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domingo, 3 de dezembro de 2023

O que nos une


 «Penso que a melhor descrição dos liberais como nós é mais moral do que política ou cultural: somos, ou aspiramos a ser, abertos, generosos e tolerantes. Somos capazes de viver com a ambiguidade; estamos dispostos a ter discussões que não sentimos que são para ganhar. Seja qual for a nossa ideologia, seja qual for a nossa religião, não somos dogmáticos; não somos fanáticos. Ou, como a atriz Lauren Bacall disse a um entrevistador, um liberal é alguém que “não tem uma mente pequenina”. (…)

Acredito que os democratas e os republicanos – quer sejam ou não membros dos respetivos partidos –, os libertários e os socialistas podem e devem ser este género de liberais. Para todos estes grupos, considerados no seu melhor, a moralidade liberal faz parte do território comum.»

 Michael Walzer, A Luta por uma Política Decente – “Liberal” Como Adjectivo,

Gradiva, Lisboa, 2023, pp. 16-17.

 


segunda-feira, 29 de março de 2021

Poderemos imaginar um regime político melhor do que a democracia?

Henry David Thoreau

«A evolução de uma monarquia absoluta para uma [monarquia] limitada e desta para uma democracia é o progresso do respeito pelos indivíduos. (…) Será a democracia, tal como a conhecemos, o último melhoramento possível do ato de governar? Não será possível dar-se mais um passo no reconhecimento e na organização dos direitos do homem? (…) Dá-me prazer imaginar um Estado que possa finalmente fazer justiça aos homens e tratar os indivíduos com respeito, como os vizinhos entre si.»

Henry Thoreau, A desobediência civil / Defesa de John Brown, Editora Antígona, Lisboa, 2015, pág. 49.

sábado, 23 de maio de 2020

O que é que o dinheiro não deve poder comprar?


«Há algumas coisas que o dinheiro não pode comprar, mas, hoje em dia, são cada vez menos. Atualmente, quase tudo está à venda. Eis alguns exemplos:
Uma cela de prisão mais cómoda: 82 dólares por noite. Em Santa Ana, na Califórnia, e noutras cidades, os delinquentes não violentos podem pagar por melhores instalações: uma cela limpa e sossegada, afastada das ocupadas pelos reclusos não pagantes. (…)
Barrigas de aluguer indianas: 6250 dólares. Os casais ocidentais que procuram barrigas de aluguer recorrem cada vez mais a esses serviços na Índia, onde o procedimento é legal e o preço é um terço inferior ao praticado nos Estados Unidos. (…)
O direito de abater um rinoceronte-negro em vias de extinção: 150 mil dólares. A África do Sul começou a permitir que os proprietários de herdades vendam aos caçadores o direito de matarem um número limitado de rinocerontes, por forma a incentivar os proprietários a criarem e a protegerem essa espécie em vias de extinção. (…)
O direito de emitir uma tonelada métrica de dióxido de carbono para a atmosfera: 13 euros. A União Europeia criou um mercado de emissões de dióxido de carbono que permite às empresas comprarem e venderem o direito de poluírem o ar.
A admissão do seu filho numa universidade prestigiada: montante desconhecido. Embora o preço não seja do domínio público, representantes de algumas das mais prestigiadas universidades relataram ao The Wall Street Journal que aceitam alunos que sendo tudo menos brilhantes e cujos abastados pais estejam dispostos a despender quantias substanciais de dinheiro. (…)
Hoje, a lógica de compra e venda já não se aplica apenas a bens materiais, mas domina cada vez mais todos os aspetos da vida. Está na altura de nos perguntarmos se queremos viver desta forma. (…)
Para lidar com esta situação, não nos basta protestar contra a ganância; precisamos de repensar o papel que os mercados devem desempenhar na nossa sociedade. Necessitamos de um debate público sobre o que significa manter os mercados no seu devido lugar. E, para que isso aconteça, precisamos de refletir sobre os limites morais dos mercados. Precisamos de nos perguntar se há algumas coisas que o dinheiro não deve comprar. (…)
[Nos últimos anos] passámos de uma situação em que tínhamos uma economia de mercado para uma situação em que somos uma sociedade de mercado. (…)
O grande debate ausente da política contemporânea tem que ver com o papel e o alcance dos mercados. Queremos uma economia de mercado ou uma sociedade de mercado? Que papel devem ter os mercados na vida pública e nas relações pessoais? Como podemos decidir que bens devem ser comprados e vendidos e quais devem ser regidos por valores não mercantis? Que domínios da vida o imperativo do dinheiro não deve reger?»

