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sexta-feira, 15 de maio de 2020

Recursos de Filosofia: objeções a Kant e Stuart Mill


A proposta de trabalho que esta semana eu e a Sara Raposo elaborámos para a Aula Digital da Leya visa a discussão de uma objeção a Kant e de uma objeção a Stuart Mill. Inclui textos, questões e propostas de resolução.

Em função da matéria que estiver a lecionar o professor pode optar por debater uma das objeções ou ambas. Pode também, obviamente, usar os textos com outro enquadramento e finalidade, uma vez que os documentos são editáveis.

Dado que as aulas presenciais do 11º vão ser retomadas na próxima semana foram apenas elaborados materiais para o 10º ano.

Para aceder basta fazer uma rápida inscrição e depois visualizar o menu de recursos na Aula Digital. (A apresentação do menu foi reorganizada e agora é mais fácil encontrar os recursos lá existentes.)

sábado, 25 de abril de 2020

A propósito do 25 de abril: Sapere aude!


«Iluminismo é a saída do homem da sua menoridade de que ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de se servir do entendimento sem a orientação de outrem. Tal menoridade é por culpa própria, se a sua causa não residir na carência de entendimento, mas na falta de decisão e de coragem em se servir de si mesmo, sem a guia de outrem. Sapere aude! Tem a coragem de te servires do teu próprio entendimento! Eis a palavra de ordem do Iluminismo.
A preguiça e a cobardia são as causas de os homens em tão grande parte, após a natureza os ter há muito libertado do controlo alheio, continuarem, todavia, de bom grado menores durante toda a vida; e também de a outros se tornar tão fácil assumir-se como seus tutores. É tão cómodo ser menor. Se eu tiver um livro que tem entendimento por mim, um diretor espiritual que em vez de mim tem consciência moral, um médico que por mim decide da dieta, etc., então não preciso de eu próprio me esforçar. Não me é forçoso pensar, quando posso simplesmente pagar; outros empreenderão por mim essa tarefa aborrecida. Porque a imensa maioria dos homens (…) considera a passagem à maioridade difícil e também muito perigosa é que os tutores de bom grado tomaram a seu cargo a superintendência deles. Depois de terem, primeiro, embrutecido os seus animais domésticos e evitado cuidadosamente que estas criaturas pacíficas ousassem dar um passo para fora da carroça em que as encerraram, mostram-lhes em seguida o perigo que as ameaça, se tentarem andar sozinhas. Ora, este perigo não é assim tão grande, pois acabariam por aprender muito bem a andar. Só que um tal exemplo intimida e, em geral, gera pavor perante todas as tentativas ulteriores.
É, pois, difícil a cada homem desprender-se da menoridade que para ele se tomou quase uma natureza. Até lhe ganhou amor e é por agora realmente incapaz de se servir do seu próprio entendimento, porque nunca se lhe permitiu fazer semelhante tentativa. (…)
Mas é perfeitamente possível que um público a si mesmo se esclareça. Mais ainda, é quase inevitável, se para tal lhe for concedida a liberdade.»

Immanuel Kant, Resposta à pergunta: “Que é o Iluminismo?”, Lusosofia - http://www.lusosofia.net/textos/kant_o_iluminismo_1784.pdf

quarta-feira, 1 de março de 2017

O imperativo categórico é consequencialista?

mill-versus-kant desenho - O imperativo categórico é consequencialista

Immanuel Kant pensava que as consequências boas ou más das ações não deviam ser tidas em conta na sua avaliação moral. Para ele, o imperativo categórico era uma forma de avaliar moralmente as ações completamente independente das suas consequências. Contudo, há quem pense que a única interpretação plausível do imperativo categórico é consequencialista. John Stuart Mill apresentou deste modo essa objeção contra Kant:

Kant, esse «homem notável, cujo sistema de pensamento permanecerá por muito tempo como um dos marcos na especulação filosófica, estabelece, realmente, no tratado em questão [a Fundamentação da Metafísica dos Costumes], um primeiro princípio universal como origem e fundamento da obrigação moral; é este: “Age de tal maneira que a regra da tua ação possa ser adotada como lei por todos os seres racionais”. Mas quando começa a deduzir deste preceito qualquer um dos deveres reais da moralidade, fracassa, de forma quase grotesca, em demonstrar que haveria qualquer contradição, qualquer impossibilidade lógica (para não dizer física), da adoção por todos os seres racionais das regras de conduta mais revoltantemente imorais. Tudo o que demonstra é que as consequências da sua adoção universal seriam de tal ordem que ninguém escolheria sofrê-las.»

