quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Meia idade em pleno Inverno

Dizem que o frio a sério vai chegar amanhã a Portugal.

Fotografia de André Kertész, Inverno de 1954

MEIA IDADE

Agora, em pleno Inverno, o monótono
passeio a pé, Nova Iorque
penetra através dos meus nervos,
enquanto caminho
nas ruas apinhadas.

Aos quarenta e cinco,
e a seguir, a seguir?
Em cada esquina,
encontro o meu Pai,
com a minha idade, ainda vivo.

Pai, perdoa-me
as minhas ofensas,
como eu perdoo
aqueles que
tenho ofendido!

Nunca subiste
ao Monte de Sião, deixaste porém
pegadas
de dinossauro na crosta
onde devo caminhar.

Poema: Robert Lowell

Fotografia: André Kertész, Washington Square, Inverno de 1954.

1 comentário:

Diana Todica disse...

Gostei tanto do poema!!
Lembrei-me agora de um meu, que há já algum tempo que o escrevi e que o dediquei ao meu pai, que faleceu... com cancro. Dediquei-lhe inúmeros poemas e este foi um deles. Ainda hoje não consigo aceitar... Isto pode não ter tanto a ver, mas gostaria de o partilhar...

Num dia triste e friamente memorável,
como nunca, me sinto tão culpada
A despedida ficou para demasiado tarde
e agora como nunca me sinto uma cobarde.

Querido pai que sempre te amarei
espero que me consigas perdoar
Prometo que nunca te esquecerei
pois para mim, o lugar mais importante irás ocupar.

A oportunidade de mais uma vez te abraçar
escapou, e agora não dá para a recuperar
A tua felicidade nem sempre por mim oferecida
faz-me não parar de me lamentar.

Criou-me um vazio impossível de preencher
um buraco no coração que não dá para remediar.
Agora, como nada conseguirei fazer
ficarei apenas dos bons momentos a me relembrar.

Querido pai que sempre te amarei
perdoa o tempo irrecuperável, perdido
Um erro que para sempre carregarei
Sem sequer ter conseguido, pelos bons momentos te ter agradecido.

Amo-te mais do que qualquer pessoa
e espero nunca te ter decepcionado.
A tua voz ainda na minha mente ecoa
E nunca tive tantas saudades de contigo ter estado.

Nunca me esquecerei dos bons momentos passados
que agora me causam uma grande mágoa no coração
nem sei como me pudeste escapar,
como pudeste ir embora na mais péssima situação.

Partiste antes do tempo certo,
muito prematuramente, pois da vida continuarias a gozar
e como da cura estiveste tão perto,
nem acredito como pudeste parar de lutar.

Uma angústia que faz duro nó na garganta
lembra-me sempre do dia em que não te vi
a amarga tristeza ainda canta
desde o dia em que te perdi.

Querido pai que sempre te amarei
em ti não páro de pensar
É como se tudo tivesse acontecido apenas ontem
constantes feridas continuam a se criar.

É algo mais do que irrecuperável,
mais do que sofrimento intolerável
Sufoco-me ao tentar sempre ser forte
mas por vezes não aguento, deixo-me levar pela amargura lamentável.

Sempre esperei que passasse depressa,
que no dia seguinte pudesse acordar
e ver que finalmente conseguiste vencer
e continuar alegre e paciente como sempre conseguiste ser.

Querido pai que sempre te amarei
sei que não mo contaste só para me proteger,
Mas pelo menos sei
que esperança nunca parei de ter.

E porque tudo o que acontece, faz parte da dura realidade,
eu nunca de acordo irei estar.
Como podem ser levadas pessoas assim, sem piedade,
e que tantas outras pode destroçar?

Querido pai que sempre te aamrei
que esqueças a tristeza e descanses em paz
Prometo que nunca te esquecerei,
pois opara mim, oo lugar mais importante sempre irás ocupar.

23 e 24 de Fevereiro de 2011