Michael J. Sandel, O que o dinheiro não pode comprar, Editorial Presença, Lisboa, 2015, pp. 13, 14, 16, 17 e 20.

sábado, 2 de maio de 2020

Morrer de fome


QUARENTENA

Na pior hora da pior estação
do pior ano de todo um povo
um homem saiu do albergue com a mulher
e caminhou- caminharam os dois - para norte.

Ela estava doente com a febre da fome e não o conseguia acompanhar.
Ele levantou-a e colocou-a às costas.
E caminhou assim para oeste, para oeste e para norte,
até ao anoitecer, sob as estrelas geladas.

De manhã, os dois foram encontrados mortos.
De frio. De fome. Das toxinas de toda uma história.
Mas os pés dela apoiavam-se no esterno dele.
O último calor da sua carne foi o último presente para ela.

Que nenhum poema de amor jamais chegue a este limite.
Não há aqui lugar aqui para o impreciso
louvor da elegância e da sensualidade do corpo.
Apenas tempo para este inventário impiedoso:

A sua morte no inverno de 1847.
O que sofreram. E como viveram.
E o que existe entre um homem e uma mulher.
E em que escuridão se pode ver melhor.

Eavan Boland e Dorothea Lange

Eavan Boland foi uma poeta irlandesa: 1944-2020. A tradução é de Jorge de Sousa Braga.

Dorothea Lange foi uma fotógrafa norte-americana, que na década de 30 do século XX fotografou camponeses e outras pessoas pobres para documentar os efeitos da Grande Depressão. É autora de uma das mais célebres fotografias da história: “Mãe Migrante”, de 1936.

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Recursos de Filosofia: Filosofia Política e Filosofia da Religião


Eu e a Sara Raposo elaborámos novamente alguns materiais de apoio que Editora Leya disponibilizou gratuitamente na Aula Digital:


Para o 10º ano escolhemos três textos de Michael Sandel e elaborámos uma ficha de trabalho sobre os mesmos. Esta é interativa (no final indica a pontuação obtida e as respostas corretas, em caso de erro), tendo que ser respondida na plataforma Aula Digital.

Para o 11º ano escolhemos pequenos textos sobre alguns conceitos iniciais da Filosofia da Religião (teísmo, deísmo, ateísmo, agnosticismo, etc.) e elaborámos uma ficha de trabalho sobre esses conceitos. A ficha também é interativa e contém diversas questões que incluem cartoons, fotografias e uma canção.

Tanto no 10º como no 11º existem propostas de planificação das atividades a realizar.

Os documentos que contêm os textos são editáveis, podendo os professores suprimir, acrescentar ou alterar o que entenderem.

Oxalá possam ser úteis!

Para aceder basta fazer uma rápida inscrição e depois visualizar o menu de recursos na Aula Digital.

(Na próxima semana serão publicados no mesmo sítio materiais dos colegas Domingos Faria, Luís Veríssimo e Manuel João Pires.)

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Matriz do 6º teste do 10º ano

Ano letivo: 2018-2019

Duração: 90 minutos

Objetivos:

1. Dar exemplos de problemas de filosofia política.

2. Explicar em que consiste o problema da justiça distributiva.

3. Esclarecer o que é o capitalismo e o que é o comunismo.

4. Explicar, de acordo com Rawls, os conceitos de posição original e véu de ignorância.

5. Explicar cada um dos princípios de justiça propostos por Rawls.

6. Mostrar porque é que, de acordo com Rawls, o princípio da liberdade tem primazia sobre os outros.

7. Mostrar em que medida Rawls defende ideias kantianas.

8. Mostrar porque é que Rawls rejeita o utilitarismo.

9. Explicar a regra maximin.

10. Analisar e discutir o argumento segundo o qual a distribuição da riqueza não se deve basear em fatores moralmente arbitrários.

