“As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar, senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento.” John Stuart Mill
quinta-feira, 26 de setembro de 2019
O médico que apenas sabe medicina, nem medicina sabe
quarta-feira, 25 de setembro de 2019
Quiz: questões sobre os tipos de conhecimento e a definição platónica
sexta-feira, 13 de janeiro de 2017
terça-feira, 7 de junho de 2016
domingo, 3 de janeiro de 2016
Links sobre epistemologia
Tipos de conhecimento
O que é o conhecimento?
Ficha de trabalho: identificação dos diferentes tipos de conhecimento
O conhecimento por contacto facilita as cunhas
Conhecimento proposicional?
O Deco não percebe nada de Epistemologia
O reconhecimento implícito da factividade do conhecimento
Um “sinal de Deus” será uma boa justificação?
Dois contra-exemplos à chamada definição tradicional de conhecimento
A matemática é a priori mas não é inata
Algumas imagens que nos levam a duvidar dos nossos olhos e o cepticismo radical
Como são parecidas a ilusão e a realidade!
O argumento céptico da regressão infinita da justificação: um exemplo
A dúvida metódica (este deveria ter sido o primeiro post deste blogue)
Razões para duvidar, segundo Descartes
Aconselhado:
O que é que realmente sabemos?
Penso, logo não cozinho!
Cegos que não sabem que são cegos
Em terra de cegos quem tem um olho não é rei
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
Uma questão de perspetiva
Imagem da autoria do holandês Maurits Cornelius Escher (1898-1970).
Retirado de: M. C. Escher, the official website - http://www.mcescher.com/
Quando observamos esta imagem, o que vemos depende dos pormenores em que focamos o nosso olhar.
O mesmo se passa, por exemplo, em relação a alguns acontecimentos da nossa vida: muitos deles são factos objetivos, mas o modo como os compreendemos depende da perspetiva em que nos colocamos. Daí que o nosso olhar possa ser, eventualmente, distorcido e a compreensão que obtemos falsa.
Há muitas possibilidades de distorção. Duas das mais frequentes são: uma situação nos parecer melhor do que na realidade é ou então pior do que na realidade é. Manter a lucidez e o espírito crítico é uma forma de as evitar.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Descartes: documentário e filme
Descobri, por acaso, este excelente documentário da BBC sobre a história da Matemática. Vale mesmo a pena ver.
É apresentado pelo professor Marcus du Sautoy e explica-nos as ideias dos mais importantes matemáticos ao longo da história. Como acontece em muitos programas da BBC, a clareza do discurso e o seu rigor científico impressionam. É uma boa oportunidade de aprender, garanto-vos.
No dois primeiros episódios do documentário é explicado o contributo do italiano Piero della Francesca e de Descartes, que além de filósofo foi um grande matemático (uma das suas invenções foi o referencial cartesiano… lembram-se das aulas de Matemática?). O episódio seguinte é sobre outros dois importantes matemáticos franceses: Marin Mersenne (com quem Descartes discutiu as suas ideias e trocou correspondência) e Pierre de Fermat, o mais famoso matemático do século XVII. Segue-se outro sobre Newton...
Descartes acabaria por se tornar um dos mais importantes filósofos de sempre. Tal como é referido no documentário, as suas ideias filosóficas inovadoras podem-se relacionar com a sua actividade como matemático.

Uma passagem do filme de Roberto Rosselini, "Descartes", realizado em 1974. É uma biografia do filósofo, físico e matemático francês René Descartes (1596 - 1650), considerado o fundador da Filosofia Moderna.
Rossellini baseia-se nalgumas das obras fundamentais de Descartes, como o Discurso do Método e as Meditações Metafísicas para com por a personagem do filme.
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
sexta-feira, 14 de junho de 2013
O que é o conhecimento?
Entrevista com o filósofo brasileiro Alexandre Meyer Luz, em que este analisa o problema da definição do conhecimento e outros tópicos relacionados.
