Os critérios de correção:
critérios de correção do teste intermédio de filosofia de 2013 by SaraRaposo
A versão 1 do teste:
teste intermédio de filosofia 2013 versão 1 by SaraRaposo
A versão 2 do teste:
“As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar, senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento.” John Stuart Mill
Os critérios de correção:
critérios de correção do teste intermédio de filosofia de 2013 by SaraRaposo
A versão 1 do teste:
teste intermédio de filosofia 2013 versão 1 by SaraRaposo
A versão 2 do teste:
Nunca mais saem os critérios de correção do teste intermédio de Filosofia!
Entretanto, dois breves comentários:
O teste era grande demais e muitos alunos tiveram dificuldade de acabar a última questão.
O texto de David Hume associado a essa última questão não foi bem escolhido uma vez que contém ideias desse filósofo que não é suposto explicar, dado o programa e as orientações existentes. Contudo, isso não impedia os alunos de responder à questão formulada.
Na tentativa de contribuir para que a situação descrita no cartoon não se verifique, seguem-se links - organizados por temas - para textos, fichas de trabalho, testes e exames nacionais abrangendo todos os conteúdos programáticos indicados pelo GAVE (Teste intermédio de Filosofia 2013 - informações) para o teste intermédio de Filosofia deste ano letivo.
Data de realização: 17 de Abril, ou seja, é já a próxima quarta-feira!
Bom trabalho a todos!
1. A dimensão ética da ação humana. A necessidade de fundamentação da moral - análise comparativa de duas perspectivas filosóficas
1.1. A ética deontológica: Kant
Cumprir o dever pelo dever: um exemplo
Agir bem para evitar problemas
Quais são as acções que têm valor moral?
As pessoas não são instrumentos
Como se formula, na linguagem de Kant, o princípio que o Manelinho encontra escrito no livro?
Devemos mentir para salvar a vida de um amigo? – Não, diz Kant (1)
Devemos mentir para salvar a vida de um amigo? – Não, diz Kant (2)
"Mentiras boas" e outras objeções à ética kantiana
Porque é que devemos ser bons com os outros?
Por dever ou apenas em conformidade ao dever?
1.2. A ética utilitarista: Stuart Mill
O utilitarismo: ideias básicas
Argumentos contra o utilitarismo
As teorias éticas de Kant e Stuart Mill: ideias fundamentais
Apontamento sobre o Utilitarismo
1.3. Exercícios para resolver e questões para discutir sobre Kant e Mill
Rever Kant e Mill através das aulas de Michael Sandel (Os vídeos, que são excelentes e contém várias questões a que o autor responde, são: Qual é o mal de mentir? e Qual é a ação correta?)
Ética: fichas de trabalho sobre Kant e Stuart Mill
Para discutir na primeira aula de Filosofia
Lincoln: será correto mentir para defender a verdade?
2. Argumentação e lógica formal
A relação entre verdade e validade
Condições necessárias e suficientes: análise de um exemplo
A negação de proposições condicionais
Proposições contraditórias: análise de exemplos
Afirmação da antecedente e negação da consequente
3. Argumentação, retórica e filosofia
Contra-exemplo: o que é e para que serve
Dois exemplos de argumentos falaciosos a não seguir
Falácias informais do apelo à ignorância, da derrapagem e do boneco de palha
Exemplos das falácias do espantalho e da derrapagem
Exemplos da falácia do apelo à ignorância
O que é um argumento bom (ou cogente)?
O papel da retórica, segundo os sofistas e Platão
Filosofia, retórica e democracia: síntese das aulas do 11º ano
4. Exercícios para resolver sobre lógica formal, argumentação, retórica e filosofia
Ficha de revisão: identificação de argumentos não dedutivos
Teste de avaliação: noções de lógica e lógica proposicional
Teste de avaliação: lógica formal e informal
5. O problema do conhecimento e análise do ato de conhecer
Três significados de "conhecer”
Ficha de trabalho: identificação dos diferentes tipos de conhecimento
Algumas relações entre os vários tipos de conhecimento
O carácter factivo do conhecimento
O reconhecimento implícito da factividade do conhecimento
Um “sinal de Deus” será uma boa justificação?