John Stuart Mill, Utilitarismo, Gradiva, Lisboa, 2005, pág. 47.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Será correto sacrificar uma pessoa para salvar centenas?

Dois Caminhos

Uma doença muito grave está a matar imensas pessoas na Terra da Boa Vida, uma região muito isolada e de difícil acesso. Já morreram algumas centenas de pessoas e prevê-se que morrerão muitas mais nas próximas semanas. Na Terra da Boa Vida há uma única pessoa imune à doença e um cientista descobre que poderia fazer um medicamento capaz de curar a doença utilizando algum sangue dessa pessoa. Mas há um problema: essa pessoa tem uma outra doença e esta faz com que não possa perder mais sangue. Se lhe retirarem um litro de sangue para fazer o medicamento ela morre. Esta não se oferece como voluntária.

Deverão as autoridades obrigá-la a dar sangue? Será correto obrigá-la, sabendo que isso causará a sua morte? Coloque-se no lugar das autoridades: o que decidiria? Porquê?

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Um dilema moral da Medicina

O neurocirurgião, João Lobo Antunes, descreve neste vídeo um dilema ético da Medicina. Suponhamos que só há uma cama disponível nos cuidados intensivos de um hospital e chegam dois pacientes: um com 67 anos (ou mais) e um de 18 anos.
Quem tem direito a essa cama?
Qual deles devem os médicos salvar?
Que critério devem utilizar?
A resposta não é evidente, o critério ético utilizável também não. Vejam porquê ouvindo as palavras deste médico. Depois podem pensar na resposta à questão seguinte:
O critério ético utilizado relaciona-se com a teoria ética de Kant ou de Stuart Mill?



sexta-feira, 25 de março de 2016

Ser livre é obedecer à lei moral

kant

Somos livres quando obedecemos à lei moral 1. Quando li essa afirmação de Kant, por volta dos 16 anos, fiquei muito espantado. E impressionado. Ser livre é obedecer a uma lei?

Geralmente as pessoas associam a liberdade à ausência de regras ou mesmo à sua desobediência. Daí a surpresa.

O nome dado por Kant à lei moral é quase célebre: imperativo categórico 2. Trata-se de um critério que permite distinguir as ações certas das ações erradas e desse modo descobrir o que devemos e o que não devemos fazer.

Uma das maneiras de formular a lei moral, ou imperativo categórico, é semelhante à célebre regra de ouro: não faças aos outros o que não queres que te façam a ti. Ou seja: as ações certas são aquelas em que as pessoas são respeitadas (na linguagem de Kant: em que as pessoas são consideradas fins em si mesmas) e as ações erradas são aquelas em que as pessoas são usadas como se fossem apenas meios, ou seja, são instrumentalizadas. A lei moral não é, portanto, uma regra de conduta específica, mas um critério, uma espécie de teste mental que, em cada situação, nos indica o que está certo – tal como uma bússola indica o norte. Por exemplo: pedir dinheiro emprestado a um amigo sem ter a intenção de o devolver será certo ou errado? Aplicando o critério descrito é fácil de ver que é errado, pois implica considerar o amigo como se fosse uma coisa, um mero meio de resolver as dificuldades do agente e sem qualquer consideração pelo seu ponto de vista.

Kant considerava esse género de ações erradas mesmo que o agente tivesse um objetivo supostamente bom, pois pensava que os fins não justificam os meios e que, portanto, nunca temos motivos suficientes para usar e manipular as pessoas.

Mas como é que isso se relaciona com a liberdade?

Se, através do teste da lei moral, percebemos que uma ação é correta então devemos mesmo fazê-la. Não para obter qualquer vantagem pessoal (por exemplo, ficar bem visto) mas apenas porque é isso que está certo. Kant achava que as ações só têm valor moral quando fazemos o dever pelo dever, sem nenhum outro motivo.

Se percebo o que está certo mas não o faço, porque vai contra os meus interesses, desejos ou sentimentos, então não sou livre. Sou, pelo contrário, um escravo desses interesses, desejos e sentimentos – a que Kant chamava “inclinações”. Por exemplo, se sei que a ação X é errada mas ainda assim a faço, empurrado por exemplo pelo medo ou pelo ciúme, não sou livre 3. Só sou livre quando faço aquilo que tenho a obrigação moral de fazer. Assim, não basta escolher para ser realmente livre, é preciso escolher bem.

