quarta-feira, 18 de março de 2015

Alentejo: terra da filosofia?

rotunda são marcos grupo coral cante alentejano

- Sabes qual é a terra da moda na filosofia?
- Não. Qual é?
- É o Alentejo: já tinham o Cante e agora têm também o Sócrates.

Anedota ouvida aqui.

domingo, 15 de março de 2015

Platão e um Ornitorrinco entram num Bar...

Texto publicado na edição online da Revista Sábado, em 09-03-2015.

Platão e um Ornitorrinco entram num Bar..., de Thomas Cathcart e Daniel Klein
Dom Quixote, Agosto de 2008
244 páginas.

“Uma mulher saía de casa todas as manhãs e exclamava: - Que esta casa esteja protegida dos tigres! Um dia uma vizinha perguntou-lhe: - Para que é aquilo? Não há um único tigre num raio de mil e quinhentos quilómetros. - Estás a ver? Resulta! – respondeu a mulher.”

Esta é uma das anedotas contadas no livro Platão e um Ornitorrinco entram num Bar..., de Thomas Cathcart e Daniel Klein, cujo subtítulo é Filosofia com humor. É contada (na pág. 54) para exemplificar a falácia post hoc: “o erro de presumir que, se uma coisa sucede a outra, essa coisa foi causada pela outra”.

O livro tem dez capítulos (além de um glossário e de uma enigmática conclusão) onde são abordados diversos problemas metafísicos, éticos, lógicos, epistemológicos, etc. Cada capítulo começa e acaba com um pequeno diálogo entre duas personagens: Dimitri e Tasso, respetivamente o discípulo e uma espécie de mestre. A título de exemplo, eis o diálogo que encerra o capítulo dedicado ao relativismo e que visa mostrar que este se autorrefuta (pág. 220):

“Dimitri: Pareces ser uma daquelas pessoas que pensam que não existe uma verdade absoluta, que toda a verdade é relativa.
Tasso: Certo.
Dimitri: Tens a certeza disso?
Tasso: Absoluta.”

O livro inclui também alguns divertidos cartoons e uma não menos divertida cronologia filosófica. Dois exemplos desta última: “1650 – Descartes pára de pensar durante um segundo e morre”; “1900 – Nietzsche morre, Deus morre de desgosto seis meses depois”.

Os autores fazem pequenas introduções aos problemas filosóficos abordados e apresentam anedotas e histórias cómicas para ilustrar ou criticar as ideias em causa (algumas anedotas constituem contraexemplos, outras funcionam como reduções ao absurdo, outras…). O humor não se encontra apenas nas anedotas, mas também na parte explicativa: misturadas com explicações “sérias” surgem muitas vezes afirmações humorísticas. Por exemplo, depois de caracterizarem o utilitarismo como a perspetiva “moral de que os atos corretos são aqueles que trazem mais bem-estar para as pessoas afectadas” que os atos alternativos, acrescentam: a “utilidade limitada desta filosofia moral torna-se evidente quando tentamos agradar à mãe e à sogra no Dia de Acção de Graças” (pág. 241).

Essas pequenas introduções destinam-se a fornecer breves enquadramentos às anedotas e a mostrar que a filosofia pode ser divertida. Não são, nem pretendem ser, apresentações rigorosas e completas dos problemas abordados nem das teorias mencionadas. Não contêm, ainda assim, erros escandalosos – exceto as primeiras linhas da página 49, onde, além de se dizer absurdamente que o silogismo é o principal argumento dedutivo, se repete a célebre asneira de que a “lógica dedutiva raciocina do geral para o particular”.

Platão e um Ornitorrinco entram num Bar... merece ser lido e as suas anedotas contadas aos amigos e até aos inimigos. Mas, pelas razões indicadas, não é o livro certo para estudar filosofia. O que não o impede de ajudar a compreender os problemas filosóficos que aborda, uma vez que o humor, além de nos divertir, pode lançar alguma luz sobre as coisas em que incide. O livro pode ser, por isso, uma fonte de exemplos imaginativos e engraçados, útil para alunos e professores – e até para pessoas interessadas em contar anedotas inteligentes e inesperadas.