11. Explicar em que medida a teoria de Rawls tenta conciliar a igualdade e a liberdade individual.

12. Mostrar em que medida a teoria de Nozick constitui uma tentativa de refutar a teoria de Rawls.

13. Mostrar em que medida Nozick defende ideias kantianas.

14. Explicar as objeções à teoria de Nozick estudadas.

15. Explicar outras objeções à teoria de Rawls.

16. Comparar a teoria de Rawls com a teoria de Nozick e com outras críticas e discutir qual é a teoria mais plausível.

17. Defender uma opinião acerca do problema da justiça distributiva.

---

18. Explicar os conceitos de determinismo e de livre-arbítrio.

19. Explicar qual é o problema do livre-arbítrio.

20. Apresentar a tese defendida pelo determinismo radical.

21. Explicar as razões a favor do determinismo radical.

22. Explicar as objeções ao determinismo radical estudadas.

23. Confrontar o determinismo radical com as objeções estudadas.

24. Apresentar a tese defendida pelo libertismo.

Natureza das questões:

Escolha múltipla, correspondências, questões de resposta curta e uma questão de resposta extensa.

Para estudar:

No manual: partes assinaladas das páginas 166, 168, 169, 170, 174 (problema da justiça distributiva), 65, 75, 90 (problema do livre-arbítrio).

PDF´s e Fotocópias

Livre-arbítrio: uma ilusão? (Vídeo)

Opcional:

Desigualdade social: a história de Richard e Paula (1) (banda desenhada)

Desigualdade social: a história de Richard e Paula (2) (banda desenhada)
O véu da ignorância: vídeo
Cinco ideias centrais sobre Rawls (esquema)

Pêssegos e duelos: exemplos ilustrativos do problema do livre-arbítrio

Tive, por acaso, possibilidades de escolha? (exemolo, excerto de um romance)

Um homem livre que não acreditava no livre-arbítrio
Na opinião dos alunos, existe ou não livre arbítrio? (trabalhos de alunos)

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Poderá haver um regime político melhor que a democracia?

Contra-a-Democracia

Hoje é um bom dia para chamar a atenção para este livro: Contra a Democracia, de Jason Brennan, editado pela Gradiva em 2017. O 25 de abril trouxe a democracia aos portugueses e pudemos descobrir pelos nossos próprios meios o que muitos outros já sabiam: a democracia não é um sistema perfeito, longe disso, mas é MUITO melhor que as alternativas existentes. Contudo, não será possível descobrir (ou talvez inventar) alternativas melhores? É precisamente isso que Jason Brennan tenta fazer neste livro: imaginar formas de organizar a vida política melhores que a democracia. Analisa sistematicamente muitos defeitos da democracia, como por exemplo a ignorância e falta de preparação dos eleitores, e discute os méritos e os defeitos de uma alternativa epistocrática, ou seja, o governo dos sábios. Brennan considera que há mais vantagens que desvantagens nesse tipo de solução e analisa várias possibilidades: algumas implicariam grandes alterações nos atuais regimes democráticos, outras implicariam apenas pequenos ajustes. É improvável que o autor conheça a afirmação de José Saramago (que, misturadas com muitas asneiras, também disse algumas coisas certas) de que não devemos considerar a democracia como um ponto de chegada, mas sim como um ponto de partida; contudo, é precisamente isso que ele tenta fazer. Este livro é, portanto, contra a democracia, mas não a favor da ditadura.