O discurso de Alexandre Meyer Luz é muito claro e fácil de seguir. É, portanto, uma boa maneira de os alunos que estão a estudar para o exame nacional de Filosofia reverem parte da matéria de Epistemologia, embora – claro - não dispense algumas leituras.
Esta entrevista pode ser encontrada – juntamente com várias outras, igualmente interessantes – No Jardim da Filosofia, um projeto de Aires Almeida.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Uma folha de papel em branco
“Suponhamos então [uma vez que não existem ideias inatas] que a mente seja, como se diz, um papel branco, vazio de todos os caracteres, sem quaisquer ideias. Como chega a recebê-las? De onde obtém esta prodigiosa abundância de ideias (…)? De onde tira todos os materiais da razão e do conhecimento? A isto respondo com uma só palavra: da EXPERIÊNCIA. Aí está o fundamento de todo o nosso conhecimento; em última instância daí deriva todo ele.”
John Locke, Ensaio sobre o Entendimento Humano, Livro II, cap. 1, vol. 1, F.C. Gulbenkian, Lisboa, 1999, Pág. 106.
terça-feira, 12 de março de 2013
360º - Ciência Descoberta, na Gulbenkian
Esta exposição encontra-se na Fundação Calouste Gulbenkian, no edifício sede.
As informações que se seguem foram retiradas do site da Fundação Calouste Gulbenkian e dão-nos informações mais detalhadas.
"360º - Ciência Descoberta é uma exposição sobre a ciência ibérica na época dos descobrimentos. Apresenta os desenvolvimentos científicos e técnicos associados às grandes viagens oceânicas de Portugueses e Espanhóis nos séculos XV e XVI, e o impacto que causaram na ciência europeia. A exposição procura mostrar os diversos factores que modelaram as ideias e as práticas dos ibéricos nesse período – o fascínio com as novidades do mundo natural americano e asiático, a crítica do saber antigo, o estabelecimento de novas práticas empíricas, a disseminação de conceitos científicos pelos estratos menos instruídos da sociedade, os melhoramentos técnicos, os processos e as instituições de acumulação e gestão de novos conhecimentos – e como estes aspectos jogaram um papel significativo no nascimento da modernidade científica europeia.
O título – 360º - Ciência Descoberta – faz referência ao núcleo principal da exposição, isto é, o estabelecimento pelas nações ibéricas de rotas marítimas de escala planetária, e os novos horizontes científicos que elas abriram aos europeus. A exposição estará organizada em torno de quatro zonas temáticas:
- A imagem do mundo antes das viagens marítimas;
- O contacto com as novidades da geografia, da botânica, da zoologia, etc.;
- a criação de novas disciplinas de base matemática e os desenvolvimentos tecnológicos;
- O impacto da nova imagem do mundo no surgimento da ciência moderna."
Para mais informações, consulte o site da fundação, AQUI.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Como são parecidas a ilusão e a realidade!
“Os erros percetivos podem ser divididos em dois tipos: ilusões e alucinações. As ilusões dão-se quando objetos percecionados, apesar de existirem, possuem propriedades distintas das percecionadas. As alucinações dão-se quando os objetos percecionados nem sequer existem. (…)
Imagine-se que ao entrar numa sala vejo aquilo que me parece ser uma cadeira azul e que, sem saber, estou sob a ilusão de que a cadeira é azul por causa do modo como a sala se encontra iluminada, e que a cadeira é realmente branca. Da minha perspetiva, a minha perceção ilusória da cadeira azul é indistinguível de uma perceção verídica de uma cadeira azul. (…)
Quando se tem uma alucinação não há qualquer objeto externo responsável pela experiência percetiva. Contudo, do ponto de vista do sujeito a experiência de alucinar um oásis no deserto é indistinguível da experiência de ver um oásis no deserto.”
Célia Teixeira, “Epistemologia”, em Filosofia – Uma introdução por disciplinas, organização de Pedro Galvão, Edições 70, Lisboa, 2012, pp. 114-115.
