Qual é a falácia? Porquê?
Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009
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“As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar, senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento.” - John Stuart Mill, Sobre a Liberdade
O objectivo deste blogue é partilhar ideias e materiais com alunos, professores e outros eventuais interessados. Ideias e materiais úteis para o estudo e para o ensino da Filosofia no ensino secundário.
O blogue constitui também um instrumento de trabalho que os autores e os seus alunos utilizam, em casa e nas aulas, como complemento dos Manuais adoptados na escola.
Mais raramente, também poderá surgir uma ou outra opinião sobre o estado a que isto chegou.
Críticas e sugestões são bem-vindas.
Sara Raposo
Carlos Pires

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2 comentários:
A falácia presente consiste no facto de este argumento apresentar ideias que não se opõem, como era suposto. As premissas apresentadas dizem a mesma coisa por palavras diferentes.
O que está representado no cartoon é uma empresa que discute sobre um produto, provavelmente um spray, e o director apresenta dois factos: em primeiro lugar, os cientistas dizem que o spray vai destruir a camada de ozono, ou seja, é mau para o ambiente, o que acaba por ser verdade, mas quando ele utiliza a expressão “contudo” está a querer apresentar uma ideia oposta na segunda premissa, em que ele diz que o mercado prevê que o spray irá vender muito bem.
Assim sendo, se a segunda premissa for verdadeira, então remetemo-nos para a primeira premissa, pois dizer que o spray irá vender muito bem é sinónimo de dizer que muitas pessoas o vão utilizar e , consequentemente, a camada de ozono será destruida.
Podemos então concluir, que não existem dilema nenhum. Estamos perante uma falácia do falso dilema.
Guilherme Grave 11ºB nº9
Guilherme:
Peço desculpa pelo atraso na publicação e na resposta, as razões desse facto já foram referidas na aula.
Agradeço o seu comentário. O exemplo do cartoon remete para a falácia do falso dilema, como bem referiu.
Gostaria só de especificar que este tipo de argumento é informalmente inválido porque apresenta na primeira premissas duas alternativas, como se fossem únicas, quando estas de facto não o são.
Assim, a primeira premissa deste falso dilema é uma disjunção, que pode ser enunciada, por exemplo assim: Não contribuímos para a destruição da camada do ozono ou obtemos grandes lucros. Segunda premissa: Contribuímos para a destruição da camada do ozono. Conclusão: Logo, obtivemos grandes lucros.
Supondo que o argumento se pode construir deste modo, a sua forma é válida. Todavia, é informalmente inválido. A primeira proposição é falsa porque de facto existem outras alternativas e não é obrigatório escolhermos entre estas duas, por exemplo o referido produto poderá ser vendido noutro tipo de embalagem (ainda que isso possa acarretar uma diminuição dos lucros da empresa), de forma a não provocar danos na camada do ozono.
Deste modo, aquilo que refere “ as premissas apresentadas dizem a mesma coisa por outras palavras” não corresponde ao que acontece, pois a segunda premissas nega uma das alternativas e a conclusão afirma a outra alternativa.
Cumprimentos.
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