De qualquer modo, concorde-se ou não com Jason Brennan, não seria nada democrático não discutir o valor da democracia. Nesta, pelo contrário, costuma valorizar-se o espírito crítico e o debate livre de ideias – o que implica a possibilidade de discutir mesmo os valores mais fundamentais. A democracia só pode ganhar com uma tal discussão. Se desta resultar a refutação dos seus críticos, a democracia fica fortalecida. E não parece que perca se dessa discussão resultar a descoberta de um sistema melhor, quer este seja um aperfeiçoamento localizado do regime democrático quer envolva a sua substituição por um tipo de organização que continue a fazer bem o que a democracia faz bem e faça melhor o que a democracia faz mal.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

O pesadelo da igualdade

HarrisonBergeron harrisonbergeron 2

Imagine uma sociedade que, em nome da igualdade, obrigasse os cidadãos mais rápidos a usar pesos que impediam que a sua velocidade superasse a dos outros. Imagine também que os cidadãos mais inteligentes eram obrigados a ouvir permanentemente um ruído perturbador que os impedia de ser mais perspicazes que os outros. Talvez não fosse uma sociedade boa para viver.

O escritor norte-americano Kurt Vonnegut descreveu uma sociedade desse género no conto Harrison Bergeron. Pode lê-lo, traduzido por Desidério Murcho, na revista Crítica: Harrison Bergeron. Começa assim:

“Era o ano 2081, e toda a gente era finalmente igual. Não apenas perante Deus e a lei. Igual em todos os aspectos. Ninguém era mais inteligente. Ninguém era mais bem parecido. Ninguém era mais forte ou rápido. Toda esta igualdade era devida às 211.ª, 212.ª e 213.ª emendas constitucionais, e à vigilância incessante dos agentes da Direcção-Geral Incapacitante dos Estados Unidos.”

Com base no conto foi feito um filme. O conto é muito melhor que o filme, mas mesmo assim não é tempo perdido vê-lo depois de ter lido o conto.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

A opinião dos alunos: como deve ser uma sociedade justa?

No DIA MUNDIAL DA FILOSOFIA, lançámos aos alunos da escola e aos leitores deste blogue  um desafio, ver AQUI:

A Filosofia está em todo o lado…dizem os alunos. Muitos explicaram como é que podemos responder aos problemas filosóficos propostos. Obrigada a todos!

Eis algumas das melhores opiniões:

Como deve uma sociedade organizar-se para que exista justiça social?

Na minha opinião, para que haja justiça social o Estado deverá ser interventivo, de forma a combater as desigualdades sociais; o sistema político terá que ser obrigatoriamente democrático e ainda proponho a criação de uma aliança global promotora desta justiça.

De forma a ilustrar o meu ponto de vista, irei construir a minha argumentação com base no cartoon encontrado no seguinte link: http://thewireless.co.nz/articles/the-pencilsword-on-a-plate. Analisando este cartoon, é possível observar dois caminhos de vida distintos, estando patente a influência que o meio de nascimento tem no futuro de cada um de nós. Ora, para que exista justiça social a importância do meio de nascimento para o nosso futuro deverá ser diminuta, garantindo assim a igualdade de oportunidades.

Assim, coloca-se a seguinte questão: Como garantir a igualdade de oportunidades? Creio que, de modo a garantir esta igualdade de oportunidades dever-se-à recorrer à criação de sistemas nacionais de saúde; educação e de apoio social, entre outros que deverão ser sustentados pelo dinheiro dos contribuintes, sendo que os mais ricos deverão pagar mais do que os mais pobres, de forma a que as assimetrias sociais sejam corrigidas, assegurando assim uma maior igualdade de oportunidades, dado que todos passam a ter acesso à satisfação de necessidades básicas. Sendo assim, acho que a educação deveria ser gratuita, inclusive o ensino superior, desta forma a Paula não teria que se preocupar com o pagamento das suas propinas; e que deveria ser garantido a todos os cidadãos independentemente da sua condição um rendimento mínimo, de forma a evitar a pobreza e a mendicidade. Creio ainda ser importante a reforma do sistema prisional, que em vez de focar-se no castigo e punição, dever-se-ia focar na educação e reintegração dos prisioneiros na sociedade e na resolução dos problemas que afetam os sentenciados. Assim, através destas medidas, promovidas por um Estado interventivo talvez a Paula estivesse na situação à qual chegou o Richard (sem grande esforço).

