“As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar, senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento.”
John Stuart Mill
«O homem livre em nada pensa menos que na morte, e a sua
sabedoria não é uma meditação da morte, mas da vida.
O homem livre, isto é, aquele que vive segundo o ditame da
Razão, não é levado pelo medo da morte, mas deseja diretamente o bem, isto é,
deseja agir, viver e conservar o seu ser segundo o princípio da utilidade própria;
e, por conseguinte, em nada pensa menos que na morte, mas a sua sabedoria é
meditação da vida.»
Bento de Espinosa, Ética, IV (Proposição LXVII e
respetiva Demonstração), Relógio d’ Água, Lisboa, 1992, pp. 423-424 (tradução
de Joaquim de Carvalho).
Imagem: pintura de rua de The Rebel Bear, em Glasgow, na
Escócia.
«Um espírito cultivado – e não estou a pensar no de um filósofo, mas em qualquer um para o qual as fontes do conhecimento tenham sido abertas, e que tenha sido minimamente ensinado a exercer as suas faculdades – encontra fontes de inexaurível interesse em tudo quanto o rodeia; nos objetos da natureza, nos feitos da arte, nas imagens da poesia, nos incidentes da história, nos costumes da humanidade, do passado e do presente, e nas suas perspetivas futuras. (…)
Não há absolutamente qualquer razão na natureza das coisas para que uma quantidade de cultura do espírito suficiente para despertar um interesse inteligente nestes objetos de contemplação não seja a herança de todos quantos [tenham acesso à educação adequada] (…).»
John Stuart Mill, Utilitarismo, Gradiva, Lisboa, 2005, pp. 59-60.
(Tradução de F. J. Azevedo Gonçalves.)
Imagem: Alegoria da filosofia e da gramática, de Gentile da Fabriano.
O filósofo Colin McGinn, apesar de se interessar por filosofia desde a adolescência, estudou psicologia na Universidade (provinha de uma família pobre e por isso pareceu-lhe necessário estudar algo mais prático e profissionalmente promissor). Contudo, o seu interesse pela filosofia não desapareceu e acabou mesmo por se inscrever no curso de filosofia, onde tinha colegas que já estudavam filosofia há mais tempo e que mostravam ter muitos conhecimentos que ele não tinha. Apesar disso, decidiu concorrer ao prestigiado prémio John Locke, cujo vencedor recebia uma recompensa monetária e muito prestígio. Para sua surpresa, ficou em primeiro lugar. Na sua autobiografia (intelectual) Colin McGinn explicou o sucedido do seguinte modo:
“Olhando para trás, julgo que o que aconteceu é que a minha inexperiência relativa funcionou a meu favor, pois tive de lutar para criar as minhas próprias respostas às perguntas, devido à falta de conhecimento sobre o que os outros tinham dito. Em vez de encher as minhas respostas com demasiado conhecimento em segunda mão retirado da bibliografia filosófica, fui forçado a prosseguir com uma linha de pensamento da minha autoria, mostrando assim uma capacidade para participar com pensamento filosófico original.”
Colin McGinn, Como se faz um filósofo, Bizâncio, Lisboa, 2007, pág. 96 (tradução de Célia Teixiera).
Oxalá amanhã, no exame nacional de Filosofia, os alunos portugueses também consigam ir além dos conhecimentos adquiridos e acrescentem linhas de pensamento da sua autoria!
Podemos «rejeitar a
afirmação de que a ordenação das instituições é sempre deficiente porque a
distribuição natural de talentos e as circunstâncias sociais são injustas,
estendendo-se estas injustiças, inevitavelmente, às estruturas concebidas pelos
homens. Por vezes, esta reflexão surge como uma desculpa para ignorar a
injustiça, como se a recusa em aceitar a injustiça fosse da mesma natureza que
a impossibilidade em aceitar a morte. A distribuição natural não é justa nem injusta;
tal como não é injusto que se nasça numa determinada posição social. Trata-se
de simples factos naturais. A forma como as instituições lidam com estes factos
é que pode ser justa ou injusta. As sociedades aristocráticas ou de casta são
injustas porque fazem desta circunstância a base que determina as classes
sociais mais ou menos fechadas e privilegiadas. A estrutura básica destas
sociedades incorpora a arbitrariedade que encontramos na natureza. Mas não é
necessário que os homens se resignem a tais contingências. O sistema social não
é uma ordem imutável, para lá do controlo humano, mas um padrão da ação humana.
Na teoria da justiça como equidade os homens, os homens acordam em aproveitar
os incidentes da natureza e as circunstâncias sociais apenas quando tal resulta
em benefício de todos [de acordo com o princípio da diferença apenas são
aceitáveis as desigualdades que redundem em benefício de todos e, principalmente,
dos mais desfavorecidos]. Os dois princípios [da justiça] são uma forma
equitativa de contrariar a arbitrariedade da sorte e, embora sejam sem dúvida
imperfeitas quando analisadas sob outros ângulos, as instituições que
satisfazem estes princípios são justas.»
John Rawls, Uma Teoria da Justiça,
Editorial Presença, 3ª edição, 2013, Lisboa, pág. 96.
«Iluminismo é a saída do homem da
sua menoridade de que ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de
se servir do entendimento sem a orientação de outrem. Tal menoridade é por
culpa própria, se a sua causa não residir na carência de entendimento, mas na
falta de decisão e de coragem em se servir de si mesmo, sem a guia de outrem.
Sapere aude! Tem a coragem de te servires do teu próprio entendimento! Eis a
palavra de ordem do Iluminismo.
A preguiça e a cobardia são as
causas de os homens em tão grande parte, após a natureza os ter há muito
libertado do controlo alheio, continuarem, todavia, de bom grado menores
durante toda a vida; e também de a outros se tornar tão fácil assumir-se como
seus tutores. É tão cómodo ser menor. Se eu tiver um livro que tem entendimento
por mim, um diretor espiritual que em vez de mim tem consciência moral, um
médico que por mim decide da dieta, etc., então não preciso de eu próprio me
esforçar. Não me é forçoso pensar, quando posso simplesmente pagar; outros
empreenderão por mim essa tarefa aborrecida. Porque a imensa maioria dos homens
(…) considera a passagem à maioridade difícil e também muito perigosa é que os
tutores de bom grado tomaram a seu cargo a superintendência deles. Depois de
terem, primeiro, embrutecido os seus animais domésticos e evitado
cuidadosamente que estas criaturas pacíficas ousassem dar um passo para fora da
carroça em que as encerraram, mostram-lhes em seguida o perigo que as ameaça,
se tentarem andar sozinhas. Ora, este perigo não é assim tão grande, pois
acabariam por aprender muito bem a andar. Só que um tal exemplo intimida e, em
geral, gera pavor perante todas as tentativas ulteriores.
É, pois, difícil a cada homem
desprender-se da menoridade que para ele se tomou quase uma natureza. Até lhe
ganhou amor e é por agora realmente incapaz de se servir do seu próprio
entendimento, porque nunca se lhe permitiu fazer semelhante tentativa. (…)
Mas é perfeitamente possível que
um público a si mesmo se esclareça. Mais ainda, é quase inevitável, se para tal
lhe for concedida a liberdade.»
«Acontece muitas vezes que, depois de termos vivido tempo
considerável numa cidade mesmo que a princípio esta possa ter-nos desagradado à
medida que nos familiarizamos com os objetos e nos familiarizamos mesmo que
apenas com as ruas e edifícios, a nossa aversão diminui gradualmente e por fim
transforma-se na paixão contrária. A mente encontra satisfação e à-vontade ao
ver os objetos aos quais está habituada e prefere-os naturalmente a outros que,
embora talvez em si mais valiosos, lhe são menos conhecidos. A mesma qualidade
da mente leva-nos a ter boa opinião de nós próprios e de todos os objetos que nos
pertencem. Estes objetos aparecem a uma luz mais forte, são mais agradáveis e
por conseguinte mais apropriados do que qualquer outro para se tornarem motivos
de orgulho e vaidade.»