“Demonstraremos como os conceitos filosóficos podem ser iluminados por piadas” e que muitas “piadas estão repletas de conteúdos filosóficos fascinantes”, prometem os autores na introdução (pág. 12) e sem dúvida que cumprem essa promessa.

Thomas Cathcart e Daniel Klein justificam o seu projecto alegando existir uma grande afinidade entre a filosofia e o humor. “A construção e reação às piadas e a construção e reação aos conceitos filosóficos são feitas do mesmo material. Estimulam a mente de formas semelhantes. Isto acontece porque a filosofia e as piadas têm origem no mesmo impulso: confundir a nossa perceção das coisas, virar os nossos mundos de pernas para o ar e deslindar as verdades escondidas, e muitas vezes desagradáveis, sobre a vida.” (pág. 10)

Talvez a afinidade não seja tão grande como isso. O humor pode também resultar de outros “impulsos” e a filosofia, embora implique pensamento crítico, não implica necessariamente a rejeição do senso comum pressuposta no “virar os nossos mundos de pernas para o ar”. Contudo, isso não retira valor a esta tentativa de apresentar a filosofia com humor, uma vez que o livro é realmente divertido e faz pensar. Por outro lado, rir de Platão ou Kant talvez contribua para diminuir o respeito acrítico e bacoco pelos “grandes nomes” que tanto mal faz à filosofia e ao pensamento em geral.

Para terminar, uma das várias anedotas acerca de Deus e da religião existentes no livro (pág. 215):

“Um homem está a rezar a Deus.
- Senhor – reza -, gostaria de te fazer uma pergunta.
O Senhor responde:
- Não há problema. Podes perguntar.
- Senhor, é verdade que para ti um milhão de anos é apenas um segundo?
- Sim, é verdade.
- Bem, nesse caso o que é um milhão de dólares para ti?
- Para mim, um milhão de dólares é apenas um cêntimo.
- Ah, nesse caso, Senhor – diz o homem -, podes dar-me um cêntimo?
- Claro – respondeu o Senhor. – Espera só um segundo.”

Platão e um Ornitorrinco entram num Bar... de Thomas Cathcart e Daniel Klein

sexta-feira, 13 de março de 2015

"Isto é comigo" - para ensinar e aprender melhor

Resultado de imagem para "Isto é comigo" Pordata

«O programa "Isto é comigo", uma iniciativa da Pordata, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, e da RTP, em parceria com o DN, explica o que está por detrás de termos que ouvimos todos os dias.»

Informação retirada DAQUI.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Elementos Básicos de Filosofia

Texto publicado na edição online da Revista Sábado, em 02-03-2015.

Elementos Básicos de Filosofia, de Nigel Warburton
Edição revista e aumentada
Tradução de Desidério Murcho e Aires Almeida
Revisão científica de António Franco Alexandre
Gradiva, Abril de 2007, 284 pp.

Há muitas introduções à filosofia, mas poucas são melhores que Elementos Básicos de Filosofia, de Nigel Warburton. A primeira edição portuguesa data de 1998 e a segunda (revista e aumentada) de 2007.

O livro contém sete capítulos, cada um com um tema diferente: Deus, Bem e mal, Política, O mundo exterior, Ciência, Mente e Arte. Em cada um dos capítulos existe uma breve apresentação dos problemas filosóficos associados ao tema geral e depois é feita a sua discussão: após a exposição de uma teoria ou argumento são sempre apresentadas críticas. No final de cada capítulo existe uma breve conclusão e uma pequena lista de leituras complementares. O livro inclui ainda uma introdução, um índice analítico e um glossário inglês-português.

Os capítulos são independentes uns dos outros, pelo que podem ser lidos pela ordem que a curiosidade ou a necessidade do leitor ditarem.

