
A filosofia, afresco de Raffaello Sanzio.
Quando esta manhã li o exame de Filosofia que os meus alunos estavam a fazer suspirei de alívio. É um bom exame e os alunos que se prepararam conseguirão certamente obter bons resultados.
Não tem erros nem ambiguidades, a linguagem é clara, as questões – com uma possível exceção - incidem em tópicos filosóficos relevante e testam competências diversificadas, sem esquecer – como já tem sucedido – a capacidade crítica e argumentativa. A extensão é adequada e o grau de dificuldade é equilibrado, havendo perguntas fáceis e outras mais difíceis (as questões de lógica talvez pudessem ser mais difíceis).
Ainda assim, vale a pena apontar dois aspetos menos conseguidos.
A questão 1 do grupo II, sobre a crítica de Platão aos sofistas, era dispensável pelo mesmo motivo que era dispensável lecionar esse tema (imposto pelas Orientações e não propriamente pelo Programa): a sua relevância filosófica é duvidosa, tal como a sua articulação com os outros tópicos do capítulo da argumentação.
Num exame de Filosofia é acertadíssimo pedir aos alunos – como é feito na questão 2 do grupo IV – para redigir um texto argumentativo. Contudo, a escolha do problema a discutir não foi feliz. A maior parte dos alunos não costuma gostar muito de Filosofia da Ciência e quase todos teriam mais a dizer e a discutir se, em vez do “papel da experiência científica na validação das hipóteses”, tivessem perguntado a sua opinião acerca do livre-arbítrio ou da existência de Deus.
Contudo, esses senãos não comprometem a qualidade do exame. Li os critérios de correção um pouco à pressa mas julgo poder dizer que são também adequados e claros.
Hoje foi, portanto, um bom dia para o ensino da Filosofia em Portugal. Oxalá os resultados sejam também bons.