De seguida, penso que a justiça social só tem lugar num Estado democrático, livre, assente na igualdade perante a lei; na divisão tripartida dos poderes e defesa dos direitos humanos, uma vez que se não formos iguais perante a lei, então não existirá alguma vez igualdade de oportunidades e, muito menos, justiça social.

Por fim, julgo que para existir verdadeira justiça social, esta não poderá ser limitada às fronteiras de meia-dúzia de países, dado que se houver justiça social, mas o acesso a esta estiver limitada a apenas algumas pessoas que tiveram a sorte de nascer em determinado país, o meio de nascimento continuaria a determinar o futuro de cada um de nós. Assim, creio que seja importante a criação de uma aliança global, à semelhança das Nações Unidas, que tenha como principal objetivo a homogeneização das oportunidades dadas aos cidadãos, não só de determinado país, mas entre países. Creio que, depois de um período de adaptação em que esta homogeneização fosse conseguida, dever-se-iam abrir as fronteiras, à semelhança do que acontece atualmente na UE.

Concluindo, sou da opinião de que assentando nestes três pilares fundamentais - um Estado interventivo, dedicado a garantir a igualdade de oportunidades, um Estado democrático e a criação de um órgão mundial, responsável pela promoção da justiça social - seria possível a existência de um Mundo verdadeiramente justo, no qual a Paula e o Richard teriam as mesmas oportunidades, sendo apenas assim garantido um desenvolvimento efetivo, em que as qualidades de cada um de nós saem reforçadas, por termos todos as mesmas oportunidades de desenvolvê-las.

João Janeiro, nº12, 11º 8

A banda desenhada referida no texto anterior pode ser lida neste blogue:

Desigualdade social: a história de Richard e Paula (1)

Desigualdade social: a história de Richard e Paula (2)

Outras opiniões dos alunos:

As tradições serão todas respeitáveis?

Qual é o sentido da vida?

Desigualdade social: a história de Richard e Paula (2)

O início desta banda desenhada pode ser lido no link que se segue:

Desigualdade social: a história de Richard e Paula (1)

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Desigualdade social: a história de Richard e Paula (1)

O meu aluno do 11º 8, João Janeiro, tomou como ponto de partida para a sua reflexão sobre um dos problemas filosóficos sugeridos no Dia Mundial da Filosofia – “Como deve uma sociedade organizar-se para que exista justiça social?” – a situação descrita na banda desenhada que se segue, retirada do site The wireless.  

Vale a pena ler.

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domingo, 14 de agosto de 2016

Liberdade de expressão

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«”Desprezo o que dizes, mas defenderei até à morte o teu direito a dizê-lo.”

Esta declaração, atribuída a Voltaire, condensa a ideia nuclear deste livro: a liberdade de expressão é algo que vale a pena defender vigorosamente, mesmo quando detestamos o que é expresso. Defender a livre expressão envolve proteger não só o discurso que queremos escutar, mas também aquele que não queremos escutar. (…)

A livre expressão é particularmente valiosa numa sociedade democrática. Numa democracia, os eleitores têm interesse em escutar e contestar uma grande diversidade de opiniões e ter acesso a factos e interpretações, bem como a perspetivas contrastantes, mesmo quando acreditam que as perspetivas expressas são política, moral ou pessoalmente ofensivas. Essas opiniões podem nem sempre ser diretamente comunicadas por meio dos jornais, da rádio e da televisão, mas são amiúde apresentadas em romances, poemas, filmes, desenhos e letras de canções. Podem também ser expressas simbolicamente por atos como queimar uma bandeira, ou, como fizeram muitos manifestantes contra a guerra do Vietname, queimando um cartão de recrutamento. Os membros de uma democracia têm também interesse em que um grande número de cidadãos participe ativamente no debate político, em vez de receber de forma passiva uma política transmitida a partir de cima.»

