terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Como escolher os exames nacionais a realizar em 2017?

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O cartoon foi retirado deste sítio.
 
Dentro de pouco tempo os alunos do 11º ano (e do 12º) dos cursos de ciências, artes, humanidades e economia terão de escolher as disciplinas em que vão realizar exames nacionais obrigatórios (para conclusão de duas disciplinas - com o peso de 30% na classificação final) e que podem também utilizar como provas de acesso à universidade.
As provas de ingresso, na candidatura a cada curso, são fixadas por cada instituição de ensino superior. A informação disponível sobre os exames finais nacionais do ensino secundário que podem ser utilizados como provas de ingresso será divulgada no Guia Geral de Exames 2017 (que ainda não está disponível). Para cada um dos seus cursos, cada instituição de ensino superior fixa, no mínimo, uma prova de ingresso e no máximo, duas.
Uma boa escolha em 2017 terá de ter em conta a informação disponível em 2016, no site do governo, relacionada com os cursos existentes e as provas de ingresso, as vagas da 1ª e da 2ª Fase em cada instituição e as médias de acesso para cada curso:
 

A informação disponível relativa aos exames nacionais de 2017 é a seguinte:
Para os alunos que, em função dos seus interesses e preferências, ponderem fazer o exame nacional de Filosofia (esta faz parte de um leque de três disciplinas no 11º ano, podendo os alunos optar por duas, tanto nos cursos de ciências, artes, humanidades e economia), seguem-se informações que poderão levar a uma escolha mais racional e fundamentada:
Exame nacional de Filosofia 2017: informação IAVE

Matriz do 3º teste do 11º ano

Cerebro numa cuba 1      brain_in_a_vat_thought_bubble  cérebro numa cuba

Duração: 100 minutos.

Objetivos:

1. O que é a Epistemologia?

2. Em que consiste o saber-fazer?

3. Em que consiste o conhecimento de contacto?

4. Em que consiste o conhecimento proposicional?

5. Qual é a definição tradicional de conhecimento?

6. Porque é que a crença é uma condição necessária do conhecimento?

7. Porque é que a verdade é uma condição necessária do conhecimento?

8. Qual é a diferença entre palavras factivas e palavras não factivas?

9. Porque é que a justificação é uma condição necessária do conhecimento?

10. Porque é que cada uma dessas condições isoladas ou agrupadas duas a duas não constituem condições suficientes do conhecimento?

11. Em que consistem os contraexemplos à definição tradicional de conhecimento?

12. Porque é que nos casos descritos nesses contraexemplos não há conhecimento?

13. O que é o ceticismo? Qual é a diferença entre ceticismo moderado e ceticismo radical?

14. Qual é, segundo o ceticismo radical, o problema da justificação?

15. Será que o ceticismo radical se autorrefuta?

16. Em que consiste o argumento cético dos erros percetivos?

17. Em que consiste o argumento cético da regressão infinita da justificação?

18. Conhecer alguns cenários céticos: sermos um cérebro numa cuba, a vida ser um sonho, a situação descrita no filme Matrix, etc.

19. Em que medida o ceticismo lança um desafio a quem se afirma detentor conhecimento?

20. Como é que Descartes tentou responder ao desafio cético?

21. O que é a dúvida metódica?

22. Porque é que Descartes tinha como objetivo encontrar uma crença indubitável e básica?

23. Quais são as principais etapas do percurso da dúvida metódica?

24. Porque é que Descartes recorreu ao à hipótese do Génio Maligno?

25. Porque é que Descartes considera o Cogito como indubitável?

26. Como é que o argumento da marca tenta provar a existência de Deus?

27. Em que consiste a objeção que diz: “criar a ideia de perfeição é diferente de criar a própria perfeição”?

28. Em que consiste o critério das ideias claras e distintas?

29. Qual é a função de Deus no sistema cartesiano?

30. Em que consiste a objeção do círculo cartesiano?

31. O Cogito será realmente uma crença básica?

32. Como avalia a tentativa feita por Descartes para refutar o ceticismo e fundamentar o conhecimento?

Natureza das questões:

Escolha múltipla, questões de resposta curta e questões de resposta extensa.

Para estudar:

Blogue: Links sobre Epistemologia

PDF´s fornecidos aos alunos

Manual: da página 139 à página 167.

Matriz do 3º teste–10º ano

Relativismo cultural

Duração: 90 minutos + 10 minutos de tolerância.

Objetivos:

1. Distinguir juízos de facto e juízos de valor.

2. Identificar em exemplos juízos de facto e juízos de valor.

3. Distinguir juízos de valor morais (ou éticos) de outros juízos de valor.

4. Apresentar o problema da natureza dos juízos de valor morais: são subjetivos, culturalmente relativos ou objetivos?

5. Explicar a resposta do Subjetivismo Moral ao problema da natureza dos juízos de valor morais.

6. Explicar e discutir as objeções ao Subjetivismo Moral que estudou.

7. Explicar e exemplificar o que é a diversidade cultural.

8. Explicar e exemplificar o que é o etnocentrismo.

9. Explicar a perspetiva do Relativismo Cultural quanto ao problema da natureza dos juízos de valor morais.

10. Explicar as objeções ao Relativismo Cultural que estudou.

11. Explicar a perspetiva do Objetivismo moral quanto ao problema da natureza dos juízos de valor morais.

12. Explicar as objeções ao Objetivismo moral que estudou.

13. Comparar e discutir o Subjetivismo Moral, o Relativismo Cultural e o Objetivismo moral.

14. Justificar a opinião própria sobre o problema da natureza dos juízos de valor morais.

15. Aplicar os conteúdos de lógica.

Natureza das questões:

Escolha múltipla; identificação e avaliação de exemplos; questões de resposta curta e de resposta extensa.

Para estudar:

Partes assinaladas das seguintes páginas do Manual: 93, 96, 97*, 98*,da 102 à 107, 109, 114, 115.

* Onde no livro se disser “subjetivismo axiológico” leiam “subjetivismo moral”.

PDF’s dados aos alunos.

No blogue Dúvida Metódica:

Links sobre os valores

Um programa de filosofia mais pequeno e mais… filosófico

filosofia

Um dos muitos defeitos do atual programa de Filosofia para o ensino secundário é ser enorme. Mesmo depois de depurado pelas Orientações para efeitos de avaliação sumativa externa das aprendizagens na disciplina de Filosofia continua a ser demasiado grande. O facto de, em muitas escolas, a carga horária da disciplina ter diminuído agrava o problema.

Com a depuração feita pelas Orientações é possível “cumprir” o programa, ou seja, lecionar todos os conteúdos obrigatórios. Infelizmente fica pouco tempo para coisas muito importantes. Não me refiro a filmes e visitas de estudo, embora não negue a importância dessas atividades e seja um facto que elas são prejudicadas pela falta de tempo. Refiro-me a algo mais essencial em termos filosóficos e sem o qual ensino da filosofia não faz muito sentido: pôr os alunos a pensar por eles próprios.

Para conseguir isso não basta o professor apresentar a filosofia de um modo crítico e não dogmático, procurando confrontar os filósofos e as teorias com objeções e contraexemplos, pois há sempre alunos que mesmo assim se mantêm passivos e encaram tanto Kant como as objeções contra Kant como coisas que não lhes dizem respeito e que é preciso decorar. Para conseguir isso é necessário realizar diversas atividades suscetíveis de tornar a filosofia uma coisa prática e realmente argumentativa.

Alguns exemplos. Confrontar os alunos com os problemas filosóficos (antes de apresentar as teorias filosóficas que os tentam resolver) e deixá-los discutir demoradamente esses problemas. Analisar e discutir exemplos concretos, dados pelo professor e solicitados aos alunos. Ir colocando, oralmente e por escrito, questões que levem os alunos a questionar as teorias e os seus argumentos e contra-argumentos. Promover muitos pequenos debates em certos momentos das aulas e por vezes debates planeados e organizados. Etc.

Todas essas atividades ocupam bastante tempo e não é possível realizá-las com um programa sobrelotado de temas. Um programa de Filosofia não deve ser tão extenso que dificulte a vida aos professores que tentam ensinar a filosofia de um modo… filosófico.

Oxalá a revisão do programa de Filosofia que está a ser feita tenha em conta essa necessidade e origine um programa mais pequeno.

E que, já agora, corrija outros defeitos do atual programa – como, por exemplo, a desorganização, a linguagem vaga e obscura e a irrelevância filosófica de alguns tópicos. Outro aspeto a precisar de uma revisão drástica é este: exceto o capítulo introdutório (que se quer breve, pois o que interessa não é caracterizar a filosofia mas sim mostrar e praticar a filosofia) e a lógica, todos os capítulos de um programa de Filosofia devem apresentar problemas filosóficos e as teorias mais relevantes acerca dos mesmos (duas ou três). O atual programa tem alguns capítulos em que existe uma mistura confusa de assuntos e em que não é claro qual é problema filosófico em causa.

Por fim, o programa deve ter uma linguagem imparcial e não tendenciosa. Dois exemplos, tirados do atual programa, do que deve ser evitado: expressões como “reconhecer a ação como um campo de possibilidades - espaço para a liberdade do agente” e “reconhecer a necessidade de encontrar critérios trans-subjetivos de valoração” (usadas nos objetivos a atingir pelo aluno) tomam partido por uma das teorias em confronto – o que é obviamente errado e incompatível com a intenção de promover a liberdade de pensamento dos alunos.

Critiquei há meses o modo como o processo de revisão do programa foi implementado, mas teria muito gosto em dar o braço a torcer e reconhecer que me enganei – caso essa revisão originasse, afinal, um bom programa de Filosofia.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Um T.P.C para dia 14 de fevereiro, Dia dos Namorados!

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Fotografia de Henri Cartier-Bresson, cidade de Tóquio no Japão, 1965.

Imaginando que tinha de optar por um filme, uma canção e um poema sobre o amor (um sentimento poderoso, belo mas também difícil, às vezes), eis as minhas escolhas:

1. O filme: “In the Mood for Love” do realizador Wong Kar Wai. O vídeo contém parte da banda sonora acompanhada de passagens do filme.

2. Uma canção: "Eu Já Não Sei" escrita por Domingos Gonçalves Costa e Carlos Rocha. Neste vídeo, cantam Roberta Sá e António Zambujo, acompanhados por Yamandú Costa e Ricardo Cruz.

3. Um poema (e uma canção): “Gaivota” de Alexandre O'Neill.

Poema cantado por Amália Rodrigues, com música de Alain Oulman.

Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.


Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.


Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.


Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.


Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.

Meu amor na tua mão
Nessa mão onde perfeito
Bateu o meu coração

As vossas escolhas quais seriam?

E o que é o amor?

Um T.P.C para dia 14 de fevereiro, Dia dos Namorados! Smile

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Será correto sacrificar uma pessoa para salvar centenas?

Dois Caminhos

Uma doença muito grave está a matar imensas pessoas na Terra da Boa Vida, uma região muito isolada e de difícil acesso. Já morreram algumas centenas de pessoas e prevê-se que morrerão muitas mais nas próximas semanas. Na Terra da Boa Vida há uma única pessoa imune à doença e um cientista descobre que poderia fazer um medicamento capaz de curar a doença utilizando algum sangue dessa pessoa. Mas há um problema: essa pessoa tem uma outra doença e esta faz com que não possa perder mais sangue. Se lhe retirarem um litro de sangue para fazer o medicamento ela morre. Esta não se oferece como voluntária.

Deverão as autoridades obrigá-la a dar sangue? Será correto obrigá-la, sabendo que isso causará a sua morte? Coloque-se no lugar das autoridades: o que decidiria? Porquê?