David Hume, Tratado da Natureza Humana, Gulbenkian, Lisboa,
2012, pág. 415.
Pintura: Vaidade, de Auguste Toulmouche (1829 - 1890).
«O bem e o mal, a felicidade
e a miséria, a sabedoria e a tolice, a virtude e o vício estão universalmente
amalgamados e misturados. Nada é puro e feito de uma única coisa. Todas as
vantagens estão acompanhadas de desvantagens. Uma compensação universal
prevalece em todas as condições do ser e da existência. E para nós é
impossível, com os nossos desejos mais quiméricos, formar a ideia de um estado
ou situação completamente desejável. (…)
Quanto mais delicado é um
bem, do qual recebemos uma pequena amostra, mais agudo é o mal que lhe está
aliado, e existem poucas exceções a esta uniforme lei da natureza.»
David
Hume, Obras sobre religião, “História natural da religião”, Fundação Calouste
Gulbenkian, Lisboa, 2005, pág. 235.
Ao «contrário do que acontece noutras
disciplinas, não há “A Filosofia” para ser estudada. Há apenas os problemas
filosóficos e as diferentes teorias e argumentos que os filósofos apresentam,
não havendo uma “síntese” ou um consenso que se possa estudar como “A Filosofia”.
Na filosofia, está-se quase desde o início nas fronteiras do conhecimento. Por
isso, é necessário aprender a filosofar e não aprender uma ou outra filosofia –
a preferida dos professores ou dos autores dos programas (…). E aprender a filosofar
é aprender a discutir os problemas, as teorias e os argumentos apresentados
pelos filósofos – e não aprender a repetir as ideias dos filósofos.»
Desidério Murcho, O Lugar da Lógica na Filosofia, Plátano, Lisboa, 2003, pág. 29.
Epicteto (um filósofo romano que durante muitos anos foi escravo) disse:
“Não devemos acreditar nos muitos que afirmam que só as pessoas livres devem ser instruídas, mas devemos antes acreditar nos filósofos que dizem que só os instruídos são livres” (Dissertações).
«A moralidade é passada de geração em geração sem ser muito questionada. Mas pode mudar. Em tempos, a maioria das pessoas pensava que nada havia de errado em observar um urso a ser despedaçado por uma matilha de cães – dava um esplêndido dia de lazer para toda a família. Hoje, ficamos mais alarmados e perturbados com a crueldade desnecessária com os animais e pensamos que a perseguição aos ursos é uma coisa errada. Muitos de nós hoje pensam que a caça à raposa é provavelmente também cruel. E a maioria das pessoas deixou de pensar que a homossexualidade é perversa. Parece que a sociedade progrediu. Mas não há razão para nos tornarmos demasiado complacentes. Os seres humanos não estão necessariamente a ficar demasiado agradáveis, ano após ano. Ainda fazemos coisas más. E continuam a surgir novos problemas morais com que não sabemos lidar. Deveríamos permitir que o governo prendesse as pessoas sem julgamento, no caso de serem terroristas? Deveríamos permitir que torturassem suspeitos para obter mais informações?
Então, porque mudam desta maneira as crenças morais? De onde vêm, já agora?»
Dave Robinson, Ética no Quotidiano – Guia Prático, Gradiva, Lisboa, maio de 2019, pp. 9-10.
Algumas pessoas consideram que, dos factos referidos por Dave Robinson, se infere que a moral é relativa. Mas não é o caso do próprio autor: após a passagem citada ele acrescenta que dizer que as crenças morais vêm da sociedade “é a resposta fácil”.
«A filosofia é um envolvimento crítico com as ideias através de palavras. Envolve argumentos e contra-argumentos, exemplos e contraexemplos. Os filósofos não se limitam a expressar as suas crenças; justificam-nas com provas e argumentos. Raciocinam, definem, clarificam. Acima de tudo, os filósofos estão interessados na verdade, numa tentativa constante de ir além das aparências. Tentam formular as suas posições com a clareza e o rigor que lhes permite serem desafiados e até criticados. Deste modo, a filosofia não é uma questão de manifestos e atitudes, mas de posições racionais que conduzem a conclusões bem fundamentadas. Apesar disso, pode mesmo assim ser apaixonante e viva. Não precisa de ser um mero exercício de lógica.»
