que exista justiça social a importância do meio de nascimento para o nosso futuro deverá ser diminuta, garantindo assim a igualdade de oportunidades.

Assim, coloca-se a seguinte questão: Como garantir a igualdade de oportunidades? Creio que, de modo a garantir esta igualdade de oportunidades dever-se-à recorrer à criação de sistemas nacionais de saúde; educação e de apoio social, entre outros que deverão ser sustentados pelo dinheiro dos contribuintes, sendo que os mais ricos deverão pagar mais do que os mais pobres, de forma a que as assimetrias sociais sejam corrigidas, assegurando assim uma maior igualdade de oportunidades, dado que todos passam a ter acesso à satisfação de necessidades básicas. Sendo assim, acho que a educação deveria ser gratuita, inclusive o ensino superior, desta forma a Paula não teria que se preocupar com o pagamento das suas propinas; e que deveria ser garantido a todos os cidadãos independentemente da sua condição um rendimento mínimo, de forma a evitar a pobreza e a mendicidade. Creio ainda ser importante a reforma do sistema prisional, que em vez de focar-se no castigo e punição, dever-se-ia focar na educação e reintegração dos prisioneiros na sociedade e na resolução dos problemas que afetam os sentenciados. Assim, através destas medidas, promovidas por um Estado interventivo talvez a Paula estivesse na situação à qual chegou o Richard (sem grande esforço).

De seguida, penso que a justiça social só tem lugar num Estado democrático, livre, assente na igualdade perante a lei; na divisão tripartida dos poderes e defesa dos direitos humanos, uma vez que se não formos iguais perante a lei, então não existirá alguma vez igualdade de oportunidades e, muito menos, justiça social.

Por fim, julgo que para existir verdadeira justiça social, esta não poderá ser limitada às fronteiras de meia-dúzia de países, dado que se houver justiça social, mas o acesso a esta estiver limitada a apenas algumas pessoas que tiveram a sorte de nascer em determinado país, o meio de nascimento continuaria a determinar o futuro de cada um de nós. Assim, creio que seja importante a criação de uma aliança global, à semelhança das Nações Unidas, que tenha como principal objetivo a homogeneização das oportunidades dadas aos cidadãos, não só de determinado país, mas entre países. Creio que, depois de um período de adaptação em que esta homogeneização fosse conseguida, dever-se-iam abrir as fronteiras, à semelhança do que acontece atualmente na UE.

Concluindo, sou da opinião de que assentando nestes três pilares fundamentais - um Estado interventivo, dedicado a garantir a igualdade de oportunidades, um Estado democrático e a criação de um órgão mundial, responsável pela promoção da justiça social - seria possível a existência de um Mundo verdadeiramente justo, no qual a Paula e o Richard teriam as mesmas oportunidades, sendo apenas assim garantido um desenvolvimento efetivo, em que as qualidades de cada um de nós saem reforçadas, por termos todos as mesmas oportunidades de desenvolvê-las.

João Janeiro, nº12, 11º 8

A banda desenhada referida no texto anterior pode ser lida neste blogue:

Desigualdade social: a história de Richard e Paula (1)

Desigualdade social: a história de Richard e Paula (2)

Outras opiniões dos alunos:

As tradições serão todas respeitáveis?

Qual é o sentido da vida?

Desigualdade social: a história de Richard e Paula (2)

O início desta banda desenhada pode ser lido no link que se segue:

Desigualdade social: a história de Richard e Paula (1)

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Desigualdade social: a história de Richard e Paula (1)

O meu aluno do 11º 8, João Janeiro, tomou como ponto de partida para a sua reflexão sobre um dos problemas filosóficos sugeridos no Dia Mundial da Filosofia – “Como deve uma sociedade organizar-se para que exista justiça social?” – a situação descrita na banda desenhada que se segue, retirada do site The wireless.  

Vale a pena ler.

01

02[3]

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Matriz do 3º teste do 11º ano (Esla)

 ad hominem

Duração: 100 minutos.

