“As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar, senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento.” John Stuart Mill
quarta-feira, 25 de setembro de 2019
Quiz: questões sobre os tipos de conhecimento e a definição platónica
sexta-feira, 13 de janeiro de 2017
terça-feira, 7 de junho de 2016
domingo, 3 de janeiro de 2016
Links sobre epistemologia
Tipos de conhecimento
O que é o conhecimento?
Ficha de trabalho: identificação dos diferentes tipos de conhecimento
O conhecimento por contacto facilita as cunhas
Conhecimento proposicional?
O Deco não percebe nada de Epistemologia
O reconhecimento implícito da factividade do conhecimento
Um “sinal de Deus” será uma boa justificação?
Dois contra-exemplos à chamada definição tradicional de conhecimento
A matemática é a priori mas não é inata
Algumas imagens que nos levam a duvidar dos nossos olhos e o cepticismo radical
Como são parecidas a ilusão e a realidade!
O argumento céptico da regressão infinita da justificação: um exemplo
A dúvida metódica (este deveria ter sido o primeiro post deste blogue)
Razões para duvidar, segundo Descartes
Aconselhado:
O que é que realmente sabemos?
Penso, logo não cozinho!
Cegos que não sabem que são cegos
Em terra de cegos quem tem um olho não é rei
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
sexta-feira, 14 de junho de 2013
O que é o conhecimento?
Entrevista com o filósofo brasileiro Alexandre Meyer Luz, em que este analisa o problema da definição do conhecimento e outros tópicos relacionados.
O discurso de Alexandre Meyer Luz é muito claro e fácil de seguir. É, portanto, uma boa maneira de os alunos que estão a estudar para o exame nacional de Filosofia reverem parte da matéria de Epistemologia, embora – claro - não dispense algumas leituras.
Esta entrevista pode ser encontrada – juntamente com várias outras, igualmente interessantes – No Jardim da Filosofia, um projeto de Aires Almeida.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Um “sinal de Deus” será uma boa justificação?
Num episódio de uma série de TV antiga (talvez Uma Casa na Pradaria, não estou certo) um padre católico gastou todo o dinheiro que levava (destinado a comprar cereais para um orfanato) na compra de um cavalo. Os colegas que com ele trabalhavam no orfanato criticaram-no, pois sem os cerais as crianças passariam fome. O padre – que nada entendia do assunto - alegou que o cavalo poderia participar numa corrida de cavalos e ganhar. Depois, poderiam comprar todos os cereais que quisessem com o dinheiro de prémio. Os outros replicaram que o cavalo era demasiado irascível e irrequieto para sequer participar em corridas quanto mais ganhar (o cavalo desatava a dar coices assim que se aproximava uma pessoa e não se conhecia ninguém que tivesse conseguido montá-lo). Quando perguntaram ao padre porque tinha comprado aquele cavalo ele justificou a compra dizendo que tinha sido “um sinal de Deus”: a luz do sol ao passar por um buraco nas tábuas do estábulo projetara na parede uma sombra em forma de cruz. Os outros (apesar de católicos) disseram, muito consternados, que isso não passava de um acaso e que não era uma boa razão para comprar um cavalo gastando todo o dinheiro da instituição. Contudo, um dos órfãos (conhecido por ter muito jeito para lidar com os animais) conseguiu tornar-se “amigo” do cavalo, montá-lo e ganhar a corrida. Com o dinheiro do prémio foi possível não só comprar os alimentos necessários como fazer obras no orfanato e assim melhorar o serviço prestado pela instituição.
A crença do padre de que o cavalo iria ganhar a corrida revelou-se portanto verdadeira. Mas podemos dizer que o padre sabia que o cavalo iria ganhar a corrida e que portanto era acertado comprá-lo gastando todo o dinheiro?