Só sou livre quando faço aquilo que tenho a obrigação moral de fazer… Já não tenho 16 anos, mas continuo a achar esta ideia impressionante.

Para Kant isso não é contraditório. Somos seres racionais e é a razão que nos faz perceber a lei moral. Obedecer à razão, e àquilo que ela ordena, é obedecer a nós próprios e não a algo exterior. Kant pensava que, enquanto seres racionais, cada um de nós é como se fosse co-autor da lei moral. Por isso, se decido não fazer a referida ação X revelo uma vontade autónoma e livre. Autonomia significa, de acordo com a sua etimologia, “dar lei a si próprio”.

Talvez paradoxalmente, Kant considerava que obedecer aos nossos desejos e sentimentos não é obedecermos a nós próprios, pois, apesar de sermos também animais e o nosso corpo ter imensa importância, é a racionalidade que nos define. Para ele, obedecer às “inclinações” era equivalente a obedecer a outra pessoa. Era sinal de heteronomia e não de autonomia.

Uma das muitas críticas que se fazem a Kant é que ele desvalorizou os desejos e os sentimentos e esqueceu que devemos escutar o corpo e não apenas a razão.

Essa crítica é plausível e precisamos certamente de uma maneira de entender as pessoas que não oponha a racionalidade e a afetividade, como Kant fazia. Mas, ainda assim, continua teimosamente a fazer sentido a ideia de que só somos verdadeiramente livres quando conseguimos ter força de vontade para escolher o que está certo. Ou, pelo menos, o que julgamos estar certo.

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1 Kant, Immanuel“, Fundamentação da Metafísica dos Costumes, tradução de Paulo Quintela, Introdução de Pedro Galvão, 2009, Lisboa, Edições 70, pág. 100. A expressão usada é: “vontade livre e vontade submetida a leis morais são uma e a mesma coisa”.

2 Segundo Kant, se existisse um ser racional dotado de uma vontade perfeita ou santa (Deus, por exemplo) a lei moral não lhe surgiria sob a forma de um imperativo ou dever, pois a sua vontade seria sempre determinada pela razão e ele escolheria sempre o bem (se é que isso seria escolher). Mas, para seres comos nós (que temos uma vontade imperfeita que tanto pode ser determinada pela razão como pelos sentimentos e desejos), a lei moral surge como imperativo ou dever. Daí que no nosso caso se possa identificar lei moral e imperativo categórico. Kant, op.cit., pp. XXXVI e 89.

3 Mas sou, ainda assim, responsável, pois, como ser racional conhecedor da lei moral, tinha em aberto a possibilidade de agir de outro modo. Kant, op.cit., pág. LII e nota da pág. 100.

sexta-feira, 4 de março de 2016

O que é a vontade boa?

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«Na moral, o ponto de partida de Kant é o de que o único bem irrestrito é uma vontade boa. Talento, carácter, autodomínio e fortuna podem ser usados para alcançar maus fins; até mesmo a felicidade pode corromper. O que constitui o bem de uma vontade boa não é o que esta alcança; a vontade boa é um bem em si e por si (...)
Não foi para procurar a felicidade que os seres humanos foram dotados de vontade; para isso, o instinto teria sido muito mais eficiente. A razão foi-nos dada para originar uma vontade boa não enquanto meio para outro fim qualquer, mas boa em si. A vontade boa é o mais elevado bem e a condição de possibilidade de todos os outros bens, incluindo a felicidade.
Que faz, pois, uma vontade ser boa em si? Para responder a esta questão, temos de investigar o conceito de dever. Agir por dever é exibir uma vontade boa face à adversidade. Mas temos de distinguir entre agir de acordo com o dever e agir por dever. Um merceeiro destituído de interesse pessoal ou um filantropo que se deleite com o contentamento alheio podem agir de acordo com o dever. Mas acções deste tipo, por melhores e por mais agradáveis que sejam não têm, de acordo com Kant, valor moral. O nosso carácter só mostra ter valor quando alguém pratica o bem não por inclinação mas por dever — quando, por exemplo, um homem que perdeu o gosto pela vida e anseia pela morte continua a dar o seu melhor para preservar a sua própria vida, de acordo com a lei moral (…).
O que é, pois, agir por dever? Agir por dever é agir em função da reverência pela lei moral; e a maneira de testar se estamos a agir assim é procurar a máxima, ou princípio, com base na qual agimos, isto é, o imperativo ao qual as nossas acções se conformam. Há dois tipos de imperativos: os hipotéticos e os categóricos. O imperativo hipotético afirma o seguinte: se quisermos atingir determinado fim, age desta ou daquela maneira. O imperativo categórico diz o seguinte: independentemente do fim que desejamos atingir, age desta ou daquela maneira. Há muitos imperativos hipotéticos porque há muitos fins diferentes que os seres humanos podem propor-se alcançar. Há um só imperativo categórico, que é o seguinte: "Age apenas de acordo com uma máxima que possas, ao mesmo tempo, querer que se torne uma lei universal" (…).
Kant oferece uma formulação complementar do imperativo categórico. "Age de tal modo que trates sempre a humanidade, quer seja na tua pessoa quer na dos outros, nunca unicamente como meios, mas sempre ao mesmo tempo como um fim." Kant pretende, apesar de não ter convencido muitos dos seus leitores, que este imperativo é equivalente ao anterior e que permite retirar as mesmas conclusões práticas. Na verdade, é mais eficaz do que o anterior para expulsar o suicídio. Tirar a nossa própria vida, insiste Kant, é usar a nossa própria pessoa como um meio de acabar com o nosso desconforto e angústia.»
Anthony Kenny, História Concisa da Filosofia Ocidental, Ed. Temas e Debates.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Discussões éticas