Objetivos:

1. Distinguir a validade dedutiva e a validade não dedutiva.

2. Distinguir e identificar as formas argumentativas válidas e inválidas estudadas.

3. Completar formas argumentativas.

4. Construir argumentos com essas formas.

5. Identificar e explicar em que consistem os seguintes argumentos não dedutivos: generalizações, previsões, argumentos por analogia e argumentos de autoridade.

6. Conhecer e explicar as regras de validade de cada um desses argumentos não dedutivos.

7. Explicar o que são falácias informais.

8. Identificar e explicar as formas falaciosas dos argumentos não dedutivos estudados.

9. Avaliar argumentos não dedutivos determinando se são válidos ou inválidos.

10. Identificar e explicar em que consistem outras falácias informais: Argumento ad hominem, Apelo à ignorância, Falso dilema, Falácia do espantalho, Falácia da derrapagem e Petição de princípio.

Para estudar:

PDF´s e fotocópias entregues.

No manual adotado:

Da página 74 à página 108.

No Dúvida Metódica:

A relação entre verdade e validade
Validade dedutiva
A importância da validade: duas analogias
Generalizações e previsões
Argumento por analogia
Ficha de revisão: identificação de argumentos não dedutivos
Falácias informais: vídeos
Falácias informais do apelo à ignorância, da derrapagem e do boneco de palha

Petição de princípio

Qual é a falácia? (Falácia da derrapagem)
Derrapagem: do casamento homossexual ao incesto
Exemplos das falácias do espantalho e da derrapagem
Exemplos da falácia do apelo à ignorância
Milagre ou falácia? (Apelo à ignorância)
Qual é a falácia? (Falso Dilema)

Aconselhados:

Falsa analogia
Generalização ou contra-exemplo?
Eis uma generalização pouco arriscada
Quais são as falácias utilizadas por Trump?

Poemas de quem não morreu

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O poeta brasileiro, Ferreira Gullar, morreu ontem aos 86 anos.

Cantiga para não morrer

Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.

Os mortos

os mortos vêem o mundo
pelos olhos dos vivos

eventualmente ouvem,
com nossos ouvidos,
certas sinfonias
algum bater de portas,
ventanias

Ausentes
de corpo e alma
misturam o seu ao nosso riso
se de fato
quando vivos
acharam a mesma graça

Traduzir-se

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
– que é uma questão
de vida ou morte –
será arte?

O Trenzinho do Caipira

Lá vai o trem com o menino
Lá vai a vida a rodar
Lá vai ciranda e destino
Cidade noite a girar
Lá vai o trem sem destino
Pro dia novo encontrar
Correndo vai pela terra, vai pela serra, vai pelo mar
Cantando pela serra do luar
Correndo entre as estrelas a voar
No ar, no ar, no ar... (...)

Ferreira Gullar

(Poemas cantados por Adriana Calcanhoto).

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Exame nacional de Filosofia 2017: informação IAVE

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Para quem optar por fazer o exame nacional de Filosofia, as informações do IAVE já estão disponíveis.
Podem também consultar os enunciados e os critérios das provas aplicadas em anos anteriores no site do IAVE (basta clicar para aceder).

Como usar a retórica para conseguir o que queremos?

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O verdadeiro discurso do rei Jorge VI está disponível em

 https://www.youtube.com/watch?v=WF8q45vwf-0

A alegoria da caverna: atividades e vídeo

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Perguntas e respostas online sobre a alegoria da caverna de Platão  e sugestões de atividades aa realizar em sala de aula (em português do Brasil), no link:

http://ed.ted.com/on/bUorXrWF#review

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Democracia: o passado e o presente


Péricles (Atenas, século V a.C).