Parece óbvio que o padre não sabia isso: o facto de ter formado uma crença verdadeira foi uma questão de sorte. A razão que o levou a comprar o cavalo é implausível (mesmo para pessoas que têm a mesma religião do padre) e não constitui uma justificação adequada. Com efeito, já sucedeu muitas vezes pessoas católicas (para não falar nas outras) avistarem sombras em forma de cruz sem que isso tivesse constituído qualquer sinal ou aviso. Por isso, embora tivesse uma crença verdadeira, o padre não possuía conhecimento pois essa crença não estava realmente justificada.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Informação “útil” para adolescentes sobre a hora de deitar
Muitas pessoas têm como verdadeira a crença: os adolescentes não precisam de dormir tanto como os pré-adolescentes e, devido a isso, podem deitar-se mais tarde.
Trata-se de uma ideia do senso comum - muito popular entre os adolescentes - tida como certa por se ouvir dizer ou devido a alguns dados fornecidos por observações e experiências ocasionais.
De acordo com a concepção tradicional (ou platónica) de conhecimento, as três condições suficientes para que alguém possa dizer que sabe alguma coisa são ter, em simultâneo, uma crença verdadeira justificada. Assim sendo, quando uma pessoa conhece algo terá de ser capaz de apresentar provas, ou seja fundamentar racionalmente a verdade daquilo em que acredita, pois esta é independente da convicção pessoal e da confiança depositada na tese defendida.
Ora, segundo uma notícia do jornal Público (6-1-2010): “James Gangswisch e colegas, da Universidade de Columbia, em Nova Iorque estudaram os hábitos de mais de 15.500 estudantes dos ensinos secundário e superior e descobriram que os que se deitavam depois da meia-noite tinham um risco de 24 por cento maior de ter depressão (…) do que os que iam para a cama antes das 22h. E tudo porque estes conseguiam dormir, em média mais de oito horas diárias.”
O estudo científico referido ao mostrar que a diminuição das horas de sono tem efeitos negativos, por exemplo uma maior tendência para a depressão, permite concluir que a ideia de que os adolescentes podem deitar-se tardíssimo, e no dia seguinte acordar cedo, corresponde a uma crença falsa e sem justificação.
Portanto, essa crença não constitui conhecimento.
domingo, 4 de outubro de 2009
Equívocos acerca do senso comum
A caracterização do senso comum como sendo um conhecimento prático é frequente. Consta de muitos livros de Filosofia (e de Sociologia). Contudo, essa caracterização não é rigorosa.
Um conhecimento prático é um saber-fazer, consiste no conhecimento de uma actividade. É verdade que o senso comum inclui inúmeros conhecimentos práticos, tais como saber cozinhar ou saber andar de bicicleta. No entanto, inclui também conhecimentos proposicionais, conhecimentos por contacto, superstições e outras crenças, que não são saberes práticos.
O conhecimento proposicional é, tal como o nome indica, o conhecimento de proposições. Também é conhecido por “saber que”. Por exemplo: saber que a lixívia debota a roupa, saber que (em Portugal) a pena máxima é 25 anos de prisão, saber que a cor do luto (em Portugal) é o preto, etc. O senso comum inclui inúmeros conhecimentos desse género, que não têm manifestamente um carácter prático.
O conhecimento por contacto é o conhecimento que temos de coisas, lugares, pessoas, etc. É um conhecimento directo e presencial. Por exemplo: conhecer as divisões de uma casa, conhecer pessoalmente um indivíduo, etc. O senso comum inclui inúmeros conhecimentos desse género, que não têm manifestamente um carácter prático.
Uma superstição é uma crença falsa e sem justificação plausível. Por exemplo: acreditar que as doenças são provocadas por espíritos malignos, acreditar que ver gatos pretos traz infelicidade, etc. O senso comum de muitas pessoas (mas talvez não de todas) inclui superstições. Tais crenças supersticiosas não têm obviamente carácter prático.
Por outro lado, o senso comum inclui também crenças que seria errado considerar superstições (convicções morais, políticas, sociais, etc., tais como: acreditar que se deve pagar as dívidas, acreditar que não se deve matar pessoas inocentes, etc.). Todavia, tais crenças também não são saberes práticos.
