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quinta-feira, 23 de março de 2017

Rebelde sem causa

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Entre um clássico do cinema e um clássico da Filosofia haverá afinidades?

A banda desenhada sobre Hume e outros filósofos poder ser lida AQUI.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Objeção à teoria da causalidade de David Hume

causa e efeito problema da causalidade objeção a david hume

“Hume conclui que a crença na realidade de conexões causais não tem justificação racional, dado que apenas observamos conjunções constantes. Contudo, há ainda algo que carece de explicação: as próprias conjunções constantes que observamos na natureza. Como explicar tal coisa? A resposta mais plausível é que as conjunções constantes ocorrem precisamente porque há conexões causais na natureza. (…)

A nossa crença na realidade das conexões causais (…) e do mundo exterior está racionalmente justificada, apesar de não haver uma demonstração lógica irrefutável a seu favor [pois é uma explicação plausível e melhor que as explicações alternativas].”

Aires Almeida e outros, A Arte de Pensar – 11º ano, Didáctica Editora, 2008, Lisboa, pág. 165.

terça-feira, 11 de março de 2014

Exemplos de inferências causais

"Quando lanço um pedaço de madeira seca numa lareira, o meu espírito é imediatamente levado a conceber que ele vai aumentar as chamas, não que as vai extinguir. Esta transição de pensamento da causa para o efeito não procede da razão […]. E como parte inicialmente de um objeto presente aos sentidos, ela torna a ideia ou conceção da chama mais forte e viva do que o faria qualquer devaneio solto e flutuante da imaginação."

  “(...) por muito que se pense no arrefecimento da água, nunca deduziremos a sua congelação e aquele que nunca tiver visto gelo, achará absurdo que a água ao arrefecer se torne dura e sólida”.

David Hume, «Investigação sobre o Entendimento Humano», in Tratados Filosóficos I, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2002.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Hume e a relação causa-efeito

“Todos os nossos raciocínios relativos a questões de facto, defende Hume, se baseiam na relação de causa e efeito. Mas como chegamos ao nosso conhecimento das relações causais? (…) Ao olhar apenas para a pólvora, nunca poderíamos descobrir que é explosiva; é preciso experiência para saber que o fogo queima as coisas. Mesmo as mais simples regularidades da natureza não poder estabelecidas a priori porque uma causa e um efeito são dois acontecimentos totalmente diferentes e um não pode ser inferido do outro. Vemos uma bola de bilhar a mover-se na direcção de outra e esperamos que transmita movimento à outra. Mas porquê?

A resposta, obviamente, é que descobrirmos as regularidades da natureza através da experiência. Mas Hume leva a sua indagação mais além. Mesmo depois de termos a experiência das operações de causa e de efeito, pergunta, que bases existem na razão para inferir conclusões dessa experiência? A experiência apenas nos dá informação sobre ocorrências passadas: porque haveria de ser alargada a objectos futuros, que, tanto como sabemos, só se assemelham aos objectos passados na aparência? O pão alimentou-me no passado, mas que razões tenho para acreditar que o irá fazer no futuro?"

Anthony Kenny, Ascenção da Filosofia moderna, Edições Gradiva, Lisboa 2011, págs. 170-171.

A crença nas superstições implica estabelecer nexos causais entre acontecimentos diferentes que não têm qualquer relação entre si. Por exemplo:

Vi um gato preto na rua (causa) e, logo a seguir, parti um pé (efeito).
Tive negativa no teste de Filosofia (efeito) porque este foi realizado numa sexta-feira, dia 13 (causa).

Esta crença em causalidades fictícias tem um fundamento subjectivo (é uma crença irracional do sujeito) e não se baseia nem na experiência nem na razão.

Segundo Hume, as relações causais efectuadas no âmbito do quotidiano e da ciência dependem de factores psicológicos como o hábito e não têm, por isso, uma justificação racional ou empírica. Assim sendo, no âmbito do conhecimento vulgar e do científico, adquirimos a crença que a água vai aquecer com base na experiência passada.

Como é que podemos refutar esta ideia defendida por Hume? Será que podemos mostrar que as explicações científicas estão racionalmente justificadas?

