Não se explica o princípio de Internet só com um facto e uma data, mas o primeiro website era ASSIM. Faz agora 20 anos. Parabéns… a nós.
Mais explicações aqui.
“As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar, senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento.” John Stuart Mill
Da disciplina de Ciência Política (uma opção do 12º ano, nos cursos científico humanísticos) faz parte a discussão de problemas filosóficos, um exemplo disso é o problema da guerra. Se quiserem saber mais sobre o assunto, podem consultar o blogue Homo politicus, em que disponibilizo os recursos utilizados nessas aulas.
Um exemplo de uma actividade é a que se segue.
No dia 1 de Setembro de 1939, os alemães invadiram a Polónia. Dois dias mais tarde, a França e a Grã Bretanha declararam guerra à Alemanha, inicia-se assim a 2ª Guerra Mundial.
Dois políticos ingleses, o chefe de Estado (o rei Jorge VI) e o primeiro ministro (Winston Churchill) proferiram dois discurso históricos, explicando à população os motivos que levavam o país a entrar neste conflito.
Serão os argumentos a favor da guerra, presentes nestes discursos, aceitáveis do ponto de vista ético?
Conforme é muito bem explicado no episódio 1 do documentário televisivo A História da Ciência, a descoberta de que não estamos no centro do Universo perturbou muitas pessoas nos séculos XVI e XVII. Depois, já no século XX, a descoberta de que o Universo é imensamente grande e está em expansão (pelo que, em princípio, não tem sequer centro) perturbou ainda algumas pessoas, que se sentiram desconfortáveis com o facto de vivermos num pontinho insignificante dessa imensidão.
Mas o facto de vivermos num pontinho insignificante implicará que nós próprios somos insignificantes?
Este vídeo não responde a essa questão, mas ajuda a perceber como é realmente pequeno o lugar onde decorre a existência humana.
Sugestão da Patrícia Pacheco, do 11º D, feita aqui.
Os autores dos manuais de Filosofia que usamos atualmente na Pinheiro e Rosa têm novos projetos para o 10º ano. Alguns deles virão a Faro, no próximo sábado, dia 4 de Maio, pelas 9.15 para apresentar os seus novos manuais.
Local: Hotel Eva.
Os manuais em causa são:
50 Lições de Filosofia, de Aires Almeida, Célia Teixeira e Desidério Murcho.
Filosofia – 10º ano, de Luís de Sousa Rodrigues.
Para se inscrever veja aqui.
"Não se pode resolver um problema usando o mesmo raciocínio que foi usado para causar o problema."
Einstein
1. Indução
Uma linha de resposta bastante diferente para o problema da indução deve-se a Karl Popper. Popper olha para a prática da ciência para nos mostrar como lidar com o problema. Segundo o ponto de vista de Popper, para começar a ciência não se baseia na indução. Popper nega que os cientistas começam com observações e inferem depois uma teoria geral. Em vez disso, primeiro propõem uma teoria, apresentando-a como uma conjectura inicialmente não corroborada, e depois comparam as suas previsões com observações para ver se ela resiste aos testes. Se esses testes se mostrarem negativos, então a teoria será experimentalmente falsificada e os cientistas irão procurar uma nova alternativa. Se, pelo contrário, os testes estiverem de acordo com a teoria, então os cientistas continuarão a mantê-la não como uma verdade provada, é certo, mas ainda assim como uma conjectura não refutada.
Se olharmos para a ciência desta maneira, defende Popper, então veremos que ela não precisa da indução. Segundo Popper, as inferências que interessam para a ciência são refutações, que tomam uma previsão falhada como premissa e concluem que a teoria que está por detrás da previsão é falsa. Estas inferências não são indutivas, mas dedutivas. Vemos que um A é não-B, e concluímos que não é o caso que todos os As são Bs. Aqui não há hipótese de a premissa ser verdadeira e a conclusão falsa. Se descobrirmos que um certo pedaço de sódio não fica laranja quando é aquecido, então sabemos de certeza que não é o caso que todo o sódio aquecido fica laranja. Aqui o facto interessante é que é muito mais fácil refutar teorias do que prová-las. Um único exemplo contrário é suficiente para uma refutação conclusiva, mas nenhum número de exemplos favoráveis constituirá uma prova conclusiva.