Por isso, o conhecimento prático é apenas uma parte do senso comum.
É igualmente frequente chamar-se conhecimento vulgar ao senso comum. Todavia, essa denominação não é rigorosa.
Os conhecimentos práticos, proposicionais e por contacto que fazem parte do senso comum podem ser designados de vulgares, uma vez que a sua aquisição não implica aprendizagens formais e elaboradas. Contudo, as superstições que fazem parte do senso comum não constituem conhecimentos vulgares. Não por não serem “vulgares” e implicarem aprendizagens formais e elaboradas, mas porque, sendo crenças falsas e injustificadas, não são sequer conhecimentos.
É duvidoso que muitas crenças do senso comum que não são supersticiosas constituam, ainda assim, conhecimentos, pois, embora não sejam falsas, a sua justificação adequada não se faz no âmbito do senso comum – mas sim da Filosofia e de ciências como a Psicologia ou a Economia.
A teoria filosófica que define o conhecimento como sendo uma crença verdadeira justificada presta-se a algumas objecções, pois provavelmente essas três condições não são suficientes para haver conhecimento e é necessário acrescentar uma ou mais condições para haver conhecimento. No entanto, não parece haver dúvidas que são condições necessárias. Pelo que as crenças do senso comum que são falsas ou injustificadas não são conhecimentos.
(Se as crenças do senso comum que são falsas ou injustificadas não fossem falsas nem injustificadas e pudessem ser consideradas conhecimentos, não seriam conhecimentos práticos, mas sim conhecimentos proposicionais.)
Por isso, apenas uma parte do senso comum constitui conhecimento.
Na imagem: A Leiteira (1658-60), de Johannes Vermeer.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Previsão certeira de sismo em Itália: crença verdadeira, mas não justificada
Uma crença verdadeira mas que não seja acompanhada de uma justificação adequada não constitui conhecimento, pois não passa de uma palpite que por acaso acertou no alvo. (A esse respeito veja também este e este posts.)
Giampaolo Giuliani previu um sismo na Itália no passado mês de Março, baseado num aumento que detectou de emanações do gás radão do subsolo. Apesar do sismo efectivamente ter ocorrido os sismólogos não consideram que tenha sido uma previsão científica, atribuindo o acerto ao mero acaso.
Trata-se, portanto, de uma crença verdadeira, mas não justificada. Ou seja: Giuliani não sabia realmente que iria haver um terramoto. Acreditava que sim, mas não tinha efectivamente conhecimento disso.
No blogue De Rerum Natura Carlos Fiolhais explica em poucas palavras porque é que não existe justificação científica para a previsão de Giuliani. Vale também a pena ler alguns dos comentários ao post, nomeadamente o 4º em que é apresentada uma sugestiva comparação: "até um relógio parado está certo duas vezes ao dia".
sábado, 7 de março de 2009
O Deco não percebe nada de Epistemologia
O futebolista Deco é protagonista num anúncio publicitário a um site de apostas desportivas – a que chamarei Y (para não me tornar colega do Deco na campanha publicitária).
Nesse anúncio, Deco faz duas perguntas aos leitores: “Sabe qual vai ser o resultado do Sporting-Paços de Ferreira? Porque não põe os seus conhecimentos à prova no site Y?”
De acordo com a chamada definição tradicional de conhecimento, este implica necessariamente três condições (e discute-se se não implicará também uma quarta condição): crença, verdade e justificação. Se essas condições forem de facto necessárias (e provavelmente são: o que se discute é se – as três juntas - são suficientes), as perguntas do futebolista não fazem qualquer sentido. Nenhum leitor do anúncio, nem aliás nenhum outro ser humano, pode possuir o conhecimento referido por Deco. Porque...
Teste a sua compreensão desse tema respondendo a esta pergunta simples: porquê?
