Mostrar mensagens com a etiqueta Sexo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sexo. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Será moralmente correto apoiar a pesquisa científica em troca de sexo?

Este é um excerto promocional do episódio ‘The Benefactor Factor’ da série The Big Bang Theory.

Depois de ver o episódio inteiro na aula tente responder às seguintes questões:

Segundo a ética kantiana, como se deve avaliar a atitude do Sheldon e dos outros amigos relativamente a Leonard e à possibilidade dele ter relações sexuais com a doadora? Concorda?

Se Leonard tentasse decidir segundo um critério utilitarista se devia ou não ter relações sexuais com a doadora a que conclusão chegaria? Concorda com essa conclusão?

Leonard acabou por ter relações sexuais com a doadora. Não o fez por motivos financeiros nem por amor, mas pela expetativa de um prazer excepcionalmente grande. Segundo a ética kantiana, Leonard agiu bem ou mal? E segundo a ética utilitarista? Quem tem razão na sua opinião?

 

sábado, 15 de maio de 2010

Imoral não quer dizer sexual

Segundo os jornais, uma professora posou nua para uma revista erótica. A Câmara Municipal de Mirandela afastou-a das actividades lectivas e colocou-a a trabalhar no Arquivo Municipal. Motivo: impedi-la de contactar com alunos e pais, devido ao “alarme social” provocado pelo caso. A esse alarme não é estranho, além das notícias saídas nos jornais, o facto das pessoas da cidade terem comprado todos os exemplares da dita revista que encontraram à venda e de algumas das fotografias em causa terem circulado por email e telemóvel.

Ao ler sobre o caso vieram-me à memória as seguintes linhas de Fernando Savater e de Peter Singer. Creio que o caso não merece mais comentários.

 

“Quando as pessoas falam de ‘moral’ e sobretudo de ‘imoralidade’, oitenta por cento das vezes – e estou com toda a certeza a calcular por baixo – o sermão trata de alguma coisa que tem a ver com sexo. Tanto assim é que há quem julgue que a moral se dedica antes de mais a ajuizar o que as pessoas fazem com as suas partes sexuais. O disparate não podia ser maior (…). No sexo, por si próprio, nada há de mais ‘imoral’ do que comer ou passear no campo; claro que uma pessoa pode comportar-se imoralmente com o sexo (utilizando-o para prejudicar outra pessoa, por exemplo), do mesmo modo que há quem coma a parte do vizinho ou aproveite os seus passeios para planear atentados terroristas.”

Fernando Savater, Ética para um Jovem, 14ª edição, Dom Quixote, Lisboa, 2007, pp. 115-116.

“Algumas pessoas pensam que a moral está ultrapassada nos dias que correm. Encaram a moral como um sistema de proibições puritanas descabidas que se destinam sobretudo a evitar que as pessoas se divirtam. Os moralistas tradicionais pretendem ser os defensores da moralidade em geral, mas o que defendem na realidade é um determinado código moral. Apropriaram-se desta área a tal ponto que, quando uma manchete de jornal insere o título BISPO ATACA A DECADÊNCIA DOS PADRÕES MORAIS, pensamos logo que se trata de mais um texto sobre promiscuidade, homossexualidade, pornografia, etc., e não sobre as verbas insignificantes que concedemos para a ajuda internacional às nações mais pobres nem sobre a nossa indiferença irresponsável para com o meio ambiente do nosso planeta.

Portanto, a primeira coisa a dizer da ética é que não se trata de um conjunto de proibições particularmente respeitantes ao sexo. Mesmo na época da Sida, o sexo não levanta nenhuma questão ética específica. As decisões sobre o sexo podem envolver considerações sobre a honestidade, o respeito pelos outros, a prudência, etc., mas não há nada disso nada de especial em relação ao sexo, pois o mesmo se poderia dizer de decisões respeitantes à condução de um automóvel.”

Peter Singer, Ética Prática, Gradiva, Lisboa, 2000, pág. 18.

