A Vitória de René Magritte (1938).
Alguns dos acontecimentos que presenciámos ao longo deste ano lectivo (a enorme quantidade de legislação absurda sobre a avaliação dos professores – saíram despachos atrás de despachos, os últimos alterando e corrigindo os anteriores, antes de serem também corrigidos -, o modo desrespeitoso como o Governo lidou com os professores; e, por outro lado, as manifestações e greves dos professores) terão reflexos pouco positivos no futuro da educação em Portugal.
Por mim serão lembrados como uma humilhação (as acções do Governo) e uma grande farsa (as acções do Governo mas também as reacções dos professores). A resistência inicial e o repúdio pelo modelo de avaliação imposto deram lugar, depois das várias formas de intimidação utilizadas pelo Governo, à aceitação passiva por grande parte dos professores. A posição destes poderá ser justificada pelos interesses pessoais em jogo, ou por outras razões, certamente legítimas. Todavia, em termos práticos, significou a aceitação de um modelo avaliativo injusto e ineficaz (como, aliás, a maioria das pessoas reconhece) e cuja aplicação terá, do meu ponto de vista, consequências negativas para o futuro da educação em Portugal e da carreira docente em particular.
As escolas tornaram-se lugares onde reina a hipocrisia e em que os professores avaliados procuram – naturalmente, com muito profissionalismo e mérito - promover-se através de inúmeras actividades, em que a visibilidade é uma condição mais importante que o facto destas incidirem sobre aspectos pedagógicos relevantes.
A todos estes meus colegas, que não vislumbravam virtudes neste modelo de avaliação, mas se submeteram a ele, desejo que possam obter o Excelente, pois demonstraram possuir uma competência fundamental: não questionar as ordens vindas de cima.
Quanto aos Directores das escolas e as demais Comissões de Avaliação, desejo que façam um excelente trabalho: justo e com a objectividade e rigor que as inúmeras grelhas e orientações emanadas do Ministério decerto permitirão.
Em relação ao futuro menos imediato: espero que os professores possam vir a ser avaliados, sem humilhação e farsa, pela sua competência científica e pedagógica e com a justeza e a imparcialidade que o modelo actual de avaliação não permite.