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domingo, 10 de maio de 2020

Um diálogo, no céu, entre duas cientistas: Maria Mayer e Lise Meitner

A física Maria Goeppert Mayer, vencedora do Nobel de Física de 1963.

A física austríaca, Lise Meitner, e o químico alemão Otto Hahn.
“Ambos trabalharam na fissão nuclear (quebra de um núcleo em dois mais pequenos), mas o mérito da descoberta foi atribuído exclusivamente a Hahn, que ganhou (sozinho) o prémio Nobel da Química em 1944. E isto apesar de, entre 1901 e 1965, Lise Meitner ter sido nomeada 29 vezes para o Nobel da Física e 19 vezes para o Nobel da Química.” Fonte: jornal online “Observador”
Em Cidadania e Desenvolvimento - no âmbito de uma DAC entre as disciplinas de Filosofia, Biologia e Física e Química - os alunos do 11º B realizaram vários trabalhos, subordinados ao tema “Mulheres na ciência: passado e presente”.
As alunas do 11º B, Beatriz André e Isabel Costa, são as autoras do trabalho que se segue, finalizado nas duas últimas semanas de aulas em condições diferentes das previstas inicialmente. Assim sendo, foi feita uma adaptação do projeto inicial e foi escrito um diálogo imaginário, que mistura humor e criatividade com informação científica e filosófica.
Agradeço a ambas as alunas o empenho, a disponibilidade e o interesse manifestado. Muito obrigada!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

O que é um paradigma?

Thomas Kuhn

«Uma área de investigação [de acordo com Thomas Kuhn] torna-se uma ciência madura quando existe consenso entre os investigadores que nela trabalham relativamente aos problemas a investigar, as leis a aplicar, e os métodos e os instrumentos a usar nesse campo de investigação. Isto acontece quando há uma realização científica que uma comunidade científica particular reconhece como exemplar e fundando a sua investigação futura. Isto é, quando existe aquilo a que Kuhn chama paradigma, um conjunto de problemas, soluções — teorias e leis — práticas metodológicas e princípios metafísicos, que são aceites pela generalidade dos praticantes daquele campo. Uma ciência madura é dominada apenas por um paradigma, que estabelece o que é ou não legítimo investigar dentro de uma ciência e coordena e dirige a investigação nessa ciência. São exemplos de paradigmas a física de Aristóteles, a mecânica de Newton, o eletromagnetismo de Maxwell e a seleção natural de Darwin. Aquilo que, segundo Kuhn, distingue ciências de não-ciências não é, como pensam os indutivistas, o facto de as teorias científicas poderem ser verificadas, ou, como pensa Popper, o facto de poderem ser falsificadas, mas o de existir ou não num determinado campo de investigação um paradigma aceite pela generalidade dos seus praticantes. Diferentes áreas de investigação atingiram a maturidade, isto é, tornaram-se ciências, em diferentes ocasiões. A Matemática e a Astronomia na Antiguidade, a Óptica no século XVII, a Química no século XVIII e a Biologia no século XIX, por exemplo. Por outro lado, muitas das ciências humanas atuais, porque não têm um paradigma dominante, não constituem ciências.

Podemos, apesar disso, dizer que um paradigma é constituído por

  • Um feito científico exemplar, que sirva como modelo para a investigação futura a realizar;
  • Problemas, métodos, instrumentos e técnicas sugeridos por este feito científico;
  • Crenças metafísicas acerca dos tipos de objetos e de fenómenos que constituem o mundo.

Por exemplo, o paradigma newtoniano inclui as leis do movimento de Newton, mas também métodos para aplicar estas leis ao movimento dos planetas, dos pêndulos, das bolas de bilhar, etc., assim como vários tipos de telescópios e de técnicas para o seu uso e para a correção dos dados obtidos por seu intermédio, em conjunto com pressupostos metafísicos, como o de que o mundo é um mecanismo em que várias forças operam de acordo com as leis do movimento de Newton.

Quando uma área de investigação adota um paradigma, ela entra num estádio a que Kuhn chama ciência normal e é nisto que consiste a maior parte da atividade científica.»

Álvaro Nunes, “Ciência e objetividade”, Crítica - https://criticanarede.com/anunescienciaeobjetividade.html