“As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar, senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento.” John Stuart Mill
domingo, 9 de fevereiro de 2020
Porque é que a beleza importa?
Roger Scruton: “Why Beauty Matters?” (Por que a beleza importa? - Legendado) from Leonardo Faccioni on Vimeo.
sábado, 18 de janeiro de 2020
A definição de arte
Será que, tal como
defenderam Lev Tolstói e R. G. Collingwood, a essência da arte reside na
expressão dos sentimentos do artista?
Para testar essa ideia «pensemos
nos quadros do mestre pintor veneziano do século XVIII conhecido como Il Canaletto.
Este pintor foi um mestre da representação de paisagens urbanas da sua cidade,
como a que aqui se reproduz. Que sentimento individual estará supostamente a
ser transmitido de forma intencional neste quadro de Il Canaletto, com uma
imagem do Grande Canal de Veneza?
Dificilmente alguém será
capaz de justificar que o artista visa, de algum modo, exprimir através dele um
dado sentimento individual ou emoção pessoal, seja para contagiar os outros com
o mesmo sentimento, seja para tornar clara a emoção em causa. Algumas pessoas
poderão até associar a paisagem urbana aqui reproduzida a um certo estado de
espírito, mas se há algo claro acerca deste quadro é que se trata simplesmente
de uma representação supostamente fiel do que o pintor tinha diante de si e não
tanto de uma exteriorização do que está dentro de si. Pintar este quadro exigiu
provavelmente muitas horas de trabalho meticuloso e tecnicamente exigente da
parte do mestre veneziano, com vista a reproduzir na tela o que podia ver à sua
frente de modo fiel. Mais do que os sentimentos ou emoções do pintor, o que
parece contar aqui é aquilo que qualquer pessoa pode ver, independentemente do
que o autor tenha sentido. A ser assim [isto é, se a essência da arte residisse
na expressão dos sentimentos do artista], este quadro, reconhecido como uma
importante obra de arte, teria de ser excluído da classe das obras de arte. Mas
se isto nos parece inaceitável, resta concluir que exprimir sentimentos
individuais não é uma condição necessária da arte. Estamos, pois, perante um
contraexemplo tanto à definição de Tolstói como à de Collingwood.»
Aires Almeida, A
definição de arte – O essencial, Plátano Editora, Lisboa, 2019, pp. 41-42.
No 11º ano o capítulo de filosofia
da arte começará brevemente a ser lecionado. Como se pode ver por esta breve
amostra, este pequeno livro de Aires Almeida pode ser uma grande ajuda e contribuir para uma
apresentação estimulante do problema da definição de arte.
A lecionação deste capítulo
esbarra muitas vezes num grande obstáculo: a cultura artística de muitos alunos
é pobre e estes têm, por isso, dificuldade de perceber o problema e, sobretudo,
de se interessar por ele. Uma forma de superar esse obstáculo é, naturalmente,
apresentar exemplos variados e relevantes de obras de arte. Uma das coisas boas
do livro é que apresenta exemplos variados e criteriosamente escolhidos.
Outro aspeto muito positivo
é o equilíbrio conseguido pelo autor entre o rigor filosófico e a clareza da linguagem,
o que torna quase todas as páginas excelentes fontes de textos para fornecer
aos alunos.
Já ouvi muitos colegas
professores de Filosofia queixarem-se de falta de bibliografia relativamente à
teoria institucional e à teoria histórica da arte. Ora, o autor dedica um bom número
de páginas à explicação e discussão dessas duas teorias, debatendo as
principais ideias de ambas e as objeções com que têm sido confrontadas. Como
faz, aliás, relativamente às outras teorias tornadas obrigatórias pelas
Aprendizagens Essenciais.
Tal como o subtítulo sugere,
este livro apresenta de facto as ideias essenciais no que à definição de arte
diz respeito. Julgo por isso que é essencial tê-lo nas bibliotecas escolares e
na mesa de trabalho dos professores e estudantes de Filosofia. E de qualquer
pessoa interessada em arte e em filosofia, pois trata-se de um livro
introdutório e não pressupõe conhecimentos especializados.