Enquanto têm uma ilusão percetiva ou uma alucinação, as pessoas muitas vezes não têm consciência desse facto e julgam que se trata de perceções verídicas. Se juntarmos isso à indistinção referida no texto, como podemos garantir – perguntam os céticos - a veracidade das nossas perceções? Como podemos garantir que não estamos a alucinar neste preciso momento ou mesmo sempre?
Hergé, Tintim no País do Ouro Negro, Difusão Verbo, 2000, pág. 19.
Hergé põe os irmãos Dupond a falarem em miragens, mas julgo que na situação apresentada a palavra “alucinação” seria mais adequada, uma vez que as personagens julgam ver coisas que na realidade não existem. Ora, “as miragens, também conhecidas como espelhismo, não são uma alucinação provocada pelo forte calor. Elas são um fenómeno óptico real que ocorre na atmosfera formando diferentes tipos de imagens, podendo inclusive ser fotografado. Tal fenômeno ocorre devido às propriedades de refração da luz.”
Fotografia de uma miragem
Fonte da citação e da fotografia: InfoEscola.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
O reconhecimento implícito da factividade do conhecimento
São Tomé, de Caravaggio.
Mesmo as pessoas que desconhecem a teoria que define o conhecimento como uma crença verdadeira justificada e nunca depararam com a afirmação “o conhecimento é factivo”, reconhecem – implicitamente – que a verdade é uma condição necessária do conhecimento. Vejamos dois exemplos.
- O meu pai não encontra o carro, não sabe o que lhe aconteceu…
- É natural…
- Porquê? Sabes o que aconteceu ao carro?
- Sei. Foi roubado, é claro! Hoje em dia há imensos roubos e…
- … Espera aí, pois estou a receber uma mensagem de telemóvel. … É do meu irmão: diz que levou o carro do meu pai e se esqueceu de deixar um bilhete a avisar.
- Oh! Ainda bem para o teu pai que me enganei, mas julgava mesmo que tinha sido roubado.
- Afinal, não sabias o que tinha acontecido ao carro.
- Pois não. Pensei que sabia mas não sabia.
Quando uma pessoa reconhece que se enganou e que uma proposição em que acreditava é falsa, não diz que sabia: utiliza palavras como “julgava”, “pensava” ou “acreditava”. Ou seja: substitui os verbos factivos – como saber ou conhecer – por verbos não factivos.
Do mesmo modo, num livro de história da medicina não se diz que Aristóteles sabia que o coração era o órgão responsável pelo pensamento, mas sim que Aristóteles acreditava nisso ou julgava erroneamente saber isso.
Esse reconhecimento, contudo, não constitui uma compreensão clara e explícita, pelo que essas pessoas ficarão provavelmente surpreendidas se lhes dissermos que não se pode conhecer falsidades e que não existem realmente conhecimentos falsos.
(Acerca desta característica do conhecimento pode ler: O carácter factivo do conhecimento.)
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Um “sinal de Deus” será uma boa justificação?
Num episódio de uma série de TV antiga (talvez Uma Casa na Pradaria, não estou certo) um padre católico gastou todo o dinheiro que levava (destinado a comprar cereais para um orfanato) na compra de um cavalo. Os colegas que com ele trabalhavam no orfanato criticaram-no, pois sem os cerais as crianças passariam fome. O padre – que nada entendia do assunto - alegou que o cavalo poderia participar numa corrida de cavalos e ganhar. Depois, poderiam comprar todos os cereais que quisessem com o dinheiro de prémio. Os outros replicaram que o cavalo era demasiado irascível e irrequieto para sequer participar em corridas quanto mais ganhar (o cavalo desatava a dar coices assim que se aproximava uma pessoa e não se conhecia ninguém que tivesse conseguido montá-lo). Quando perguntaram ao padre porque tinha comprado aquele cavalo ele justificou a compra dizendo que tinha sido “um sinal de Deus”: a luz do sol ao passar por um buraco nas tábuas do estábulo projetara na parede uma sombra em forma de cruz. Os outros (apesar de católicos) disseram, muito consternados, que isso não passava de um acaso e que não era uma boa razão para comprar um cavalo gastando todo o dinheiro da instituição. Contudo, um dos órfãos (conhecido por ter muito jeito para lidar com os animais) conseguiu tornar-se “amigo” do cavalo, montá-lo e ganhar a corrida. Com o dinheiro do prémio foi possível não só comprar os alimentos necessários como fazer obras no orfanato e assim melhorar o serviço prestado pela instituição.
