segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O sorriso do bom aluno

Votos de um bom ano lectivo para todo os alunos, nomeadamente os alunos das turmas B e D do 11º ano!

o sorriso do acasoEsta fotografia circula pela Internet com o nome de “O sorriso de Deus”. Julgo  que “O sorriso do acaso” seria um nome mais racional. Seja como for, espero que ao longo do ano os vossos sorrisos não se devam ao acaso, mas sim à satisfação proporcionada pela aprendizagem e pelas consequentes boas notas. Sorrisos de bom aluno, portanto.

domingo, 12 de setembro de 2010

Bem-vindos à discussão dos problemas filosóficos :)

Dou as boas-vindas a todos os alunos, em particular aos das  turmas C, D e F do 10º ano que frequentam esta disciplina pela primeira vez. E também aos alunos do 11º A e C.

Bom trabalho para todos!

Este blogue  irá ser utilizado, como um complemento do manual adoptado, nas aulas e em casa pelos alunos – espero eu – na realização de trabalhos de casa e de pesquisa.

Para os mais curiosos em saber algo sobre esta nova disciplina do currículo, deixo, neste primeiro dia de aulas, duas sugestões: aqui e aqui.

Nesses textos poderão encontrar, numa linguagem simples e clara,  respostas a algumas questões com que, provavelmente, já se deparam e que irão ser explicitadas e aprofundadas nas próximas aulas.

Deixo, aos alunos do 10º ano e 11º ano, um desafio:

«O anarquista e romancista inglês William Godwin (1756–1836) usou o Arcebispo de Fénelon [considerado como um grande benfeitor da humanidade] na seguinte experiência mental:

O leitor pode salvar apenas uma pessoa de um edifício em chamas. Das duas que estão no interior, um é um criado, um bêbado preguiçoso e grosseiro, dado a brigas e desonesto, a outra é o Arcebispo Fénelon. Quem deve salvar?

A resposta é óbvia: deve salvar o grande benfeitor da humanidade, porque, ponderando todos os factores, é isto o que terá provavelmente as melhores consequências.

Mas há um senão nesta história.

E se o bêbado grosseiro, etc., for o seu pai?»

Desidério Murcho, no Crítica: blog de filosofia

 

Pensem na resposta que dariam e apresentem razões para justificar a vossa opinião.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Stephen Law no 8º Encontro Nacional de professores de Filosofia

image

No próximo dia 10 de Setembro (amanhã), o filósofo inglês Stephen Law irá proferir uma comunicação no 8º Encontro Nacional de professores de Filosofia em Portimão.

Além de ser autor de várias obras, algumas das quais traduzidas em português, Stephen Law dirige uma prestigiada revista de Filosofia chamada “Think: Philosophy for Everyone”. Possui também um blogue, onde se podem  encontrar informações sobre  os  seus livros e muitos outros motivos de interesse.

image image

Para saber mais sobre estes livros, ver aqui e aqui.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Sentimentalismos de uma rapariga loira (2)

A ideia de que as mulheres - por oposição aos homens - são mais sensíveis ao coração do que à razão, faz parte da nossa cultura e é aplicada por muitas pessoas em diferentes contextos, quer em termos teóricos quer na vida prática. A sua aceitação significa admitir que as pessoas do sexo feminino tendem a revelar, em certas circunstâncias, falta de discernimento e de frieza na análise dos factos porque valorizam mais os aspectos emocionais que os racionais.

Este pretenso retrato da natureza feminina é bastante popular e influente. Basta pensarmos, por exemplo, no carácter de muitas das heroínas dos filmes e dos romances. Como é o caso da personagem Carla Jean, no romance de Cormac McCarthy, referida na passagem do post anterior. Mas também nalguns preconceitos, bastante difundidos: “os homens não choram” (naturalmente por oposição às mulheres para quem esta exteriorização das emoções será um sinal da sensibilidade feminina), “as mulheres não sabem conduzir” entre outros. Neste último caso, tal como no anterior, os dados empíricos – como o número de acidentes rodoviários - até podem demonstrar o contrário. Porém, na prática constatamos a dificuldade em abandonar estes estereótipos, pois isso exigiria que se examinasse a sua justificação racional. Obviamente, a maior parte das pessoas – sejam homens ou mulheres - não o faz, nem o quer fazer. As razões que explicam essa recusa podem ser, além da preguiça mental, sociais ou psicológicas.