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Os vídeos contêm as duas primeiras aulas do célebre curso de Michael Sandel: Justice.

Na primeira aula Michael Sandel discute com os alunos alguns dilemas morais, nomeadamente o “problema do elétrico”. A partir do minuto 16 faz considerações interessantes sobre a natureza da filosofia e os efeitos do seu estudo.

Na segunda aula, de modo a pôr à prova algumas ideias utilitaristas, Michael Sandel discute com os alunos um caso real de canibalismo ocorrido com marinheiros ingleses no século XIX.

Os vídeos estão legendados (em português do Brasil) e, apesar de algumas infelicidades, são compreensíveis mesmo para quem não perceba nada de inglês.

The Moral Side of Murder.

The Case for Cannibalism.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

O eléctrico desgovernado: discussão de um dilema moral

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Situação 1.
O dilema do troléi 1
Situação  2.
O eléctrico desgovernado 2

1. Na tua opinião, o que seria correto fazer na situação 1 e na situação 2?
2. Como justificarias a tua decisão em cada uma das situações?
3. Haverá uma diferença relevante entre ambas as situações? Porquê?



terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

O dilema do trolei: um excelente vídeo

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O texto do vídeo é narrado por Harry Shearer e foi escrito por Nigel Warburton.
É retirado de um programa da BBC Radio, "A History of Ideas":

http://www.bbc.co.uk/programmes/b04bwydw
http://www.bbc.co.uk/historyofideas
Um projeto em parceria com a Open University:

http://www.open.edu/openlearn/history...

Vale a pena clicar nos links anteriores para perceber como o discurso filosófico pode ser intelectualmente estimulante, claro e muito, muito interessante...

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Não vender a alma ao diabo

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A independência de espírito, o sentido crítico e a integridade moral são bens raros (e a crise torna-os ainda mais escassos). Porém, felizmente, podem ainda encontrar-se nalguns seres humanos.

No contexto do estudo da teoria ética de Kant, a minha aluna Inês Marcelino (do 10º D) enviou-me algumas excelentes imagens e cartoons que irei publicar neste blogue, esta é primeira delas.

Muito obrigada Inês!

segunda-feira, 24 de março de 2014

Deveres e autonomia

não faças aos outros o que não queres que te façam a ti

Descobrimos os nossos deveres graças ao imperativo categórico. Este é um critério de certo e errado. Uma espécie de teste mental que permite determinar que ações estão certas e que ações estão erradas, que ações devemos fazer e que ações não devemos fazer. As ações que devemos fazer constituem obrigações absolutas e incondicionais – devemos agir desse modo independentemente das consequências. Trata-se de deveres absolutos.

Kant distingue o imperativo categórico do imperativo hipotético. Este é uma regra que nos diz que meios devemos usar se queremos atingir certos resultados. Por exemplo: se não queres perder a confiança dos amigos não digas mentiras. O imperativo hipotético não tem carácter moral: quem lhe obedece não age por dever, mas sim contra o dever ou em conformidade ao dever.