A respeito desta questão veja também o post "O que é realmente imoral: o sexo ou a miséria extrema?"

sexta-feira, 20 de março de 2009

Será errado caricaturar os Papas por causa da sua recusa do preservativo?



"Dezassete anos depois de ter publicado o cartoon do Papa João Paulo II com um preservativo enfiado no nariz, que gerou uma enorme polémica em Portugal, o “Expresso” volta a publicar amanhã um novo cartoon assinado por António, em que o actual Sumo Pontífice, Bento XVI, é representado com um preservativo envolvendo toda a cabeça, depois de ter dito que esses contraceptivos podem fazer “aumentar o problema” da sida num dos continentes mais afectados pela pandemia: África."
Leia mais, no jornal Público, ou no jornal Expresso.
Observe os dois cartoons. Constituirão um exercício legítimo ou um abuso da liberdade de expressão? Terão os Católicos motivos para ficar ofendidos? Caso os Católicos fiquem ofendidos, será isso relevante?
Não responda a estas perguntas tendo apenas em conta as suas convicções religiosas, ateias ou agnósticas. Tenha também em conta os milhões de pessoas que já morreram devido à Sida, nomeadamente em África. Considere igualmente o facto de se calcular que em África existem actualmente cerca de 22,5 milhões de pessoas seropositivas - ou seja, 22,5 milhões de pessoas que se tiverem relações sexuais sem preservativo podem transmitir o vírus da Sida a outras pessoas. Depois, compare esses factos com as declarações do Papa Bento XVI, segundo o qual o uso do preservativo até pode piorar o problema.

Muitos responsáveis da Igreja Católica, nomeadamente o actual Papa, ao justificar a sua recusa do preservativo, afirmam que a sua utilização sugere uma instrumentalização do parceiro sexual, uma falta de respeito pela sua dignidade - o que seria imoral. Para eles, a utilização do preservativo, à semelhança da prostituição ou da escravatura, seria uma violação do Imperativo Categórico de Kant: "Age de tal forma que trates a humanidade, tanto na tua pessoa como na de qualquer outro, sempre simultaneamente como um fim, e nunca apenas como um meio". Terão razão? Porquê?
Porquê?

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A origem da censura

Os actos de censura motivados por acusações de obscenidade ou de pornografia fazem-me sempre lembrar uma história que li ou ouvi já não sei onde.

Ontem, a apreensão de alguns livros por terem na capa uma reprodução do quadro “A origem do mundo”, de Courbet, trouxe-me a história à memória. Infelizmente, hoje recordei-a também, pois li esta coisa hilariante: o Comando da PSP de Braga justificou a apreensão dos livros com o “perigo de alteração da ordem pública” que a exposição pública da obra supostamente estava a provocar.

A interpretação da história fica a cargo do caro leitor, pois, embora a Filosofia tenha muito a dizer acerca da liberdade de expressão, os motivos que levam alguém a armar-se em censor enquadram-se sobretudo na Psicologia e na Sociologia.

Eis a história.

Um dia uma senhora telefonou à Polícia queixando-se que, exactamente em frente à sua casa, um homem se banhava nu no rio. Depois de um polícia falar com ele o homem foi embora.

Pouco depois a senhora voltou a telefonar queixando-se que o homem continuava a banhar-se nu no rio, tendo-se limitado a afastar-se um pouco. Mais uma vez foi um polícia falar com o homem e ele foi embora.

Mas, ao fim de alguns minutos, senhora telefonou outra vez à Polícia e com a mesma queixa. O homem tinha-se afastado um bom bocado, mas continuava a banhar-se nu no rio.

O polícia, um pouco impaciente, disse-lhe:

- Minha senhora, é verdade que o homem continua a banhar-se no rio. Contudo, da sua casa já não é possível vê-lo, por isso...

A senhora interrompeu o polícia:

- Está enganado. Com uns binóculos ainda consigo vê-lo!