segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Sobre o poder da retórica

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Quino, Potentes, prepotentes e impotentes, Ed. D. Quixote.
image Quino, "Potentes, Prepotentes e Impotentes", Editorial Teorema, 2004.
image Cartoon retirado daqui.
Nos dois textos seguintes são apresentados  pontos de vista diferentes sobre o papel da retórica, caracterize cada um deles.
«Um retórico do passado dizia que o seu ofício era fazer que as coisas pequenas parecessem grandes e como tal fossem julgadas.
(…) Arquidamo (…) não terá ouvido sem espanto a resposta de Tucídides, ao qual perguntara quem era mais forte na luta, se Péricles, se ele: “Isso será difícil de verificar, pois quando o deito por terra, ele convence os espectadores que não caiu, e ganha”.
Os que, com os cosméticos, caracterizam e pintam as mulheres fazem menos mal, pois é coisa de pouca perda não as ver ao natural, ao passo que estes outros fazem tenção de enganar, não já os olhos mas o nosso juízo, e de abastardar e corromper a essência das coisas.»
Montaigne, Ensaios, antologia, tradução de Rui Bertrand Romão, Relógio de Água Editores, Lisboa, 1998, pág. 147.
***
Num diálogo intitulado Críton, Platão relata a forma como Sócrates (condenado à morte pelo tribunal em 399 a.C por, entre outras acusações, corromper a juventude) responde à proposta que alguns dos seus discípulos lhe fazem: fugir em vez de aceitar a sentença fatal.
“Críton: (…) Mas, caro Sócrates, uma vez mais te peço, obedece-me e salva-te. É que, se morreres não será para mim uma desgraça só, além de ficar privado de um amigo como não tornarei a achar outro, ainda farei aos olhos da maioria, que não nos conhece bem, nem a mim nem a ti, o papel de alguém que podendo salvar-te, se quisesse gastar dinheiro, não esteve para se incomodar. E que fama pode haver mais vergonhosa que parecer ter em maior conta o dinheiro do que os amigos? A maioria das pessoas nunca acreditará que foste tu que não quiseste sair daqui, apesar da insistência dos nossos pedidos.
Sócrates: Portanto, meu caro, não devemos preocupar-nos muito com as afirmações da maioria, mas sim (…) com a verdade. Não é, por isso, boa a tua sugestão inicial de que devemos preocupar-nos com a opinião da maioria sobre a justiça e a bondade (…). Em todo o caso, poderá alguém observar: a maioria é muito capaz de nos mandar matar.
Críton: Evidentemente, poderia muito bem dizer-se isso, ó Sócrates.
Sócrates: Mas, meu caro, a lógica seguida parece-me ser a mesma de há pouco. E repara de novo se este princípio permanece ou não: o que mais importa não é viver, mas viver bem.”
Platão, Êutifron, Apologia de Sócrates, Críton, Edição Imprensa Nacional – Casa da Moeda, Lisboa, 1990.

Retórica e argumentação: recursos didácticos deste blogue

Meios de persuasão

Ethos, logos, pathos

Ethos, Logos, Pathos & Pizza

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Dez anos depois, uma sonda chegou a um cometa a 500 milhões de quilómetros

Primeiro pouso controlado no núcleo de um cometa

Imagem do cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko, tirada pela sonda Rosetta a 6 de novembro. A área onde a nave-robô Philae pousou situa-se na zona superior da imagem, tem cerca de um quilómetro quadrado e foi batizada de Agilkia. (foto ESA/Rosetta/NavCam – CC BY-SA IGO 3.0)

Em Darmstadt os cientistas da Agência Espacial Europeia recebem o primeiro sinal enviado pelo robô Philae a partir do cometa. Foto: ESA

"É a primeira vez na História que uma sonda pousa no núcleo de um cometa.

Philae, a sonda-robô que se desprendeu de Rosetta esta manhã, efectuou em cerca de sete horas a viagem de 22,5 quilómetros até à superfície do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, onde pousou com sucesso numa área de apenas um quilómetro quadrado, baptizada como Agilkia.

O sinal que confirmou o sucesso da operação chegou à Terra cerca de 28 minutos depois, às 17h03, após atravessar cerca de 500 milhões de quilómetros.

Via Twitter, chega a informação de que Philae está à superfície, mas que os seus arpões não dispararam.

Para além de fotos, Philae irá recolher dados para o primeiro estudo detalhado de um comenta realizado in situ. Os dados serão enviados para Rosetta, que os reenviará para a Terra, durante os 17 meses que ficará em órbita.