Segundo Kant, qualquer pessoa, na medida em que é racional, conhece o imperativo categórico e pode descobrir quais são os seus deveres. Kant não quer naturalmente dizer que todas as pessoas conhecem as palavras usadas por si, mas sim que são capazes de pensar em ideias equivalentes. Uma dessas ideias é a conhecida regra de ouro: “não faças aos outros o que não queres que te façam a ti”, que convida a nos colocarmos no lugar dos outros. A razão é universal e tanto permite compreender a matemática como o imperativo categórico.

Quando temos boa vontade (obedecemos ao imperativo categórico e agimos por dever) revelamos – segundo Kant - uma vontade autónoma. Autonomia significa literalmente “dar lei a si próprio”. A vontade é autónoma se obedece à razão, ou seja, se queremos aquilo que a razão ordena.

Se o nosso querer for influenciado por interesses pessoais, sentimentos, costumes sociais ou crenças religiosas, revelamos uma vontade heterónoma. Heteronomia significa literalmente “receber a lei de outro”. Mesmo que sejam os nossos interesses e sentimentos, Kant diz que há heteronomia, pois trata-se de elementos exteriores à razão. Somos autónomos apenas quando somos racionais, apenas quando é a razão a determinar as nossas ações.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Matriz do 4º Teste de Filosofia: turmas B e C do 10º ano

Aristóteles Kant Stuart Mill

 

Duração: 90 minutos

Objetivos:

1. Explicar o que é a Ética.

2. Explicar o que é um dilema moral.

3. Descrever os dilemas morais apresentados nas aulas.

4. Explicar em que consiste o problema da fundamentação da moral e relacionar as questões do bem último e da ação correta.

5. Explicar porque é que o Utilitarismo de Stuart Mil é uma ética consequencialista.

6. Explicar porque é que o Utilitarismo de Stuart Mil é uma ética hedonista.

7. Distinguir prazeres superiores e prazeres inferiores, segundo Stuart Mil.

8. Explicar o que é, segundo Stuart Mill, o princípio da utilidade.

9. Aplicar o princípio da utilidade a casos concretos e determinar se a ação em causa é moralmente correta ou incorreta.

10. Explicar porque é que, para o Utilitarismo de Stuart Mil, os deveres não são absolutos.

11. Explicar as objeções ao Utilitarismo de Stuart Mil estudadas.

12. Explicar o que entende Kant por boa vontade e porque a considera o bem último.

13. Distinguir ações contrárias ao dever, ações por dever e ações em conformidade ao dever (motivadas por sentimentos e motivadas pelo interesse).

14. Explicar porque é que, para Kant, a intenção é que confere valor moral às ações.

15. Explicar o que é, segundo Kant, o imperativo categórico.

16. Explicar a primeira fórmula (chamada fórmula da lei universal) do imperativo categórico.

17. Explicar a segunda fórmula (chamada fórmula da humanidade) do imperativo categórico.

18. Aplicar as duas fórmulas do imperativo categórico a casos concretos e determinar se a ação em causa é moralmente correta ou incorreta.

19. Explicar porque é que, para Kant, os deveres são absolutos.

20. Distinguir imperativo categórico e imperativo hipotético.

21. Distinguir autonomia e heteronomia.

22. Explicar as objeções à Ética Deontológica de Kant estudadas.

23. Comparar o Utilitarismo de Stuart Mil e a Ética Deontológica de Kant e discutir qual delas é mais plausível.

Nota: os alunos devem conhecer exemplos ilustrativos das ideias referidas.

Links:

Qual é o critério da moralidade?

O utilitarismo: ideias básicas

Apontamento sobre o Utilitarismo

Argumentos contra o utilitarismo

Um prazer superior

As teorias éticas de Kant e Stuart Mill: ideias fundamentais

Quando é que as nossas ações têm valor moral?

Quais são as acções que têm valor moral?

Agir bem para evitar problemas

Por dever ou apenas em conformidade ao dever?

Qual dos personagens, o Calvin ou a Susie, está a agir de acordo com o princípio kantiano da moralidade?

As pessoas não são instrumentos

Os imperativos de Kant

Devemos mentir para salvar a vida de um amigo? – Não, diz Kant (1)

Devemos mentir para salvar a vida de um amigo? – Não, diz Kant (2)

Tem que se fazer justiça, nem que o céu desabe

Complementar:

Qual é a ação correta?

Qual é o mal de mentir?

