quinta-feira, 17 de março de 2011

O dia em que o Dúvida Metódica foi mais visitado

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O número de visitantes deste blogue, cuja média diária é actualmente mais de 450, nos dias que antecederam o teste intermédio de Filosofia subiu significativamente. Num dos dias chegou a 1200 (este numero não inclui, como é óbvio, as visitas dos autores deste blogue). O aumento destes números explica-se pela consulta dos materiais disponibilizados sobre os temas que iriam ser alvo de avaliação no teste intermédio (pode-se também verificar o aumento do número de leituras e cópias das  fichas disponibilizadas no programa Scribd: ver aqui e aqui).

Os autores deste blogue tornam públicos os seus materiais com o objectivo destes serem lidos e utilizados e, por isso, este aumento de visitantes é um facto muito positivo que nos apraz registar. Deixamos aqui um agradecimento a todos os leitores.

Contudo, não posso deixar de salientar um aspecto negativo. Sabemos que algumas destas visitas foram de professores de Filosofia: é fácil verificar (clicando no contador) que existem links para este blogue no Moodle de várias escolas e sabemos também, informalmente - por intermédio dos nossos alunos que têm colegas noutros pontos do país e aqui em Faro - que muitos professores utilizam os recursos que aqui disponibilizamos nas aulas, alguns deles sem indicarem sequer a fonte. No entanto, desde Setembro de 2008 (data em que este blogue foi criado) e apesar de ter mais de 186.000 visitas (e o número total de páginas visualizadas ser de 358.253, em média 888 páginas diárias) cabem nos dedos de duas mãos os professores de Filosofia que emitiram opiniões, críticas ou sugestões sobre o trabalho que aqui desenvolvemos. O que pensar então desta “partilha” (agora também decretada pelo Ministério da Educação como um critério de avaliação dos professores)?

O que pensar da ausência de feedback por parte alguns professores de Filosofia que, embora sejam utilizadores frequentes dos recursos que aqui disponibilizamos, não deixam um único comentário, crítica ou sugestão?

Não julgo que este súbito aumento de visitantes se explique por uma valorização da partilha, ou da discussão e da troca de ideias. Penso que a causa será antes a lei do menor esforço: utilizar o trabalho dos outros para não ter trabalho. É humano. Porém, era desejável que houvesse por parte dos professores de Filosofia, um genuíno interesse intelectual pela disciplina que leccionam ou pelos materiais aqui disponibilizados, em vez de uma perspectiva puramente instrumental. Pode não ser simpático ou agradável, mas creio ser esta a verdade, na maioria dos casos. Há poucas excepções e isso diz muito acerca do nível do ensino secundário, em particular da Filosofia, em Portugal.

8 comentários:

Pedro Ricardo Tordo disse...

Isto é um país de gente mesquinha, invejosos e medrosos. As pessoas têm medo de se comprometer e por isso não arriscam opiniões. Acham também que se diminuem se reconhecerem o mérito aos outros.

O que a Sara disse relativamente ao blog passa-se em muitas áreas da sociedade portuguesa.
A nossa crise não é só económica!

Sara Raposo disse...

Pedro:

Embora não concorde com a sua generalização quanto à mediocridade dos portugueses, julgo que tem razão, ao referir que a crise em Portugal não é apenas económica e tem um carácter mais abrangente. Por exemplo, refere-se também à falta de uma ética do trabalho, em que se valorize o esforço e se distinga a qualidade.

Quem trabalha nas escolas sabe o que isto significa: manter-se em silêncio e ignorar o trabalho dos outros - mesmo que seja hipocritamente como eu falo no post - é uma atitude defensiva. Quem o faz pretende assim evitar distinções que ponham a nu a sua falta de empenhamento ou de mérito.

Assim, aquilo que poderia ser uma oportunidade para partilhar, melhorar e aprender com o trabalho dos outros, é encarado ou instrumentalmente ou, então, como exibicionismo, complexo de superioridade por parte de quem expõe em público o seu trabalho. Outro factor importante, que explica o modo de pensar e a atitude de muitas pessoas em Portugal, é a reverência por certos intelectuais. É necessário que alguém diga ao seu séquito quem deve seguir. A ideia de alguém avaliar criticamente o trabalho dos outros, pensando pela sua própria cabeça, e sem as instruções de uma autoridade, está fora de questão.

Só há uma forma de encarar este tipo de atitude e de pessoas: compreender que vivem fechadas num quintal, ignorando que fora dele existe um vasto mundo por conhecer.

É na tentativa constante de adquirir mais e melhor conhecimento que devemos concentrar a nossa energia e os nossos esforços. Tudo resto é um ruído de fundo com o qual não se aprende nada. E que a mim não me interessa.

Cumprimentos.

Rolando Almeida disse...

