
A informação disponível relativa aos exames nacionais de 2017 é a seguinte:
“As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar, senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento.” John Stuart Mill

Duração: 100 minutos.
Objetivos:
1. O que é a Epistemologia?
2. Em que consiste o saber-fazer?
3. Em que consiste o conhecimento de contacto?
4. Em que consiste o conhecimento proposicional?
5. Qual é a definição tradicional de conhecimento?
6. Porque é que a crença é uma condição necessária do conhecimento?
7. Porque é que a verdade é uma condição necessária do conhecimento?
8. Qual é a diferença entre palavras factivas e palavras não factivas?
9. Porque é que a justificação é uma condição necessária do conhecimento?
10. Porque é que cada uma dessas condições isoladas ou agrupadas duas a duas não constituem condições suficientes do conhecimento?
11. Em que consistem os contraexemplos à definição tradicional de conhecimento?
12. Porque é que nos casos descritos nesses contraexemplos não há conhecimento?
13. O que é o ceticismo? Qual é a diferença entre ceticismo moderado e ceticismo radical?
14. Qual é, segundo o ceticismo radical, o problema da justificação?
15. Será que o ceticismo radical se autorrefuta?
16. Em que consiste o argumento cético dos erros percetivos?
17. Em que consiste o argumento cético da regressão infinita da justificação?
18. Conhecer alguns cenários céticos: sermos um cérebro numa cuba, a vida ser um sonho, a situação descrita no filme Matrix, etc.
19. Em que medida o ceticismo lança um desafio a quem se afirma detentor conhecimento?
20. Como é que Descartes tentou responder ao desafio cético?
21. O que é a dúvida metódica?
22. Porque é que Descartes tinha como objetivo encontrar uma crença indubitável e básica?
23. Quais são as principais etapas do percurso da dúvida metódica?
24. Porque é que Descartes recorreu ao à hipótese do Génio Maligno?
25. Porque é que Descartes considera o Cogito como indubitável?
26. Como é que o argumento da marca tenta provar a existência de Deus?
27. Em que consiste a objeção que diz: “criar a ideia de perfeição é diferente de criar a própria perfeição”?
28. Em que consiste o critério das ideias claras e distintas?
29. Qual é a função de Deus no sistema cartesiano?
30. Em que consiste a objeção do círculo cartesiano?
31. O Cogito será realmente uma crença básica?
32. Como avalia a tentativa feita por Descartes para refutar o ceticismo e fundamentar o conhecimento?
Natureza das questões:
Escolha múltipla, questões de resposta curta e questões de resposta extensa.
Para estudar:
Blogue: Links sobre Epistemologia
PDF´s fornecidos aos alunos
Manual: da página 139 à página 167.
Duração: 90 minutos + 10 minutos de tolerância.
Objetivos:
1. Distinguir juízos de facto e juízos de valor.
2. Identificar em exemplos juízos de facto e juízos de valor.
3. Distinguir juízos de valor morais (ou éticos) de outros juízos de valor.
4. Apresentar o problema da natureza dos juízos de valor morais: são subjetivos, culturalmente relativos ou objetivos?
5. Explicar a resposta do Subjetivismo Moral ao problema da natureza dos juízos de valor morais.
6. Explicar e discutir as objeções ao Subjetivismo Moral que estudou.
7. Explicar e exemplificar o que é a diversidade cultural.
8. Explicar e exemplificar o que é o etnocentrismo.
9. Explicar a perspetiva do Relativismo Cultural quanto ao problema da natureza dos juízos de valor morais.
10. Explicar as objeções ao Relativismo Cultural que estudou.
11. Explicar a perspetiva do Objetivismo moral quanto ao problema da natureza dos juízos de valor morais.
12. Explicar as objeções ao Objetivismo moral que estudou.
13. Comparar e discutir o Subjetivismo Moral, o Relativismo Cultural e o Objetivismo moral.
14. Justificar a opinião própria sobre o problema da natureza dos juízos de valor morais.
15. Aplicar os conteúdos de lógica.
Natureza das questões:
Escolha múltipla; identificação e avaliação de exemplos; questões de resposta curta e de resposta extensa.
Para estudar:
Partes assinaladas das seguintes páginas do Manual: 93, 96, 97*, 98*,da 102 à 107, 109, 114, 115.
* Onde no livro se disser “subjetivismo axiológico” leiam “subjetivismo moral”.
PDF’s dados aos alunos.
No blogue Dúvida Metódica:
Um dos muitos defeitos do atual programa de Filosofia para o ensino secundário é ser enorme. Mesmo depois de depurado pelas Orientações para efeitos de avaliação sumativa externa das aprendizagens na disciplina de Filosofia continua a ser demasiado grande. O facto de, em muitas escolas, a carga horária da disciplina ter diminuído agrava o problema.
