domingo, 12 de abril de 2020

O essencial sobre a existência de Deus



"As Aprendizagens Essenciais introduziram alterações significativas nos conteúdos de filosofia da religião a lecionar no ensino secundário. Surgem agora como autores de referência os teólogos e filósofos Anselmo, Tomás, Leibniz e Pascal. Este livro apresenta as ideias em questão destes autores, numa linguagem apropriada a estudantes do ensino secundário."

Palavras de Desidério Murcho, a propósito do seu livro A existência de Deus - O essencial, recentemente publicado pela Plátano.

Na página da editora encontra uma amostra do livro.



Este também existe no formato eBook.

Link para a editora:
Link para o blog "50 Lições", onde está a informação relativa ao eBook:

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Recursos de filosofia para o ensino à distância



Eu e a Sara Raposo elaborámos alguns materiais de apoio para usar no ensino à distância, mas também utilizáveis, quando for possível, no ensino presencial.

Duas planificações das atividades a realizar: uma para o 10º e outra para o 11º.

Uma ficha com itens de escolha múltipla e uma ficha com dilemas éticos (para o capítulo da Fundamentação da moral, do 10º ano), acompanhadas de propostas de resolução.

Um guião de análise do documentário “Why Beauty Matters?”, de Roger Scruton, e uma ficha com itens de escolha múltipla e de resposta restrita (para o capítulo da Filosofia da arte, do 11º ano), também com propostas de resolução. Saliento que muitos dos itens desta ficha incluem exemplos de obras de arte.

É de referir que todos esses materiais são editáveis, podendo os professores suprimir, acrescentar ou alterar o que entenderem.

Estão disponíveis, gratuitamente, no site da editora Leya: https://www.leyaeducacao.com/

Para aceder basta fazer uma rápida inscrição e depois visualizar o menu de recursos na Aula Digital.

Os colegas Domingos Faria, Luís Veríssimo e Manuel João Pires também elaboraram materiais, disponíveis no mesmo sítio. 

quarta-feira, 8 de abril de 2020

A origem do orgulho em si próprio

Vaidade, de Auguste Toulmouche (1829 - 1890)


«Acontece muitas vezes que, depois de termos vivido tempo considerável numa cidade mesmo que a princípio esta possa ter-nos desagradado à medida que nos familiarizamos com os objetos e nos familiarizamos mesmo que apenas com as ruas e edifícios, a nossa aversão diminui gradualmente e por fim transforma-se na paixão contrária. A mente encontra satisfação e à-vontade ao ver os objetos aos quais está habituada e prefere-os naturalmente a outros que, embora talvez em si mais valiosos, lhe são menos conhecidos. A mesma qualidade da mente leva-nos a ter boa opinião de nós próprios e de todos os objetos que nos pertencem. Estes objetos aparecem a uma luz mais forte, são mais agradáveis e por conseguinte mais apropriados do que qualquer outro para se tornarem motivos de orgulho e vaidade.»

David Hume, Tratado da Natureza Humana, Gulbenkian, Lisboa, 2012, pág. 415.

Pintura: Vaidade, de Auguste Toulmouche (1829 - 1890).

terça-feira, 7 de abril de 2020

Como comunicar e planificar no ensino à distância?

O vídeo mostra um webinar do professor Carlos Pinheiro acerca do ensino à distância.  Informações e sugestões acerca da comunicação e da planificação nesta modalidade de ensino.  

Ocorreu hoje, dia 7 de abril de 2020, e nos próximos dias realizar-se-ão mais dois, versando a concecão de recursos didáticos e a avaliação. 