A sonda Rosetta foi batizada em homenagem à Pedra de Roseta, o fragmento de uma estela do Antigo Egito que permitiu a decifração dos hieróglifos egípcios. Philae recebeu o nome da ilha onde foi encontrado um obelisco que também contribuiu para essa decifração. Esta missão, controlada pelo Centro Europeu de Operações Espaciais, terá como resultado o estudo mais aprofundado alguma vez feito sobre um cometa."

Informação retirada DAQUI.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Uma janela aberta para...

Janelas para a Filosofia

Apresentação

"Todos temos vários pressupostos filosóficos, quer nos apercebamos disso quer não. Seja porque temos convicções sobre o que é correcto ou incorrecto fazer, seja porque temos convicções sobre o que é ou não justo na nossa sociedade. Este livro abre janelas para o mundo da filosofia, ajudando-nos a reflectir com autonomia sobre esses e outros pressupostos filosóficos.

Da filosofia moral e política à filosofia da arte e da religião, da teoria do conhecimento à filosofia da ciência e à lógica, este livro apresenta alguns dos problemas, teorias, argumentos e conceitos que constituem o núcleo da reflexão filosófica. As ideias não são apresentadas como dogmas mortos que nos resta apenas apreciar, mas antes como propostas vivas que urge discutir.

Será que os valores são relativos? Porquê? O que fundamenta a moral? O que é o bem último, aquilo em função do qual os outros bens são bens? E qual é o critério da acção correcta? Serão as consequências? Ou as intenções? Ou será a virtude o que mais conta na ética?

Eis algumas das perplexidades filosóficas que inauguram este livro. Conduzindo o leitor gentilmente, de maneira despretensiosa e simples, encorajando-o a reflectir por si, Janelas para a Filosofia é mais do que uma apresentação da filosofia: é um convite ao filosofar.

Em vez de dogmas mortos, as ideias dos filósofos tornam-se propostas vivas que apetece discutir. Kant e Mill, Aristóteles e Platão, Popper e Kuhn, Collingwood e Tolstói, Anselmo e Nagel, Rawls e Nozick, Gettier e Dickie — estes são apenas alguns filósofos, antigos e contemporâneos, que somos convidados a discutir neste livro singular.

Este livro é do máximo interesse para qualquer pessoa dada à reflexão, curiosa acerca dos pressupostos filosóficos que inevitavelmente temos. Leitura indispensável em universidades e escolas, para professores e alunos, e com uma linguagem clara e despretensiosa, mas rigorosa e sólida, este é o livro de apresentação da filosofia que há muito fazia falta."

Pode continuar a ler AQUI.

Terá o determinista radical razão?

Fotografia do filme cinema Paraiso

(Fotografia do filme de Guiseppe Tornatore “Cinema Paraíso”.)

Determinista [radical]: Que sera sera. O que tiver de ser será. A vida é como um filme. Somos as criaturas que aparecem no ecrã. Pensamos que temos vontade própria. Afinal, estamos apenas a dar forma a acontecimentos predeterminados.”

Será mesmo assim?

Que objecções  podemos apresentar ao determinista radical?

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Determinismo

Determinism

"Events within a given paradigm are bound by causality in such a way that any state of an object or event is determined by prior states. Every type of event, including human cognition (behavior, decision, and action) is causally determined by previous events."

A informação e a imagem foram retirados DAQUI.

Determinismo

"Na sua versão radical, é uma teoria que afirma que todos os estados ou acontecimentos do mundo são determinados por estados ou acontecimentos que lhes são anteriores, de acordo com as LEIS DA NATUREZA. Nesta versão, defende-se que, para qualquer acontecimento b, existe um acontecimento a anterior tal que é impossível que ocorra a sem que, consequentemente, ocorra b. Se esta versão mais radical for verdadeira, levanta-se o problema de saber se é compatível com o LIVRE-ARBÍTRIO, isto é, se a ACÇÃO humana pode ser concebida como genuinamente livre — os compatibilistas defendem que sim; os incompatibilistas, que não. O determinismo não deve ser confundido com o fatalismo, que é a doutrina segundo a qual nada do que fizermos agora terá eficácia causal. Além disso, nem todos os deterministas são radicais, existindo filósofos que defendem um determinismo moderado."

A informação foi retirada DAQUI: Dicionário escolar de Filosofia online, da Plátano Editora.

Há um link para este dicionário na barra lateral deste blogue. Aconselho, vivamente, aos alunos do ensino secundário a sua consulta.