Mostrar mensagens com a etiqueta Montaigne. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Montaigne. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Da vaidade das palavras

«Um retórico do passado dizia que o seu ofício era fazer que as coisas pequenas parecessem grandes e como tal fossem julgadas.

(…) Arquidamo (…) não terá ouvido sem espanto a resposta de Tucídides, ao qual perguntara quem era mais forte na luta, se Péricles, se ele: “Isso será difícil de verificar, pois quando o deito por terra, ele convence os espectadores que não caiu, e ganha”.

Os que, com os cosméticos, caracterizam e pintam as mulheres fazem menos mal, pois é coisa de pouca perda não as ver ao natural, ao passo que estes outros fazem tenção de enganar, não já os olhos mas o nosso juízo, e de abastardar e corromper a essência das coisas.»

Montaigne, Ensaios, antologia, tradução de Rui Bertrand Romão, Relógio de Água Editores, Lisboa, 1998, pág. 147.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Pela via da razão

«Quando o rei Pirro passou a Itália e observou a formação do exército que os Romanos lhe enviaram ao encontro, disse: “Não sei que espécie de bárbaros são estes (pois os gregos assim chamavam a todas as nações estrangeiras), mas a disposição do exército que estou a ver não é de modo algum bárbara.” Eis como se deve evitar aderir às opiniões comuns e julgá-las pela via da razão, não pelo que diz o povo.»

Montaigne, Ensaios – Antologia, “Dos Canibais”, Relógio D’Água, Lisboa, 1998, pág. 131.