Previsão certeira de sismo em Itália: crença verdadeira, mas não justificada
O Deco não percebe nada de Epistemologia
Dois contra-exemplos à chamada definição tradicional de conhecimento
Um “sinal de Deus” será uma boa justificação?
Algumas imagens que nos levam a duvidar dos nossos olhos e o cepticismo radical.
Como são parecidas a ilusão e a realidade!
O argumento céptico da regressão infinita da justificação: um exemplo.
O argumento céptico da divergência de opiniões.
Exemplo de divergência de opiniões: a música de Strauss é sublime ou mera gritaria?
Uma objecção ao argumento céptico dos erros e ilusões perceptivas.
É possível justificar a verdade das nossas crenças?
Uma dúvida inspiradora para os alunos do 11º ano
Cegos que não sabem que são cegos
Em terra de cegos quem tem um olho não é rei
5.1. Exercícios sobre o problema do conhecimento e análise do ato de conhecer
Teste de avaliação: o problema do conhecimento e o ponto de vista céptico
Aparência e realidade: um vídeo de Nigel Warburton
6. Análise comparativa de duas teorias explicativas do conhecimento
6.1. Descartes:
A dúvida metódica (este deveria ter sido o primeiro post deste blogue)
Razões para duvidar, segundo Descartes
Como é que Descartes pretendeu ultrapassar o ponto de vista dos cépticos
O solipsismo e a necessidade de Deus no sistema cartesiano
Aparência e realidade: um vídeo de Nigel Warburton
Penso, logo existo - uma ideia que toda a gente conhece?
Descartes: argumentos para provar a existência de Deus
A objeção de Kant ao argumento ontológico: a existência não é um predicado
O argumento ontológico: diálogo entre um crente e um ateu
Objeção ao argumento da marca: criar a ideia de perfeição é diferente de criar a própria perfeição
Objeção a Descartes: o cogito é um entimema e não é uma crença básica
O “Deus dos filósofos” e o “Deus da fé”
Os conceitos cartesianos de intuição e dedução
A matemática é a priori mas não é inata
6.2. Hume
Cegos que começam a ver: impressões e ideias
A crença na causalidade é instintiva
As superstições e a crítica de Hume à ideia de causalidade
A minha vida é real: conhecimento ou mera crença?
A abdução ou argumento a favor da melhor explicação
6.3. Exercícios para resolver e questões para discutir sobre Descartes e Hume:
Críticas a Descartes: Ficha de trabalho
Como se originou, segundo Hume, a ideia de Deus?
Teste de avaliação: Descartes e Hume
7. Testes intermédios realizados:
Enunciado do teste intermédio de Filosofia do 11º ano (2012) e critérios de correção
8. Exames nacionais e critérios de correção
Exame nacional de Filosofia 2013: informações
Enunciado e critérios de correção do exame de Filosofia da 1ª Fase de 2012
Enunciado do exame nacional de Filosofia 2012 da 2ª Fase e critérios de correção

No 11º ano, para a revisão dos conteúdos programáticos relativos a Kant e Mill - que sairão no teste intermédio de Filosofia a realizar no início do 3º período - aconselho o visionamento das aulas do filósofo e professor Michael Sandel. Os vídeos encontram-se neste blogue nos links seguintes:
O teste intermédio de Filosofia será realizado no dia 17 de Abril. Há algumas novidades em relação aos conteúdos programáticos que irão irão ser avaliados: ao contrário do ano passado, este ano o teste incide em conteúdos do 10º ano e não apenas nos do 11º ano.
Ti Inf2 Out2012 Fil Es
Este ano letivo apenas existirá teste intermédio de Filosofia no 11º ano. Data de realização: 16 de Abril.
Calendário dos testes intermédios 2012-13Preparei os alunos de três turmas do 11ºano para o teste intermédio de ontem. Nas aulas, tive em conta as informações do GAVE acerca do teste intermédio e as orientações para o exame nacional, como se pode perceber pelos materiais que aqui publiquei.
