terça-feira, 25 de maio de 2010

A diversidade cultural: tradições e costumes de Cabo Verde

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Um pano de terra.

                                

Uma canção popular de Cabo Verde.

Pedi aos alunos, ao explicar a teoria do relativismo cultural moral, que apresentassem tradições de diferentes países.

A minha aluna Jocemira Ribeiro – a quem agradeço - escreveu um texto sobre alguns aspectos típicos da cultura de Cabo Verde, o seu país de origem. Vale a pena ler. 

O relativismo moral e cultural é uma  teoria filosófica acerca do valor de verdade dos juízos morais, segundo a qual a verdade ou a falsidade destes varia de sociedade para sociedade. Deste modo, o certo e o errado dependem do que a maioria das pessoas de uma sociedade aprova ou desaprova. Portanto, a acção de um indivíduo é ou não correcta consoante o código moral instituído na sociedade a que ele pertence.

De acordo com este critério, as práticas das diferentes sociedades têm igual valor desde que sejam reconhecidas pela maioria dos indivíduos dessa cultura. Assim, uma acção considerada correcta numa sociedade pode ser  errada noutra, a moralidade é relativa.

A defesa dos pressupostos desta teoria conduz ao conformismo, ou seja, à aceitação da opinião da maioria, contribuindo para a coesão social e para a tolerância entre culturas. No entanto, o respeito pela diversidade cultural só é benéfico quando as práticas culturais não têm efeitos nocivos. Por exemplo, a excisão genital praticada em certos países é uma tradição que não respeita os direitos fundamentais das pessoas. Por isso, a relatividade dos juízos morais torna-se não só discutível como indefensável.

Irei falar de alguns exemplos que ilustram a cultura do país onde nasci: Cabo Verde. A cultura desta  antiga colónia portuguesa apresenta algumas características específicas que permitem distingui-la de outras culturas, por exemplo:

- A língua nacional: o “crioulo”, embora a língua oficial seja o Português (falado na escola, na administração pública etc.).

- A música tradicional: A morna, o funaná, a coladera e a culinha. A morna é vista como uma forma de expressar a poesia através da música. A culinha é um tipo de dança marcada pelo uso de instrumentos de percussão rudimentares. Nesta dança usa-se roupa vermelha.

- O artesanato tem grande importância na cultura cabo-verdiana. A tecelagem e a cerâmica são artes muito apreciadas no país. Por isso, muitos utensílios e objectos de decoração são feitos manualmente.

- A gastronomia, onde podemos encontrar pratos típicos como a cachupa, este prato varia um pouco de ilha para ilha, pois por vezes usam-se ingredientes diferentes. Mas tem como base o uso de milho branco (eu pessoalmente gosto mais da cachupa da ilha da Brava).

- As crenças religiosas: a maior parte da população é cristã católica. Esta dedica-se bastante à pesca e à agricultura e, como prezam muito o mar, há uma festa religiosa no “dia da Nossa Senhora dos Navegantes”, protectora dos pescadores.

- O vestuário tradicional: o pano de terra que se usa bastante na cintura e na cabeça.

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Cachupa.

Uma dança tradicional de Cabo Verde, o funaná.

Jocemira Ribeiro, 10º A

 

Trabalho enquadrado no projecto BIA.

8 comentários:

Mar Arável disse...

Respeitar a diferença

é um avanço civilacional

que todos devemos preservar

Sara Raposo disse...

Mar Arável:

É verdade que devemos respeitar as diferenças culturais. Só há um pequeno senão: é que os costumes de certas sociedades não são todos cor de rosa, alguns violam direitos humanos fundamentais - por exemplo: as tradições da religião islâmica em relação às mulheres e ao casamento.

Nesse caso será o relativismo e o respeito pelos hábitos culturais defensável? Não terão estas pessoas direitos morais que deverão ser absolutos (como o direito à vida, à liberdade, à igualdade) e que não dependem do ponto de vista da sociedade em que se inserem?

Assim, em nome do respeito pela diferença podem justificar-se também atrocidades e o desrespeito pelos direitos humanos.
Cumprimentos.

Anónimo disse...

Interessante. Bela canção a de CE.

André disse...

Devemos respeitar os chineses que torturam e massacram cães ao ponto de lhes tirar a pele com eles vivos e os atirarem para uma pilha?
Devemos respeitar os dinamarqueses que torturam golfinhos e outros animais marinhos ao ponto de só considerarem homem que já efectuou o ritual de matar uma série de golfinhos num determinado dia do ano, só por divertimento?
Devemos respeitar os árabes que maltratam e torturam as mulheres, ao ponto de as enterrarem vivas por um mero beijo?
Devemos respeitar os toureiros que maltratam e torturam touros, por puro divertimento, numa arena?
Será que os devemos respeitar?

Marta pinheiro disse...

estou a fazer de momento um trabalho de sociedade e cultura contemporanea, e também tinha uma visão muito igualada à do andré, referida aqui a cima.
De facto, temos sim de nos respeitarmos e aceitar-nos mutuamente, so assim havera de facto paz no mundo. Como a rapariga que escreveu o artigo referiu, o que para nos, na nossa cultura pode ser ''bom'', para outros, de outra cultura pode ser considerado ''mau'', como tambem ao contrario.
Custa ver muito sofrimento nos seres vivos, principalmente os inocentes, tais como os animais que sao maltratados e as mulheres a que excedem os direito dos humanos, mas as pessoas foram ensinadas assim, sao as suas crenças, as suas religioes, os seus rituais, etc.
Há que saber aceitar-nos uns aos outros, por mais que custe, e muito!

Anónimo disse...

devemos respeitar as culturas dos outros mesmo não concordando!

Anónimo disse...

Pois, devemos respeitar levando em conta a diferença de cada cultura sabendo que não temos nem cultura superior nem inferior mas sim culturas diferentes.... Viver aceitando o que nos rodeia e não rejeita-la e muito menos descrimina-la tentando mostrar o que não existe, que é a superioridade

Anónimo disse...

Tudo isso é verdade... mas uma coisa não entendo, qual é a diferença entre o homem e os animais? Será que o homem é racional mesmo, e o animal não?