Outros posts sobre a causalidade:

O problema da causalidade

A crença na causalidade é instintiva

quinta-feira, 22 de março de 2012

A causalidade segundo Hume

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“Todos os nossos raciocínios relativos a questões de facto, defende Hume, se baseiam na relação de causa e efeito. Mas como chegamos ao nosso conhecimento das relações causais? (…) Ao olhar apenas para a pólvora, nunca poderíamos descobrir que é explosiva; é preciso experiência para saber que o fogo queima as coisas. Mesmo as mais simples regularidades da natureza não poder estabelecidas a priori porque uma causa e um efeito são dois acontecimentos totalmente diferentes e um não pode ser inferido do outro. Vemos uma bola de bilhar a mover-se na direcção de outra e esperamos que transmita movimento à outra. Mas porquê?

A resposta, obviamente, é que descobrirmos as regularidades da natureza através da experiência. Mas Hume leva a sua indagação mais além. Mesmo depois de termos a experiência das operações de causa e de efeito, pergunta, que bases existem na razão para inferir conclusões dessa experiência? A experiência apenas nos dá informação sobre ocorrências passadas: porque haveria de ser alargada a objectos futuros, que, tanto como sabemos, só se assemelham aos objectos passados na aparência? O pão alimentou-me no passado, mas que razões tenho para acreditar que o irá fazer no futuro?"

Anthony Kenny, Ascenção da Filosofia moderna, Edições Gradiva, Lisboa 2011, págs. 170-171.

Como se podem tentar refutar as ideias que Hume defende?

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Matriz do 5º teste de Filosofia do 11º Ano (turmas B, D, E e F)

Temas:

A resposta de Descartes ao desafio céptico. A teoria do conhecimento de David Hume. Senso comum e conhecimento científico. O problema da demarcação: o critério verificacionista e o critério falsificacionista.

Matriz do 5º teste 11 C09

Matriz do 5º teste 11 C09 - 3

terça-feira, 12 de maio de 2009

A crença na causalidade é instintiva

“Tendo achado, em muitos casos, que quaisquer duas espécies de objectos – chama e calor, neve e frio – estiveram sempre combinados, se a chama ou a neve se apresentarem de novo aos sentidos, a mente é levada pelo costume a esperar o calor ou o frio e a crer que uma tal qualidade existe e se descobrirá após uma abordagem mais directa.

Esta crença é o resultado (…) de se colocar a mente em tais circunstâncias. É uma operação da alma [mente] (…) tão inevitável como sentir a paixão do amor, ao recebermos benefícios; ou do ódio, quando nos defrontamos com injúrias. Todas estas operações são uma espécie de instintos naturais, que nenhum raciocínio ou processo do pensamento (…) consegue originar ou impedir.”

David Hume, Investigação sobre o entendimento humano, Edições 70, Lisboa, 1985, pp. 50-51.

Chama vela Ou seja. Podemos observar, podemos ter impressões de duas coisas, como por exemplo a chama e o calor, mas não da conexão causal entre ambas. Consideramos que uma é causa da outra apenas porque observámos muitas vezes que uma se segue à outra (conjunção constante) e nos acostumámos a esperar que o mesmo suceda da próxima vez. Todavia, não consideramos que se trate apenas de um fenómeno psicológico: acreditamos que existe realmente uma conexão causal entre elas. Porque é que acreditamos nisso? Instinto, diz David Hume.

domingo, 10 de maio de 2009

O problema da causalidade

«Talvez um exemplo concreto possa ajudar a compreender o modo como David Hume abordou o problema da causalidade.

Imagine um bebé a quem os pais sempre tenham dado brinquedos macios e moles para se entreter. Esse bebé atira frequentemente os brinquedos para fora do berço, e eles caem no chão com um baque surdo. Um dia, o tio dá-lhe uma bola de borracha. O bebé examina-a de todos os ângulos, cheira-a, mete-a na boca, apalpa-a, depois deixa-a cair. Não obstante o exame cuidadoso a que submeteu a bola, o menino não tem maneira de saber que, em vez de cair suavemente no chão como os outros brinquedos, ela salta. Só pelo exame de uma coisa, diz-nos Hume constantemente, não poderemos dizer quais os efeitos que ela pode produzir. Só podemos determinar as suas consequências em resultado da experiência.bola de borracha

Imagine agora que o tio do menino ficou à espera de ver como brincaria ele com o seu presente. Quando o tio vê a bola cair, espera que ela salte. Se você lhe perguntar o que fez a bola saltar, ele responderá: ‘O meu sobrinho deixou-a cair’; ou ainda: ´Há uma conexão necessária entre deixar cair uma bola e ela saltar’.