Nigel Warburton, O que é a arte?, tradução de Célia Teixeira, Bizâncio, Lisboa, 2007, pág. 16.
«Será que a discordância [por exemplo na filosofia e na ciência] serve algum propósito construtivo? É evidente que pode e deve fazê-lo. Pois dá a cada participante de uma controvérsia um incentivo para alargar e aprofundar o conhecimento ao procurar razões convincentes. Lidar com a discordância com base em razões é claramente um estímulo à investigação e evita que nos rendamos demasiado facilmente à nossa inclinação inicial para identificar as nossas opções com a verdade incontestável das coisas.»
Nicholas Rescher, Uma viagem pela filosofia em 101 episódios, Gradiva, Lisboa, 2018, pp. 21-22.
«A aquisição dos itens mais importantes do conhecimento político — como saber se as leis do controle de armas são boas, se a pena de morte é justa ou se o estímulo fiscal ajuda a economia — exige que se cultive cuidadosamente hábitos de racionalidade epistémica. Devemos trabalhar para identificar e superar os nossos próprios tendenciosismos. Devemos procurar informação e argumentos contrários às opiniões que já temos e esforçar-nos para ouvir esses argumentos de espírito aberto. A racionalidade exige frequentemente que admitamos que as nossas próprias opiniões anteriores estavam erradas ou que simplesmente não sabemos as respostas de perguntas importantes. Quem estiver comprometido com a racionalidade terá os seus desejos frequentemente frustrados, visto que não se pode simplesmente acreditar naquilo que se quer acreditar.»
“A glória da filosofia — e seguramente um dos aspectos imediatamente interessantes para os que se sentem atraídos por ela — é nada estar interdito, nem mesmo o valor da razão, ou, na verdade (embora isto possa parecer paradoxal), o próprio estatuto da filosofia. Não há restrições. Só algo como argumentação e a discussão sem limites parece constante. É uma liberdade maravilhosa.”
«”Desprezo o que dizes, mas defenderei até à morte o teu direito a dizê-lo.”
Esta declaração, atribuída a Voltaire, condensa a ideia nuclear deste livro: a liberdade de expressão é algo que vale a pena defender vigorosamente, mesmo quando detestamos o que é expresso. Defender a livre expressão envolve proteger não só o discurso que queremos escutar, mas também aquele que não queremos escutar. (…)
A livre expressão é particularmente valiosa numa sociedade democrática. Numa democracia, os eleitores têm interesse em escutar e contestar uma grande diversidade de opiniões e ter acesso a factos e interpretações, bem como a perspetivas contrastantes, mesmo quando acreditam que as perspetivas expressas são política, moral ou pessoalmente ofensivas. Essas opiniões podem nem sempre ser diretamente comunicadas por meio dos jornais, da rádio e da televisão, mas são amiúde apresentadas em romances, poemas, filmes, desenhos e letras de canções. Podem também ser expressas simbolicamente por atos como queimar uma bandeira, ou, como fizeram muitos manifestantes contra a guerra do Vietname, queimando um cartão de recrutamento. Os membros de uma democracia têm também interesse em que um grande número de cidadãos participe ativamente no debate político, em vez de receber de forma passiva uma política transmitida a partir de cima.»
Nigel Warburton, Liberdade de Expressão: Uma breve introdução, Gradiva, Lisboa, 2015, pp. 9 e 11.
É “errado confundir a própria realidade com as formas que temos de a conhecer. A realidade é uma coisa; o conhecimento que temos dela, outra. O passado não é a mesma coisa que as nossas memórias dele; os objetos físicos não são a mesma coisa que os estados sensoriais que temos quando os percecionamos; as mentes das outras pessoas não são a mesma coisa que o comportamento que usamos para inferir coisas sobre elas; o futuro não é a mesma coisa que as indicações atuais sobre como será; as partículas elementares não são a mesma coisa que os contadores que assinalam a sua presença; e assim por diante. Certamente que há exceções a esta regra geral; (…) [por exemplo] as entidades ficcionais não têm uma realidade além das intenções dos autores – são inventadas e não descobertas. É por isso que lhes chamamos ficções e distinguimos a ficção da não ficção nas livrarias e bibliotecas.”
