sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Não ser o único pode ser mau sinal

"O solipsismo é a crença segundo a qual, para além de mim, só existem as minhas experiências. (...) Bertrand Russell conta-nos que conheceu uma mulher que se dizia solipsista e que achava estranho não existirem mais pessoas como ela."
Simon Blackburn, Dicionário de Filosofia, Gradiva, 1997, pág.413.

2 comentários:

Joana Afonso disse...

Só uma questão: Se eu entendi bem a ideia de solipsismo, esta senhora, suposta solipsista, que Russell conheceu, não devia querer mais pessoas como ela, já que supostamente para ela esssas pessoas não existem, certo?

Carlos Pires disse...

Exacto, Joana.
Se ela tivesse razão ao declarar-se solipsista isso significaria que só ela existia.

O que se passa é que quando consideramos ter razão achamos simultaneamente que essa razão não é algo subjectivo, só nosso - mas sim algo partilhável pelos outros.

Por isso, aquela senhora ao achar que as razões a favor do solipsismo são verdadeiras foi levada a pensar que poderiam ser reconhecidas por outras pessoas.
O que, claro, é incompatível com o solipsismo.

Em breve publicarei um post com esta ideia:
Quando pensamos, quando falamos presumimos - mesmo sem querer - a existência de outras pessoas. Há muitas palavras que não fariam sentido sem o pressuposto de que existem outras pessoas. E...

Mesmo assim, o solipsismo não é uma mera parvoíce. Qualquer pessoa (nomeadamente eu) acredita que é falso - mas demonstrar isso é mais difícil do que parece, como veremos no 2º período.