Uma palavra de apreço pelo vosso trabalho. Somente agora estou a actualizar os feeds e a ver este post, com efeito, hoje mesmo recomendei na reunião semanal com os colegas da minha escola, o vosso blog. O esforço contínuo é meritório, mas sei por experiência própria que muitos colegas não produzem material original para as suas aulas até porque, pelo menos numa fase inicial, é mais arriscado. Em tempos tive registos como os vossos de visitas no meu blog. Isso aconteceu por duas razões: na altura o meu blog era algo solitário na blogosfera em termos de divulgação de algum material para o secundário (embora nunca disponibilizasse tanto como vós material pessoal, em partes porque nem em todos os anos tenho leccionado filosofia), mas também pelo êxito das análises que produzi aos manuais, nos anos de 2007 e 2008. Por essa altura não deixei de ficar impressionado com a quantidade enorme de insultos que recebi, ao ponto de ter sido indirectamente citado como “lixo” num site de um manual de um grande grupo editorial. Com que direito um colega de filosofia que fez um manual com erros graves, chamou à minha análise lixo?
Tenho arquivos completos do Dúvida Metódica, Logosfera entre alguns outros. Confesso que é também a partir destes materiais e dos que retiro dos livros que produzo os meus materiais.
Há ainda uma outra questão que se prende com esta: vejo todos os anos professores retirarem materiais de outros manuais. Eu próprio o faço quando o manual adoptado é um mau manual em relação a outras opções. E já vi de tudo: vi professores que têm adoptado o pensar azul roubar materiais ao Arte, mas também já vi professores com o Arte adoptado roubar material ao pensar azul :-)
É esperançoso pensar que a vossa iniciativa será um incentivo à partilha, mas também é, bem o sabemos, um risco. Se ao menos isso contribuir para um melhor ensino... com efeito, é de todo lamentável que os professores façam exactamente aquilo que condenam nos seus alunos, que é o copy past.
Na minha opinião também conduzo aqui a palavra até aos autores do arte que em muitos aspectos inauguraram uma nova forma de estar na filosofia (que devia ser natural) ao abrirem de forma gratuita e sem preconceitos o seu trabalho aos professores de filosofia e ao conseguirem fazer um manual com a colaboração de muitos. Pela minha parte foi esse conforto que me incentivou a usar a internet para comunicar com mais pessoas e transmitir, muitas vezes de um modo mais emotivo que racional, as minhas posições sobre um ensino da filosofia que penso ser mais completo, competente e profissional, mas sobretudo, muito mais precioso para os nossos estudantes. É por essa razão também que só tenho a agradecer-vos o modo como têm exposto todo o vosso trabalho e como deixam o vosso cunho no ensino da nossa disciplina. Da minha parte prefiro olhar para o ponto positivo que é saber que os vossos materiais, mesmo de forma abusiva, são usados nas aulas. Isso pode significar que os professores que o fazem, reconhecem qualidade e valor.
Depois, não sei se estou neste ponto muito certo, mas creio que enquanto uns roubam o trabalho dos outros, os outros já estão a inovar e a pensar novas formas de trabalhar e novos materiais para usar.
Da minha parte os meus genuínos parabéns. Pode ser que nos encontremos pessoalmente nos próximos encontros dos professores de filosofia, apesar que a minha circunstância insular me tem retirado de muitos encontros precioso. Não fosse a internet, e a minha insularidade seria muito maior.
abraços

MKK disse...

Achei que, como professores, poderiam ter interesse em ler sobre a educação num país diferente. Segue link para artigo "O Brasil é aqui" publicado na revista Piaui de Março.

http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-53/anais-da-educacao/o-brasil-e-aqui

Sara Raposo disse...

Rolando:

Ambos agradecemos as palavras amáveis em relação ao trabalho desenvolvido.

Concordo contigo quando dizes que os autores do manual "Arte de pensar" iniciaram um modo de partilhar e transmitir ideias que se reflectiu positivamente no ensino da disciplina de Filosofia em Portugal. Para não falarmos da colecção Filosofia Aberta, da editora Gradiva, e de inúmeras traduções de obras filosóficas fundamentais. Eu, e julgo que muitos outros professores de Filosofia deste país, devemos isso a algumas pessoas: ao Desidério Murcho, ao Aires de Almeida, ao Pedro Galvão, ao Vítor Guerreiro e ao trabalho de muitos outros, sem os quais as minhas aulas e o blogue Dúvida Metódica não poderiam ser o que são.

Pode ser que, no futuro, venha a ser possível cruzar-nos num dos encontros de Filosofia... até lá a insularidade pode ser quebrada através da troca de ideias.

Cumprimentos.

Elisa disse...

Boa tarde.
Não sei alguma vez aqui comentei, mas estes post alertou-me para o facto de ser uma vossa leitora relativamente assídua e não manifestar o meu apreço pelo vosso trabalho. Mea Culpa.
Sou docente de Filosofia, este ano de 10.º ano, na Região Autónoma da Madeira. Apesar de já conhecer o vosso blog há algum tempo (penso que já passei acidentalmente por cá em outros anos), só este ano tornei-me leitora assídua.
Recomendo-o aos meus alunos e alunas e já recorri a alguns dos textos sugeridos, entre outros resultantes das minhas leituras, na produção dos materiais das minhas aulas. Também já descobri livros que de outro modo poderia desconhecer a partir deste vosso trabalho.
Da minha parte, ainda que tardiamente, aqui fica o testemunho e agradecimento.
Elisa Seixas

Sara Raposo disse...

Elisa:

Obrigada pelas suas palavras amáveis.
Esperamos que este blogue continue a ser útil para si e para os seus alunos. Desejamos ainda que possa, no futuro, vir a expressar mais vezes as suas opiniões.

Cumprimentos.

Anónimo disse...

Olá, boa noite.
Deixo-lhe o link do blog que mantemos no âmbito de um projeto que é desenvolvido por três professores de Filosofia na escola onde leciono. Não é um blog sobre Filosofia, mas também.
http://des-igual-mente-jaimemoniz.blogspot.com/

Elisa Seixas