domingo, 30 de junho de 2013

A beleza da chuva no Verão

"O chapéu de chuva azul" é um pequeno vídeo da Pixar que antecede o filme infantil "Os monstros na universidade".

Vale a pena ouvir o autor do argumento explicar porque motivo este pequeno filme de animação (maravilhoso!) é uma espécie de ode à beleza da chuva, das cidades e do amor. É uma experiência estética que vale mesmo a pena.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

O que refutar não é

"Os adversários acreditam que nos refutam quando repetem a própria opinião e não consideram a nossa."

Johann Wolfgang von Goethe

Citação encontrada algures na internet, pelo que não garanto a sua exatidão nem autoria. Seja como for, é uma ideia correta, exceto na omissão da palavra “alguns”: trata-se de alguns adversários e não de todos.

JW Goethe by Kraus 1775

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Conhecer outros mundos possíveis talvez não fosse bom

W. H. Auden

 

Esperas, sim,
que os teus livros te desculpem,
te salvem do inferno:
porém,
sem sombra de tristeza,
sem de modo algum
parecer recriminar-te
(escusa de o fazer,
sabendo bem o que importa
a um amante da arte como tu),
Deus poderá condenar-te
no Dia do Juízo
a chorar de vergonha,
recitando de cor
os poemas que terias escrito, tivesse
sido boa a tua vida.

W.H. Auden

 

(Tradução de Ana Luísa Faria, in Hannah Arendt, Homens em Tempos Sombrios, Relógio d’Água, Lisboa, 1991, pág. 239.)

 

terça-feira, 25 de junho de 2013

Greve de professores: não, não fomos manipulados

Baby and shoes

Agora que a greve às avaliações terminou é uma boa altura para repetir que eu e muitos outros professores fizemos greve por decisão individual e não porque os sindicatos nos tivessem manipulado. Não sei bem como é que as pessoas que descreveram publicamente os professores como uns paus mandados sem autonomia tomam as suas decisões, mas eu tomo-as pensando com a minha própria cabeça.

Os professores fizeram greve para tentar alterar condições de trabalho muito más e não para reivindicar privilégios. Importa também dizer que as más condições de trabalho dos professores são mais prejudiciais para os alunos que qualquer greve de professores.

Ainda não estou completamente informado do que resultou das negociações entre o governo e os sindicatos, mas ainda bem que acabou. É bom voltar ao trabalho. Até porque fazer esta greve (com reuniões sempre a serem canceladas e novamente marcadas) deu muito trabalho…

De resto, durante o período da greve os professores continuaram a fazer outros trabalhos (aulas de apoio, vigilâncias, correção de exames, etc.) e comportaram-se com a responsabilidade e o empenho que alguns comentadores e políticos lhes negam.

Se quiser ler mais sobre os motivos da greve espreite aqui:

Para que serve a greve dos professores?
A greve e as condições de trabalho dos professores

Reportagem: dois dias no Parlamento dos jovens

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A aluna Ana Sofia Cadete (do 12º E) - que foi a repórter de serviço, na sessão nacional do "Parlamento dos jovens" 2013 - conta-nos como foi a sua experiência, o que viu e aprendeu. Vale a pena ler!

Reportagem Sobre o Parlamento, Da Autoria Da Aluna Ana Sofia Cadete by dmetódica

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Um bom dia para a Filosofia

A filosofia, afresco de Raffaello Sanzio

A filosofia, afresco de Raffaello Sanzio.

Quando esta manhã li o exame de Filosofia que os meus alunos estavam a fazer suspirei de alívio. É um bom exame e os alunos que se prepararam conseguirão certamente obter bons resultados.

Não tem erros nem ambiguidades, a linguagem é clara, as questões – com uma possível exceção - incidem em tópicos filosóficos relevante e testam competências diversificadas, sem esquecer – como já tem sucedido – a capacidade crítica e argumentativa. A extensão é adequada e o grau de dificuldade é equilibrado, havendo perguntas fáceis e outras mais difíceis (as questões de lógica talvez pudessem ser mais difíceis).

Ainda assim, vale a pena apontar dois aspetos menos conseguidos.

A questão 1 do grupo II, sobre a crítica de Platão aos sofistas, era dispensável pelo mesmo motivo que era dispensável lecionar esse tema (imposto pelas Orientações e não propriamente pelo Programa): a sua relevância filosófica é duvidosa, tal como a sua articulação com os outros tópicos do capítulo da argumentação.

Num exame de Filosofia é acertadíssimo pedir aos alunos – como é feito na questão 2 do grupo IV – para redigir um texto argumentativo. Contudo, a escolha do problema a discutir não foi feliz. A maior parte dos alunos não costuma gostar muito de Filosofia da Ciência e quase todos teriam mais a dizer e a discutir se, em vez do “papel da experiência científica na validação das hipóteses”, tivessem perguntado a sua opinião acerca do livre-arbítrio ou da existência de Deus.

Contudo, esses senãos não comprometem a qualidade do exame. Li os critérios de correção um pouco à pressa mas julgo poder dizer que são também adequados e claros.

Hoje foi, portanto, um bom dia para o ensino da Filosofia em Portugal. Oxalá os resultados sejam também bons.