domingo, 5 de abril de 2020

Um dilema ético gerado pela covid-19

«Imagine-se que amanhã chegam três pacientes em estado grave a um hospital com recursos escassos: um rapaz de 15 anos com diabetes, uma mãe de 25 anos sem historial de doenças e um avô com 80 anos. Por causa do novo coronavírus, eles estão a lutar pela vida e só nos resta um ventilador. A quem o devemos administrar? Qual é a acção correcta? Este não é um cenário meramente ficcional de uma aula teórica de ética; é algo que já está a acontecer em Itália, Espanha e, em breve, é provável suceder em Portugal.
Como possível resposta para esse dilema ético, há duas teorias éticas rivais: o consequencialismo das regras e a deontologia. Essas duas teorias aceitam que uma acção é moralmente correcta se, e só se, não infringir as regras morais correctas. Onde há desacordo é na concepção e fundamentação do que são “regras morais correctas”. Para o consequencialista das regras, tudo o que importa para determinar a correcção moral de uma determinada regra são as suas consequências, ao passo que, para o deontologista, há regras morais que não podemos quebrar mesmo que tenham as melhores consequências.
Por um lado, de acordo com o consequencialismo das regras, com raízes em Stuart Mill, as “regras morais correctas” são aquelas que, a serem adoptadas por todas ou quase todas as pessoas, mais promovem o bem de uma forma imparcial no máximo grau possível. Assim, devemos seguir aquelas regras que têm as melhores consequências. Para sabermos se uma regra moral é correcta, devemos imaginar como seria o mundo se todos ou quase todos a aceitassem. Se descobrirmos que a aceitação geral de uma regra seria prejudicial para a promoção do bem geral, teremos de considerá-la incorrecta. Mas se entendermos que a sua aceitação geral teria um impacto muito positivo no bem geral, então poderemos considerá-la correcta.
Por outro lado, de acordo com o deontologismo, com raízes em Kant, as “regras morais correctas” são (1) aquelas que podemos querer que sejam adoptadas universalmente e (2) aquelas que nos levam a tratar as pessoas como fins e não como meros meios. A ideia da cláusula (1) não consiste em ver se teria boas ou más consequências que todos agissem de acordo com uma determinada regra. Consiste, antes, em mostrar se é ou não possível todos agirem segundo uma tal regra. Já a cláusula (2) salienta que, seguindo uma regra moral correcta, nunca poderemos manipular as pessoas, ou instrumentalizá-las para alcançar os nossos objectivos.
Seguindo essas teorias éticas, que regra devemos adoptar para solucionar o dilema ético inicial? A quem devemos administrar o nosso único ventilador? Em Itália adoptou-se a seguinte regra para resolver esses casos: dar prioridade àqueles doentes com maior probabilidade de sucesso e esperança de vida. Mas será essa uma regra moral correcta, de acordo com as teorias acima descritas?
Podemos dizer que sim. Pois, por um lado, seguindo a ética consequencialista das regras, se violarmos essa regra e adoptarmos uma regra alternativa em que aplicamos o nosso único ventilador ao doente que tem menos probabilidade de recuperar, gera-se um estado de coisas que tem piores consequências: nessa situação é provável que todos morram. Por outro lado, seguindo a ética deontológica, pode-se argumentar que naquela situação de recursos escassos é possível todos agirem de acordo com a regra adoptada pela Itália e, além disso, será implausível defender que, ao adoptar-se uma tal regra, estamos a “instrumentalizar” as pessoas com menos probabilidade de sucesso de recuperação para alcançar os nossos objectivos. Simplesmente, dada a situação ilustrada pelo nosso dilema inicial, seria impossível dar a mesma assistência médica aos três doentes. Portanto, as duas principais tradições rivais da ética acabam por concordar nesta situação trágica.»

Domingos Faria, Jornal Público, 5 / 4 / 2020


sábado, 4 de abril de 2020

George Dickie

Morreu George Dickie (1926-2020), o autor da teoria institucional da arte. Depois de propor uma primeira versão da teoria teve em conta objeções que lhe foram feitas e reformulou-a. Um bom exemplo, portanto, do que por vezes se chama “atitude filosófica”.  

«O mundo da arte não requer procedimentos rígidos; admite e até encoraja a frivolidade e o capricho sem pôr em causa o seu propósito sério. Contudo, se não é possível cometer um erro na atribuição de estatuto envolvida na produção da arte, é possível cometer um erro ao conferir o estatuto de candidato à apreciação. Ao conferir um tal estatuto a um objeto, assume-se uma certa responsabilidade pelo objeto no seu novo estatuto. Apresentar um candidato à apreciação coloca-nos sempre perante a possibilidade de ninguém o apreciar e que em virtude disso a pessoa responsável pela atribuição perca a credibilidade. É possível fazer uma obra de arte a partir da orelha de uma porca, mas isso não a torna necessariamente uma bolsa de seda.»
         George Dickie, Introdução à Estética, Bizâncio, Lisboa, 2008, pp. 136-137.