Mas Hume faz uma pergunta mais profunda. Qual é a experiência que o tio tem e que falta à criança? O tio faz uso de conceitos como ´causa’ e ‘conexão necessária’. Se não se tratar apenas de palavras vazias, têm de se reportar de algum modo à experiência. Mas qual é, no caso presente, a experiência? A experiência do tio difere da experiência do sobrinho em quê?

A diferença consiste, para Hume, num facto simples. Ao contrário do sobrinho, o tio pôde observar, num grande número de casos, primeiro uma bola de borracha cair ao chão e, depois, o salto que ela dá. Na verdade, nunca na sua experiência houve um só caso em que uma bola de borracha tenha sido deixada cair numa superfície dura sem saltar, ou uma bola de borracha tenha começado a saltar sem primeiro ter caído ou ter sido atirada. Segundo Hume, há uma ‘conjunção constante’ entre a queda da bola e o salto que dá.

Mas como é que essa diferença de experiências entre o tio e o sobrinho engendra conceitos como ´causa’ e ‘conexão necessária’? O tio viu uma bola de borracha cair ao chão e saltar em muitas ocasiões, enquanto o sobrinho só viu isso acontecer uma vez. Todavia, o tio não viu nada que o sobrinho não tivesse visto também, apenas teve mais vezes a mesma sequência de experiências. Ambos observam que uma bola cai e depois salta – nada mais. O tio, porém, acredita que há uma conexão necessária entre a bola cair e saltar. E isto não é alguma coisa que ele encontre na sua experiência; a sua experiência é a mesma que a do sobrinho, só que se repetiu muitas vezes. Então, donde vem a ideia de uma conexão necessária, de uma ligação causal, se nunca foi directamente observada?

A ideia de que existem conexões causais entre os acontecimentos tem um papel importante no modo como compreendemos o mundo. Mas, quando vamos atrás desta ideia com seriedade , descobrimos que a conexão causal não é uma coisa que tenhamos alguma vez observado concretamente. Podemos dizer que o acontecimento A causa o acontecimento B , mas, quando examinamos a situação, descobrimos que é o acontecimento A seguido do acontecimento B aquilo que de facto observámos. Não existe uma terceira entidade, uma ligação causal, que também seja observada. Donde vem então essa ideia?»

Adapatado a partir de: Bryan Magee, Os grandes filósofos, Editorial Presença, Lisboa, 1989, pp. 141-143.

O livro Os grandes filósofos baseia-se numa série de programas de televisão transmitidos pela BBC em 1987. No programa sobre David Hume Bryan Magee conversou com John Passmore.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

As superstições e a crítica de Hume à ideia de causalidade


A crença nas superstições implica estabelecer nexos causais entre acontecimentos diferentes que não têm qualquer relação entre si. Por exemplo:
Vi um gato preto na rua (causa) e, logo a seguir, parti um pé (efeito).
Tive negativa no teste de Filosofia (efeito) porque este foi realizado numa sexta-feira, dia 13 (causa).
Esta crença em causalidades fictícias tem um fundamento subjectivo (é uma crença irracional do sujeito) e não se baseia nem na experiência nem na razão.
Segundo Hume, as relações causais efectuadas no âmbito do quotidiano e da ciência dependem de factores psicológicos como o hábito e não têm, por isso, uma justificação racional ou empírica. Assim sendo, no âmbito do conhecimento vulgar e do científico, adquirimos a crença que a água vai aquecer com base na experiência passada.
Como é que podemos refutar esta ideia defendida por Hume? Será que podemos mostrar que as explicações científicas estão racionalmente justificadas?