segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Deliberação

deliberação pensando na decisão

No que diz respeito à ação, “deliberar” significa refletir ou ponderar.

Muitas ações não envolvem qualquer deliberação. Por exemplo: um automobilista que de repente vê uma pessoa atravessar a estrada a poucos metros do seu carro não reflete sobre o que vai fazer, limita-se a travar o mais rapidamente que conseguir. Passa-se o mesmo com um guarda-redes que se atira a uma bola. Aquilo que o automobilista e o guarda-redes fazem é intencional, mas não é premeditado –não resulta de uma deliberação.

Contudo, muitas outras ações envolvem deliberação. Delibera-se para decidir o que fazer, como fazer, quando fazer, etc. Os agentes, ao deliberar, podem ponderar os meios que vão utilizar, podem questionar-se acerca de eventuais ações alternativas, podem meditar acerca dos motivos que os levam a agir, etc.

Por exemplo: um aluno que pretenda passar a tarde a estudar pode refletir acerca do melhor lugar para o fazer (em casa, na biblioteca…), da matéria que vai estudar primeiro, etc. Esse aluno poderá também ponderar a possibilidade de adiar o estudo e ir namorar.

O fruto da deliberação é uma decisão. No caso do exemplo anterior, a decisão poderia talvez ser: não adiar o estudo e estudar na biblioteca.

A deliberação pode ser racional (levando o agente a escolher a ação e os meios mais adequados aos seus objetivos e interesses), mas também pode ser irracional (levando o agente a fazer escolhas que prejudicam os seus objetivos e interesses).

Por exemplo: se um aluno quer ter boas notas, não é racional ele pensar que talvez os testes sejam fáceis e decidir namorar e jogar futebol em vez de estudar.

Leituras:

Almeida, Aires e outros, 50 Lições de Filosofia – 10º Ano, Didáctica Editora, Lisboa, 2013.

Galvão, Pedro e outros, Razões de Ser, Porto Editora, Porto, 2013.

Vaz, Faustino, “Deliberação e decisão racional”, Crítica - http://criticanarede.com/deliberar.html

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Dead Combo, Lisboa e o Tejo

Dia Mundial da Filosofia: sugestões de dilemas morais para discutir com os alunos

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Segundo a UNESCO, dia 19 de novembro, é o Dia Mundial da Filosofia, reconhecendo-se assim a importância desta disciplina, em particular, na formação dos jovens, uma vez que encoraja o pensamento autónomo e tolerante.
A melhor forma de celebrar este dia é debater ideias. Afinal, a capacidade argumentativa e a atitude crítica – que o estudo da disciplina de Filosofia permite desenvolver – devem PRATICAR-SE nas aulas e na nossa vida em geral. A menos que queiramos viver sem pensar por nós próprios, escravos dos preconceitos, da opinião da maioria, dos interesses instalados, das falsas autoridades e por aí adiante...
Assim, fica a sugestão de vários dilemas éticos que podem ser discutidos nas aulas com os alunos (atividades que as turmas do Pmec e Peac 1 realizaram nas aulas de Área de Integração):

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

“Aprender e intervir”: blogue de Psicologia, Sociologia, Área de Integração e Filosofia

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A professora Sara Raposo (coautora do Dúvida Metódica) disponibiliza no blogue “Aprender e intervir” alguns dos recursos didáticos que utiliza nas aulas de Psicologia, Sociologia e Área de Integração, além das atividades e trabalhos realizados pelos alunos (das turmas PMEC/PEAC 3, PAL/PIE 3, PMEC/PEAC 1, PREC 2 e PIDC/PSEC 1). Pretende-se deste modo, além da partilha com professores e alunos (e outros eventuais interessados), contribuir para a formação cultural dos alunos, fomentar a capacidade argumentativa e a atitude crítica.

No blogue foram criadas páginas para cada uma das disciplinas, onde se podem encontrar links dos posts publicados (tal como nas etiquetas da barra lateral). Eis alguns exemplos de recursos e atividades (clicar nos links para aceder):

Deve haver limites à liberdade de expressão por motivos religiosos?
Houve ou não violação da liberdade de expressão?

Peddy paper no Museu Etnográfico de Faro

O filme "A casa encantada" e a psicanálise
O racismo é imoral
Área de integração 3: Fichas de trabalho nº 1 e 2
PORDATA: para crianças e adultos

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Duas tradições: o apedrejamento e a tourada

Um dos argumentos usados pelos defensores da tourada é o chamado argumento da tradição: a tourada não deve ser abolida pois é uma tradição antiga e enraizada na cultura nacional. Os autores deste anúncio procuraram refutar esse argumento através de um argumento por analogia em que comparam a tourada e o apedrejamento. Será um bom argumento por analogia?

Para finalizar, uma observação não filosófica: a tourada não foi abolida em Portugal, mas o anúncio foi “abolido” da televisão portuguesa.

Generalização ou contra-exemplo?

Algumas pessoas com aspeto estranho não são de confiança. Logo, nenhuma pessoa com aspeto estranho é de confiança.

Interpreto a história deste vídeo como um contra-exemplo à conclusão dessa generalização. Mas a pessoa que publicou o vídeo no Youtube
tem outra interpretação: essa história é como se fosse a premissa (Por vezes enganamo-nos acerca da aparência e do valor das pessoas) de uma generalização cuja conclusão é Nunca se deve julgar o valor das pessoas pela aparência.

Qual será a melhor interpretação?