Após o visionamento do documentário, responda às seguintes questões:
1. Em que período vigorou, na Grécia Antiga, a democracia?
2. Indique o significado etimológico dos termos "democracia", "tirano" e "ágora".
3. Identifique três das principais ideias aceites, simultaneamente, na democracia grega e na democracia atual.
4. Que fatores contribuíram para o surgimento da democracia na Grécia Antiga?
5. Distinga a democracia direta (do século V a. C) da democracia representativa atual.
6. Quem foi Péricles? Qual foi a sua importância na política ateniense?
7. Enumere três das ideias inovadoras introduzidas por Sócrates.
8. Descreva os motivos que levaram ao julgamento e à morte de Sócrates.
9. Esclareça algumas das consequências - para a filosofia, a ciência e a cultura em geral - das ideias defendidas por Sócrates.
10. "A democracia é um regime político que dá trabalho e é imperfeito". Explique porquê.
Bom trabalho!
A professora: Sara Raposo.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Matriz do 2º teste do 10º ano (ESLA)

livre-arbítrio

Objetivos

1. Efetuar a negação de proposições apresentadas.

2. Explicar o que é um argumento.

3. Distinguir argumentos de não argumentos.

4. Identificar a conclusão e as premissas de argumentos apresentados.

5. Explicar o que é um argumento válido.

6. Avaliar intuitivamente a validade de argumentos apresentados.

7. Identificar e construir os argumentos válidos estudados: modus ponens e modus tollens.

8. Distinguir os argumentos válidos estudados das formas falaciosas: negação da antecedente e afirmação da consequente.

9. Explicar o que é uma ação.

10. Distinguir as ações de outras coisas que fazemos e daquilo que nos acontece.

11. Relacionar ação e deliberação.

12. Apresentar o problema do livre-arbítrio.

13. Explicar a teoria do Determinismo Radical.

14. Explicar a teoria do Libertismo.

15. Explicar a teoria do Determinismo Moderado.

16. Comparar e discutir as três teorias.

17. Justificar a posição pessoal acerca do problema do livre-arbítrio.

Natureza das questões:

Escolha múltipla, questões de resposta curta, avaliação de exemplos e questões de resposta extensa.

Para estudar:

PDF’s e fotocópias entregues.

No manual: páginas (nalguns casos apenas as partes indicadas) 49, 50, 51, 52, 53, 63, 64, 65,  71 e 75.

No blogue Dúvida Metódica:

O que é um argumento?
Ficha de Trabalho – Argumentos
A relação entre verdade e validade

Validade dedutiva

Afirmação da antecedente e negação da consequente

Pêssegos e duelos: exemplos ilustrativos do problema do livre-arbítrio

O Determinismo

Um homem livre que não acreditava no livre-arbítrio

O livre-arbítrio existe, pois temos consciência dele

A resposta do libertismo

Aconselhados:

Tive, por acaso, possibilidades de escolha?

Terá o determinista radical razão?

Contradição!?

Na opinião dos alunos, existe ou não livre arbítrio?

Se o determinismo radical for verdadeiro, salvar 155 pessoas não tem qualquer mérito

domingo, 27 de novembro de 2016

Um homem livre que não acreditava no livre-arbítrio

Clarence Darrow

O advogado norte-americano Clarence Darrow (1856-1938) defendia que não existe livre-arbítrio. Curiosamente, muitas das suas ações parecem ser (pelo menos aos olhos de um defensor do livre-arbítrio) exemplos lapidares de liberdade.

Os pais de Richard Loeb e Nathan Leopold - dois adolescentes de Chicago que raptaram e assassinaram um rapaz contra o qual nada os movia, “apenas para provar que conseguiam fazê-lo”1 – contrataram Clarence Darrow para os defender. Loeb e Leopold já tinham admitido ser culpados, pelo que, de acordo com a legislação vigente, teriam de ser condenados ou à prisão perpétua ou à pena de morte. Darrow, que era um conhecido adversário da pena de morte, conseguiu que os rapazes fossem apenas condenados a prisão perpétua. A sua argumentação baseou-se na seguinte ideia: não existe livre-arbítrio e, portanto, Loeb e Leopold não foram responsáveis pelo que fizeram.

