terça-feira, 3 de setembro de 2013

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Um novo ano e o fim de um projeto

Este ano, por razões que explico no blogue de Ciência Política (para aceder clicar na imagem), vou suspender a publicação de posts no "Homo politicus" .

Um breve intervalo imposto pelas circunstâncias, espero poder voltar no próximo ano letivo.

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domingo, 1 de setembro de 2013

Um ano letivo de boas descobertas!

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Discurso

E aqui estou, cantando.
Um poeta é sempre irmão do vento e da água:
deixa seu ritmo por onde passa.


Venho de longe e vou para longe:
mas procurei pelo chão os sinais do meu caminho
e não vi nada, porque as ervas cresceram e as serpentes
andaram.


Também procurei no céu a indicação de uma trajetória,
mas houve sempre muitas nuvens.

(...)

Cecília Meireles

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Desprezo pela superstição

H. G. Wells    david lodge

Um Homem de Partes, o livro mais recente de David Lodge, é um excelente romance biográfico sobre o escritor H. G. Wells, o famoso autor de A Guerra dos Mundos e A Máquina do Tempo.

Eis um excerto. Pode ler aqui outro excerto apetitoso.

«Na primavera de 1944, Hanover Terrace, uma elegante fiada de moradias de Nash no perímetro ocidental de Regent’s Park, apresenta-se claramente danificada pela guerra. A sua fachada de estuque creme, sem conservação desde 1939, está enegrecida, cheia de fendas e com a pintura a estalar; muitas janelas, estilhaçadas pela explosão das bombas ou pelas ondas de choque provocadas pelas baterias antiaéreas de Primrose Hill, estão entaipadas (…).

Só uma casa, a n. º 13, foi permanentemente ocupada durante a guerra pelo seu proprietário, Mr. H. G. Wells. Durante o Blitz [bombardeamentos aéreos perpetrados pela aviação nazi] sobre Londres, em 1940-1, foi frequentemente importunado com a sugestão de que o número da sua porta podia dar azar, ao que reagiu, em coerência com o desprezo que sempre tivera pelas superstições, mandando pintar um “13” maior ao lado da porta da entrada. Recusou-se obstinadamente a ir viver para o campo, dizendo que ”o Hitler (ou, se estava em companhia masculina, ‘esse Hitler de merda’) não me vai obrigar a fugir”, e manteve-se firme em Hanover Terrace enquanto os seus vizinhos, um a um, se esgueiravam sorrateiramente para refúgios rurais seguros e as respetivas casas eram subarrendadas ou ficavam devolutas. (…)

[Mas] H. G. nunca arredou pé, fiel à sua rotina de escrever livros, responder a cartas, dar o seu passeio higiénico diário - atravessando a rua, entrando no parque e indo até ao Zoo ou ao Rose Garden, ou descendo Baker Street até ao Savile Club, em Brook Street, com uma paragem pelo caminho para dar uma olhadela pelos livros na livraria Smith’s.»

David Lodge, Um Homem de Partes, Asa, 2013, pp. 13-14.

sábado, 17 de agosto de 2013

Para termos amigos temos de saber ser amigos

fotografia de Pierre Verger 

«Se fosse preciso provar que os seres humanos são essencialmente criaturas sociais , a existência da amizade fornecer-nos-ia tudo o que desejássemos. Como afirmou Aristóteles: “Ninguém escolheria viver sem amigos, mesmo que tivesse todos os outros bens”. (…)

Os amigos prestam auxílio, mas os benefícios da amizade vão muito além da assistência material. Sem amigos, estaríamos psicologicamente perdidos. Os nossos triunfos parecem vazios a menos que tenhamos amigos para os partilhar, e os nossos fracassos tornam-se suportáveis graças à sua compreensão. Até mesmo o nosso amor-próprio depende em grande medida das garantias dos amigos: ao retribuírem o nosso afeto, confirmam o nosso valor como seres humanos.

Se necessitamos de amigos, necessitamos igualmente das qualidades de caráter que nos capacitam para ser amigos. No topo da lista está a lealdade. Os amigos são pessoas com quem se pode contar. Apoiam-se mutuamente mesmo quando as coisas ficam feias, ou mesmo quando, falando objetivamente, o amigo merecia ser abandonado. Fazem concessões entre si; perdoam ofensas e refreiam juízos mais duros. Há limites, naturalmente. Por vezes, um amigo será a única pessoa capaz de nos dizer as verdades mais duras sobre nós mesmos. Mas as críticas são aceitáveis da parte de amigos porque sabemos que as sua repreensão não significa rejeição (…).

Todos precisam de amigos, e para termos amigos temos de saber ser amigos; por isso, todos precisamos de lealdade.»

James Rachels, Elementos de Filosofia Moral, Gradiva, Lisboa, 2004, pp 255-256, 260.

(Fotografia de Pierre Verger)

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A filosofia pode mudar o mundo?

as ideias podem mudar o mundo

«Os filósofos gostam de pensar que as suas ideias podem mudar o mundo. Geralmente, trata-se de uma vã esperança: escrevem livros que são lidos por pensadores como eles, enquanto o resto da humanidade prossegue o seu caminho, indiferente. Algumas vezes, uma teoria filosófica pode, no entanto, alterar a forma como as pessoas pensam.»

James Rachels, Elementos de Filosofia Moral, Gradiva, Lisboa, 2004, pág. 135.