quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Se há progresso moral, o relativismo é falso

Se o relativismo cultural fosse verdadeiro, não faria sentido falar de progresso moral.

Por exemplo: o facto de as mulheres há décadas atrás não poderem votar e hoje já poderem (em muitos países) é habitualmente visto como um mudança positiva, como um progresso. Ver essa mudança como um progresso parece ser algo muito plausível e sensato. Mas isso implica uma comparação entre os padrões culturais atuais e os padrões culturais de épocas anteriores (que eram aceites pela grande maioria das pessoas) e a afirmação de que, pelo menos nesse aspeto, as sociedades atuais são melhores que as sociedades do passado. Ora, segundo o relativismo cultural, esses juízos transculturais não são – supostamente - possíveis (pois quando tentamos fazê-los limitamo-nos a exprimir a nossa própria cultura) 1.

Há vários outros exemplos semelhantes: a escravatura, os direitos das crianças, etc.

Como esses exemplos mostram, temos boas razões para falar da existência de progresso moral. Por isso, o relativismo cultural muito provavelmente não é verdadeiro.

cartoon crítico ds sufragists

Harry Grant Dart, "Why Not Go the Limit?", na revista Puck, em 1908.

O cartoon é uma paródia do movimento sufragista, ou seja, das pessoas que defendiam o direito das mulheres votarem2. O desenho é bom, mas incorre claramente na falácia da derrapagem (também conhecida por bola de neve ou declive escorregadio).

1 James Rachels, Elementos de Filosofia Moral, tradução de F. J. Azevedo Gonçalves, Lisboa, 2004, Colecção Filosofia Aberta, Edições Gradiva, pp.41-42.

2 The Appendix.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Descartes: documentário e filme

Descobri, por acaso, este excelente documentário da BBC sobre a história da Matemática. Vale mesmo a pena ver.

É apresentado pelo professor Marcus du Sautoy e explica-nos  as ideias dos mais importantes matemáticos ao longo da história.  Como acontece em muitos programas da BBC, a clareza do discurso e o seu rigor científico impressionam. É uma boa oportunidade de aprender, garanto-vos.

No dois primeiros episódios do documentário é explicado o contributo do italiano Piero della Francesca e de Descartes, que além de filósofo foi um grande matemático (uma das suas invenções foi o referencial cartesiano… lembram-se das aulas de Matemática?). O episódio seguinte é sobre outros dois importantes matemáticos franceses: Marin Mersenne (com quem Descartes discutiu as suas ideias e trocou correspondência) e Pierre de Fermat, o mais famoso matemático do século XVII. Segue-se outro sobre Newton...

Descartes acabaria por se tornar um dos mais importantes filósofos de sempre. Tal como é referido no documentário, as suas ideias filosóficas inovadoras podem-se  relacionar com a sua actividade como matemático.

Uma passagem do filme de Roberto Rosselini, "Descartes", realizado em 1974. É uma biografia do filósofo, físico e matemático francês René Descartes (1596 - 1650), considerado o fundador da Filosofia Moderna.

Rossellini baseia-se nalgumas das obras fundamentais de Descartes, como o Discurso do Método e as Meditações Metafísicas para com por a personagem do filme.

TPC do 11º D (para não correr o risco de desaparecer!)

As questões da aula devem ser respondidas com base nos seguintes textos:

A dúvida metódica (este deveria ter sido o primeiro post deste blogue)

Razões para duvidar, segundo Descartes

Parte do texto, referido no último link, pode ser ouvido neste vídeo (que contém imagens da época em que Descartes viveu).

Quem pensa que no youtube não se pode aprender Filosofia (ou outra disciplina qualquer), engana-se! No post seguinte há outro exemplo)!

Bom trabalho!

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O ponto de vista do senso comum sobre a ética é relativista ou objetivista?

«Quando julgamos algo como um bem ou um mal não pensamos que estamos apenas a dar livre expressão às nossas emoções — se fosse essa a nossa vontade, bastava apenas dizer se gostamos disso ou não. Nem nos vemos simplesmente a aplicar os padrões da nossa sociedade — apesar de tudo, sabemos que os padrões da nossa sociedade podem estar errados. Em vez disso, queremos afirmar algo que seja objetivamente verdadeiro, independente dos nossos sentimentos ou dos padrões da nossa sociedade. (...) Pensamos, por exemplo, que a escravatura é uma injustiça e que quem pensa o contrário tem de estar enganado. Mas não é fácil defender este ponto de vista do senso comum.»

James Rachels, “A questão da objetividade em ética”, Crítica - http://criticanarede.com/fil_objectietica.html

James Rachels considera que esta concepção objetivista da ética é “a nossa compreensão comum da ética”, o “ponto de vista do senso comum” que se opõe ao subjetivismo e ao relativismo cultural  (ele tenta defender filosoficamente o objetivismo).

Contudo, pelo que tenho observado ao longo de anos nas aulas, os alunos – antes de estudarem filosofia e alguns até depois – defendem espontaneamente o subjetivismo e o relativismo cultural e resistem ao objetivismo. Aliás, não são só os alunos que parecem pensar assim: o “isso é subjetivo” e o “aquilo é relativo” estão muitas vezes na ponta da língua de muito boa gente. Afinal, o ponto de vista do senso comum sobre a ética é relativista ou objetivista? Como é óbvio, qualquer um desses pontos de vista  pode ser – e tem sido – defendido filosoficamente. Mas qual será o mais próximo do senso comum?

escravatura

Matriz do 3º teste do 10º ano (turma A) e links de apoio ao estudo

2013-14 10º Matriz do 3º teste by dmetódica

Links de apoio ao estudo:

A - Sobre o problema do livre-arbítrio.

Formulação do problema do livre-arbítrio (1)

Pêssegos e duelos: exemplos ilustrativos do problema do livre-arbítrio

O Determinismo

A resposta do determinismo radical (2)

Se o determinismo radical for verdadeiro, salvar 155 pessoas não tem qualquer mérito

Argumentos a favor do Libertismo

O livre-arbítrio existe, pois temos consciência dele

Determinismo Moderado

B - Sobre o problema da justificação dos juízos morais.

A cigarra, a formiga e os valores

Nós…

Enterrar viva uma pessoa é errado ou isso é relativo?

Uma tradição admissível, segundo os relativistas culturais

A tolerância não implica o relativismo

A verdade dos juízos morais depende da opinião pessoal?

Será a ética subjectiva?

Haverá provas em ética?

A defesa dos direitos humanos e do relativismo cultural serão compatíveis?

Objectivismo Moral

Tem razão quem se apoiar nas melhores razões

Se há valores morais objetivos, pode-se defender os direitos humanos

Qual é, afinal, a tradição?

A divergência de opiniões é incompatível com a objetividade?

Algumas regras morais são universais

Bom estudo!