Imagem: O Grande Canal Visto
a Partir do Campo San Vio, de Giovanni Antonio Canal, conhecido por Il Canaletto.
quinta-feira, 9 de janeiro de 2020
Não existe “A Filosofia”
Ao «contrário do que acontece noutras
disciplinas, não há “A Filosofia” para ser estudada. Há apenas os problemas
filosóficos e as diferentes teorias e argumentos que os filósofos apresentam,
não havendo uma “síntese” ou um consenso que se possa estudar como “A Filosofia”.
Na filosofia, está-se quase desde o início nas fronteiras do conhecimento. Por
isso, é necessário aprender a filosofar e não aprender uma ou outra filosofia –
a preferida dos professores ou dos autores dos programas (…). E aprender a filosofar
é aprender a discutir os problemas, as teorias e os argumentos apresentados
pelos filósofos – e não aprender a repetir as ideias dos filósofos.»
Desidério Murcho, O Lugar da Lógica na Filosofia, Plátano, Lisboa, 2003, pág. 29.
quinta-feira, 7 de novembro de 2019
Matriz da 2ª ficha de avaliação do 10º ano
Tema: Lógica proposicional.
Duração: 45 minutos.
Estrutura: diversos exercícios
de lógica (itens de resposta curta e itens de resposta restrita).
Objetivos:
1. Explicar o que é uma conetiva (ou operador) proposicional.
2. Distinguir proposições simples e compostas.
3. Nomear as conetivas proposicionais consideradas
pela lógica proposicional: negação, conjunção, disjunção (inclusiva e
exclusiva), condicional e bicondicional.
4. Identificar a forma canónica e algumas formas
alternativas de cada conetiva proposicional.
5. Reescrever frases com conetivas proposicionais de
modo a que as proposições sejam expressas de modo canónico.
6. Identificar e usar os símbolos representativos das
conetivas proposicionais (constantes lógicas).
7. Saber o que são variáveis proposicionais.
8. Fazer o dicionário de proposições dadas.
9. Formalizar proposições dadas.
10. Reconhecer o âmbito das conetivas proposicionais
usadas numa proposição.
11. Compreender a tabela de verdade de cada operador
proposicional.
12. Compreender o que são condições suficientes e
condições necessárias.
13. Determinar as condições de verdade de proposições
compostas através da construção de tabelas de verdade.
14. Negar proposições condicionais.
sábado, 19 de outubro de 2019
Matriz do 1º teste do 11º ano
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Ano letivo: 2019/2020
Duração: 90 minutos.
Estrutura: contém itens de escolha múltipla, correspondências, itens de ordenação, itens de resposta curta, itens de resposta restrita e itens de resposta extensa.
Objetivos:
1. Explicar o que é a Epistemologia.
2. Diferenciar os vários tipos de conhecimento (conhecimento prático, conhecimento por contacto e conhecimento proposicional).
3. Apresentar a definição tradicional de conhecimento.
4. Mostrar porque é que a verdade é uma condição necessária do conhecimento.
5. Mostrar porque é que a justificação é uma condição necessária do conhecimento.
6. Mostrar porque é que cada uma dessas condições isoladas ou agrupadas duas a duas não constituem condições suficientes do conhecimento.
7. Explicar a diferença entre o conhecimento a posteriori e o conhecimento a priori.
8. Explicar o que é o cepticismo e distinguir o ceticismo moderado e o ceticismo radical.
9. Mostrar qual é, segundo o ceticismo radical, o problema da justificação.
10. Discutir se o ceticismo radical se autorrefuta.
11. Explicar em que consiste o argumento cético dos erros percetivos.
12. Explicar em que consiste o argumento cético da regressão infinita da justificação.
13. Conhecer alguns cenários céticos: sermos um cérebro numa cuba, a vida ser um sonho, a situação descrita no filme Matrix, etc.
14. Mostrar em que medida o ceticismo lança um desafio a quem se afirma detentor conhecimento.
15. Mostrar como é que Descartes tentou responder ao desafio cético.
16. Explicar o que é a dúvida metódica.
17. Explicar porque razão Descartes tinha como objetivo encontrar uma crença indubitável e básica.
18. Indicar quais são as principais etapas do percurso da dúvida metódica.
19. Mostrar porque é que Descartes recorreu à hipótese da vida ser um sonho.
20. Mostrar porque é que Descartes recorreu à hipótese do Génio Maligno.
21. Mostrar porque é que Descartes considera o Cogito como indubitável.
22. Mostrar como é que o argumento da marca tenta provar a existência de Deus.
23. Explicar em que consiste o critério das ideias claras e distintas.
24. Mostrar qual é a função de Deus no sistema cartesiano.
25. Explicar a objecção segundo a qual Descartes foi incoerente ao considerar a existência de Deus como provada.
26. Explicar a objeção que diz: “criar a ideia de perfeição é diferente de criar a própria perfeição”.
27. Explicar a objeção do círculo cartesiano.
28. Avaliar e discutir a tentativa feita por Descartes para refutar o ceticismo e fundamentar o conhecimento.
O aluno deve conhecer exemplos ilustrativos de cada um dos tópicos.