Defendo a existência de testes intermédios e de exames nacionais em Filosofia, pois - entre outras razões - considero a sua aplicação importante para credibilizar o ensino de uma disciplina cuja imagem pública não é boa, mas que bem ensinada permite aos alunos adquirir competências fundamentais, como por exemplo a capacidade de argumentação e o pensamento crítico. Essas formas de avaliação externa contribuem para alcançar vários objetivos importantes: melhorar a qualidade do ensino, levar os alunos a estudarem mais, tornar mais justa a aplicação dos critérios de avaliação e, ainda, avaliar o trabalho dos professores de forma mais objetiva e rigorosa. Esses são alguns dos aspetos positivos mais relevantes, mas há outros.
O que não parece desejável é cada professor de Filosofia “inventar” para seu lado (com a desculpa de que “em Filosofia é tudo muito subjetivo” e, portanto, não se tem de justificar aquilo que se faz nas aulas) e não ter que prestar contas públicas pelos resultados obtidos. Parece-me que algumas pessoas, mas não todas claro, são contra os exames principalmente porque não querem expor as suas próprias fragilidades científicas e pedagógicas, para não falar da sua preguiça mental. Contudo, como diz um velho ditado: quem não deve não teme!
Esta é a minha posição de fundo. Por isso, mesmo criticando algumas das questões presentes neste teste intermédio, julgo que a existência deste tipo de avaliação é boa. Prefiro, apesar de tudo, um teste intermédio com defeitos à não existência de nenhum, deixando alguns professores de Filosofia entregues aos seus “devaneios” e a ensinarem tudo menos Filosofia. Pelo menos assim todos têm a ideia que, bem ou mal, os conteúdos programáticos são obrigatórios e têm de ser dados nas aulas. Claro que se os defeitos dos testes e dos exames forem demasiados, a existência destes deixa de se justificar porque isso nos obrigaria a ensinar mal os alunos para não os condenar a ter maus resultados.
Este teste não avaliou a capacidade crítica e exigiu apenas competências mínimas ao nível da interpretação de textos e dos conhecimentos filosóficos. A propósito dos conceitos e teorias filosóficas era solicitado ao aluno apenas para explicar, comparar, indicar, diferenciar, nomear e identificar. Em nenhuma das questões era pedido que se avaliasse criticamente o que quer que fosse (apesar das informações do GAVE indicarem esta competência). Alguns dos meus alunos observaram, após o teste, e com razão: “a professora quer que nós saibamos apresentar argumentos a favor e contra cada tese; que sejamos capazes de dar a nossa opinião, mas isso não nos foi pedido.”
Tal como eles, eu também me sinto defraudada, sobretudo pelo facto do teste não ter em conta aquilo que é mais importante na Filosofia: a análise crítica e a discussão de argumentos.
A escolha dos temas das questões do teste também é criticável. Um dos temas centrais do programa, “a teoria do conhecimento de Descartes”, ficou praticamente de fora, se excetuarmos a questão 2.2. do grupo III, em que os alunos deveriam comparar as perspetivas de Descartes e David Hume quanto à origem do conhecimento. Ora, os professores gastam um número significativo de aulas a explicar a posição cartesiana, distinguindo-a da dos céticos e de David Hume. Como pode, então, atribuir-se tão pouco peso a estes conteúdos programáticos? Colocar, em vez de Descartes, questões sobre temas que são filosoficamente irrelevantes (pergunta 1. e 2. do grupo I e 1. do grupo III) e que não exigem um esforço de compreensão e reflexão comparável não foi uma opção correta. Acerca das três questões referidas, alguns alunos meus observaram – e muito bem - que as respostas dependiam apenas da análise dos textos, não requeriam nenhum dos conhecimentos filosóficos estudados, além de que eram vagas.
Em relação à problemática do conhecimento, existiam questões bem mais pertinentes e claras para se colocar do que sobre o “objeto do conhecimento”. Por exemplo, as que dizem respeito à definição tradicional de conhecimento e aos contraexemplos a esta definição.
A terminologia utilizada continha algumas imprecisões filosóficas, tal como os critérios de correção, que o Desidério Murcho e o Aires de Almeida já apontaram e analisaram aqui, aqui e aqui.
Tudo isto contraria o bom senso, além de revelar uma ideia errada acerca do que é, de facto, importante no ensino da Filosofia.
A verdade é que muitos professores, como eu, levaram a sério as orientações vindas do ministério para o exame nacional. Entre os alunos que fizeram o teste intermédio, há alguns que já se inscreveram para fazer o exame nacional de Filosofia. A classificação que obtiverem irá determinar, nalguns casos, se entram nos cursos universitários que pretendem. Por isso, é legítimo os alunos e os professores perguntarem, como me fez uma das minhas alunas: “Será que o exame também vai ser assim? “
Não sei responder. Mas gostava de saber o que pensam os autores das orientações do programa para o exame nacional (Alexandre Sá, Manuela Bastos, Maria do Carmo Themudo, Pedro Alves e Ricardo Santos) sobre o teste intermédio que foi feito ontem e também se o exame nacional será elaborado nos mesmos moldes.
As pessoas que assinaram as orientações para o exame fizeram-no enquanto representantes de instituições ligadas à Filosofia e ao seu ensino. Deveriam ter, portanto, no exercício dessas suas funções, obrigação de prestar esclarecimentos públicos sobre este assunto. Aliás, não percebo porque não o fizeram já. Mais, tenho dúvidas se essas instituições fazem tudo o que devem para promover a qualidade do ensino da Filosofia. Se o fizessem perceberiam a importância do teste intermédio conter questões que apelassem à análise crítica e à discussão de argumentos.
Eu sou responsável pelos resultados dos meus alunos nos testes intermédios e no exame nacional. Porém, a responsabilidade não deve ser exigida só aos professores, mas também às instituições ligadas à Filosofia (cujos representantes assinaram as orientações para o exame nacional emanadas do ministério para as escolas) que também são responsáveis pela qualidade do seu ensino, nomeadamente pelos testes e exames aplicados a nível nacional. Ou não? Nesse caso, para que servem, então, essas instituições?
O que muitas pessoas ligadas à Filosofia (incluindo alguns dos professores de Filosofia do secundário) parecem não perceber é que caminhamos todos, alegremente, para o abismo. Ou seja, para o descrédito e para um novo desaparecimento do exame nacional de Filosofia... E, quem sabe, da própria disciplina.
É necessário e urgente que as várias instituições e pessoas responsáveis pelo ensino da Filosofia se sentem à mesa e procurem elaborar um novo programa de Filosofia - filosoficamente rigoroso e adequado à formação dos alunos do secundário. É necessário que entendam a importância de melhorar a qualidade do ensino da disciplina de Filosofia no ensino secundário. A Filosofia merece ser melhor tratada. Os alunos e os professores também.
Para saber mais sobre este livro, ver AQUI.
Transcrevo do livro 7 ideias filosóficas que toda a gente devia conhecer - da autoria de Desidério Murcho - algumas passagens que poderão ser, pela sua clareza, esclarecedoras para o teste intermédio de sexta.
Outros materiais disponibilizados neste blogue acerca dos conteúdos programáticos em que irá incidir o teste intermédio (fichas de trabalhos, testes, textos...), podem consultados AQUI.
Um bom estudo a todos! :)
(…) «Será que sabemos realmente o que cremos saber?» (…) Quatro anos apenas depois da publicação do Discurso, Descartes publicou – em latim, desta vez – uma obra filosófica mais pormenorizada, cujo título completo é Meditações sobre a Filosofia Primeira, nas quais são demonstradas a existência de Deus e a distinção entre a Alma e o Corpo. Foi nesta obra que Descartes inventou o famoso génio maligno (…).
O génio maligno é um ser poderoso, mas tão perverso, que nos engana continuamente: sempre que cremos ver algo, estamos a ser vítimas de uma ilusão, de maneira que esse algo não existe ou é totalmente diferente do que parece (…).
A hipótese do génio maligno torna mais nítido um problema central de uma área da filosofia que se chama «teoria do conhecimento» ou «epistemologia» (que deriva do termo grego episteme, que significa «conhecimento»). Entre outras coisas, nesta disciplina trata-se de investigar qual é a justificação última das nossas crenças. Mas o que é isso de «justificação última»? E, já agora, o que é uma crença?