A lista de problemas filosóficos discutidos no livro é extensa e variada. No espaço de algumas dezenas de páginas o leitor é confrontado com questões tão diversas como estas: Devemos dizer sempre a verdade ou por vezes pode ser correto mentir? Qual é a justificação e a finalidade do castigo? Qual é realmente a relação entre a mente e o corpo? Será que um quadro original tem mais valor artístico que uma imitação perfeita?

Apesar disso, a lista não é exaustiva - nem poderia ser, dado o carácter introdutório do livro e a imensidão dos assuntos que interessam à filosofia. Um problema fundamental que não é discutido é o livre-arbítrio. A lógica também está ausente.

Na introdução, onde Nigel Warburton tenta caracterizar a natureza da filosofia, é dito que o "leitor ideal" de Elementos Básicos de Filosofia "será aquele que o ler criticamente, questionando constantemente os argumentos usados e concebendo contra-argumentos". O leitor de um livro de filosofia deve ter essa atitude porque a filosofia é "uma actividade: uma forma de pensar acerca de certas questões", pelo que recebê-la passivamente seria antifilosófico. Daí que Warburton também diga que o seu "objectivo é oferecer ao leitor instrumentos para pensar por si próprio".

Para alcançar esse objectivo o livro, além da estrutura argumentativa que já referi (cada teoria é sempre confrontada com várias objecções), conta com uma linguagem clara e acessível: "tentei evitar a gíria desnecessária e explicar os termos desconhecidos a par e passo". Em nenhum momento o texto pressupõe conhecimentos filosóficos prévios por parte do leitor.

O que se pode ganhar com a leitura deste livro e com o estudo da filosofia em geral? Nigel Warburton indica vários benefícios, mas vou referir apenas dois deles. As pessoas têm geralmente muitas crenças cuja veracidade nunca questionaram e que aceitam acriticamente. Ora, isso é "como conduzir um automóvel que nunca foi à revisão". Considere-se por exemplo a crença comum de que "não se deve matar. Mas por que razão não se deve matar? Que justificação existe para dizer que não se deve matar? Não se deve matar em nenhuma circunstância? E, afinal, que quer dizer a palavra ‘dever’?" Analisar e discutir esse género de ideias, como faz a filosofia, ajuda a clarificar e, eventualmente, a justificar melhor aquilo em que acreditamos. Permite também desenvolver a capacidade argumentativa, que pode depois ser aplicada em outras áreas.

Por todas essas razões, este é um livro ideal para figurar em bibliotecas escolares e para oferecer a adolescentes ou adultos curiosos relativamente a assuntos como a eutanásia, Deus, o sentido da vida ou – para dar um exemplo de actualidade óbvia – a liberdade de expressão. Mais que isso, é um bom livro para o caro leitor ler.

Elementos Básicos de Filosofia, de Nigel Warburton

segunda-feira, 9 de março de 2015

Platão e um Ornitorrinco entram num Bar...

Escrevi sobre o livro Platão e um Ornitorrinco entram num Bar..., de Thomas Cathcart e Daniel Klein, na edição online da Revista SÁBADO. AQUI.

Platão e um ornitorrinco entram num bar...

domingo, 8 de março de 2015

Museu da Água, Parlamento e Cinemateca: uma reportagem fotográfica

PTDC0070

 

O aluno do 11º A, Hugo Lopes, fez um pequeno vídeo com alguns momentos da visita de estudo a Lisboa (no dia 3 de março) das turmas do 10º D e 11º A. Vale a pena ver, no final há uma surpresa para os mais desprevenidos e menos atentos.

Os locais visitados foram os seguintes:

Museu da Água
Assembleia da República
Cinemateca Júnior

A música escolhida pelo Hugo para banda sonora foi  "Vance Joay - Riptide (Flic Flac Edit)" e "Tove Lo - Habits (Stay High) Hippie Sabotage Remix ".

Obrigada Hugo, pela iniciativa, pela atenção aos pormenores e qualidade da sua reportagem!

Fica o registo, para a posteridade, de um dia muito bem passado! :)