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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Um debate sobre religião, ciência e filosofia

Richard Dawkins, Daniel Dennett, Sam Harris e Christopher Hitchens debatem questões relacionadas com a religião, a ciência e a filosofia. Um diálogo, longo, mas  muito, muito interessante e instrutivo.

O vídeo tem legendas em português (ver no YouTube e carregar, na barra, em CC).

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Milagre??

aparição de nossa senhora aos 3 pastorinhos fatima

Milhões de pessoas acreditam que no dia 13 de Maio de 1917 Nossa Senhora apareceu em Fátima a três crianças que pastavam as suas ovelhas e acreditam que reapareceu novamente a 13 de Outubro do mesmo ano tendo então realizado um milagre observado por cerca de 70 mil pessoas: o Sol moveu-se, parecendo cair sobre as pessoas antes de regressar ao seu lugar.

milagre-do-sol em FátimaLevadas por essa crença muitas pessoas, incluindo o Papa Bento XVI, foram hoje, 13 de Maio de 2010, a Fátima e muitas outras assistirão às cerimónias pela televisão. Talvez não fizesse mal essas pessoas reflectirem um pouco acerca da plausibilidade ou implausibilidade dos milagres. As ideias David Hume são um bom ponto de partida para o efeito.

David Hume chama milagre a uma violação das leis da natureza e não a um mero acontecimento raro. Por exemplo: não é milagre um homem saudável morrer subitamente, mas será milagre se um homem morto voltar à vida. Por vezes há pessoas que declaram ter presenciado milagres. Porém, argumenta Hume, nenhum testemunho é suficiente para demonstrar a existência efectiva de um milagre, a não ser que o testemunho seja tal que a sua falsidade seja ainda mais “miraculosa” (ou seja, mais improvável) do que o facto testemunhado. Assim, se alguém nos disser que viu um homem morto regressar à vida, devemos tentar perceber o que é mais provável: 1) essa pessoa estar a enganar-nos deliberadamente ou estar enganada sem saber, ou 2) o facto por ela narrado ter realmente acontecido. Devemos comparar os dois “milagres” e rejeitar o “milagre” maior. Ou seja: se a falsidade do seu testemunho for ainda mais ”miraculosa” e improvável do que o regresso de um morto à vida então, e só então, devemos acreditar que o morto regressou à vida. Todavia, em todos os casos tornados públicos até hoje a improbabilidade do testemunho ser falso nunca é superior à improbabilidade da ocorrência do acontecimento.

Richard Dawkins analisou, à luz desse critério de David Hume, o suposto milagre de Fátima:

“Por um lado, é-nos pedido que acreditemos numa alucinação em massa, num artifício de luz ou numa mentira colectiva envolvendo 70 000 pessoas. Isto é reconhecidamente improvável, mas é menos improvável do que a alternativa: que o Sol realmente se moveu. O Sol que estava sobre Fátima não era, afinal, um Sol privado: era o mesmo Sol que aquecia todos os outros milhões de pessoas no lado do planeta em que era dia. Se o Sol se moveu de facto, mas o acontecimento só foi visto pelas pessoas de Fátima, então teria de se ter dado um milagre ainda mais notável: teria de ter sido encenada uma ilusão de não-movimento relativamente a todos os milhões de testemunhas que não estavam em Fátima. E isso se ignorarmos o facto de que, se o Sol se tivesse realmente deslocado à velocidade referida, o sistema solar se teria desintegrado.”

Os milhões de pessoas que acreditam no milagre de Fátima acreditam, portanto, numa falsidade.

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Bibliografia:

David Hume, Investigação sobre o entendimento humano, Edições 70, 1985, Lisboa (pp. 111-113, capítulo X, ‘Dos Milagres’).

Richard Dawkins, “O milagre de Fátima”, Crítica: Revista de Filosofia, http://criticanarede.com/html/fil_milagre.html.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Uma crença pode ser útil mas falsa

Alguns autores defendem que o papel da religião na vida humana é muito positivo, pois esta constitui um apoio psicológico fundamental para as pessoas, nomeadamente devido ao consolo que proporciona perante a morte.

Ao comentar essa ideia, Richard Dawkins (A Desilusão de Deus, Casa das Letras, 2007, pp.30-31) observa que «é assombroso o número de pessoas incapazes de compreender que ‘X é reconfortante’ não implica dizer que ‘X é verdadeiro’» e que «a eventual carga de consolo de uma determinada crença não faz subir o respectivo valor em termos de verdade».

Pode-se fazer o mesmo raciocínio relativamente a outras coisas apreciadas devido à sua utilidade: o facto de K ser fácil não implica que K seja verdadeiro; o facto de W dar prazer não implica que W seja verdadeiro; o facto de Z ser oportuno politicamente não implica que Z seja verdadeiro; etc.

(Por outro lado, o facto de Y me aborrecer não implica que Y seja falso.)

Uma crença útil (porque consola, porque favorece interesses políticos ou pessoais, etc.) mas falsa, terá uma utilidade duradoura ou apenas imediata? Essa utilidade será genuína ou meramente aparente?