2. Falsificabilidade
Assim, segundo Popper, a ciência é uma sequência de conjecturas. As teorias científicas são propostas como hipóteses, e são substituídas por novas hipóteses quando são falsificadas. No entanto, esta maneira de ver a ciência suscita uma questão óbvia: se as teorias científicas são sempre conjecturais, então o que torna a ciência melhor do que a astrologia, a adoração de espíritos ou qualquer outra forma de superstição sem fundamento? Um não-popperiano responderia a esta questão dizendo que a verdadeira ciência prova aquilo que afirma, enquanto que a superstição consiste apenas em palpites. Mas, segundo a concepção de Popper, mesmo as teorias científicas são palpites — pois não podem ser provadas pelas observações: são apenas conjecturas não refutadas.
Popper chama a isto o "problema da demarcação" — qual é a diferença entre a ciência e outras formas de crença? A sua resposta é que a ciência, ao contrário da superstição, pelo menos é falsificável, mesmo que não possa ser provada. As teorias científicas estão formuladas em termos precisos, e por isso conduzem a previsões definidas. As leis de Newton, por exemplo, dizem-nos exactamente onde certos planetas aparecerão em certos momentos. E isto significa que, se tais previsões fracassarem, poderemos ter a certeza de que a teoria que está por detrás delas é falsa. Pelo contrário, os sistemas de crenças como a astrologia são irremediavelmente vagos, de tal maneira que se torna impossível mostrar que estão claramente errados. A astrologia pode prever que os escorpiões irão prosperar nas suas relações pessoais à quinta-feira, mas, quando são confrontados com um escorpião cuja mulher o abandonou numa quinta-feira, é natural que os defensores da astrologia respondam que, considerando todas as coisas, o fim do casamento provavelmente acabou por ser melhor. Por causa disto, nada forçará alguma vez os astrólogos a admitir que a sua teoria está errada. A teoria apresenta-se em termos tão imprecisos que nenhumas observações actuais poderão falsificá-la.
3. Ciência e pseudociência
O próprio Popper usa este critério de falsificabilidade para distinguir a ciência genuína não só de sistemas de crenças tradicionais, como a astrologia e a adoração de espíritos, mas também do marxismo, da psicanálise e de várias outras disciplinas modernas que ele considera negativamente como "pseudo-ciências". Segundo Popper, as teses centrais dessas teorias são tão irrefutáveis como as da astrologia. Os marxistas prevêm que as revoluções proletárias serão bem sucedidas quando os regimes capitalistas estiverem suficientemente enfraquecidos pelas suas contradições internas. Mas, quando são confrontados com revoluções proletárias fracassadas, respondem simplesmente que as contradições desses regimes capitalistas particulares ainda não os enfraqueceram suficientemente. De maneira semelhante, os teóricos psicanalistas defendem que todas as neuroses adultas se devem a traumas de infância, mas quando são confrontados com adultos perturbados que aparentemente tiveram uma infância normal dizem que ainda assim esses adultos tiveram que atravessar traumas psicológicos privados quando eram novos. Para Popper, estes truques são a antítese da seriedade científica. Os cientistas genuínos dirão de antemão que descobertas observacionais os fariam mudar de ideias, e abandonarão as suas teorias se essas descobertas se realizarem. Mas os teóricos marxistas e psicanalistas apresentam as suas ideias de tal maneira, defende Popper, que nenhumas observações possíveis os farão alguma vez modificar o seu pensamento.
David Papineau, "Methodology" em A. C. Grayling (org.), Philosophy: A Guide Through the Subject, Oxford University Press, 1998 (Tradução de Pedro Galvão).
Fonte: A Arte de Pensar.