Nigel Warburton, Liberdade de Expressão: Uma breve introdução, Gradiva, Lisboa, 2015, pp. 9 e 11.

Imagem: Banksy.

domingo, 17 de abril de 2016

Teste de filosofia da ciência (Esla, 11º)

fisicos einstein galileu newton

Duração: 50 minutos.

Objetivos:

1. Explicar o que é o senso comum.

2. Distinguir senso comum e ciência explicando as diversas características estudadas.

3. Explicar o que é uma hipótese.

4. Formular o problema da demarcação.

5. Explicar e exemplificar o que é uma pseudociência.

6. Mostrar como é que o critério da verificabilidade permite estabelecer um critério de demarcação entre ciência e não ciência.

7. Explicar a objeção das leis da natureza ao critério da verificabilidade.

8. Mostrar como é que o critério da confirmabilidade permite estabelecer um critério de demarcação entre ciência e não ciência.

9. Criticar o critério da confirmabilidade tendo em conta o problema da indução.

10. Explicar o que defende o falsificacionismo relativamente à ciência.

11. Mostrar como é que o critério da falsificabilidade permite estabelecer um critério de demarcação entre ciência e não ciência.

12. Avaliar afirmações para apurar se são ou não verificáveis e falsificáveis.

13. Explicar a objeção ao falsificacionismo que sustenta que este não permite compreender a cientificidade das afirmações particulares.

14. Formular o problema do método científico.

15. Explicar a perspetiva indutivista do método científico.

16. Explicar as objeções ao indutivismo estudadas: a ciência estuda fenómenos inobserváveis; a observação pura não é possível.

17. Explicar a posição de Popper relativamente à indução.

18. Explicar a perspetiva falsificacionista do método científico.

19. Explicar as objeções ao falsificacionismo estudadas.

20. Comparar o indutivismo e o falsificacionismo.

A. Conhecer exemplos ilustrativos de todos os conceitos referidos.

B. Identificar os conceitos referidos em exemplos dados pelo professor.

Natureza das questões:

Escolha múltipla, questões de resposta curta e uma questão de resposta extensa.

Para estudar:

No manual: da página 193 à página 214.

No blogue Dúvida Metódica:

Links sobre filosofia da ciência

domingo, 24 de janeiro de 2016

Abstenção

abstenção «Há anos, num documentário acerca do 5 de Outubro de 1910, foi exibido um filme da proclamação da República na varanda da Câmara de Lisboa. As imagens focam os revolucionários vitoriosos, mas, ao fundo, vislumbram-se carros de bois ladeados por agricultores que, pacatamente, se dirigiam para o centro da cidade a fim de venderem os seus produtos.
Nem uma só vez aqueles homens e mulheres pararam para testemunharem a história diante de si nem viraram a cara com mera curiosidade. Tal como os bovinos que puxavam os carros, devem ter ido para casa sem saberem que já não havia rei. Certamente, julgavam que nada daquilo lhes dizia respeito – era só política.»
Carlos Abreu Amorim, no blogue Blasfémias.

sábado, 2 de maio de 2015

Contra a ditadura do pensamento único

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A minha aluna Inês Marcelino, do 10º D, enviou-me alguns cartoons "filosóficos" (disse ela), que partilho com os leitores.

Claro que, ao contrário do que o cartoon nos mostra, nem sempre aqueles que se opõem ao pensamento único e à subserviência da maioria são bem sucedidos, muitas vezes acontece o contrário.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

O valor da liberdade: testemunhos e reflexões

São dois vídeos que vale a pena ouvir para compreender melhor o que é a democracia e porque tem a liberdade tanto valor.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Poderá a discriminação positiva ser moralmente correta?

Poderá a discriminação positiva (ou ação afirmativa) ser moralmente correta?

Antes de emitirem a vossa opinião devem ver o vídeo anterior e ler as páginas 94, 95 e 98 do manual 50 Lições de Filosofia.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015