quarta-feira, 25 de abril de 2018

Poderá haver um regime político melhor que a democracia?

Contra-a-Democracia

Hoje é um bom dia para chamar a atenção para este livro: Contra a Democracia, de Jason Brennan, editado pela Gradiva em 2017. O 25 de abril trouxe a democracia aos portugueses e pudemos descobrir pelos nossos próprios meios o que muitos outros já sabiam: a democracia não é um sistema perfeito, longe disso, mas é MUITO melhor que as alternativas existentes. Contudo, não será possível descobrir (ou talvez inventar) alternativas melhores? É precisamente isso que Jason Brennan tenta fazer neste livro: imaginar formas de organizar a vida política melhores que a democracia. Analisa sistematicamente muitos defeitos da democracia, como por exemplo a ignorância e falta de preparação dos eleitores, e discute os méritos e os defeitos de uma alternativa epistocrática, ou seja, o governo dos sábios. Brennan considera que há mais vantagens que desvantagens nesse tipo de solução e analisa várias possibilidades: algumas implicariam grandes alterações nos atuais regimes democráticos, outras implicariam apenas pequenos ajustes. É improvável que o autor conheça a afirmação de José Saramago (que, misturadas com muitas asneiras, também disse algumas coisas certas) de que não devemos considerar a democracia como um ponto de chegada, mas sim como um ponto de partida; contudo, é precisamente isso que ele tenta fazer. Este livro é, portanto, contra a democracia, mas não a favor da ditadura.

De qualquer modo, concorde-se ou não com Jason Brennan, não seria nada democrático não discutir o valor da democracia. Nesta, pelo contrário, costuma valorizar-se o espírito crítico e o debate livre de ideias – o que implica a possibilidade de discutir mesmo os valores mais fundamentais. A democracia só pode ganhar com uma tal discussão. Se desta resultar a refutação dos seus críticos, a democracia fica fortalecida. E não parece que perca se dessa discussão resultar a descoberta de um sistema melhor, quer este seja um aperfeiçoamento localizado do regime democrático quer envolva a sua substituição por um tipo de organização que continue a fazer bem o que a democracia faz bem e faça melhor o que a democracia faz mal.

domingo, 8 de abril de 2018

O valor da discordância

Nicholas Rescher

«Será que a discordância [por exemplo na filosofia e na ciência] serve algum propósito construtivo? É evidente que pode e deve fazê-lo. Pois dá a cada participante de uma controvérsia um incentivo para alargar e aprofundar o conhecimento ao procurar razões convincentes. Lidar com a discordância com base em razões é claramente um estímulo à investigação e evita que nos rendamos demasiado facilmente à nossa inclinação inicial para identificar as nossas opções com a verdade incontestável das coisas.»

Nicholas Rescher, Uma viagem pela filosofia em 101 episódios, Gradiva, Lisboa, 2018, pp. 21-22.

sábado, 10 de março de 2018

Matriz do 4º teste do 11º ano




Duração: 90 minutos + 10 minutos de tolerância. 

Objetivos:


1.   Explicar o que é a dúvida metódica e os objetivos de Descartes ao usá-la.
2.   Explicar quais são as principais etapas do percurso da dúvida metódica, nomeadamente a hipótese da vida ser um sonho e a hipótese do Génio Maligno.
3.   Explicar porque é que Descartes considera o Cogito como uma crença básica e indubitável.
4.   Explicar como é que Descartes tenta provar a existência de Deus.
5.   Explicar em que consiste o critério das ideias claras e distintas.
6.   Explicar qual é a função de Deus no sistema cartesiano.
7.   Explicar as objeções contra Descartes estudadas.
8.   Avaliar e discutir a tentativa feita por Descartes para refutar o ceticismo e fundamentar o conhecimento.
9.   Explicar e discutir as críticas de Hume a Descartes.
10.               Mostrar como Hume classifica e relaciona os conteúdos mentais.
11.               Explicar em que consiste o princípio da cópia.
12.               Explicar a rejeição empirista das ideias inatas.
13.               Distinguir as questões de facto e as relações de ideias.
14.               Discutir a opinião de Hume de que nenhum conhecimento a priori é substancial.
15.               Explicar o modo como Hume entende a causalidade.
16.               Explicar as objeções à perspetiva de Hume acerca da causalidade
17.               Explicar a análise feita por Hume ao problema da indução.
18.               Mostrar porque é que David Hume se considera um cético moderado.
19.               Comparar a perspetiva racionalista e a perspetiva empirista quanto ao problema da origem do conhecimento.
20.               Avaliar e discutir as ideias de David Hume acerca do conhecimento.


Natureza das questões

Escolha múltipla; identificação e avaliação de exemplos; questões de resposta curta, circunscrita e extensa.

Para estudar

No Manual: 

PDF’s dados aos alunos. 

No blogue Dúvida Metódica

Descartes:

O caro leitor não está a ler (noção de contradição pragmática)
Vejo, logo aprendo (vídeos sobre Descartes)

David Hume:


Opcional: