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sábado, 17 de dezembro de 2011

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Ver com com distanciamento

Vista à distância (por exemplo de uma nave próxima do planeta Saturno) a Terra não passa de um “pálido ponto azul”, segundo as célebres palavras de Carl Sagan. Um pontinho tão insignificante que – defende Carl Sagan - torna ridículas muitas preocupações e obsessões humanas.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Mente aberta

"Devemos manter a mente aberta, mas não tão aberta que o cérebro caia".

Carl Sagan (citado de memória)

Carl Sagan

(Receio que muitos crentes na astrologia tenham uma mente tão aberta, tão aberta que lhes escape o significado de notícias como esta.)

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Um antídoto contra o medo provocado pela escuridão

Quino e a sombra em chamas

Cartoon da autoria de Quino.

“Tal como as crianças tremem e receiam tudo na escuridão profunda, também nós por vezes receamos na luz o que não há mais razão para recearmos do que as coisas que aterrorizam as crianças no escuro…”

Lucrécio (séc. I a.C), Acerca da natureza das coisas

(citado por Carl Sagan em Um mundo infestado de demónios, Edições Gradiva, pp.109).

Um bom antídoto contra o medo resultante do desconhecido - qualquer que seja a sua natureza - é a procura de uma explicação racional.

A compreensão é a melhor forma de afastar o temor e, também, diminuir a nossa vulnerabilidade em relação àqueles que pretendem convencer-nos com as suas certezas, digam elas respeito ao senso comum, à religião, à política, à filosofia….

sábado, 3 de janeiro de 2009

O nosso lugar no Universo - Carl Sagan




Qual é a distinção entre a física e a metafísica?


“Há muitas décadas, por altura de um jantar, pediram ao físico Robert W. Wood que respondesse ao brinde «À física e à metafísica» (…) Wood respondeu o seguinte:

O físico tem uma ideia. Quanto mais pensa nela, mais sentido ela parece fazer. Consulta a literatura científica. Quanto mais lê mais promissora a ideia se torna. Assim preparado, vai para o laboratório e concebe uma experiência para a pôr à prova. A experiência é trabalhosa. São verificadas muitas possibilidades. A exactidão das medidas é melhorada e as barras de erro reduzidas. Ele só se ocupa do que a experiência ensina. No fim de todo este trabalho, através de uma experimentação cuidadosa, descobre que a ideia não é válida. E, assim, o físico põe-na de lado, liberta o seu espírito do amontoado de erros e passa a outra coisa qualquer.

A diferença entre a física e a metafísica, concluiu Wood erguendo bem alto o copo, não reside no facto dos praticantes de uma serem mais inteligentes do que os praticantes de outra. A diferença é que o metafísico não tem laboratório.”

Carl Sagan, Um mundo infestado de demónios, Lisboa, 1997, Edições Gradiva.

Uma nota sobre o conceito filosófico de metafísica. Texto de Desidério Murcho (retirado do DEF – Dicionário Escolar de Filosofia):

«O estudo dos aspectos conceptuais mais gerais da estrutura da realidade. Por exemplo: Serão todas as verdades relativas, ou haverá verdades absolutas? E o que é a verdade? (…) A designação de "metafísica", contudo, não foi introduzida por Aristóteles, que usava a expressão "filosofia primeira", muito corrente ainda no séc. XVII, mas hoje pouco usada — o que é uma pena, pois não permite o trocadilho informativo que consiste em dizer que a filosofia primeira estuda as questões últimas.

A metafísica é uma das disciplinas centrais e mais gerais da filosofia; muitas outras disciplinas abordam problemas metafísicos particulares. Por exemplo: a filosofia da acção estuda, entre outras coisas, o problema metafísico de saber o que é e como se individua uma acção (isto é, como se distinguem as acções umas das outras); a filosofia da ciência estuda, entre outras coisas, o problema ontológico de saber se as entidades inobserváveis postuladas pelas ciências (como os quarks) têm existência real e independente de nós, ou se são meras construções humanas.

Com o desenvolvimento da ciência moderna, a partir do séc. XVII, a metafísica começou a sofrer ataques por não produzir resultados à semelhança da ciência; afinal, era a ciência empírica, como a física, que produzia conhecimento seguro sobre a natureza última das coisas, e não a metafísica. Esses ataques começam com Kant. Posteriormente, algumas escolas de filosofia, como o positivismo lógico, encaravam a metafísica como coisa mítica do passado. Contudo, na filosofia contemporânea, a força dos problemas metafísicos voltou a impor-se, e o seu estudo floresceu uma vez mais.»