A crença do padre de que o cavalo iria ganhar a corrida revelou-se portanto verdadeira. Mas podemos dizer que o padre sabia que o cavalo iria ganhar a corrida e que portanto era acertado comprá-lo gastando todo o dinheiro?
Parece óbvio que o padre não sabia isso: o facto de ter formado uma crença verdadeira foi uma questão de sorte. A razão que o levou a comprar o cavalo é implausível (mesmo para pessoas que têm a mesma religião do padre) e não constitui uma justificação adequada. Com efeito, já sucedeu muitas vezes pessoas católicas (para não falar nas outras) avistarem sombras em forma de cruz sem que isso tivesse constituído qualquer sinal ou aviso. Por isso, embora tivesse uma crença verdadeira, o padre não possuía conhecimento pois essa crença não estava realmente justificada.
domingo, 13 de janeiro de 2013
Links sobre o problema do conhecimento: 11º B

Alguns dos textos disponíveis no Dúvida Metódica sobre a matéria que sairá na próxima ficha de avaliação. Bom estudo a todos!
1. Algumas relações entre os vários tipos de conhecimento
2. O conhecimento por contacto facilita as cunhas.
3. Ficha de trabalho: identificação dos diferentes
4. O carácter factivo do conhecimento
5. O tempo até pode ser relativo, mas a verdade não
6. Informação “útil” para adolescentes sobre a hora de deitar
7. Uma crença pode ser útil mas falsa
8. Previsão certeira de sismo em Itália: crença verdadeira, mas não justificada
9. Crenças
10. Obviamente!
11. O Deco não percebe nada de Epistemologia
12. Dois contra-exemplos à chamada definição tradicional de conhecimento
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
1984: a manipulação no discurso político
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Eric Arthur Blair (1903 - 1950), cujo pseudónimo é George Orwell, foi um escritor e jornalista inglês. Mais informações sobre o romance, AQUI.
Um romance que vale a pena ler. Atrevo-me a dizer: uma falha "grave" na cultura geral dos alunos que ainda não o leram.
Um documentário sobre o livro de George Orwell , "1984", que vale a pena ouvir.
Uma adaptação do livro para o cinema que vale a pena ver.
Estou convencida que uma forma de valorizar a democracia e a liberdade que temos, é perceber o que nos aconteceria num regime totalitário.
Boas reflexões filosóficas e políticas a todos!
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Mais entrevistas com o físico Richard Feynman
A entrevista, de que tinha disponibilizado AQUI a primeira parte, pode ser ouvida na integra nos vídeos seguintes. Feynman é um espantoso comunicador: clareza, simplicidade, espontaneidade e sabedoria.
É verdade, há coisas preciosas no Youtube que estão à mão de quem quiser descobri-las!
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Conhecimento proposicional?
I never saw a Moor -
I never saw the Sea -
Yet know I how the Heather looks
And what a Billow be.
I never spoke with God
Nor visited in Heaven -
Yet certain am I of the spot
As if the Checks were given -
EMILY DICKINSON
domingo, 24 de junho de 2012
A origem da perplexidade
«Os problemas intelectuais não surgem da ignorância, mas do conhecimento insuficiente. Um ignorante sente-se perplexo com pouquíssimas coisas. Quando um estudante vê problemas, já está lançado no objeto de estudo.»
Kurt Baier, “O sentido da vida”, in Viver para quê? – Ensaios sobre o sentido da vida, organização e tradução de Desidério Murcho, Dinalivro, 2009, Lisboa, pp. 62-63.