SACRIFICAVAS UMA VIDA PARA SALVAR 200?

Um dilema moral da Medicina

Discussão de um dilema moral: qual seria a ação correta?

Cumprir o dever pelo dever: um exemplo

BOM TRABALHO!

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

As teorias éticas de Kant e Stuart Mill: recursos didáticos

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A dimensão ética da ação humana. Análise comparativa das perspectivas filosóficas - a ética deontológica (Kant) e a ética utilitarista (Stuart Mill).

Cumprir o dever pelo dever: um exemplo

Os imperativos de Kant

Agir bem para evitar problemas

Por dever ou apenas em conformidade ao dever?

Quais são as ações que têm valor moral?

Qual dos personagens, o Calvin ou a Susie, está a agir de acordo com o princípio kantiano da moralidade?

As pessoas não são instrumentos

Devemos mentir para salvar a vida de um amigo? – Não, diz Kant (1)

Devemos mentir para salvar a vida de um amigo? – Não, diz Kant (2)

“Mentiras boas” e outras objeções à ética kantiana

Qual é o critério da moralidade?

O utilitarismo: ideias básicas

Argumentos contra o utilitarismo

As teorias éticas de Kant e Stuart Mill: ideias fundamentais

Rever Kant e Mill através das aulas de Michael Sandel:

- Qual é o mal de mentir?

- Qual é a ação correta?

Exercícios para resolver sobre as teorias éticas:

Lincoln: será correto mentir para defender a verdade?

Dilema ético em BD: Fox Trot

Para discutir na primeira aula de Filosofia

Bem-vindos à discussão dos problemas filosóficos :)

Ficha de trabalho: preparação para o teste intermédio de Filosofia do 10º ano

Teste intermédio de Filosofia do 10º ano: enunciado, resolução e critérios de correcção

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Discussão de um dilema moral: qual seria a ação correta?

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Fotos dos personagens reais. Mais informações acerca dos factos descritos podem ser consultadas AQUI.

«Consideremos agora um dilema moral verdadeiro (…):

Em junho de 2005, uma equipe formada pelo suboficial Marcus Luttrell e mais três seals (como são conhecidos os integrantes da Sea, Air, Land [Seal], força especial da Marinha dos estados Unidos para operações em mar, ar e terra) partiu numa missão secreta de reconhecimento no Afeganistão, perto da fronteira com o Paquistão, em busca de um líder do Talibã estreitamente ligado a Osama bin Laden. Segundo relatórios do serviço de inteligência, o alvo da missão comandava de 140 a 150 combatentes fortemente armados e estava num vilarejo numa região montanhosa de difícil acesso. Pouco depois de a equipe ter se posicionado numa colina com vista para o vilarejo, apareceram à sua frente dois camponeses afegãos com cerca de cem ruidosas cabras. Chegaram acompanhados de um menino de aproximadamente 14 anos. Os afegãos estavam desarmados. Os soldados americanos apontaram os rifles para eles, sinalizaram para que se sentassem no chão e, só então, começaram a discutir sobre o que fazer com eles. Por um lado, os pastores pareciam ser civis desarmados. Em contrapartida, deixá-los seguir adiante implicaria o risco de informarem os talibãs sobre a presença dos soldados americanos.

Os quatro soldados analisaram as opções, mas deram-se conta de que não tinham uma corda, então não seria possível amarrar os afegãos para ganhar tempo até encontrar outro esconderijo. As únicas opções eram matá-los ou deixá-los partir.

Um dos companheiros de Luttrell sugeriu que matassem os pastores: “Estamos em serviço atrás das linhas inimigas, enviados para cá por nossos superiores. Temos o direito de fazer qualquer coisa para salvar a nossa vida. A decisão militar é óbvia. Deixá-los livres seria um erro.”

Luttrell estava dividido. “No fundo da minha alma, sabia que ele tinha razão”, escreveu mais tarde. “Não poderíamos deixá-los partir. Mas o problema é que tenho outra alma. A minha alma cristã. E esta estava prevalecendo. Alguma coisa não parava de sussurrar do fundo da minha consciência que seria errado executar a sangue-frio aqueles homens desarmados.” (…) »

Michael Sandel, o texto foi retirado daqui (Crítica, revista de filosofia), onde pode ser lido na íntegra (em português do Brasil).

 

1. Na tua opinião, o que seria correto fazer nesta situação?

2. Como justificarias a tua decisão?