domingo, 11 de janeiro de 2009

Contra o "eduquês": ser ensinado ajuda a aprender e não é incompatível com a autonomia

Um dos principais problemas do ensino em Portugal é a enorme influência das absurdas ideias pedagógicas habitualmente designadas por "eduquês". Actualmente, a formação pedagógica dos professores portugueses promovida pelo Ministério da Educação resume-se a lavagens ao cérebro com essas ideias. Felizmente é possível aprender a ser bom professor sem a ajuda do Ministério.
Helena Damião, num post do Rerum Natura, desmonta em breves mas certeiras palavras um dos dogmas do "eduquês", derivado de Piaget: "a criança não deve ser ensinada, ou seja, direccionada para determinada aprendizagem pelo professor, porque, quando se encontra no momento apropriado para a fazer, é capaz de a fazer autónoma e criativamente (por si só e em colaboração com outras crianças) sendo que (só) desta maneira, atinge a compreensão".
Helena Damião mostra que não é assim e que pelo contrário "as crianças precisam de ser ensinadas (ou seja, ajudadas pelo professor) para compreenderem e criarem".

4 comentários:

Rosa Oliveira disse...

Permita-me "duvidar metodicamente"...


«Um dos principais problemas do ensino em Portugal é a enorme influência das absurdas ideias pedagógicas habitualmente designadas por "eduquês". »

A designação «eduquês», não a compreendo muito bem. Talvez seja algo semelhante ao «filosofês», «futebolês» e outros «ês»...
Define «eduquês» como a influência de absurdas e habituais ideias pedagógicas, remetendo a um texto onde, se "desmonta em breves e certeiras palavras um dos dogmas desse «eduquês»", a saber: "a criança não deve ser ensinada, ou seja, direccionada para determinada aprendizagem pelo professor, porque, quando se encontra no momento apropriado para a fazer, é capaz de a fazer autónoma e criativamente (por si só e em colaboração com outras crianças) sendo que (só) desta maneira, atinge a compreensão". Se o referido texto, mostra, efectivamente, que assim não é, caberia discutir com a autora. Deixemos essa questão, portanto.
Esquartejar um autor, descontextualizando-o desta forma para o responsabilizar por um dos principais problemas do ensino em Portugal, é um acto de coragem.Evidentemente que não estou a fazer a apologia das teorias de Piaget, mas é, a um tempo, exagerada e simplista a argumentação. Em Piaget, poderá estar um erro e não um dogma. O dogma, penso, encontramo-lo no «interpretês» [inventei agora]: falaciosa interpretação desta ou de outra teoria pedagógica. A lavagem ao cérebro, seja a do ministério aos professores ou dos professores aos alunos, decorre das teorias pedagógicas em si mesmas ou do uso (imbecil [esquartejado e colado num desconexo amontoado eclético, impossível de praticar numa unidade turma) que delas se faz? Piaget está a falar da escola pública portuguesa? Piaget está a falar do acto de ensinar numa organização curricular como a nossa?
Isto remete-me para a expressão «facilitador da aprendizagem», ou outra : «interesse do aluno». São dogmas? Não creio. Podem ser imbecilidades, por exemplo, se se entender por interesse do aluno ir perguntar à criancinha o que quer fazer e aceitar que ele faça e pseudo-discuta, rigorosamente, o mesmo que vê na televisão, no grupo de amigos, em casa... seria desnecessário ir à escola, portanto. Aliás, por esta ordem de «interpretês», a escola é uma estúpida invenção que deve acabar. O interesse do aluno, obviamente, será ensinar-lhe (facilitando-lhe/facultando-lhe/oferecendo-lhe...) o que, sem a escola, não poderia aprender.
Em síntese, vim só para dizer: No «futebolês» a culpa é sempre do árbitro, no «eduquês» a culpa é das ideias pedagógicas e no «interpretês» a culpa pode ser do árbitro ignorante, do árbitro corrupto, do erro do árbitro... entre outras possibilidades que me escapam.

Carlos Pires disse...

"Eduquês" designa as ideias e o "dialecto" da maioria das pessoas ligadas às Ciências da Educação. A influência dessas pessoas no ensino em Portugal tem sido um desastre: quase não temos exames nacionais, muitos programas são pura ideologia politicamente correcta... Se quiser uma boa explicação desse desastre leia a crónica de Helena Matos no Público de hoje acerca da treta da escola inclusiva. Calculo que não ache uma treta.
Espero, já agora, que o Dúvida Metódica lhe possa ser útil.

Rosa Oliveira disse...

Obrigada pela sugestão.
Terei gosto e interesse em ler a crónica que sugere. as questões educativas, interessam-me, basicamente, pelos seguintes motivos:

i) Sou professora de filosofia.

ii) Sou mãe com filhos em idade escolar a frequentarem a escola pública portuguesa.

iii) Sou cidadã deste país (atrasado, imbecil, invejoso, atávico...........) à beira-mar plantado.

«Calculo que não ache uma treta.
Espero, já agora, que o Dúvida Metódica lhe possa ser útil.»

Não conheço os fundamentos dos seus cálculos, pois que, não os explicitou.
O «Dúvida Metódica» é-me de grande utilidade.

Permita-me, também, uma sugestão:
releia o meu comentário anterior.

Rosa Oliveira disse...

Caro Carlos Pires,
li a crónica.
Não acrescentou nada de significativo ao meu pensamento sobre o assunto, fosse ao nível do diagnóstico, da justificação ou do rumo a dar à escola pública. A crónica, também, não invalida a essência do meu primeiro comentário.
Continuo sem entender se o seu cálculo considera (1) eu achar a designada «escola inclusiva» uma treta ou (2) eu achar a crónica uma treta.
Na linha da nossa troca de palavras, tomo a liberdade de lhe perguntar:

1.
Considerando que «ser ensinado ajuda a aprender e não é incompatível com a autonomia», será que, Cristiano Ronaldo (aquele que nos é dado a conhecer, filho daquela família, nascido na ilha da Madeira...), poderia ter sido professor de filosofia em Portugal?


2.
Considerando que «a criança não deve ser ensinada, ou seja, direccionada para determinada aprendizagem pelo professor, porque, quando se encontra no momento apropriado para a fazer, é capaz de a fazer autónoma e criativamente (por si só e em colaboração com outras crianças) sendo que (só) desta maneira, atinge a compreensão» será que, Cristiano Ronaldo (aquele que nos é dado a conhecer, filho daquela família, nascido na ilha da Madeira...), poderia ter sido professor de filosofia em Portugal?

Obrigada
Saudações