sexta-feira, 20 de março de 2009

Será errado caricaturar os Papas por causa da sua recusa do preservativo?



"Dezassete anos depois de ter publicado o cartoon do Papa João Paulo II com um preservativo enfiado no nariz, que gerou uma enorme polémica em Portugal, o “Expresso” volta a publicar amanhã um novo cartoon assinado por António, em que o actual Sumo Pontífice, Bento XVI, é representado com um preservativo envolvendo toda a cabeça, depois de ter dito que esses contraceptivos podem fazer “aumentar o problema” da sida num dos continentes mais afectados pela pandemia: África."
Leia mais, no jornal Público, ou no jornal Expresso.
Observe os dois cartoons. Constituirão um exercício legítimo ou um abuso da liberdade de expressão? Terão os Católicos motivos para ficar ofendidos? Caso os Católicos fiquem ofendidos, será isso relevante?
Não responda a estas perguntas tendo apenas em conta as suas convicções religiosas, ateias ou agnósticas. Tenha também em conta os milhões de pessoas que já morreram devido à Sida, nomeadamente em África. Considere igualmente o facto de se calcular que em África existem actualmente cerca de 22,5 milhões de pessoas seropositivas - ou seja, 22,5 milhões de pessoas que se tiverem relações sexuais sem preservativo podem transmitir o vírus da Sida a outras pessoas. Depois, compare esses factos com as declarações do Papa Bento XVI, segundo o qual o uso do preservativo até pode piorar o problema.

Muitos responsáveis da Igreja Católica, nomeadamente o actual Papa, ao justificar a sua recusa do preservativo, afirmam que a sua utilização sugere uma instrumentalização do parceiro sexual, uma falta de respeito pela sua dignidade - o que seria imoral. Para eles, a utilização do preservativo, à semelhança da prostituição ou da escravatura, seria uma violação do Imperativo Categórico de Kant: "Age de tal forma que trates a humanidade, tanto na tua pessoa como na de qualquer outro, sempre simultaneamente como um fim, e nunca apenas como um meio". Terão razão? Porquê?
Porquê?

3 comentários:

Zeca Portuga disse...

Para já, chamar a isto "um trabalho" é tão abusivo como chamar “esculturas” àqueles montículos de excrementos de cão que nos narcotizam as ruas e os relvados públicos.
Depois dizer algo do género: “em nome do direito à opinião”, se isso for ofender alguém da forma mais vil e aparvalhada e imbecil…onde está o direito? De ofender alguém?

Nas entrelinhas dos artigos 180 e 181 do Código Penal?
Qual outro direito?
Há um direito de ofender? Não sabia, muito me contam!

Aliás, se estivesse o Papa em Portugal, até se aplicava o artigo 322. Ou estou errado?

“Fazemos questão de respeitar a liberdade dos nossos cronistas e colaboradores.”

Ah!!!

Então eu posso ofender quem eu quiser, em nome da liberdade.
Só não percebo a razão pela qual o Expresso não publica todas as cartas de leitor!

confraria_da_alfarroba sociedade de irresponsabilidade e limitada disse...

antes do mais... não sou leitor do expresso e considero isto (caricatura) trabalho. porque trabalho é aquilo que produzimos com o objectivo de vir a receber um salário.
da questão posta - apenas uma frase já gasta. quem se expõe ao ridículo...
é suficiente, não?

Victor Afonso disse...

Como se o Papa pensasse em Kant para condenar o uso do preservativo...