“Para quem entrar no mesmo rio, outras são as águas que correm por ele.”
Heraclito (séc. VI-V a.C.)
“(…) somente aos deuses não cumpre envelhecer nem conhecer a morte,
o mais, tudo apaga o tempo omnipotente.
Fenece a força da terra, esvai-se a do corpo,
morre a confiança, germina a deslealdade,
e não é o mesmo espírito que passa entre homens,
que se estimam, nem de uma cidade para a outra.
Ora é já amargo o que era doce, ora o será
de futuro, e de novo voltará a apreciar-se.”
Sófocles, Édipo em Colono (607-615).
Notas:
Nas traduções portuguesas de obras filosóficas gregas é, por vezes, utilizada a palavra devir, significando a mudança constante a que a realidade (pelo menos a que é captada pelos nossos sentidos) está sujeita.
O fragmento de Heraclito e o poema de Sófocles foram traduzidos por Maria Helena da Rocha Pereira a partir do grego e podem ser encontrados no livro: Hélade, antologia da cultura grega, 5ª Edição, Coimbra, 1990.