Se não receasse abusar da paciência dos leitores do Dúvida Metódica (sobretudo dos que são também alunos), faria ainda outra pergunta: haverá alguma falácia no anúncio? Qual (ou quais)?
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
2 contra-exemplos à chamada definição tradicional de conhecimento
Em 1963, o filósofo americano Edmund Gettier publicou um artigo em que procurava mostrar, através da apresentação de contra-exemplos, que a reunião dessas três condições não é suficiente para haver conhecimento; ou seja, que podemos ter uma crença verdadeira justificada que não é conhecimento.
(Em vez dos contra-exemplos desse filósofo, vamos considerar outros, equivalentes mas mais fáceis de entender.)
1. Contra-exemplo formulado pelo filósofo inglês Bertrand Russell (1872-1970).“O relógio da igreja da tua terra é bastante fiável e costumas confiar nele para saber as horas. Esta manhã, quando vinhas para a escola, olhaste para o relógio e viste que ele marcava exactamente 8h e 20m. Por isso, formaste a crença de que eram 8h e 20m. O facto do relógio ter sido fiável no passado justifica a tua crença. Contudo, sem que o soubesses, o relógio tinha avariado no dia anterior exactamente quando marcava 8h e 20m. Assim, tens uma crença verdadeira justificada que não é conhecimento.”
2. Contra-exemplo formulado por Jonathan Dancy, no livro “Epistemologia Contemporânea”:
“Henry está a ver televisão numa tarde de Junho. Assiste à final masculina de Wimbledon e, na televisão, McEnroe vence Connors; o resultado é de dois a zero e ‘match point’ para McEnroe no terceiro ‘set’. McEnroe ganha o ponto. Henry crê justificadamente que
1. Acabei de ver McEnroe ganhar a final de Wimbledon deste ano, e infere sensatamente que
2. McEnroe é o campeão de Wimbledon deste ano.
No entanto, as câmaras que estavam em Wimbledon deixaram na realidade de funcionar, e televisão está a passar uma gravação da competição do ano passado. Mas enquanto isto acontece, McEnroe está prestes a repetir a retumbante vitória do ano passado. Portanto, a crença 2 de Henry é verdadeira, ele tem decerto justificação para crer nela. Contudo, dificilmente aceitaríamos que Henry conhece 2.”
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Matriz do 3º teste de Filosofia do 11º ano (turmas A e C)
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Matriz do 3º teste de Filosofia do 11º ano (turmas B, D, E e F)

O carácter factivo do conhecimento
A chamada definição tradicional do conhecimento diz que para haver conhecimento (proposicional) têm de estar reunidas três condições: crença, verdade e justificação.
Dessas três condições aquela que costuma suscitar mais dificuldades de compreensão aos alunos é a segunda: a verdade. Vejamos se é possível clarificar o problema e diminuir essas dificuldades.
A primeira condição é a crença. Ter uma crença consiste em acreditar que uma certa proposição é verdadeira. Mas a pessoa pode enganar-se e julgar verdadeira uma proposição falsa. Para haver conhecimento é preciso que (além da justificação) a proposição seja de facto verdadeira. A crença de que é verdadeira é necessária, mas não é suficiente. É necessário que a proposição seja mesmo verdadeira.
O conhecimento proposicional, como o próprio nome indica, consiste no conhecimento de proposições. As proposições podem ser verdadeiras ou falsas. No entanto, só podemos conhecer proposições verdadeiras. Podemos saber que uma proposição é falsa, mas não podemos conhecer uma proposição falsa, ou seja, não podemos conhecer a própria falsidade.
Por exemplo: sabemos que a proposição expressa pela frase “as flores falam” é falsa, mas não podemos saber que as flores falam.
Uma proposição é falsa quando afirma algo que não sucede, que não é o caso, que não é real. Não podemos conhecer falsidades pois tratando-se de falsidades não há “lá” nada para conhecer. Não podemos conhecer falsidades tal como não podemos agarrar o vazio. Não podemos saber que as flores falam, pois as flores não falam.
