Alguns autores defendem que o papel da religião na vida humana é muito positivo, pois esta constitui um apoio psicológico fundamental para as pessoas, nomeadamente devido ao consolo que proporciona perante a morte.
Ao comentar essa ideia, Richard Dawkins (A Desilusão de Deus, Casa das Letras, 2007, pp.30-31) observa que «é assombroso o número de pessoas incapazes de compreender que ‘X é reconfortante’ não implica dizer que ‘X é verdadeiro’» e que «a eventual carga de consolo de uma determinada crença não faz subir o respectivo valor em termos de verdade».
Pode-se fazer o mesmo raciocínio relativamente a outras coisas apreciadas devido à sua utilidade: o facto de K ser fácil não implica que K seja verdadeiro; o facto de W dar prazer não implica que W seja verdadeiro; o facto de Z ser oportuno politicamente não implica que Z seja verdadeiro; etc.
(Por outro lado, o facto de Y me aborrecer não implica que Y seja falso.)
Uma crença útil (porque consola, porque favorece interesses políticos ou pessoais, etc.) mas falsa, terá uma utilidade duradoura ou apenas imediata? Essa utilidade será genuína ou meramente aparente?