quarta-feira, 4 de março de 2009

Os abraços: realidade ou fantasia? - A importância de refutar o cepticismo

Calvin & Hobbes, de Bill Waterson

As crianças pequenas têm dificuldade em distinguir os seres vivos dos seres inanimados. A diferença entre um tigre e um tigre de peluche para elas não é óbvia. Por isso, ao brincarem com um tigre de peluche tentam dar-lhe comida, falam com ele e imaginam que ele responde, abraçam-no, etc. E acreditam nessas fantasias: para elas são tão reais como uma conversa com a mãe.
Os cépticos radicais sugerem que a nossa representação do mundo pode estar completamente errada. Sugerem também que as coisas podem, afinal, ser muito diferentes da percepção que delas temos. Se esses cépticos tiverem razão, os seres humanos, por idosos e experientes que sejam, não passam de crianças grandes: abraçar a pessoa amada e falar com ela poderá ser tão fantasioso como abraçar e falar com um tigre de peluche.
Abraçar e falar com a pessoa que ama (para não falar nos familiares e amigos) são actividades que a cara leitora ou o caro leitor certamente valoriza. Por isso, não é irrelevante nem indiferente o facto de conseguirmos ou não conseguirmos refutar o cepticismo.

1 comentário:

sLx disse...

Talvez o problema esteja apenas numa questão de escala. No microcosmos somos comunidades de células sincronizadas pela bioquímica e por actividade eléctrica no cérebro. Mas foi na escala dos mamíferos que os Homo Sapiens vivem e se desenvolveram como indivíduos e onde criaram e mantêm as suas culturas. A evolução de conceitos como o único do eu, a personalidade, as matizes de emoções e desejos que definem as relações entre nós e o ambiente, ocorreram pela sua utilidade ao animal social que somos e, por isso, só fazem sentido nesta escala. Se nos virmos através de uma lupa ou de um telescópio não estaremos lá.