Com a depuração feita pelas Orientações é possível “cumprir” o programa, ou seja, lecionar todos os conteúdos obrigatórios. Infelizmente fica pouco tempo para coisas muito importantes. Não me refiro a filmes e visitas de estudo, embora não negue a importância dessas atividades e seja um facto que elas são prejudicadas pela falta de tempo. Refiro-me a algo mais essencial em termos filosóficos e sem o qual ensino da filosofia não faz muito sentido: pôr os alunos a pensar por eles próprios.
Para conseguir isso não basta o professor apresentar a filosofia de um modo crítico e não dogmático, procurando confrontar os filósofos e as teorias com objeções e contraexemplos, pois há sempre alunos que mesmo assim se mantêm passivos e encaram tanto Kant como as objeções contra Kant como coisas que não lhes dizem respeito e que é preciso decorar. Para conseguir isso é necessário realizar diversas atividades suscetíveis de tornar a filosofia uma coisa prática e realmente argumentativa.
Alguns exemplos. Confrontar os alunos com os problemas filosóficos (antes de apresentar as teorias filosóficas que os tentam resolver) e deixá-los discutir demoradamente esses problemas. Analisar e discutir exemplos concretos, dados pelo professor e solicitados aos alunos. Ir colocando, oralmente e por escrito, questões que levem os alunos a questionar as teorias e os seus argumentos e contra-argumentos. Promover muitos pequenos debates em certos momentos das aulas e por vezes debates planeados e organizados. Etc.
Todas essas atividades ocupam bastante tempo e não é possível realizá-las com um programa sobrelotado de temas. Um programa de Filosofia não deve ser tão extenso que dificulte a vida aos professores que tentam ensinar a filosofia de um modo… filosófico.
Oxalá a revisão do programa de Filosofia que está a ser feita tenha em conta essa necessidade e origine um programa mais pequeno.
E que, já agora, corrija outros defeitos do atual programa – como, por exemplo, a desorganização, a linguagem vaga e obscura e a irrelevância filosófica de alguns tópicos. Outro aspeto a precisar de uma revisão drástica é este: exceto o capítulo introdutório (que se quer breve, pois o que interessa não é caracterizar a filosofia mas sim mostrar e praticar a filosofia) e a lógica, todos os capítulos de um programa de Filosofia devem apresentar problemas filosóficos e as teorias mais relevantes acerca dos mesmos (duas ou três). O atual programa tem alguns capítulos em que existe uma mistura confusa de assuntos e em que não é claro qual é problema filosófico em causa.
Por fim, o programa deve ter uma linguagem imparcial e não tendenciosa. Dois exemplos, tirados do atual programa, do que deve ser evitado: expressões como “reconhecer a ação como um campo de possibilidades - espaço para a liberdade do agente” e “reconhecer a necessidade de encontrar critérios trans-subjetivos de valoração” (usadas nos objetivos a atingir pelo aluno) tomam partido por uma das teorias em confronto – o que é obviamente errado e incompatível com a intenção de promover a liberdade de pensamento dos alunos.
Critiquei há meses o modo como o processo de revisão do programa foi implementado, mas teria muito gosto em dar o braço a torcer e reconhecer que me enganei – caso essa revisão originasse, afinal, um bom programa de Filosofia.
Fotografia de Henri Cartier-Bresson, cidade de Tóquio no Japão, 1965.
Imaginando que tinha de optar por um filme, uma canção e um poema sobre o amor (um sentimento poderoso, belo mas também difícil, às vezes), eis as minhas escolhas:
1. O filme: “In the Mood for Love” do realizador Wong Kar Wai. O vídeo contém parte da banda sonora acompanhada de passagens do filme.
2. Uma canção: "Eu Já Não Sei" escrita por Domingos Gonçalves Costa e Carlos Rocha. Neste vídeo, cantam Roberta Sá e António Zambujo, acompanhados por Yamandú Costa e Ricardo Cruz.
3. Um poema (e uma canção): “Gaivota” de Alexandre O'Neill.
Poema cantado por Amália Rodrigues, com música de Alain Oulman.
Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.
Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.
Meu amor na tua mão
Nessa mão onde perfeito
Bateu o meu coração
As vossas escolhas quais seriam?
E o que é o amor?
Um T.P.C para dia 14 de fevereiro, Dia dos Namorados! ![]()
Uma doença muito grave está a matar imensas pessoas na Terra da Boa Vida, uma região muito isolada e de difícil acesso. Já morreram algumas centenas de pessoas e prevê-se que morrerão muitas mais nas próximas semanas. Na Terra da Boa Vida há uma única pessoa imune à doença e um cientista descobre que poderia fazer um medicamento capaz de curar a doença utilizando algum sangue dessa pessoa. Mas há um problema: essa pessoa tem uma outra doença e esta faz com que não possa perder mais sangue. Se lhe retirarem um litro de sangue para fazer o medicamento ela morre. Esta não se oferece como voluntária.
Deverão as autoridades obrigá-la a dar sangue? Será correto obrigá-la, sabendo que isso causará a sua morte? Coloque-se no lugar das autoridades: o que decidiria? Porquê?