Noutro caso judicial célebre em que participou estavam envolvidos o líder de um sindicato de ferroviários e uma companhia de comboios. Inicialmente Darrow era advogado dessa companhia, mas demitiu-se para poder defender o sindicalista no tribunal, tendo perdido bastante dinheiro com a troca, pois este pagava-lhe muito menos que a companhia ferroviária. Darrow valorizava o dinheiro e quando os seus clientes podiam pagar cobrava honorários elevados, mas também defendeu muitas pessoas pro bono (gratuitamente) ou por pouco dinheiro. 2

«Darrow era conhecido como o paladino das causas impopulares – defendeu sindicalistas, comunistas e um negro acusado de ter morto um membro de uma turba racista. No seu caso mais famoso defendeu John Scopes, do Tennessee, da acusação de ter ensinado a [teoria da] evolução numa aula do ensino secundário. (…) Em 1902, tendo sido convidado pelo diretor da Prisão de Cook County para dar uma conferência aos presidiários disse-lhes o seguinte:

Na verdade, não acredito minimamente no crime. No sentido habitual da palavra, não existem crimes. Não acredito em qualquer distinção entre as verdadeiras condições morais das pessoas que estão dentro e das que estão fora da prisão. São iguais. Do mesmo modo que as pessoas que estão aqui dentro não poderiam ter evitado estar aqui, as pessoas que estão lá fora também não poderiam ter evitado estar lá fora. Não acredito que as pessoas estejam na prisão porque o mereçam. Estão na prisão apenas porque não puderam evitá-lo, devido a circunstâncias que ultrapassam inteiramente o seu controlo e pelas quais não são minimamente responsáveis.» 3

Notas:

1 James Rachels, Problemas da Filosofia, Gradiva, Lisboa, 2009, pág. 155.

2 Wikipédia, “Clarence Darrow”: https://pt.wikipedia.org/wiki/Clarence_Darrow

3 James Rachels, op. cit., pág. 156.

domingo, 20 de novembro de 2016

Uma boa proposta de revisão do programa de Filosofia

Sem Título

Aires Almeida apresentou uma proposta de revisão do programa de Filosofia que me parece muito boa: é filosoficamente rigorosa, é exequível, melhora imenso o programa atual mas sem implicar alterações radicais. A proposta pode ser lida no bloque do autor, questões básicas: Filosofia: uma proposta construtiva e minimalista.
Critiquei o facto de o Ministério da Educação ter excluído da revisão do programa de Filosofia a Sociedade Portuguesa de Filosofia e ter encarregue dessa tarefa unicamente a Associação de Professores de Filosofia: Programa de Filosofia: não é desta mudança que precisamos. Contudo, espero que o Ministério da Educação e a Associação de Professores de Filosofia não ignorem propostas valiosas como esta.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

A Filosofia ao virar da esquina

liberdade-de-expressao

17 de novembro é DIA MUNDIAL DA FILOSOFIA

Por isso, deixamos aos leitores um desafio.

A partir de uma situação (real ou imaginária), elabore uma reflexão sobre um dos problemas filosóficos seguintes:

1. Quando é que uma ação é moralmente correta?

2. Como deve uma sociedade organizar-se para que exista justiça social?

3. Devemos respeitar todas as tradições de sociedades com uma cultura diferente da nossa?

4. Se afinal vamos morrer, que sentido faz viver?

Boas reflexões a todos!

Podem enviar (até domingo, dia 20 de novembro) a vossa opinião para a caixa de comentários do blogue e, eventualmente, discordar dos pontos de vistas diferentes! 

Serão, depois, publicadas as melhores respostas.

Esperemos que a música e a letra, dos DAMA com Gabriel, o pensador possam ser inspiradoras!

Agradeço ao Henrique, sem o entusiasmo dele não teria dado atenção (merecida) à letra desta canção.

domingo, 13 de novembro de 2016

Programa de Filosofia: não é desta mudança que precisamos

A escola de Atenas Rafael filosofia

O jornal Público noticiou que o “Ministério da Educação está a excluir as sociedades científicas do processo de mudança dos currículos escolares, que está atualmente em curso”. Apenas as associações de professores de cada disciplina foram convidadas para fazer esse trabalho.

No caso da Filosofia quem está encarregue da revisão curricular é a Associação de Professores de Filosofia (APF). A Sociedade Portuguesa de Filosofia (SPF), que pede há vários anos a mudança do programa, ficou de fora.

Penso que essa exclusão das sociedades científicas é errada e temo que signifique uma desvalorização, por parte do ministério, do rigor e da exigência habitualmente preconizados por essas instituições. Quero, contudo, centrar-me no caso da Filosofia.

