Demasiado optimista
«(…) Uma outra área a respeito da qual Mill se revela, porventura, excessivamente optimista é a liberdade de expressão. O filósofo parte do princípio de que, no embate entre a verdade e o erro, a verdade triunfará. Mas tal pode não ser o caso. Mill subestima o poder da irracionalidade na vida humana. Muitos seres humanos encontram-se fortemente motivados para acreditar em coisas que não são verdadeiras (…). As transformações a nível tecnológico têm tido como resultado uma disseminação muito mais alargada das opiniões, não havendo qualquer evidência de que, por entre as diversas opiniões agora largamente difundidas, se tenha verificado uma forte tendência para o triunfo da verdade sobre o erro.
Liberdade positiva
Uma outra crítica à abordagem de Mill da questão da liberdade é que, ao concentrar-se na noção de liberdade relativamente a qualquer interferência e ao defender a ideia de tolerância, o filósofo não considerou um sentido mais importante da palavra “liberdade”. Mill apresentou uma análise do que é usualmente designado por liberdade negativa ou liberdade de, enquanto o que é necessário, de acordo com alguns críticos, é considerar a liberdade positiva ou a liberdade para. Aqueles que defendem a liberdade positiva argumentam que, visto a sociedade não ser perfeita, conceder-se às pessoas espaço para viver as suas vidas não é suficiente para lhes garantir a liberdade. Existem inúmeros obstáculos à obtenção de liberdade, que vão desde a falta de recursos materiais e educacionais a impedimentos psicológicos (…). Aqueles que defendem o sentido positivo de liberdade acreditam que, para os indivíduos satisfazerem o seu potencial enquanto seres humanos e, como tal, serem genuinamente livres, todos os tipos de intervenção do Estado podem ser necessários (…).»
Podemos apresentar outras objecções à perspectiva de Stuart Mill? Quais?








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