Uma crença não é o mesmo que uma crença religiosa. Todas as crenças religiosas são obviamente crenças, mas muitas crenças não são religiosas: são crenças matemáticas, científicas, históricas ou de senso comum. O leitor tem a crença de que está a ler este livro e de que a Espanha é maior que Portugal. Uma crença é apenas uma representação, verdadeira ou falsa, que alguém faz de algo.
Por sua vez, a justificação última é aquele tipo de justificação que não depende de qualquer outra (…).
(…) dizer apenas «sei que estou a ler um livro porque é isso que vejo e sinto» não é uma justificação última. É uma justificação, e não é de modo algum uma má justificação, mas não é uma justificação última – porque depende de outras crenças que, por sua vez precisam também de ser justificadas.
Se lhe ocorre agora que ao raciocinar dessa maneira nunca conseguiremos parar porque nunca descobriremos justificações últimas, já está a pensar filosoficamente. Só que ainda não considerou cuidadosamente se realmente não descobriríamos tais justificações. O melhor a fazer é então responder a esse desafio e tentar descobri-las. Foi o que fez Descartes.
O cogito
Descartes estava convencido de ter descoberto pelo menos uma crença cuja justificação não depende de quaisquer outras crenças: a crença de que ele mesmo existe. Na gíria académica chama-se «cogito cartesiano» a esta crença, devido à expressão latina cogito, ergo sum (penso, logo existo), e o nome latino de Descartes: Renatus Cartesius.
O raciocínio de Descartes é que mesmo sob a extravagante suposição de que um génio maligno me engana sistematicamente, ele não me pode enganar se eu não existir (…).
Sempre que vejo árvores, talvez não existam árvores na realidade; sempre que me lembro de algo talvez se trate de uma falsa memória; quando sinto e vejo ter um corpo com certas características talvez esteja iludido – quem sabe se, de facto, me pareço com lagartixas ou besouros, e não com um símio sem pêlos?
Talvez tudo isto ocorra, pensa Descartes, se a hipótese do génio maligno for verdadeira. Mas para que todas essas ilusões possam existir, para que o génio maligno me possa enganar, é preciso que eu exista.
A crença de que existo não pode ser falsa em qualquer das circunstâncias em que pondero se existo ou não – ou em que pondero seja o que for (…).
(…) a crença de que existo como ser pensante é, por um lado insusceptível de refutação e, por outro, constitui – por isso mesmo – a justificação última de todas as nossas crenças. Vejamos brevemente este segundo aspecto.
Tome-se uma crença perceptiva, como a de que o leitor está com este livro na mão. Trata-se de uma crença muito diferente das crenças matemáticas. Estas últimas não se justificam recorrendo à experiência, mas antes ao cálculo matemático: ao pensamento puro.
Já no que respeita às crenças perceptivas, faz sentido justificá-las recorrendo à experiência perceptiva: o leitor sabe que está com este livro na mão porque é isso que sente e vê. Mas Descartes considera que esta justificação, apesar de perfeitamente adequada não é última – pois se formos vítimas do génio maligno, o facto de parecer que o leitor vê e sente o livro é compatível com a inexistência do livro. O que justifica a confiança nos sentidos terá de ser outro conjunto de considerações que Descartes procura retirar do próprio cogito. Daí que Descartes pense que a justificação última das nossas crenças, incluindo as perceptivas, não repousa nos sentidos.
Deste modo se vê que uma posição filosófica aparentemente absurda – como poderá alguém crer que o conhecimento do que vemos não se baseia inteiramente nos sentidos? – não, é afinal, tão absurda assim. Poderá ser falsa, mas é avisado começar por compreendê-la bem para tentar então defender que é.
Desidério Murcho, 7 ideias filosóficas que toda a gente devia conhecer, Editorial Bizâncio cap. 1.
Testes de avaliação - acerca de grande parte dos conteúdos programáticos avaliados no teste intermédio - que apliquei no ano letivo de 2010-11.