Como é sabido, a APF e a SPF representam atualmente duas maneiras muito distintas de entender a Filosofia e o seu ensino. Ao encarregar a APF da revisão curricular o Ministério da Educação está, na prática, a tomar partido por uma das conceções. O que não é legítimo. O Ministério da Educação não tem o direito de dizer aos professores de Filosofia como a devem entender e ensinar. Um programa de Filosofia revisto apenas pela APF constituirá uma imposição ilegítima aos professores que não se reveem na orientação filosófica dessa associação, tal como seria ilegítimo impor um programa revisto apenas pela SPF. Por razões que não cabe aqui explicar, discordo profundamente da maneira como a APF entende a Filosofia, mas mesmo que concordasse com ela acharia errado impô-la dogmaticamente a todos.

Trata-se, portanto, de um erro educativo grave. E os jogos de palavras a que se dedicam responsáveis do Ministério da Educação, como se pode ler na notícia do Público, dizendo que não se trata de uma revisão curricular mas apenas de algumas mudanças curriculares não diminuem obviamente a gravidade do caso.

Se existem diferentes maneiras de entender a Filosofia e o seu ensino a política mais sensata é convidar representantes dessas diferentes maneiras de pensar, sentá-los à mesma mesa e incumbi-los de, através do diálogo e da discussão racional, chegarem a um acordo.

Foi isso que sucedeu quando, há anos atrás, foi necessário elaborar as “Orientações para efeitos de avaliação sumativa externa das aprendizagens na disciplina de Filosofia”. É incompreensível que o Ministério da Educação tenha mudado de política. O secretário de Estado João Costa tentou justificar essa mudança dizendo que “o trabalho em curso é um trabalho integrado, relacionando todas as disciplinas. Exatamente por ser um trabalho centrado na gestão curricular foi minha opção convocar as associações profissionais e não as sociedades científicas”. Contudo, não se percebe porque é que o facto de se pretender uma articulação interdisciplinar dos programas leva à exclusão das sociedades científicas. Além disso, essa pretensão de interdisciplinaridade não anula obviamente o facto de haver conceções divergentes acerca da Filosofia e do seu ensino. Isso não justifica, portanto, que o Ministério tenha entregue a revisão curricular do programa de Filosofia apenas à APF.

Mas, tendo erradamente entregue, não se percebe porque é que a APF não achou necessário, para não dizer justo, pedir a colaboração da SPF.

Receio que a revisão curricular que a APF está a fazer produza um programa de Filosofia em que muitos professores não se reconhecerão e que dificultará o ensino da disciplina em vez de o melhorar. Mesmo que o seu trabalho seja depois posto à discussão pública, isso dificilmente impedirá que seja o programa de uma fação.

O atual programa de Filosofia não é bom e é preciso mudá-lo, mas não desta maneira.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A vitória de Trump é a derrota de quem?

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A surpreendente vitória de Trump nos Estados Unidos deve fazer pensar os cidadãos defensores da democracia, todos e não apenas os americanos.

Como se explica o ponto de vista adotado pela maioria dos meios de comunicação social que, ao longo do processo eleitoral, foi dando como certa a vitória de Hillary Clinton?

Por outro lado, como se explica que a maioria dos votantes tenha preferido um candidato claramente mal preparado para o cargo e que fez afirmações inacreditáveis e indignas de um chefe de estado?

Este resultado eleitoral leva-nos a pensar que as opiniões, maioritariamente anti-Trump, veiculadas nos meios de comunicação não foram isentas, pois não relataram de forma fidedigna a adesão que a campanha de Trump teve no terreno. Relataram sim a perspetiva, não isenta, dos jornalistas e dos “políticos profissionais”. Talvez esse mau trabalho dos jornalistas tenha produzido o efeito contrário e contribuído para a vitória de Trump.

O povo americano preferiu Trump como presidente. E isso deveria fazer pensar os políticos que têm exercido o poder: sem o seu falhanço talvez esta vitória não fosse possível.

Seja como for, em democracia temos de aceitar opinião da maioria dos cidadãos.