terça-feira, 7 de julho de 2020

Um filósofo que começou a sua carreira a estudar Psicologia e o exame nacional de Filosofia



O filósofo Colin McGinn, apesar de se interessar por filosofia desde a adolescência, estudou psicologia na Universidade (provinha de uma família pobre e por isso pareceu-lhe necessário estudar algo mais prático e profissionalmente promissor). Contudo, o seu interesse pela filosofia não desapareceu e acabou mesmo por se inscrever no curso de filosofia, onde tinha colegas que já estudavam filosofia há mais tempo e que mostravam ter muitos conhecimentos que ele não tinha. Apesar disso, decidiu concorrer ao prestigiado prémio John Locke, cujo vencedor recebia uma recompensa monetária e muito prestígio. Para sua surpresa, ficou em primeiro lugar. Na sua autobiografia (intelectual) Colin McGinn explicou o sucedido do seguinte modo:

“Olhando para trás, julgo que o que aconteceu é que a minha inexperiência relativa funcionou a meu favor, pois tive de lutar para criar as minhas próprias respostas às perguntas, devido à falta de conhecimento sobre o que os outros tinham dito. Em vez de encher as minhas respostas com demasiado conhecimento em segunda mão retirado da bibliografia filosófica, fui forçado a prosseguir com uma linha de pensamento da minha autoria, mostrando assim uma capacidade para participar com pensamento filosófico original.” 

Colin McGinn, Como se faz um filósofo, Bizâncio, Lisboa, 2007, pág. 96 (tradução de Célia Teixiera).

Oxalá amanhã, no exame nacional de Filosofia, os alunos portugueses também consigam ir além dos conhecimentos adquiridos e acrescentem linhas de pensamento da sua autoria!

domingo, 21 de junho de 2020

A filosofia por vezes vai ao cinema


Muitas pessoas «acham que a vida não tem sentido sem Deus, e que a perspetiva de nada haver para além da morte torna a vida paralisantemente vazia. Esta visão é expressa numa cena de um filme de Bergman, O Sétimo Selo (1957), em que o cavaleiro medieval fala com a figura encapuzada da morte. [O cavaleiro joga uma partida de xadrez com a Morte para tentar adiar a sua morte.]

“Cavaleiro: Eu quero o conhecimento! Não a fé, nem presunções, quero o conhecimento! Quero que Deus me estenda a sua mão, que me mostre a sua face e fale comigo.
Morte: Mas Ele permanece em silêncio.
Cavaleiro: Eu chamo por Ele na Escuridão. Mas é como se não estivesse lá ninguém.
Morte: Se calhar é porque não está lá ninguém.
Cavaleiro: Então a vida é um tremendo absurdo. Ninguém pode viver confrontado com a morte se souber que tudo se resume a nada.”»
Dan O’ Brien, Introdução à Teoria do Conhecimento, Gradiva, Lisboa, 2013, pág. 349.

A filosofia por vezes vai ao cinema. Neste pequeno diálogo encontramos referências a diversos tópicos filosóficos:

- o problema do sentido da vida (e a perspetiva de que esta sem Deus é absurda);
- o chamado “argumento da ocultação divina”, contra a existência de Deus (“chamo por Ele na Escuridão. Mas é como se não estivesse lá ninguém”);
- a rejeição do fideísmo (“quero o conhecimento! Não a fé”);
e, talvez mais discutivelmente,
- a falácia do apelo às consequências (alegar que uma ideia é verdadeira ou falsa em função das suas consequências serem desejadas ou indesejadas – o cavaleiro sugere que Deus tem de existir senão “a vida é um tremendo absurdo”). 

terça-feira, 16 de junho de 2020

Recursos de Filosofia: Para terminar a Filosofia da religião com humor e sentido crítico


“Para terminar a Filosofia da religião com humor e sentido crítico”
Desta vez a proposta de trabalho que eu e a Sara Raposo elaborámos para a Aula Digital da Leya prende-se com a Filosofia da religião.
Como se depreende pelo título, a ideia é terminar a lecionação do capítulo com alguma leveza e boa disposição.
A proposta inclui um guião de análise de três vídeos: duas divertidas Mixórdias de Temáticas, de Ricardo Araújo Pereira, e o um excerto do célebre “Porque não sou cristão?”, de Bertrand Russell, onde este faz considerações críticas de perspetivas como a “aposta de Pascal”. Inclui também propostas de resolução.
Os sketches de RAP (intitulados “Deus visita indivíduo” e “Com vontade política tinha-se feito isto sem pó”) tocam - modo divertido e inteligente - diversos tópicos deste capítulo, com a vantagem adicional de mostrar que os assuntos filosóficos se podem encontrar no dia a dia.

Para aceder basta fazer uma rápida inscrição e depois visualizar o menu de recursos na Aula Digital.

Oxalá possa ser útil!

quarta-feira, 10 de junho de 2020

Um baile de máscaras e a representação teatral de um diálogo filosófico


No âmbito da área de Cidadania e Desenvolvimento, na turma do 11º F, sob a orientação da professora Cristina Fernandes, os alunos Anna, Claúdia, Inês, Danielly, Marco, Mariana Gaspar, Nicoleta, Olga e Rafael organizaram e realizaram um baile de máscaras na escola.

As atividades de natureza interdisciplinar (com a colaboração dos professores das disciplinas de Português, Filosofia, Francês, Inglês e História) que foram feitas encontram-se descritas e ilustradas com fotos no PowerPoint que se segue.

O diálogo filosófico (da autoria dos alunos Nicoleta, Marco e Rafael), que foi representado para os participantes no baile, pode ser lido também neste post.

Agradeço a todos os meus colegas professores, e especialmente aos alunos da turma, o empenho, o interesse e o seu contributo para a concretização destas atividades, nas quais tive o prazer de participar, bem como a colaboração e a partilha.

Muito obrigada a todos!
Bem hajam.


O diálogo filosófico, a seguir apresentado, foi escrito e representado pelos alunos  Nicoleta, Marco e Rafael no dia do Baile de Máscaras.