Uma proposição é verdadeira quando afirma algo que sucede, que é o caso, que é real. E isso pode ser conhecido.
Por exemplo: a proposição expressa pela frase “a maioria das pessoas fala” é verdadeira, pois afirma algo que realmente ocorre. Podemos saber que a maioria das pessoas fala, pois de facto a maioria das pessoas fala e como tal existe algo para ser conhecido.
Pode-se resumir essas ideias dizendo que o conhecimento é factivo. Factivo significa literalmente: remeter para factos.
Palavras como “ver” e “ouvir” são factivas. Palavras como “desejar”, “querer” ou “preferir” não são factivas.
O desejo não é factivo, pois posso desejar efectivamente algo que não existe, algo que não é real, algo que é impossível.
Por exemplo: posso desejar estar em dois lugares ao mesmo tempo. Esse desejo incide em algo impossível, mas é um desejo tão efectivo como desejar beber um café com uma pessoa amiga. Os desejos podem perfeitamente não remeter para factos sem deixar de ser desejos.
O ver é factivo, pois não posso efectivamente ver algo que não é real. Quando efectivamente se vê, vê-se algo que é real, algo com o qual os olhos podem estabelecer um contacto.
O que pode acontecer é que me engane e julgue ter visto sem de facto ter visto. É o que sucede, por exemplo, nas alucinações visuais. Estas costumam ser definidas como percepções sem objecto e são “produzidas” pelo cérebro e não pelos olhos, não se relacionando (pelo menos directamente) com algo que esteja diante da pessoa que alucina.
Em suma: quem alucina não está de facto a ver (chamar “visões” às alucinações é apenas uma maneira de falar), mas quem deseja algo impossível ou irreal está de facto a desejar.
Verifica-se o mesmo com o conhecimento. Só se pode conhecer o que é verdadeiro, aquilo que de facto sucede. Aquilo que não sucede não pode ser conhecido, pois nada há para conhecer.
Tal como uma pessoa se pode enganar e julgar ver algo sem realmente estar a ver, também se pode enganar e julgar que conhece e afinal não conhecer.
Mas isso não significa que a pessoa tenha um conhecimento falso. É comum ouvirmos falar de conhecimentos falsos. No entanto, essa expressão não pode ser entendida literalmente, é apenas uma maneira de falar. Se conhecer é conhecer verdades, se não se podem conhecer falsidades, então não há conhecimentos falsos. Se uma crença é falsa, não é conhecimento. Se uma crença constitui conhecimento, não é falsa. Por isso, há crenças falsas mas não conhecimentos falsos.
Em suma: para haver conhecimento é preciso haver verdade. Esta é uma condição necessária do conhecimento.
Um indício de que conhecer é conhecer verdades e que a verdade é uma condição necessária do conhecimento é o facto de as pessoas que acreditam em proposições falsas só considerarem que têm conhecimento porque não têm consciência da falsidade dessas proposições. Julgam que são verdadeiras e por isso julgam ter conhecimento. Uma pessoa que não esteja a mentir e a tentar enganar outras pessoas, não diz que sabe algo se tem consciência da sua falsidade.
Isso mostra que todas as pessoas, mesmo que não conheçam a definição tradicional do conhecimento, associam-no naturalmente à verdade e colocam-na como uma condição necessária deste.
Uma análise mais completa da definição tradicional do conhecimento implicaria explicar a terceira condição: a justificação.
Cada uma das condições é necessária, mas não suficiente. As três juntas constituem uma condição suficiente para haver conhecimento, pelo menos nalguns casos. Podemos dar inúmeros exemplos de conhecimentos proposicionais em que ocorrem essas três condições. No entanto, existem alguns casos – que constituem contra-exemplos a essa definição – em que a ocorrência das três condições não parece suficiente para haver conhecimento.
Nota: por facilidade de expressão a palavra “conhecimento” por vezes foi usada sem o adjectivo “proposicional”, mas refere-se sempre ao conhecimento proposicional.