Temas: Teorias explicativas do conhecimento: Descartes e Hume
Descartes:
Uma dúvida inspiradora para os alunos do 11º ano
A dúvida metódica (este deveria ter sido o primeiro post deste blogue)
Razões para duvidar, segundo Descartes
Como é que Descartes pretendeu ultrapassar o ponto de vista dos cépticos
O solipsismo e a necessidade de Deus no sistema cartesiano
Descartes: argumentos para provar a existência de Deus
A objeção de Kant ao argumento ontológico: a existência não é um predicado
O argumento ontológico: diálogo entre um crente e um ateu
Objeção ao argumento da marca: criar a ideia de perfeição é diferente de criar a própria perfeição
O “Deus dos filósofos” e o “Deus da fé”
Críticas a Descartes: Ficha de trabalho
Os conceitos cartesianos de intuição e dedução
A matemática é a priori mas não é inata
Hume:
Cegos que começam a ver: impressões e ideias
Como se originou, segundo Hume, a ideia de Deus?
A crença na causalidade é instintiva
As superstições e a crítica de Hume à ideia de causalidade
Temas: Descrição e interpretação da atividade cognitiva
Algumas relações entre os vários tipos de conhecimento
O Deco não percebe nada de Epistemologia
O conhecimento por contacto facilita as cunhas
O carácter factivo do conhecimento
2 contra-exemplos à chamada definição tradicional de conhecimento
Temas: Argumentação, retórica, filosofia e democracia
O tempo até pode ser relativo, mas a verdade não
Retórica e democracia: Ficha de trabalho
A retórica, os sofistas e Platão: Ficha de trabalho
Filosofia, retórica e democracia: síntese das aulas do 11º ano
Temas: Falácias informais e argumentos não dedutivos
Falácias informais do apelo à ignorância, da derrapagem e do boneco de palha
Guia das falácias de Stephen Downes
Análise filosófica de um anúncio publicitário (1)
Análise filosófica de um anúncio publicitário (2)
Um cartaz político falacioso (3)
Se nós desistirmos, eles também desistem?
O mal deve-se a Deus ou ao homem?
Dois exemplos de argumentos falaciosos a não seguir
Trabalhos dos alunos: Falácias na política
Trabalhos de alunos sobre falácias informais
Exemplos da falácia do apelo à ignorância
Ficha de Revisão: falácias informais
Ficha de revisão: identificação de argumentos não dedutivos
Quais são as falácias informais usadas pelas personagens do vídeo?
Falácias informais utilizadas na publicidade - exercício de aplicação
Ficha de Trabalho (sobre os diferentes tipos de argumentos)
Temas: Argumentação e lógica formal. Lógica proposicional – percurso B
Qual é a utilidade do estudo da Lógica?
A relação entre verdade e validade
Proposições contraditórias: análise de exemplos
Preparação para o teste intermédio: Ficha nº 1 (as variáveis proposicionais, os operadores verofuncionais e as tabelas de verdade)
Preparação para o teste intermédio: Ficha nº 2 (a formalização de proposições e o âmbito dos operadores)
Disjunção inclusiva ou exclusiva?
Condições necessárias e suficientes: análise de um exemplo
A negação de proposições condicionais
Disjunção inclusiva: Nat King Cole ou Stan Getz
Afirmação da antecedente e negação da consequente
Estudar Filosofia: evita choques elétricos e malentendidos no namoro
Os conteúdos e as competências sobre os quais irá incidir o teste intermédio já foram avaliados nos quatro testes realizados ao longo deste ano letivo. Antes de cada teste disponibilizei, neste blogue, uma matriz.
Aconselho os alunos a voltarem a analisar as matrizes dos testes (nomeadamente os conteúdos e os objetivos), pois isso permite-lhes não só ter uma visão geral das várias temáticas abordadas como uma noção dos conteúdos programáticos específicos respeitantes a cada um dos temas.
As informações sobre o teste intermédio de Filosofia do 11º ano, que se irá realizar no próximo dia 20 de Abril, disponibilizadas pelo ministério e pelo GAVE foram as seguintes (clicar para aceder):