Mesmo na discussão de determinados assuntos há homens que argumentam – como já tive a oportunidade de verificar – deste modo: “Estás a ser demasiado sentimentalista, como aliás as mulheres são de um modo geral!” Ironias sexistas à parte, esta forma de refutar opiniões contrárias é desonesta do ponto de vista intelectual porque recorre ao ataque pessoal e à falsa generalização.

Claro que, quando se discutem ideias, o importante é a pertinência das ideias defendidas, a clareza do discurso e não o sexo de quem está a discutir.

No entanto, ainda que o suposto sentimentalismo feminino corresponda a um preconceito, é verdade que em muitas das áreas importantes da nossa vida, em particular as relacionais, estão envolvidos aspectos que escapam, pelo menos em parte, à racionalização. Quando uma pessoa tem de gerir o peso a atribuir aos sentimentos e às razões, é a própria razão a dizer-lhe que, por vezes, o mais “razoável”, paradoxalmente, é deixa-se guiar pelas emoções. Nas relações amorosas  podemos encontrar muitas situações em que isto acontece, onde as pessoas guiadas por motivos afectivos, provavelmente, obtêm resultados mais satisfatórios do que teriam recorrendo a meras análises racionais.

Garanto que não é o sentimentalismo feminino que me leva a fazer estas afirmações…

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Sentimentalismos de uma rapariga loira (1)

Elliott Erwitt Marilyn Monroe

Marilyn Monroe numa fotografia de Elliott Erwitt, Nova Iorque, 1956.

Numa passagem do romance de Cormac McCarthy , Este país não é para velhos, o xerife Bell interroga Carla Jean, procurando obter informações sobre marido que se encontra metido em sarilhos com traficantes de droga. Para lhe explicar porque motivo nunca  o denunciaria, ela diz-lhe o seguinte:

“(…) vou contar-lhe uma coisa, se me quiser ouvir.
Quero sim.
Talvez ache que eu não regulo lá muito bem.
Talvez.
Ou talvez já ache isso.
Não acho, não.
Quando larguei o liceu tinha só dezasseis anos e arranjei trabalho no Wal-Mart. Pareceu-me que não havia outra alternativa. Precisávamos do dinheiro por pouco que fosse. Enfim, na véspera do meu primeiro dia de trabalho, à noite, tive um sonho. Ou pelo menos pareceu-me um sonho. Acho que ainda estava meio acordada. Mas veio-me à cabeça no tal sonho ou lá o que era que se eu fosse até lá ele ia encontrar-me. No Wal-Mart. Não sabia quem ele era nem como é que se chamava nem que cara tinha. Só sabia que o ia reconhecer quando o visse. Tinha um calendário e ia riscando os dias. Como alguém que está preso. Quer dizer, eu nunca estive na prisão, mas calculo que os presos façam assim. E no nonagésimo nono dia ele entrou e perguntou-me onde estavam os artigos desportivos e era ele. E eu indiquei-lhe onde é que estavam e ele olhou para mim e afastou-se. Mas voltou imediatamente para trás e leu o crachá que eu trazia ao peito e disse o meu nome em voz alta e olhou para mim e perguntou: A que horas é que sais? E pronto, o assunto ficou arrumado. Na minha cabeça não houve  dúvida nenhuma. Nem naquele momento, nem agora, nem nunca.”

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O caminho menos longo

caminho perigoso para a escola China

Na fotografia vê-se um grupo de crianças a caminho da escola, numa perigosa estrada de montanha, na China. Um passo em falso e é morte certa.

Inicia-se hoje mais um ano lectivo. E daqui a duas semanas, aproximadamente, iniciar-se-ão as aulas. Nem os alunos nem os professores portugueses precisam de percorrer caminhos tão longos e perigosos para chegar à escola (embora as montanhas de papéis inúteis que os professores têm de ler e preencher também contenham alguns perigos).

Talvez valesse a pena perguntar o que andamos a fazer com as facilidades e oportunidades que temos. Talvez descobríssemos que, afinal, as facilidades nem sempre facilitam e que o caminho percorrido por aquelas crianças chinesas é, afinal, menos longo que o nosso.

Por exemplo: àquelas crianças, tal como às crianças finlandesas de que tanto se fala, não passa certamente pela cabeça reprovar, tal como não passa pela cabeça dos seus dirigentes políticos proibir as reprovações. Já em Portugal…