Colin McGinn, Como se faz um Filósofo, tradução de Célia Teixeira, Editorial Bizâncio, Lisboa, 2007, pág. 121.
«Os filósofos que se dão ares de superior sabedoria e confiança têm uma dura tarefa quando se encontram com pessoas de feitio inquiridor, que os expulsam de todos os cantos onde se refugiam e não podem deixar de acabar por os fazer cair em algum dilema perigoso. O melhor expediente para evitar esta confusão é sermos modestos nas nossas pretensões, e até sermos nós mesmos a apontar as dificuldades antes de elas serem apresentadas como objeções contra nós. Podemos por este meio converter nossa a própria ignorância numa espécie de mérito.»
David Hume, Tratados I: Investigação sobre o Entendimento Humano, tradução de João Paulo Monteiro, Lisboa, INCM, 2002, pág. 48.
Na imagem: Estátua de David Hume de Alexander Stoddart, em Edimburgo.
«A educação moral genuína (…) não é o que os políticos têm em mente quando pensam em transmitir, por exemplo, “valores ecológicos” às crianças, ou quando pensam na “educação para a cidadania”. Este género de educação é doutrinação, e não educação moral. A genuína educação moral é ensinar a raciocinar em termos de fins e meios, a ponderar razões e a justificar corretamente o que valorizamos – em suma, ensinar a pensar eticamente, e não ensinar a repetir slogans ecológicos, igualitários, nacionalistas, multiculturalistas ou outros.»
“A questão de saber se a vida tem algum sentido é difícil de interpretar, e quanto mais concentramos nela a nossa capacidade crítica mais parece escapar-nos ou evaporar-se como questão inteligível. Queremos afastá-la por ser uma fonte de embaraço, por ser algo que, se não podemos abolir, devemos pelo menos esconder por pudor. E, contudo, penso que qualquer pessoa dada à reflexão reconhece que a questão se levanta é importante e devia ter uma resposta significativa.”
Richard Taylor, “O sentido da Vida”, in Viver para quê? – Ensaios sobre o sentido da vida, organização e tradução de Desidério Murcho, Dinalivro, Lisboa, 2009, pág. 33.
Não faço ideia quais são os critérios que presidem ao modo como são distribuídos os filmes nas salas de cinema portuguesas. Todavia, quem vive no sul e quisesse ver o filme As Asas do Vento (Kaze Tachinu no Japão e Vidas ao Vento no Brasil) - nas palavras do próprio realizador Hayao Miyazaki o seu último filme - só o poderia fazer em Lisboa. É pena que assim seja, pois trata-se de um filme maravilhoso (o argumento, os diálogos e algumas das imagens são sublimes) para um adulto e para uma criança simultaneamente.
Os leitores mais preconceituosos, que consideram a animação um género menor no cinema, estão enganados. Este filme, tal como por exemplo A viagem de Chihiro também da autoria de Miyazaki , é imperdível.
O personagem principal do filme As asas do vento é o engenheiro Jiro Horikoshi, desenhador de um dos aviões de guerra usados pelo Japão durante a Segunda Guerra Mundial.
"Para criar a personagem central do filme, Jiro, um aspirante a engenheiro aeronáutico, Miyazaki baseou-se ainda num romance do autor Tatsuo Hori, que foi contemporâneo de Jiro Horikoshi.
Na nota de intenções, Miyazaki explica que quis retratar alguém persistente que persegue um sonho durante a juventude e idade adulta, num tempo em que o Japão viveu o grande terramoto de 1923, a Grande Depressão, a epidemia de tuberculose e a entrada na guerra." (informação retirada daqui).
Uma das ideias repetidas em diferentes momentos do filme: muitos acontecimentos adversos, que não dependem de nós, avançam e condicionam para sempre as nossas vidas, mas é preciso continuar a viver. É verdade.