Para estudar:
o Fotocópias.
o Fichas de trabalho enviadas por email.
o Imagens mostradas nas aulas e enviadas por email.
o No blogue Dúvida Metódica:
Tipos de conhecimento (imagens com exemplos)
Ficha de trabalho: identificação dos diferentes tipos de conhecimento
O Deco não percebe nada de Epistemologia (exemplo)Um “sinal de Deus” será uma boa justificação? (exemplo)
Uma dúvida inspiradora para os alunos do 11º ano (cartoon)
Como são parecidas a ilusão e a realidade! (distinção entre ilusões e alucinações)Algumas imagens que nos levam a duvidar dos nossos olhos e o cepticismo radical (vídeo com exemplos)
A minha vida é real: conhecimento ou mera crença? (experiência mental do cérebro numa cuba)
O caro leitor não está a ler (noção de contradição pragmática)
Cartoons cartesianosVejo, logo aprendo (vídeos sobre Descartes)
Aconselhado:Penso, logo não cozinho! (cartoon)
A vida será um sonho?Objecção a Descartes: o Cogito é um entimema e não uma crença básica
BOM TRABALHO!
terça-feira, 15 de outubro de 2019
Matriz do 1º teste do 10º ano
Ano letivo: 2019/2020
Duração do teste: 90 minutos
Estrutura do teste: contém itens de
escolha múltipla, correspondências, itens de resposta curta, itens de resposta
restrita e um item de resposta extensa.
Objetivos:
1. Conhecer pelo menos oito exemplos de questões
filosóficas.
2. Explicar porque é que as questões filosóficas
são concetuais.
3. Explicar porque é que as questões filosóficas
são básicas.
4. Explicar porque é que as questões filosóficas
estão em aberto.
5. Distinguir questões filosóficas de questões
não filosóficas em exemplos dados.
6. Mostrar porque é que a filosofia requer
pensamento crítico.
7. Explicar o que é a lógica.
8. Explicar o que é uma proposição.
9. Distinguir frases que exprimem proposições de
frases que não exprimem proposições.
10. Explicar o que são ambiguidades e distinguir
ambiguidades semânticas e ambiguidades sintáticas.
11. Explicar porque é importante – na filosofia e
noutras áreas do conhecimento - evitar ambiguidades.
12. Classificar proposições quanto à qualidade
(afirmativas e negativas) e quanto à quantidade (universais, particulares e
singulares).
13. Reescrever frases universais, particulares e
singulares de modo a que as proposições sejam expressas de modo canónico.
14. Nomear e explicar as relações lógicas
contidas no Quadrado da Oposição.
15. Determinar o valor de verdade de proposições
dadas tendo em conta o Quadrado da Oposição.
16. Negar proposições universais, particulares e
singulares.
17. Explicar o que é uma conetiva (ou operador)
proposicional.
18. Distinguir proposições simples e compostas.
19. Nomear as conetivas proposicionais
consideradas pela lógica proposicional: negação, conjunção, disjunção
(inclusiva e exclusiva), condicional e bicondicional.
20. Identificar a forma canónica e algumas formas
alternativas de cada conetiva proposicional.
21. Reescrever frases com conetivas
proposicionais de modo a que as proposições sejam expressas de modo canónico.
22. Identificar e usar os símbolos
representativos das conetivas proposicionais (constantes lógicas).
23. Saber o que são variáveis proposicionais.
24. Fazer o dicionário de proposições dadas.
25. Formalizar proposições dadas.
26. Reconhecer o âmbito das conetivas
proposicionais usadas numa proposição.
27. Compreender a tabela de verdade de cada
operador proposicional.
28. Compreender o que são condições suficientes e
condições necessárias.
29. Determinar as condições de verdade de
proposições compostas através da construção de tabelas de verdade.
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