quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Silly season chega à filosofia

«Filósofo suíço está a escrever um livro no aeroporto de Heathrow. Para escrever o novo livro, Alain De Botton, autor de "A arte de viajar" e "Como Proust pode mudar tua vida", tornou-se residente desse aeroporto, o de maior tráfego na Europa.»

O livro chamar-se-à "Uma semana no aeroporto: Diário de Heathrow". Vamos aguardar para saber se haverá alguma filosofia no livro ou se esta se ausentou. De avião.

Clique aqui se quiser informar-se melhor acerca desta patetice.

8 comentários:

mfc disse...

Hummmm... não me cheira!

bell disse...

Já foi feito. E era um filme. Com o Tom Hanks.
eheh

Rolando Almeida disse...

Acredito que para nós, profissionais da filosofia, o Alain de Botton saiba a pouco, mas atenção que tem sido um divulgador da filosofia a um nível muito básico com alguns pontos de interesse. Confesso que não admiro muito o seu trabalho, mas acredito que seja um trabalho com valor para o grande público. Já li um livro dele, o consolo da filosofia, dos primeiros senão mesmo o 1º a ser traduzido e acho-o interessante para leitores menos habituados à filosofia mas que são curiosos.

Carlos Pires disse...

Rolando:

Confesso que nunca li nada dele. Mas acredito que tenha méritos.
O que escrevi não pretende pôr isso em causa, mas criticar o exibicionismo subjacente à iniciativa. Parece uma coisa ao estilo "Big Brother" (aquele abjecto programa que havia na Tv e que depois inspirou outros).
Seja como for, não expliquei nada disso no post e por isso a tua observação tem razão de ser. Obrigado!

Carlos Pires disse...

mfc:

também tenho dúvidas acerca do interesse filosófico do futuro livro, mas essa é uma matéria onde não se deve fazer juízos a priori. Aguardemos pelo dito cujo. E se calhar é isso que o Botton quer: criar expectativas, fazer publicidade.

bell:

Não vi o filme. A personagem também é um filósofo a tentar escrever um livro?

Rolando Almeida disse...

Carlos,
É possível que exista aqui um problema de interessante discussão: imagina lá o Peter Singer. Creio estarmos de acordo que tem sido um filósofo de relevo na área da ética aplicada e, com efeito, o homem aparece com relativa frequencia em talk shows na TV americana, alguns daqueles com contornos de humor. Penso que depende da forma como a coisa é feita: se um criador tem obra com mérito e usa os meios de comunicação de massa para fazer chegar a sua mensagem, tudo bem. Agora se usa os meios de comunicação de massa para se auto promover sem ter obra de interesse, se o seu trabalho é inócuo, assim sim parece que há algo bem questionável. É interessante que uma vez mostrei ao Desidério um programa de rádio de filosofia, em que se discutiam problemas de filosofia de um modo muito curioso (tipo philosophy talk) mas os genéricos do programa era feitos com guitarradas rock. Se fosse na europa tal não teria grande aceitação. estamos mais habituados a ouvir trechos de Chopin em programas considerados de âmbito cultural. Resta saber até que ponto estamos debaixo de fogo de preconceitos ou não. Para tua curiosidade na altura o Desidério não achou grande piada, mas eu, que sou um amante de rock de garagem e muito electrico, lo fi, até gostei muito da ideia.
abraço

Rolando Almeida disse...

Ah, O bell deu uma boa referência. A ideia não é nova. O filme é com o Tom Hanks e é do Robert Zemeckies (é assim que se escreve?)

Carlos Pires disse...

Rolando:

Também não vejo que haja qualquer problema à participação de filósofos e cientistas em programas de TV (ou noutros meios de comunicação). Se aquilo que lá disserem for claro (e acessível a não especialistas) e rigoroso, é desejável que lá vão muitas vezes. Nunca vi nenhuma participação televisiva do Singer, mas é certamente o caso.

Esta coisa do Botton parece ser diferente e filiar-se naquela mania actual da vida em directo.

Quanto ao estilo cultural (digamos assim) dos programas. Eu gosto de Chopin e de rock (embora seja um ouvinte preguiçosos e ignorante em ambos os casos) e acho que ambas as possibilidades combinam bem com a filosofia.
Claro que nos meios culturais portugueses existe muita afectação e o Chopin ou o Bach acabam sempre por aparecer - por motivos pouco estéticos, para utilizar um eufemismo.

abraço